Capítulo 516 — Então venha me matar!
por NexoNovelCapítulo 516 — Então venha me matar!
— Certo, pode falar — disse Wu Chen ao celular.
— Senhor Wu, senhor Wu, é o seguinte… — Meng Junhao falava rápido, como quem está ansioso pra contar algo mas precisa escolher bem as palavras. Por isso repetia algumas coisas e falava aos pedaços.
— Senhor Wu… agora há pouco, Ding Ruilong me ligou. Ele… ele está me pagando pra atacar o senhor. Disse que eu tinha que fazer isso o quanto antes e que, depois do serviço feito, me daria duzentos milhões…
— Ele está mesmo disposto a gastar dinheiro — comentou Wu Chen com um sorriso. A reação foi bem tranquila; mal demonstrou qualquer reação especial.
Meng Junhao achou que Wu Chen talvez não tivesse percebido a gravidade do problema e voltou a falar.
— Senhor Wu, é assim: claro que eu não vou atacar o senhor. Não tem como eu aceitar isso. Mas ele me disse um monte de coisas, me deu sugestões, fez promessas… enfim…
Meng Junhao contou a Wu Chen tudo o que Ding Ruilong dissera, palavra por palavra, sem esconder nada.
Antes ele fora uma espécie de “agente duplo”, mas, desde a primeira conversa com Wu Chen, já não era mais. Passara a passar informações a Wu Chen, mas não contava espontaneamente a Ding Ruilong o que sabia sobre ele.
Dessa vez, contou os detalhes com tanta precisão — inclusive que Ding Ruilong se oferecera pra adiantar cem milhões — que havia também nisso uma intenção de demonstrar lealdade.
Embora achasse que Wu Chen dificilmente teria uma solução, ainda alimentava uma esperança mínima.
Esperava que Wu Chen pudesse resolver a situação, em vez de obrigá-lo a fugir, o que lhe causaria perdas enormes.
Enquanto explicava, Meng Junhao foi intercalando suas próprias palavras e pensamentos. Por isso levou uns quatro ou cinco minutos pra terminar de contar tudo a Wu Chen.
— …As condições que Ding Ruilong ofereceu são realmente generosas. Acho que o senhor também percebe isso. Qualquer pessoa aceitaria uma proposta dessas. Se eu não aceitasse, Ding Ruilong com certeza ia achar que tem alguma coisa errada comigo, que eu mudei — concluiu Meng Junhao, ainda apreensivo.
Apesar de ter explicado a situação a Wu Chen, temia que ele pensasse que estava voltando a jogar dos dois lados e que, no fim, tentaria atacá-lo de verdade.
Wu Chen finalmente entendeu: Meng Junhao tinha aceitado a proposta de Ding Ruilong.
— Entendo. Você fez certo. É melhor agir com cautela e não deixar ele desconfiar nem um pouco de você — respondeu Wu Chen.
Meng Junhao sentiu um enorme alívio. Chegou até a pensar que gostaria de ter conhecido Wu Chen muito antes.
Trabalhar para Wu Chen era muito mais tranquilo do que trabalhar para Ding Ruilong.
— Mas… só que… — começou Meng Junhao, com enorme dificuldade. — Senhor Wu, o senhor conhece o jeito de Ding Ruilong. Agora que aceitei, se eu não atacar o senhor, ele não vai me deixar em paz. Mas eu jamais poderia fazer isso… O que eu faço?
Difícil demais!
Meng Junhao sentia que a vida dele estava complicada ao extremo!
— Hum… — Wu Chen refletiu por um instante.
— Senhor Wu, se realmente não houver saída, eu jamais vou atacar o senhor. Nesse caso, só posso ir embora. Vou me esconder no exterior e esperar a situação esfriar. Eu… não tenho escolha… só posso…
Meng Junhao contou até que pretendia fugir.
A resposta de Wu Chen — “Você fez certo” — o fizera acreditar que ele não era o tipo de homem cruel que mandaria matar alguém do próprio lado pra silenciá-lo.
Além disso, Meng Junhao sabia muito pouco sobre Wu Chen; mesmo que alguma coisa vazasse, não haveria grandes consequências.
Ao mesmo tempo, ainda alimentava uma pequena esperança. Já não esperava que Wu Chen encontrasse uma boa solução pro problema. O que desejava era que, depois de fugir, Wu Chen pudesse ajudá-lo a cuidar dos seus bens e negócios na China.
Mesmo que conseguisse salvar só uma parte, já seria bom. Queria reduzir as perdas o máximo possível.
— Você ir para o exterior… — começou Wu Chen. Fez uma pausa e disse: — Não é necessário.
— C-como assim? Se eu ficar, senhor Wu… Se Ding Ruilong começar a desconfiar de mim, nem precisa descobrir minha relação com o senhor. Basta começar a suspeitar. Trabalho pra ele há tantos anos e sei muita coisa… Ele pode mandar me matar pra me silenciar — disse Meng Junhao, meio apressado. Na verdade, estava em pânico.
Se Wu Chen não o deixasse ir, ele ficaria espremido entre os dois e acabaria morto!
— É só não deixar ele desconfiar de você — respondeu Wu Chen com um sorriso.
— E-eu… como isso seria possível? Se eu não agir, como Ding Ruilong não vai desconfiar? Ele com certeza… — Meng Junhao estava tão nervoso que mal conseguia falar.
— É simples — disse Wu Chen.
— O que o senhor quer dizer…? — perguntou Meng Junhao na hora.
— Se ele quer que você me mate, então me mate uma vez — disse Wu Chen sorrindo.
Silêncio!
Meng Junhao ficou mudo de repente, naturalmente chocado.
Su Qingying, ao lado de Wu Chen, também ficou espantada, arregalando os olhos.
Como Meng Junhao vinha falando baixinho por instinto, Su Qingying conseguia ouvir a voz no celular só aos pedaços. O nome Ding Ruilong, porém, ela ouvira claramente, pois Meng Junhao o repetira tantas vezes que, em algum momento, inevitavelmente ela o escutara.
Mas não conseguira entender exatamente do que se tratava; ouvira só fragmentos.
As últimas palavras de Wu Chen, porém, ela ouviu com absoluta clareza!
“Ele quer que você me mate? Então me mate uma vez!”
Su Qingying sentiu um frio percorrer o corpo e abraçou instintivamente o braço de Wu Chen com mais força. Sabia que havia muitas coisas sobre ele que desconhecia, e sabia também que, em várias situações, nem mesmo Li Ruobing sabia de tudo.
Su Qingying raramente tentava investigar os segredos de Wu Chen por conta própria, pois sua relação com ele era muito diferente da de Li Ruobing com ele.
Os problemas de Su Qingying estavam ligados só à própria família; não colocavam a vida de Wu Chen em perigo.
Com Li Ruobing era diferente. Su Qingying já tinha ouvido bastante sobre o tipo de pessoa que Ding Ruilong era!
E aquela foi a primeira vez que ela ouviu pessoalmente uma conversa sobre o perigo de vida que Ding Ruilong representava para Wu Chen. Afinal, até a palavra “matar” fora dita abertamente.
Su Qingying queria perguntar, queria perguntar na hora, mas se conteve.
Wu Chen ainda estava ao telefone.
— Isso… matar o senhor uma vez… como…? — Meng Junhao, depois do choque inicial, voltou a falar e logo pareceu compreender. — Ah… O senhor quer dizer que vamos encenar tudo? Eu mando homens pra atacar o senhor, o senhor sofre um atentado mas fica bem, e eu simplesmente falho. É isso que vamos mostrar a Ding Ruilong?
— Mais ou menos — respondeu Wu Chen.
— Mas… — Meng Junhao hesitou outra vez, como se tivesse pensado em algo. Chegou até a discordar. — Senhor Wu, acho que isso não vai dar certo.
— Ding Ruilong disse que vai mandar gente pra Donghai, que vai entrar em contato comigo. Se for tudo encenado, os homens dele vão estar por perto e certamente vão querer saber como vamos agir. Talvez o próprio Ding Ruilong também queira saber todos os detalhes antes de eu agir. Com gente observando, é fácil demais perceber que é falso.
— Além disso, ainda não sei quem Ding Ruilong vai mandar, mas imagino que não sejam mais fracos do que os homens que Jiang Chuan trouxe da última vez. Talvez sejam assassinos profissionais ou coisa parecida. São profissionais…
— O que me preocupa é que eles não vão só investigar a situação. Podem ficar de tocaia depois que eu agir, e isso talvez coloque a vida do senhor em perigo…
Meng Junhao tinha pensado em muitas coisas. O raciocínio era claro, e as preocupações faziam sentido.
A encenação dessa vez era completamente diferente daquela em que Wu Chen e He Shiqin haviam fingido um encontro, e Meng Junhao organizara gente pra fotografá-los!
Na ocasião anterior, Ding Ruilong não mandara ninguém a Donghai. Durante toda a encenação, não havia estranhos do lado de Meng Junhao, que podia contar a Ding o que quisesse.
Mas, se encenassem agora, Meng Junhao estaria sendo observado.
O risco de serem descobertos era grande demais, assim como o risco de algo acontecer a Wu Chen!
— Você não precisa pedir aos seus homens que finjam. Basta você mesmo fingir — disse Wu Chen com um sorriso.
— Eu fingir? E meus homens não? — Meng Junhao não entendeu de imediato. Repetiu a frase, ponderou um momento e de repente compreendeu.
— O senhor quer dizer que eu não vou contar aos meus homens que é encenação e vou mandá-los realmente tentar matar o senhor?! — exclamou Meng Junhao, surpreso, falando rápido demais.
A voz ficou tão alta que Su Qingying também ouviu tudo no quarto silencioso de Wu Chen.
— Isso mesmo! — confirmou Wu Chen.
— Mas… — Meng Junhao prolongou a palavra, num tom agudo, completamente atônito.
Antes, ele não conseguira entender a loucura de Ding Ruilong.
Agora, também não conseguia entender Wu Chen.
Wu Chen estava… arriscando a própria vida!
Ele realmente queria que Meng Junhao mandasse homens pra matá-lo uma vez? E enfrentaria tudo de frente? Se Wu Chen vencesse, tudo bem: seria como se Meng Junhao tivesse falhado, não por culpa dele, mas porque Wu Chen era forte demais.
Mas e se Wu Chen perdesse? Se não conseguisse resistir?
Ele morreria!
— Senhor Wu, não precisa fazer isso. Eu… no máximo vou pro exterior. Posso fugir. O risco é grande demais… Se eu não contar aos meus homens que é encenação, eles podem matar o senhor de verdade… — disse Meng Junhao com sinceridade.
Independentemente de haver ou não algum componente de atuação, Meng Junhao sentia gratidão por Wu Chen.
Se Wu Chen fizesse aquilo, Meng Junhao não precisaria correr nenhum risco. Não teria que fugir, Ding Ruilong não desconfiaria dele e ainda lhe daria grandes benefícios. Além disso, não precisaria abandonar os negócios na China.
Só teria vantagens.
Quase todo o risco ficaria por conta de Wu Chen!
O único problema possível seria Li Ruotai, mas isso também tinha solução: bastava avisá-lo com antecedência. Se algo acontecesse a Wu Chen, Meng Junhao não seria responsabilizado.
Apesar disso, ele não aceitava a proposta.
Havia muitas variáveis. Por exemplo, Li Ruobing tinha um temperamento forte; mesmo que Li Ruotai soubesse da situação, ela talvez não entendesse. Além disso, Ding Ruilong mandaria gente pra Donghai, e essas pessoas aumentavam muito a imprevisibilidade.
Mais importante ainda: a solução proposta por Wu Chen colocava todos os riscos sobre ele, enquanto todos os benefícios ficavam com Meng Junhao. Aquilo realmente o tocava.
Um “patrão” assim, muitas vezes, merecia que alguém arriscasse a própria vida por ele.
Meng Junhao não conseguia entender o que Wu Chen estava pensando, mas, naquele momento, achava melhor fugir mesmo assim. E continuava tendo enorme confiança nele.
Acreditava que, pela forma como Wu Chen tratava seus “subordinados”, depois que ele fosse pro exterior, Wu Chen certamente cuidaria bem dos seus negócios na China.
E faria isso melhor do que Ding Ruilong!
Afinal, Donghai era território do “cunhado” de Wu Chen, Li Ruotai. Os negócios de Meng Junhao na cidade não eram particularmente excelentes, mas eram sólidos. Com a ajuda de Li Ruotai pra fazer as conexões necessárias, não seria difícil vendê-los.
— Já que propus isso, é porque tenho certeza de que consigo. Só faça o que eu disser. Acho que nem preciso explicar as vantagens que isso vai trazer pra você… — respondeu Wu Chen.
— Mas… mas… — Meng Junhao ainda queria convencê-lo. A emoção por dentro crescia cada vez mais.
Wu Chen sabia o que Meng Junhao estava pensando.
Era exatamente esse o resultado que ele queria.
Naquele momento, Wu Chen tinha só dois subordinados diretos. O segundo era Lao Dao; o primeiro era Meng Junhao. Quanto a Lao Dao, Wu Chen já o conquistara por completo — podia-se dizer que até o tinha “resgatado” daquela vida. Sua lealdade era inquestionável.
Com Meng Junhao, Wu Chen precisava usar umas estratégias a mais pra conquistá-lo.
Na visão de Meng Junhao, Wu Chen estava arriscando a vida. Na realidade não era assim. Só Wu Chen sabia que não corria perigo algum.
Mesmo no pior dos casos, ele ainda tinha uma carta capaz de reverter tudo: bastava “reiniciar”. E, além disso, o risco que aquela situação representava para ele não era grande.
Sem considerar a possibilidade do reinício, não se podia dizer que não havia perigo nenhum. Mas, para Wu Chen, a probabilidade de fracasso era extremamente baixa.
Se estava disposto a correr um risco mínimo, era porque os benefícios eram inimagináveis.
Ding Ruilong achava que Meng Junhao era um homem infiltrado por ele em Donghai. Na realidade, Meng Junhao era o homem que Wu Chen infiltrara ao lado de Ding Ruilong!
Até então, Meng Junhao era só alguém da periferia que mantinha contato com Ding Ruilong.
Depois que agisse, porém, independentemente de ter sucesso ou não, teria feito tudo o que podia. Ding Ruilong prometera tanta coisa e, sem nenhum imprevisto, não voltaria atrás.
Ding Ruilong passaria a confiar profundamente em Meng Junhao e lhe daria ainda mais apoio!
Não seria exagero dizer que Meng Junhao se tornaria definitivamente um dos homens de confiança de Ding Ruilong — e o infiltrado mais profundo e útil que Wu Chen teria ao lado dele!
Que benefícios isso traria?
O próprio Meng Junhao nem percebia, porque não sabia quais planos Wu Chen já tinha elaborado contra a família Ding.
Pode-se dizer que… depois que Meng Junhao se tornasse homem de confiança absoluta de Ding Ruilong, Wu Chen poderia usar as informações sobre a família Ding que acumulara ao longo de mil anos de ciclos temporais e, por meio de Meng Junhao, atacar a família Ding diretamente!
Poderia usar Meng Junhao para ampliar ainda mais a operação de caça aos ativos que Wu Yurong, Gu Ruibo e outros pretendiam realizar! Poderia até usar Meng Junhao para influenciar as decisões de Ding Ruilong e as ideias de algumas pessoas dentro da família Ding.
Coisas que Meng Junhao jamais conseguiria fazer por conta própria.
Mas, com Wu Chen por trás dele, Meng Junhao se tornaria extremamente útil. Na avaliação de Wu Chen, seria ainda mais útil do que Lao Dao.
Para ser sincero, nem Wu Chen esperava que Meng Junhao conseguisse se aproximar tão rápido de Ding Ruilong.
A oportunidade tinha sido oferecida pelo próprio Ding Ruilong.
Ele pagara pra que Meng Junhao atacasse Wu Chen. Aquilo certamente fora um impulso da parte dele. Wu Chen não previra essa possibilidade, mas era uma “surpresa agradável”!
— O plano fica por minha conta. Do seu lado, só você pode saber que tudo é uma encenação. Você só precisa organizar seus homens de acordo com o meu plano, e não vai ter problema nenhum. Entendeu? — disse Wu Chen com um sorriso, tentando acalmar Meng Junhao.
— Então… qual é o seu plano? — perguntou Meng Junhao. O tom realmente ficou mais tranquilo.
Como Wu Chen elaboraria o plano inteiro e organizaria cada etapa, enquanto Meng Junhao seria só o executor… Wu Chen naturalmente garantiria a própria segurança.
— O plano… não precisa decidir agora. A gente conversa pessoalmente quando chegar a hora. Ding Ruilong mandou você me matar; seria estranho se você agisse na hora. Espera uns dois dias. Depois a gente se encontra e conversa.
— Certo! Está bem, senhor Wu. Vou fazer tudo como o senhor disser — respondeu Meng Junhao depressa, aliviado por enquanto.
— Por ora, é só isso. A gente se fala depois.
— Certo! Certo! Não vou mais atrapalhar o descanso do senhor.
A ligação terminou.
Wu Chen levou a mão pra trás, pôs o celular sobre o armário e se virou pra Su Qingying, sorrindo.
— Vamos dormir.
Como se nada tivesse acontecido. Simplesmente dormir, como sempre.
Esse era Wu Chen.
Su Qingying, porém, não conseguia se acalmar.
— Amor, o Ding Ruilong acabou de contratar alguém pra te matar? — perguntou ela, abraçando o braço dele e erguendo o rosto pra olhá-lo.
— Sim — respondeu Wu Chen, assentindo. Depois sorriu e acrescentou: — Não tem problema. É gente nossa.
— M-mas você acabou de dizer… — retrucou Su Qingying depressa, meio nervosa. — Eu ouvi. O homem no telefone disse que, se você não contasse aos subordinados, eles iam mesmo tentar te matar…
— É isso mesmo — respondeu Wu Chen, assentindo de novo. — Mas o plano é meu. Não tem muito o que se preocupar.
Quando Wu Chen dizia que não havia muito com que se preocupar…
Era claro que havia algum problema!
Mesmo que fosse só um risco mínimo, naquela situação sua vida estava em jogo.
Su Qingying não era tola. Pelo contrário, era extremamente inteligente e perspicaz. Por isso sua avaliação da situação era igual à de Meng Junhao: Wu Chen estava arriscando a vida!
— Isso é perigoso demais, não é? E se… e se você mandar esse homem do telefone pro exterior? — sugeriu Su Qingying, mordendo o canto do lábio sem perceber enquanto o encarava.
— Não há perigo nenhum, ha! — disse Wu Chen, rindo e dando um leve toque no nariz dela pra tranquilizá-la.
Wu Chen não estava mentindo.
Só haveria algum perigo se não fosse considerada a possibilidade de “reiniciar”.
Mas Wu Chen podia “reiniciar”. Por isso, podia afirmar que não havia perigo nenhum para ele naquela situação — nem um pouquinho.
— Vamos dormir. Já disse que não tem problema. Depois eu explico tudo a você, está bem? Não precisa se preocupar — disse Wu Chen, apertando um pouco mais o braço em volta dos ombros dela.
Tentando tranquilizá-la.
Em seguida, estendeu a mão e apagou a luz.
O quarto mergulhou de repente na penumbra. A lua brilhava do lado de fora, e sua luz atravessava a janela, deixando o ambiente envolto numa claridade difusa.
Wu Chen deslizou pra baixo, abraçando Su Qingying, e se deitou por completo.
Hora de dormir!
Silêncio.
Muito, muito tempo se passou.
Su Qingying continuava sem conseguir dormir. Embora seu relacionamento com Wu Chen fosse fora do convencional, ela já estava completamente envolvida e se importava com ele tanto quanto Li Ruobing.
Wu Chen era muito bom com ela e ajudara de maneira fundamental tanto sua carreira quanto sua vida. Ele não era só seu amante, mas também…
Em comparação com o que Li Ruobing sabia sobre Wu Chen, Su Qingying sabia um pouco menos. Conhecia ainda menos as coisas arriscadas que ele fizera no passado.
Por isso, dessa vez, sentia medo de verdade no coração.
Medo de perdê-lo.
— Você sabe que eu sou meio sobrenatural, né? Então não vai acontecer nada. Dorme — disse Wu Chen de repente, no escuro. Sabia que Su Qingying ainda estava acordada, porque a respiração dela não tinha se estabilizado.
Wu Chen era uma pessoa que raramente se vangloriava. Dessa vez chegou a dizer que era “sobrenatural” justamente pra tranquilizar Su Qingying.
Na avaliação dele, a capacidade de Su Qingying de lidar emocionalmente com a situação era muito inferior à de Li Ruobing.
Wu Chen também não queria que a mulher que amava vivesse sempre preocupada com ele.
Mas, desde o momento em que escolhera Li Ruobing, aquilo era inevitável. Sempre haveria situações em que ele pareceria estar se colocando em perigo de propósito; só Wu Chen sabia que não era assim.
Era também por isso que ele raramente explicava tanta coisa. Para os outros, algumas situações pareciam extremamente arriscadas, absurdas, impossíveis de dar certo.
Nem era fácil explicar tudo com clareza. Então era melhor simplesmente não dizer nada.
Puf.
Na penumbra, Su Qingying sentou-se de repente e virou um pouco o corpo, encarando Wu Chen fixamente.
Depois que os olhos se acostumaram com a escuridão, era possível distinguir vagamente as formas graças à luz da lua.
O olhar de Su Qingying estava especialmente brilhante.
— O que foi? — perguntou Wu Chen com um sorriso, movendo a mão para segurar a dela.
Su Qingying, porém, se moveu de repente, inclinou-se para acender a luz e voltou a se sentar. O quarto ficou iluminado num instante. Ela tornou a encará-lo fixamente.
— Você… se for mesmo fazer isso, então… então eu vou contar pra Ruobing! Vou contar pra ela agora mesmo!
Estava preocupada demais. Ia denunciá-lo!
