Capítulo 448 — Será que ele está à altura dela?
por NexoNovelCapítulo 448 — Será que ele está à altura dela?
Toc, toc, toc!
Toc, toc!
Li Ruobing bateu à porta sem muita força. Depois, lançou outro olhar para Wu Chen e apertou instintivamente o braço esquerdo dele, que segurava junto ao corpo. Estava realmente um pouco nervosa.
O nervosismo não vinha de falta de confiança nem do medo de não conseguir lidar com a situação. Não era nada disso. Era apenas que… quanto mais se importava com Wu Chen, mais se importaria também com os pais dele.
Em particular, Li Ruobing não gostava mesmo de socializar.
Nesse aspecto, era muito inferior a seu irmão mais novo, Li Ruotai.
Além disso…
Conhecer os pais do namorado pela primeira vez era uma experiência que deixaria qualquer pessoa nervosa, mesmo que conseguisse aparentar completa naturalidade.
— Parece que alguém bateu na porta?
— Será que Xiao Chen voltou?
— Rápido, vá ver.
— Eu vou, eu vou.
O prédio antigo tinha uma estrutura bastante sólida, mas o isolamento acústico era apenas mediano. Wu Chen e Li Ruobing conseguiam ouvir as vozes do lado de dentro.
Logo escutaram passos apressados, com o arrastar de chinelos pelo chão.
Rangendo, a porta se abriu.
Quem abriu foi Wu Jiao, vestida com um pijama confortável.
— Irmão, cunhada, vocês chegaram! — disse Wu Jiao. Em seguida, virou-se rapidamente e gritou para dentro: — Pai… mãe…
Na sala de estar, um homem de meia-idade, de estatura mediana e ligeiramente acima do peso, levantou-se e caminhou para a entrada. Do outro lado da sala, junto à porta da cozinha, uma mulher de meia-idade, pequena e magra, acabara de tirar o avental e também vinha em direção à entrada.
— Meu filho voltou!
— Nossa, como você emagreceu de novo!
Os dois chegaram à porta e falaram com Wu Chen, embora a atenção de ambos estivesse voltada para Li Ruobing.
Mas não seria adequado cumprimentá-la diretamente.
Precisavam esperar Wu Chen fazer as apresentações.
Além disso, se Li Ruobing estava um pouquinho nervosa por dentro, os pais de Wu Chen demonstravam o próprio desconforto no rosto… Wu Jiao voltara para casa dizendo que Li Ruobing possuía uma fortuna superior a cem milhões! E uma empresa enorme!
— Este é meu pai…
— Minha mãe…
— Pai, mãe, esta é Ruobing…
Wu Chen fez as apresentações, indicando cada um deles.
— Tio. — Li Ruobing cumprimentou o pai de Wu Chen com um sorriso e ergueu a mão instintivamente, mas hesitou.
Certos hábitos não desaparecem de uma hora para outra.
Li Ruobing estava acostumada a apertar a mão de alguém quando o conhecia. Era uma formalidade adequada em encontros profissionais, mas parecia deslocada naquela situação. Só que já erguera a mão; recolhê-la seria ainda mais estranho.
Por isso, hesitou apenas um instante antes de estender naturalmente a mão.
Wu Dahai também não estava acostumado àquilo, mas não poderia deixar de apertá-la, pois constrangeria a convidada.
— Tia.
Li Ruobing apertou as mãos de Wu Dahai e Zhang Xiujuan, um de cada vez.
Ao mesmo tempo, observou os pais de Wu Chen.
Wu Dahai tinha uma aparência comum, mas a pele muito clara. À primeira vista, parecia um homem simpático e afável, sempre disposto a receber os outros com um sorriso.
Já Zhang Xiujuan era… muito bonita!
Tanto Wu Chen quanto Wu Jiao eram bonitos. Pelo menos um dos pais precisava ter uma aparência particularmente atraente.
E ambos haviam herdado quase toda a beleza da mãe.
Embora Zhang Xiujuan já tivesse quarenta e cinco anos, ainda era muito mais bonita que a maioria das mulheres de sua idade. Talvez envelhecesse lentamente por natureza; se dissessem que tinha trinta e sete ou trinta e oito anos, muita gente acreditaria.
Wu Dahai tinha uma barriguinha, mas Zhang Xiujuan não. Era muito magra, o que lhe dava uma aparência cheia de energia.
Li Ruobing já examinara as informações sobre a família de Wu Chen.
Sabia que Wu Dahai era apenas um ano mais velho que Zhang Xiujuan. Ao vê-los pessoalmente, porém, teve a impressão de que ele parecia dez anos mais velho que a esposa.
Evidentemente, Wu Dahai mimava bastante a mulher.
Bastava olhar para os dois para perceber quem cuidava de quem e quem carregava a maior parte das preocupações.
Wu Dahai e Zhang Xiujuan também observavam Li Ruobing.
A primeira impressão que tiveram foi que ela era realmente… bonita demais!
O casal chegou a trocar um olhar. Não havia nenhum significado complicado na expressão dos dois; era simplesmente a surpresa de constatar que ela era de fato tão bonita. Ainda mais do que Wu Jiao descrevera ao voltar para casa!
Wu Chen colocou as várias sacolas e embrulhos que carregava sobre um armário à direita da entrada.
— Ai, meu Deus! Não precisava trazer tanta coisa só porque veio nos visitar! — disse Zhang Xiujuan, num tom que misturava alegria e uma espécie de repreensão.
— Foi Ruobing quem comprou tudo — explicou Wu Chen.
— Nossa… — Zhang Xiujuan exclamou outra vez.
— O que vocês compraram? Tem alguma coisa para mim? — Wu Jiao estava muito mais à vontade que os pais. Perguntou sorrindo e já estendeu as mãos para ver os presentes.
— Você não ganha nada, sua danada — brincou Wu Chen, dando-lhe um leve peteleco na testa.
— Venham, venham… Moça, aqui estão os chinelos.
Zhang Xiujuan tirou dois pares de chinelos do armário. Jogou um para Wu Chen e colocou o outro diante de Li Ruobing.
— Obrigada, tia — respondeu Li Ruobing, percebendo um pequeno detalhe.
Os chinelos que Zhang Xiujuan dera ao filho eram bem antigos. Embora tivessem sido lavados, mostravam sinais claros de desgaste. Talvez fossem os mesmos que Wu Chen usava quando morava ali. Já os chinelos oferecidos a Li Ruobing eram inteiramente novos.
E tinham um modelo muito mais bonito. Não eram daqueles chinelos simples de banheiro. Dava a impressão de que haviam sido comprados especialmente para ela, porque a família sabia da visita.
Enquanto conversavam, trocaram os sapatos pelos chinelos.
— Bem… fiquem conversando. Vou ver como está a comida. Faltam só dois pratos para jantarmos… — Zhang Xiujuan disse, voltando primeiro à cozinha.
— Quer dar uma volta? — perguntou Wu Chen, virando a cabeça para Li Ruobing.
— Vamos conhecer — respondeu ela, sorrindo e imitando um pouco o jeito dele de falar.
Wu Chen levou Li Ruobing para conhecer a casa.
O apartamento era bem grande.
Tinha três quartos e uma sala, com janelas voltadas para o norte e para o sul, permitindo ventilação cruzada. Sua área ultrapassava noventa metros quadrados e praticamente não havia desperdício com áreas comuns.
Fazia parte dos primeiros empreendimentos residenciais comerciais da pequena sede de condado, construídos nos anos noventa do século passado. Embora os preços dos imóveis fossem baixos naquela época, uma unidade tão grande não era barata em comparação com a renda média da população.
A renda da família de Wu Chen, porém, sempre fora muito superior à dos assalariados comuns. Wu Dahai abrira sua loja de macarrão muito cedo e, naquela época, quem tinha um negócio, grande ou pequeno, geralmente ganhava dinheiro. A renda podia ser muito maior que a de um trabalhador comum, às vezes várias vezes maior.
Havia três quartos.
Um dos pais de Wu Chen, outro de Wu Jiao e o terceiro de Wu Chen.
Visitaram os três.
Mas ficaram apenas nas portas, olhando por alto.
Enquanto Wu Chen mostrava a casa a Li Ruobing, Wu Dahai estava sentado no sofá da sala, observando-os. Wu Jiao sentara-se ao lado dele e levara todas as sacolas para a mesa de centro, onde examinava os presentes.
Wu Dahai fumava.
Wu Jiao encontrou numa sacola vários maços de cigarros em caixas fechadas. Não entendia muito de cigarros e não sabia reconhecer a marca ou o preço.
Além dos cigarros, havia duas garrafas de vinho tinto, duas de bebida branca chinesa, duas caixas de pepinos-do-mar, chá e presunto. Eram basicamente alimentos e bebidas. Não havia frutas nem suplementos para a saúde.
Wu Jiao também encontrou presentes destinados a mulheres.
Lenços de seda, um pingente e dois conjuntos de cosméticos.
Nada daquilo era barato.
Mas tampouco eram produtos absurdamente caros ou luxuosos.
Wu Jiao apenas observava e não saiu abrindo as embalagens.
— Pai, olha esses cigarros. Devem ser muito caros, não? — perguntou Wu Jiao em voz baixa. Tirou um dos pacotes maiores da sacola e mostrou-o a Wu Dahai.
— Huanghelou, hein? — Wu Dahai pegou o pacote e examinou. De repente, soltou um: — Ué?
Fumava havia trinta anos. Nunca comprara os cigarros mais caros, mas reconhecia as marcas…
Huanghelou era uma marca extremamente popular, com produtos de preços médios e altos. O nome “Huanghelou” estava escrito na embalagem, por isso Wu Dahai conseguira reconhecê-la.
Mas, ao olhar melhor, já não reconhecia aquela versão.
Nunca a vira.
Sob o nome Huanghelou, apareciam ainda dois caracteres: “Qingdian”.
— Isso deve custar cem yuans por maço, mil por pacote fechado — estimou Wu Dahai. Depois ergueu a cabeça e perguntou: — Quantos pacotes são?
— Cinco caixas, dentro da sacola — disse Wu Jiao, fazendo um gesto com a mão.
— Nossa, isso aí já dá cinco mil yuans — suspirou Wu Dahai.
Estendeu a mão, colocou o pacote ao lado da sacola e voltou a olhar para os embrulhos sobre a mesa de centro. Sua expressão ficou estranha.
Não estava exatamente descontente, mas um pouco melancólico.
Ele conhecia perfeitamente a situação financeira da própria família.
Seu filho arranjara uma namorada linda, de pele clara, de família rica, uma presidente de empresa com uma fortuna enorme.
Deveria ficar feliz.
Mas… aquilo daria certo a longo prazo? Seu filho estava mesmo à altura dela?
Wu Chen e Li Ruobing terminaram a pequena visita e voltaram ao sofá.
— Ah, venham! Moça, sente-se, por favor — convidou Wu Dahai, levantando-se rapidamente.
— Tio, pode me chamar de Bingbing — disse Li Ruobing, sorrindo.
Bingbing era o apelido de infância de Li Ruobing. Pessoas da mesma geração não a chamavam assim. Até Wu Chen dizia Ruobing. Apenas os mais velhos podiam chamá-la de Bingbing.
Wu Chen e Li Ruobing se sentaram lado a lado no sofá.
Em casa, Wu Chen naturalmente estava completamente relaxado. Li Ruobing também não parecia constrangida: sorria com desenvoltura. Sem o traje habitual de executiva, não transmitia mais aquela impressão cortante, mas ainda era impossível ocultar sua distinção.
Wu Dahai era o mais desconfortável de todos os presentes.
Não conseguia relaxar.
Voltou a se sentar, mantendo as costas retas demais, quase formalmente.
— Bin… Bingbing, veja só… Você veio nos visitar e ainda comprou tanta coisa. Deve ter gastado uma fortuna… — comentou Wu Dahai, sorrindo e indicando os presentes sobre a mesa.
— É minha primeira visita. Não poderia chegar de mãos vazias, seria muita falta de educação — respondeu Li Ruobing, sorrindo.
Wu Chen já se recostava no sofá, pronto para assumir a posição mais confortável possível em casa e ouvir os dois conversarem. Lançou um olhar para a mesa de centro. De repente, ergueu as sobrancelhas e voltou a se sentar ereto.
Havia visto o pacote de cigarros que Wu Jiao tirara da sacola e que depois fora deixado ao lado dela.
— Foi você que comprou os cigarros? — perguntou diretamente a Li Ruobing, inclinando a cabeça e falando baixinho ao ouvido dela.
— Hum? — Li Ruobing olhou para Wu Chen, sem compreender a pergunta. — Não. Peguei com A-Tai…
— A-Tai?
— Sim… Anteontem falei com ele ao telefone e contei que viria à sua casa. Perguntei o que seria bom levar de presente. Ele sugeriu algumas coisas e disse que tinha bons cigarros e bebidas na casa dele no oeste da cidade. Falou que eu podia pegar diretamente…
Os dois cochichavam.
Eram namorados; não havia nada de estranho nisso.
Mas, depois de explicar, Li Ruobing percebeu que havia alguma coisa errada. Afinal, se Wu Chen fizera aquela pergunta de repente, não podia ser sem motivo.
— O que foi? Aqueles cigarros… são muito caros? — perguntou ela, baixinho.
