Capítulo 091 — Senhora Su, é um prazer conhecê-la!
por NexoNovelCapítulo 091 — Senhora Su, é um prazer conhecê-la!
A senhora Su sempre gostou de chegar com grande aparato.
Daquela vez não foi diferente.
No instante em que viu o comboio se aproximando, toda a presença furiosa de Su Qingying se dissolveu. Um traço de inquietação surgiu em seus olhos, e ela olhou instintivamente para Wu Chen.
Como se tivesse sentido aquele olhar, Wu Chen virou a cabeça, deu uma rápida olhada nela, piscou e lhe transmitiu com os olhos que ficasse tranquila, acompanhado de um sorriso.
Su Qingying realmente se acalmou um pouco.
Mas, à medida que o comboio avançava depressa, continuou nervosa. Aquele medo da mãe fora cultivado desde a infância.
Ela era como o elefantinho da história infantil, amarrado por uma corda desde pequeno. Dia após dia, o filhote crescia até se tornar um elefante adulto, enquanto a corda continuava sendo a mesma. Bastaria fazer força para se libertar, mas ele não ousava, porque acreditava que não podia, que não conseguiria.
Su Qingying realmente tinha um problema por dentro.
E fora a mãe quem o criara!
Todos viram o comboio da família Su chegando e podiam imaginar quem estava dentro dos carros. O pessoal da família Su sabia; Li Ruobing podia deduzir.
Li Ruobing respirou fundo e ajustou as emoções.
Sabia que confundir alguns guarda-costas era fácil.
Mas a senhora Su era uma mulher dificílima de enfrentar.
E Li Ruobing ainda estava obrigada a ajudar Wu Chen e Su Qingying a esconder a verdade por completo. Chegava a se achar meio “patética”. Não bastava encobrir aquilo agora; no futuro talvez ainda tivesse de servir de cobertura para Wu Chen e Su Qingying.
Se os dois se encontrassem às escondidas e ninguém descobrisse, tudo bem.
Mas, se fossem descobertos, ela, Li Ruobing, teria de aparecer e ajudar a encobrir de novo.
Um cansaço.
Mas Li Ruobing realmente não tinha escolha!
Se revelasse o que havia entre Wu Chen e Su Qingying, o fato de seu relacionamento com Wu Chen ser falso também deixaria de ser segredo.
Wu Chen tocou de repente o braço de Li Ruobing, inclinou a cabeça e sussurrou em seu ouvido:
— A sacola na mão de Su Qingying…
Ao ouvir, Li Ruobing virou-se para Su Qingying.
Só então percebeu que ela segurava havia todo aquele tempo uma pequena sacola branca de papel, com as palavras “Farmácia Kangmei” impressas do lado de fora.
Era o remédio que Su Qingying tinha comprado.
Talvez de tão nervosa, talvez por outra razão, ela não apenas tirara o remédio da farmácia como nem sequer o guardara na bolsa. Continuava com a sacola na mão como se não sentisse mais que a estava segurando.
Quando uma pessoa está concentrada demais em pensar e se preocupar com alguma coisa, é muito fácil ignorar inconscientemente o que tem nas mãos.
Como Su Qingying comprara um “medicamento especial”, a farmácia tivera o cuidado de lhe dar uma sacola discreta.
Mas, quando a senhora Su chegasse, seria ruim se ela notasse aquilo e pegasse a sacola.
De jeito nenhum ela podia ser a primeira a ver que remédio havia ali dentro.
— Qingying, me dá o remédio — disse Li Ruobing, indicando a sacola com um sorriso gentil. — Desculpa o incômodo. Ainda fiz você ir comprar remédio pra mim.
Su Qingying se assustou e entendeu imediatamente.
— Não foi incômodo nenhum. — Ela deu dois passos até Li Ruobing e lhe entregou a sacola de papel com o remédio, acrescentando: — Obrigada por me ajudar, então… não foi incômodo.
Li Ruobing ficou pensativa.
Su Qingying mencionara que Li Ruobing estava “ajudando-a”. Antes, também dissera algo como “o que acontece entre mim e minha mãe” e “ela está sempre certa?”.
Li Ruobing já ouvira falar do quanto a senhora Su era dominante em casa. Até Su Ruiwen cedia a ela, e a educação imposta à filha era especialmente rígida.
Como alguém de fora, é claro que Li Ruobing não tinha como saber até que ponto a senhora Su era severa com Su Qingying.
Mas, pelas palavras dela, começava a entender um pouco.
E compreendeu também por que Su Qingying agradecera por sua “ajuda”.
Wu Chen nunca explicara a Li Ruobing como tinha levado Su Qingying a fugir de casa.
Agora, porém, ela já conseguira deduzir parte da história sozinha.
Wu Chen achava desnecessário explicar tudo em tantos detalhes e, além disso, não tivera tempo. Na opinião dele, com a inteligência daquelas duas mulheres, se elas não fossem capazes de completar uma a fala da outra e deixar a história de pé, então uma das duas só poderia ser… uma completa idiota!
O comboio estava a ponto de chegar à entrada do beco.
Wu Chen de repente deu dois passos para o lado, enfiou as duas mãos nos bolsos e, com toda a naturalidade, ficou observando os carros que iam parar.
Como ele se afastara, Su Qingying e Li Ruobing acabaram ficando mais próximas, com Wu Chen a um passo de distância.
Li Ruobing lançou um olhar para Wu Chen, passou a sacola do remédio da mão direita para a esquerda e, com o braço direito, enlaçou diretamente o de Su Qingying.
As duas imediatamente pareceram… amigas do peito!
— Aguenta? — Li Ruobing inclinou a cabeça e sussurrou para Su Qingying.
O tom não combinava com a expressão do rosto. A voz era fria e objetiva, mas ela sorria.
— Eu… aguento — respondeu Su Qingying.
Pelo tom, porém, não parecia ter muita confiança!
— Você acha que sua mãe controla você demais e quer se rebelar contra ela, certo? — Li Ruobing tornou a perguntar em voz baixa.
Precisava confirmar aquilo para evitar qualquer imprevisto.
— Sim… — respondeu Su Qingying.
— Então pronto. Deixa comigo e fale o mínimo possível — disse Li Ruobing, num tom de “eu resolvo tudo”!
Su Qingying não gostava muito de mulheres de personalidade forte, porque sua mãe era assim. Chegava a achar que aquilo fazia a pessoa parecer pouco feminina.
Mas, naquele momento, mudou de opinião de uma vez.
Até o olhar que dirigiu a Li Ruobing ficou um pouco diferente.
Li Ruobing era forte, dominadora e não abaixava a cabeça.
Por isso, naquele instante, parecia especialmente firme, alguém capaz de segurar qualquer barra!
O comboio parou na entrada do beco, e um grupo de guarda-costas desceu dos carros.
Um deles correu até a porta do Mercedes-Maybach que estava no meio, abriu-a e ergueu uma das mãos acima do vão, protegendo a passagem de quem descia!
A senhora Su saiu do carro.
Uma mulher de meia-idade perto dos cinquenta anos, de cabelos negros e muito bem cuidados, que aparentava pouco mais de quarenta. Usava um penteado preso, meio antiquado, porém refinado, com cada fio impecavelmente no lugar. Vestia um longo vestido preto, sóbrio e digno, acompanhado de um xale. Nas mãos, usava um anel de esmeralda em uma e, na outra, um enorme anel de diamante com uma pedra do tamanho de um ovo de pomba. Levava também uma bolsa cravejada de diamantes.
Nobre, elegante e cheia de presença!
Era muito bonita.
Embora estivesse perto dos cinquenta e o tempo tivesse deixado marcas em seu rosto, tirando-lhe parte da beleza e acrescentando mais solenidade e elegância, ainda era fácil perceber que se tratava de uma mulher muito bonita!
Quando jovem, devia ter sido uma beleza fora do comum!
É claro que precisava ser bonita!
Caso contrário, como poderia ter tido uma filha de beleza quase celestial como Su Qingying?
A aparência de Su Qingying podia ser considerada a herança de todas as qualidades dos pais, sem um único defeito. Mãe e filha realmente se pareciam muito.
Ao descer do carro, a senhora Su tinha uma expressão fria e um tanto impaciente.
Mas, logo em seguida, ficou desconcertada.
Porque viu a própria filha de braço dado com a neta mais velha da família Li, aparentemente até trocando confidências.
E Wu Chen, o namorado de Li Ruobing, cuja foto ela já tinha visto, embora estivesse ali ao lado, parecia quase um estranho na cena, sem nenhuma intimidade com sua filha.
O que estava acontecendo?
A dúvida tornou a atravessar a mente da senhora Su.
Ela já tivera essa suspeita antes, quando soube que o homem que levara sua filha era o namorado de Li Ruobing.
O namorado de Li Ruobing levar sua filha embora?
Só de pensar, aquilo não fechava.
Ela sabia que muitos homens cobiçavam a beleza e a origem familiar de sua filha, mas… o namorado de Li Ruobing teria coragem de fazer uma coisa dessas?
Não teria medo de Li Ruobing arrancar sua pele?
Havia algum mal-entendido?
A cena diante de seus olhos parecia confirmar justamente essa suspeita anterior.
Talvez fosse mesmo um mal-entendido.
Mas, ao mesmo tempo, surgia uma nova questão.
Uma questão ainda maior!
Quando os guarda-costas fizeram o relatório, disseram que Wu Chen não apenas abraçara Su Qingying como também batera na bunda dela.
Aquilo…
Precisava ser esclarecido!
— Qingying! Que absurdo! — A senhora Su se aproximou, lançou primeiro um olhar para Su Qingying e a repreendeu com certa severidade.
Su Qingying não abriu a boca.
A senhora Su então olhou para Li Ruobing. No instante em que virou o rosto, abriu um sorriso cordial e natural e estendeu a mão.
— Senhorita Li, quanto tempo.
— Quanto tempo. A senhora Su continua tão radiante quanto sempre — respondeu Li Ruobing com um sorriso educado, apertando-lhe a mão.
A senhora Su então olhou para Wu Chen.
— O senhor é Wu Chen, não é? É um prazer conhecê-lo! — disse, estendendo a mão também para ele.
— Senhora Su, o prazer é meu! — Wu Chen apertou sua mão, sorrindo.
