Novels chinesas em português
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    Capítulo 382 — Você está me ameaçando?

    Peng Wei tinha jogado o seu trunfo máximo. A ideia original era conversar um pouco com Wu Chen antes, sondá-lo e, de preferência, fazê-lo falar do sequestro e do cárcere privado. Gravaria tudo e, na hora certa, mostraria a carta final!

    Mas mal tinham começado a conversar e a gravação escondida já tinha sido descoberta. Fora forçado a desligar o celular e já nem conseguia segurar a pose!

    Só que!

    Tanto fazia!

    Para Peng Wei, tanto fazia: o resultado não ia mudar! Não podia continuar tão na defensiva; tinha de passar da defensiva ao ataque!

    Mais de dez fotos estavam espalhadas pela mesa.

    Peng Wei cruzou os braços por reflexo, com o canto da boca levemente erguido, num sorriso que ia e vinha! De repente, parecia bem mais confiante e dominante, como quem já tem a vitória garantida.

    Wu Chen olhou as fotos. Todas do mesmo ângulo: Zhuang Xiaodie enlaçando o braço dele, cochichando no ouvido dele, beijando o rosto dele, com um sorriso radiante e uma beleza de tirar o fôlego!

    — Ficaram boas! — disse Wu Chen, olhando para Peng Wei, sorrindo.

    Era preciso admitir: a técnica fotográfica de Peng Wei era excelente, profissionalíssima!

    As imagens eram lindas, quase com uma “pegada de cinema”!

    Como estavam aproximadas, nem dava para perceber que eram flagras; pareciam praticamente fotos artísticas.

    — Senhor Wu, não precisa fingir que não liga. — Peng Wei ergueu um pouco o queixo e ajeitou os óculos. — Vou ser franco: ontem, desde a hora em que você saiu pra jantar, eu tava te seguindo! Vi cada passo seu!

    Enquanto falava, ainda fez um gesto, apontando com dois dedos dos próprios olhos para os de Wu Chen, indo e voltando.

    A linguagem corporal dele já deixava claríssima a mudança de ânimo.

    — Não sei exatamente que relação essa garota tem com você e com a senhorita Li Ruobing. — Peng Wei indicou as fotos, sem tirar os olhos de Wu Chen. — Mas tenho certeza de que a relação de vocês dois não pode vir à luz!

    — Você não me engana, senhor Wu! Ontem à noite eu vi com meus próprios olhos: quando a senhorita Li Ruobing apareceu, essa garota se afastou de propósito, manteve distância de você…

    — Ontem à noite ela foi embora no carro da senhorita Li Ruobing. Imagino que as duas sejam bem próximas. Melhores amigas? Ou outra coisa?

    — Nem coelho come a grama em volta da própria toca! Senhor Wu, você cometeu um grande tabu!

    — Sinceramente, nem sei o que se passa na sua cabeça. A senhorita Li Ruobing é excepcional tanto na beleza quanto no talento. E o gênio dela… acho que o senhor conhece melhor do que eu!

    — Pra neta mais velha da família Li, matar alguém é lá grande coisa?

    Peng Wei era muito eloquente, e quanto mais falava, mais confiante ficava, com o sorriso se abrindo. Queria mexer com as emoções de Wu Chen e bloquear de antemão qualquer desculpa que ele pudesse dar! Não ia mais dar a ele nenhuma chance de posar e manipulá-lo!

    — Eu sei, dá pra deduzir. Se o senhor manda e desmanda assim em Donghai, é em boa parte graças aos irmãos Li. Quem pegou o meu pessoal foi o Jovem Mestre Li Ruotai, não foi?

    — Dizem que o Jovem Mestre Li protege muito a irmã, a Li Ruobing. Se ele pode trabalhar pra você por causa da senhorita Li, também pode fazer você sumir por causa dela. Não acha?

    Desatou a falar.

    Peng Wei estava com uma necessidade de desabafar!

    Tinha se sentido sufocado demais, tudo por causa de Wu Chen. Já que tinha começado, resolveu pôr tudo para fora! Sem esconder nem um pouco a agressividade!

    E, pelo jeito como se referia a Li Ruobing e Li Ruotai, dava para perceber que ele separava Wu Chen dos irmãos Li.

    Instintivamente, nem se atrevia a falar mal de Li Ruobing ou de Li Ruotai!

    Até o tratamento era respeitoso!

    Plac! Plac! Plac!

    Aplausos!

    Sorrindo, Wu Chen ergueu as mãos e aplaudiu Peng Wei.

    — Espetacular! — disse.

    A cara de Peng Wei piorou de novo. A atitude de Wu Chen o incomodava, dava raiva! Peng Wei normalmente não era de perder a cabeça, mas Wu Chen o tempo todo passava a impressão de que não o levava minimamente a sério!

    Aquele sorriso falso… Peng Wei queria ver Wu Chen mudar de cara, queria desmascarar aquela pose!

    — Senhor Wu, preciso te lembrar mais uma vez! — continuou Peng Wei. — Se eu sumir hoje, amanhã você vai ser manchete de primeira página! E mais: tenho várias cópias dessas fotos. Já mandei tudo pra minha empresa…

    Parecia mais confiante, mas, por dentro, continuava com medo de Wu Chen partir para algo extremo!

    — E daí? — Wu Chen olhou para ele, sorrindo. Fez uma pausa e indicou as fotos sobre a mesa. — Você tá me ameaçando?

    — Pode entender assim. — Peng Wei não escondeu nada!

    Não tinha receio nenhum, nem medo de Wu Chen estar gravando. Juridicamente, achava que aquilo nem era crime, porque não estava pedindo dinheiro nem nada. E, mesmo que fosse, não tinha medo: tinha nas mãos um podre fatal de Wu Chen!

    Além disso, Wu Chen já tinha mencionado os podres dele.

    Peng Wei também entendia que Wu Chen sabia muita coisa sua que não podia vir à luz.

    A situação era: cada um segurava um podre do outro.

    Restava ver de quem era o podre maior! E quem tinha mais medo!

    Para Peng Wei, quem devia ter medo era Wu Chen!

    — Então vamos fazer assim. — Wu Chen voltou a falar, indicando as fotos. — Manda essas fotos agora pra Ruobing, e pro Atai também. Manda pra eles verem. Manda—

    O sorriso sumiu do rosto de Peng Wei, e a expressão dele mudou um pouco.

    — Senhor Wu, acha que eu não tenho coragem? — disse ele, estreitando os olhos.

    — Não é questão de coragem. Manda, vai — disse Wu Chen, sorrindo.

    Peng Wei, porém, ficou olhando para ele sem se mexer.

    A sala ficou em silêncio por um instante.

    Peng Wei se sentiu ameaçado. Achava que Wu Chen não queria de verdade que ele mandasse, e sim provocá-lo, naquela teimosia de moleque que não recua. Muito imaturo!

    Mas! Se ele fosse mandar as fotos ali, na frente de Wu Chen… calculava que Wu Chen sacaria uma arma na hora, ou partiria para cima dele!

    O mais perigoso nos jovens era justamente a imaturidade, a impulsividade!

    E, fosse ameaça ou não, na verdade Peng Wei não queria mandar as fotos. Não era o resultado que buscava; não queria que a negociação desandasse. O que queria era que Wu Chen aceitasse a ameaça!

    O silêncio continuou.

    Os dois se encaravam.

    De repente, Wu Chen enfiou a mão por dentro do paletó. Peng Wei mudou de cor, levantou-se num salto, mas travou. A perna bateu na cadeira, que rangeu, um rangido especialmente estridente no silêncio da sala.

    Peng Wei tinha achado que Wu Chen ia sacar uma arma ou coisa assim, mas ele só tirou o celular.

    — Pra que esse susto todo? — perguntou Wu Chen, rindo de um jeito esquisito. Com o celular numa das mãos, pegou com a outra a foto em que Zhuang Xiaodie o beijava, puxou-a para a sua frente e a pousou de novo.

    Abriu a câmera e posicionou o celular, reto, sobre a foto.

    Clique!

    Fotografou a foto.

    — Não vai mandar? — disse Wu Chen, erguendo os olhos para Peng Wei. — Então eu mando!

    Abriu o WeChat e mandou a imagem para Li Ruobing.

    Peng Wei ficou completamente chocado. Estava em pé, então via com clareza tudo o que Wu Chen fazia, e viu que o avatar de quem recebia a foto era mesmo o de Li Ruobing.

    Mas desconfiou que fosse falso!

    Senão, Wu Chen tinha enlouquecido?

    — Mandei. — Depois de enviar, Wu Chen ainda balançou a tela do celular na frente dele.

    Peng Wei voltou a se sentar e disse:

    — Senhor Wu, acho que não precisa fazer teatro pra mim. Eu sei que não mandou pra senhorita Li, você não me engana…

    Trim, trim…

    Antes que Peng Wei terminasse, o celular de Wu Chen tocou.

    Wu Chen já estava com ele na mão. Atendeu direto, pôs no viva-voz e jogou o aparelho sobre a mesa.

    — Alô, Ruobing — disse.

    — Querido? Foi você que mandou a foto? — veio a voz de Li Ruobing pelo celular.

    — Foi. Ficou boa, né? — disse Wu Chen.

    — Até que ficou bem boa. Mandou pra mim pra quê… pra me provocar? — retrucou Li Ruobing, meio emburrada.

    — Não. Por que eu ia te provocar? — Wu Chen riu. — Quem tirou foi o Peng Wei. O cara até que leva jeito pra fotógrafo.

    — Peng Wei? — Li Ruobing se surpreendeu visivelmente, e logo o tom dela esfriou bastante. — Esse cara é um saco mesmo! Ele foi te procurar? Quer que eu resolva? Eu faço ele calar a boca.

    — Não precisa. É só que… eu precisava cumprir essa formalidade com você. Já tá tudo certo — disse Wu Chen, sorrindo.

    A frase soava meio estranha, mas, conhecendo Wu Chen como conhecia, Li Ruobing entendeu o que ele estava fazendo.

    — Tá bom. Pode continuar aí — disse ela.

    Desligaram.

    Wu Chen pousou o celular na mesa e voltou a erguer os olhos para Peng Wei, sorrindo!

    A sala estava em silêncio absoluto.

    Na testa de Peng Wei já brotava suor frio.

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