Novels chinesas em português
    Índice do Capítulo

    Capítulo 328 — Eu vou te encher de bala!

    Recostado na cabeceira, Ding Ruilong se endireitou de uma vez e rosnou entre dentes ao celular:

    — Li! Ruo! Tai! Que porra você quer dizer com isso?!

    Sabia que Li Ruotai ia zombar dele. Já que tinha escolhido atender, naturalmente já tinha uma resposta preparada.

    Também sabia do incêndio no Clube Huangguan; Sun Yongzhang tinha contado na noite anterior.

    Com isso, poderia devolver a zombaria.

    Mas jamais imaginara que Li Ruotai fosse começar xingando-o daquele jeito.

    — Que porra eu quero dizer? Você sabe muito bem! Para de se fazer de besta comigo! — rugiu Li Ruotai. — Mandou pôr fogo no meu clube e achou que eu não ia descobrir? Se você não me explicar direitinho hoje, eu te mato, caralho!

    Ding Ruilong ficou atordoado de novo e respondeu:

    — Descobrir o quê? Que porra isso tem a ver comigo?

    — Ainda finge? Vai continuar fingindo? Vai tomar no cu, Ding Ruilong! — A fúria de Li Ruotai só aumentava, quase fora de controle.

    Ding Ruilong ficou totalmente perdido. Dava para sentir que Li Ruotai estava falando sério. E entendeu, enfim, por que ele começara xingando, tão furioso: Li Ruotai achava que o incêndio no clube… tinha sido obra dele?

    — Li Ruotai, para de me caluniar! Vou te avisar! Esse incêndio não tem nada a ver comigo! Você não sabe que eu tô no hospital? Nem pensa em me incriminar!

    — Eu incriminar você?! Tá dizendo que eu mesmo queimei o meu clube pra pôr a culpa em você, é isso? Quem tem problema na cabeça aqui, eu ou você?

    — Eu falei isso? Uma coisa que não tem nada a ver comigo, e você insiste que fui eu? — Ding Ruilong também estava furioso, mas não teve coragem de dizer que Li Ruotai tinha queimado o próprio clube para incriminá-lo.

    Por mais que pensasse, Ding Ruilong jamais iria na direção de Li Ruotai ter posto fogo no próprio clube. O Clube Huangguan era o fruto de anos de trabalho de Li Ruotai em Donghai. Só um louco queimaria aquilo, e só para incriminar alguém?

    Impossível!

    Vale mencionar um ponto: a família Ding não sabia da crise que Li Ruotai enfrentava naquele momento.

    Em princípio, a família Ding devia saber, porque, para abafar alguns problemas posteriores, a família Li precisaria usar sua rede de contatos.

    Mas!

    Quando Li Maoren fora pessoalmente a Donghai por causa da encrenca de Li Ruotai, acertara tudo com Wu Chen e decidira partir para cima da família Ding.

    Nessas condições, ao voltar, Li Maoren naturalmente não contaria à família Ding sobre a encrenca de Li Ruotai!

    Por isso a família Ding não sabia absolutamente nada sobre o problema de Li Ruotai! E Ding Ruilong não tinha nem uma brecha para fazer qualquer associação!

    Podia desconfiar de qualquer um, menos do próprio Li Ruotai.

    Ao lado, Sun Yongzhang já tinha se levantado.

    Ouvira Ding Ruilong dizer o nome de Li Ruotai e percebera que ele estava brigando com o sobrinho.

    — Ruilong, vocês… — Sun Yongzhang deu dois passos na direção da cama, com a expressão mudando sem parar.

    Como Ding Ruilong dissera que “esse incêndio não tem nada a ver comigo”, Sun Yongzhang conseguiu deduzir o motivo da briga.

    Ficou completamente atônito. Tang Jingbin também.

    Como assim? O incêndio do Clube Huangguan tinha sido obra de Ding Ruilong?

    Como seria possível?

    — Ruilong… me dá o celular. Me dá aqui! — Sun Yongzhang estendeu a mão, fazendo sinal.

    Ding Ruilong olhou para ele e entregou o aparelho.

    Estava furioso, mas, no fundo, nem tinha vontade de continuar discutindo com Li Ruotai. Aquela acusação era forçada demais!

    — A-Tai… o que tá acontecendo? O que o incêndio tem a ver com o Ruilong? — perguntou Sun Yongzhang, afastando-se alguns passos até a janela.

    — Terceiro Tio, eu… — Tão exaltado que mal conseguia encadear as palavras, Li Ruotai explicou a situação.

    O grande incêndio do Clube Huangguan tinha sido apagado na madrugada. Como fora descoberto cedo e os bombeiros chegaram rápido, o prédio não queimou inteiro. Arderam o nono, o décimo e o décimo primeiro andares, além de parte do oitavo.

    Ainda assim, o que o Clube Huangguan tinha de mais valioso eram justamente os três últimos andares. Em comparação, o custo de erguer o prédio era uma parcela mínima do investimento total.

    O que valia era, primeiro, o terreno!

    Segundo, a decoração!

    Gasto com decoração não tem teto. Se alguém arremata num leilão um quadro por centenas de milhões e o pendura na parede, aquilo também é parte da decoração.

    O Clube Huangguan não tinha quadros de centenas de milhões, mas os três últimos andares tinham decoração de luxo do mais alto nível. Só a decoração custara trezentos milhões.

    E nem precisava falar dos três andares. Só a suíte de Li Ruotai, no décimo primeiro, somando decoração e todos os objetos, vasos antigos, um piano de alguns milhões e tudo o mais, custara dezenas de milhões!

    E isso eram só as perdas calculáveis no papel. Havia as incalculáveis: quando o Clube Huangguan fosse fechado para adequação, o impacto não se mediria em meras centenas de milhões.

    Li Ruotai não tinha dormido a noite inteira.

    Depois que o fogo foi apagado, acompanhou a limpeza.

    Fez o levantamento dos prejuízos.

    De manhã, acompanhou também a investigação da causa do incêndio. A polícia esteve no local e fez uma perícia profissional. O ponto inicial já tinha sido identificado: pelas marcas deixadas pelo fogo, devia ser a tomada da “fonte de alimentação ininterrupta”, no canto junto à janela do quarto da suíte 1029…

    E a causa provável era um curto-circuito!

    A pequena chama pegou na cortina e virou um incêndio; os materiais de decoração eram inflamáveis, e o fogo se espalhou…

    Já por que houvera curto-circuito era bem mais difícil de apurar. Podia ter sido um rato roendo um fio, um hóspede anterior que danificou sem querer a fiação ou a tomada, ou alguém que mexera na tomada antes, e assim por diante… Possibilidades demais!

    Dava só para inferir a causa, não para confirmá-la.

    E, como o 1029 não tinha hóspede, pouco antes os investigadores tinham puxado as gravações das câmeras anteriores ao incêndio.

    Vale mencionar que o Clube Huangguan tinha dois sistemas de monitoramento: um oculto e um ostensivo. A sala de controle do oculto ficava no último andar. Como o incêndio estava planejado e ninguém podia descobrir, Li Ruotai tinha mandado desmontar esse sistema oculto com antecedência.

    Só sobrara o “ostensivo”!

    Era o monitoramento normal do clube, com câmeras em todos os corredores e sala de controle no primeiro andar.

    O primeiro andar não tinha sido atingido, então dava para puxar todas as gravações dos corredores do décimo andar antes do incêndio.

    Puxaram!

    Mas não acharam nada de anormal logo antes do fogo. Ninguém tinha entrado ou saído do 1029. Não havia hóspede, a suíte estava limpa, e por isso nem a limpeza entrava lá.

    Voltaram mais nas gravações!

    E aí Li Ruotai viu: pelas imagens do corredor do décimo andar, por volta das 16h45 e depois por volta das 18h18 do dia anterior, um dos guarda-costas de Ding Ruilong tinha entrado às escondidas no 1029 duas vezes, ficando alguns minutos lá dentro em cada uma.

    Aquilo, naturalmente, era muito anormal!

    Checaram outras câmeras e acharam ainda imagens do mesmo guarda-costas rondando o corredor do nono andar e puxando conversa com uma moça da limpeza.

    — …Se não foi ele, quem foi? Só porque eu irritei ele? Só porque falei umas coisas a favor do meu cunhado? Precisava mandar pôr fogo no meu clube por causa disso? — Li Ruotai contou tudo, o tamanho do prejuízo, o que tinham descoberto, e terminou quase histérico!

    Sun Yongzhang ficou completamente atônito.

    Sabia da encrenca de Li Ruotai, mas não sabia que ele pretendia queimar o clube. A ideia tinha sido de Wu Chen, e pouquíssimos sabiam.

    Sun Yongzhang se virou para Ding Ruilong, com o celular na mão, e por um instante não conseguiu dizer nada.

    — Terceiro Tio, o Ding Ruilong ainda tá no hospital? — perguntou Li Ruotai.

    — Hum… tá — disse Sun Yongzhang.

    — Tô indo pra aí agora.

    Tu-tu-tu…

    Li Ruotai desligou.

    Sun Yongzhang baixou o celular, voltou e o devolveu a Ding Ruilong.

    — Tio Sun? — Ding Ruilong percebeu que a expressão dele estava estranha.

    — O A-Tai está vindo. Quando ele chegar, vocês conversam. Talvez seja um mal-entendido — disse Sun Yongzhang, voltando a se sentar. A expressão continuava estranha, mas ele não disse mais nada.

    Mais de meia hora depois.

    De repente, um tumulto estourou do lado de fora da enfermaria, com gritos de ordem.

    — Quietos, porra! Querem morrer?

    — De joelhos!

    Li Ruotai tinha chegado, e com dezenas de homens. Pegos de surpresa, os guarda-costas de Ding Ruilong no corredor foram todos dominados.

    Bam!

    Li Ruotai abriu a porta da enfermaria com um chute.

    — Ding Ruilong, eu vou te encher de bala, seu filho da puta! — Mal entrou, Li Ruotai sacou a arma.

    Nota