Novels chinesas em português
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    Capítulo 233 — Supercomportada, superobediente

    As mais de cem pessoas se dispersaram em massa. Ainda não conseguiam entender exatamente o que estava acontecendo, mas, pela mudança radical na atitude de Mao Qi, que tinha ido do céu ao inferno num instante, todos percebiam que a coisa era séria!

    Ele já tinha chamado Wu Chen de “tio”.

    Já tinha se curvado.

    Naturalmente, quanto mais rápido pudessem ir embora, melhor.

    O próprio Mao Qi também saiu depressa.

    — Ele… — Ao ver Mao Qi se aproximar a passos rápidos, Tang Shanshan ainda quis perguntar alguma coisa, mas ele não disse nada. Apenas agarrou o pulso dela, puxou-a para fazê-la se virar e gesticulou, indicando que entrasse logo no carro.

    Primeiro saíam dali; depois conversavam!

    — Irmão Daqi… — He Xinxin, de catorze anos, continuava completamente perdida, sem entender a situação. Só sentia uma coisa: que medo! Nunca tinha visto algo ou alguém que nem o irmão Daqi conseguisse resolver.

    — Seu irmão não pode mais te ajudar, Xinxin. Se cuida… espero que fique bem… — Mao Qi respondeu de qualquer jeito e abriu a porta do carro para entrar.

    Aquele “espero que fique bem” fez o coração de He Xinxin dar outro pulo.

    O lugar estava um pouco caótico. Mais de cem pessoas indo embora ao mesmo tempo lembravam a dispersão depois de uma grande atividade escolar; parecia haver gente por toda parte.

    He Xinxin subiu no skate e tentou fugir.

    — He Xinxin… aonde você pensa que vai? — A voz arrastada de Wu Chen soou de repente.

    He Xinxin, que mal tinha começado a deslizar, parou imediatamente. Na verdade, sabia muito bem que, se Wu Chen não quisesse deixá-la fugir, ela não conseguiria.

    O “irmão Daqi” tinha chamado tanta gente, mas agora parecia que todos tinham virado gente de Wu Chen e ainda o chamavam de tio?

    Além disso, Wu Chen sabia onde ela morava.

    O rugido dos motores voltou a soar. Logo, os mais de dez carros esportivos deixaram a pequena praça. As outras mais de cem pessoas também foram embora. Até aqueles que já estavam ali andando de skate antes fugiram, sem coragem de permanecer por mais tempo!

    Na pequena praça, restaram apenas Wu Chen e He Xinxin.

    Ela já tinha levantado o skate e o segurava pela lateral com uma das mãos. Ficou parada de lado, de cabeça baixa, imóvel, como uma aluna travessa do fundamental obrigada pelo professor responsável pela turma a ficar de castigo em pé.

    Quando viu que quase todos já tinham ido embora, Wu Chen abriu a boca com um leve sorriso:

    — Venha aqui.

    He Xinxin ficou parada mais alguns segundos. Só então se virou e, ainda de cabeça baixa, caminhou até ele em passinhos curtos. Em certo momento, levantou rapidamente os olhos para espiá-lo e logo voltou a baixar a cabeça. Foi se arrastando devagar até parar diante dele.

    Ainda de cabeça baixa.

    Sem coragem de olhar para Wu Chen.

    Parecia uma criança que tinha feito algo errado.

    Com uma das mãos no bolso, Wu Chen baixou ligeiramente o olhar para ela. Não disse nada. Apenas ficou olhando, com um leve sorriso no rosto, em completo silêncio.

    Alguns segundos se passaram.

    Com muito cuidado, He Xinxin ergueu os olhos para espiá-lo. No instante em que seus olhares se encontraram, ela tornou a baixar a cabeça.

    Nos dez e poucos segundos seguintes, espiou-o várias vezes. Toda vez que seus olhos se cruzavam, baixava imediatamente a cabeça. Wu Chen continuava olhando para ela com seu sorriso habitual, sem dizer uma palavra.

    Ploc, ploc.

    Algumas lágrimas caíram no chão, espalhando pequenos brilhos.

    He Xinxin começou a chorar. Primeiro soluçou, depois o choro ganhou voz. Era baixo, mas ainda dava para ouvir com clareza.

    Pá!

    Ela soltou a mão e o skate caiu no chão. Esfregou os cantos dos olhos com o dorso da mão, mas as lágrimas não paravam. Seus ombros tremiam de tanto chorar. Parecia lamentável de verdade.

    — Por que você está chorando? — perguntou Wu Chen.

    — Professor, me desculpa… professor… — disse ela entre soluços.

    — Desculpa pelo quê? — Wu Chen se inclinou um pouco para a frente, aproximando o rosto do dela. — Eu ainda nem disse nada e você já está chorando assim. É de verdade ou é atuação?

    Riu ao terminar, num tom leve e provocador.

    — Professor… eu… eu só queria… recuperar a gravação… eu… me desculpa… — He Xinxin chorou ainda mais, sem conseguir conter as lágrimas.

    — Então você é bem malvada, hein? Para recuperar a gravação, chamou tanta gente e ainda queria bater no professor. He Xinxin, você é uma criança má.

    Wu Chen se endireitou enquanto falava.

    — Professor… Xinxin não é uma criança má, Xinxin não é… — Ela avançou alguns passos e agarrou a barra da roupa dele, puxando-a sem parar.

    Agora ousava olhá-lo. Ergueu um pouco o rosto enquanto dizia que não era uma criança má, com a carinha coberta de lágrimas.

    Estava desesperada!

    Havia um medo verdadeiro dentro dela.

    — Não é? — Wu Chen perguntou de novo.

    — Xinxin não é, não é. — Ela chorava e balançava a cabeça sem parar.

    — Tem certeza?

    — Não sou, não sou. — Ficou ainda mais aflita.

    — Está bem, Xinxin não é uma criança má. — Wu Chen sorriu, como se tivesse sido convencido. — Quem reconhece o erro e muda é uma boa criança.

    O estado emocional de He Xinxin melhorou de imediato. Ainda segurando a barra da roupa dele, perguntou entre soluços:

    — Professor, não fica bravo com a Xinxin, tá?

    — E por que você acha que eu seria tão generoso? — Wu Chen perguntou com um sorriso.

    — Professor… por favor… por favor… Xinxin sabe que errou. Desculpa, desculpa… professor… não fica bravo… — Ela implorava, com um toque de manha na voz.

    — Eu não fico bravo… mas você tem que obedecer, entendeu?

    — Xinxin vai obedecer, Xinxin vai obedecer. — Assentiu repetidamente, prometendo.

    — Por enquanto, acredito em você. — Wu Chen sorriu.

    — Então, professor… professor, você… — He Xinxin parecia ainda ter algo a dizer. Puxando a roupa dele com uma expressão lastimável, perguntou entre soluços: — Professor… você pode… não contar para a minha mãe o que aconteceu hoje?

    Era disso que ela mais tinha medo!

    Se sua mãe, He Shiqin, descobrisse que a própria filha tinha chamado mais de cem pessoas para bater no professor particular dela?!

    As consequências… ela nem ousava imaginar!

    — Não contar para sua mãe… — Wu Chen repetiu, e então sorriu. — Vai depender do seu comportamento. Tem que ser boazinha, entendeu?

    — Uhum, uhum! Xinxin é boazinha, muito boazinha! — Ela assentiu sem parar, como um pintinho bicando arroz.

    — Então está combinado. Pronto, enxugue as lágrimas…

    Wu Chen sorriu, tirou um lenço do bolso e entregou a ela.

    Uma hora depois.

    Em outra parte do parque, Wu Chen e He Xinxin estavam sentados num banco. Ela já tinha se recuperado emocionalmente. Depois de chegarem a um acordo, os dois não saíram do parque; deram uma volta por ali e conversaram.

    Quando se acalmou, He Xinxin começou a fazer um monte de perguntas a Wu Chen.

    Perguntou por que o “irmão Daqi” tinha medo dele.

    Perguntou o que a família de Wu Chen fazia.

    Wu Chen respondeu com algumas verdades e algumas mentiras. He Xinxin não acreditou naquela história de que “a família dele tinha um restaurante de lamian”; achava que ele estava só brincando com ela.

    Mas isso não impediu que, aos poucos, estrelinhas surgissem no olhar que ela dirigia a ele.

    Havia admiração ali.

    Ela realmente achava Wu Chen incrível!

    Por volta das cinco e meia da tarde.

    Finalmente, os dois deixaram o parque juntos. Antes de sair, passaram por uma pequena loja. Ao ver que vendiam sorvetes de casquinha, He Xinxin correu por iniciativa própria, comprou dois e voltou carregando os dois. Entregou um a Wu Chen.

    Pagou um sorvete para ele.

    Estava mesmo supercomportada!

    Logo, os dois chegaram à entrada do Residencial Shiji Huayuan. Wu Chen entrou com ela. Tinham acabado de entrar no residencial e caminhavam para dentro, ainda antes de chegar ao prédio, quando o celular dele tocou de repente.

    Trim, trim…

    Os dois pararam por um instante.

    Wu Chen pegou o celular e olhou a tela. Era Mao Rusong. Atendeu e levou o aparelho ao ouvido.

    — Chefe Mao.

    — Senhor Wu, não estou atrapalhando o senhor, estou? — Mao Rusong perguntou depressa. — Se estiver ocupado, podemos conversar outra hora!

    Aquilo soava um pouco estranho. Ele mesmo tinha ligado e, ao mesmo tempo, parecia morrendo de medo de incomodar.

    Por dentro, Mao Rusong também estava dividido. Estava ansioso, a ponto de não conseguir comer nem dormir direito!

    — Não. Aconteceu alguma coisa, Chefe Mao? — Wu Chen perguntou.

    — É o seguinte, senhor Wu. Se o senhor tiver tempo, eu gostaria de convidá-lo para beber… quando o senhor poderia me dar essa honra?

    — Tenho tempo, mas um pouco mais tarde.

    — Mais tarde não tem problema. É só me dizer o horário, eu fico esperando — respondeu Mao Rusong imediatamente.

    Ele estava realmente “ansioso”!

    Wu Chen sabia muito bem por quê. Naturalmente, era por causa do filho dele! Num caso desses, só porque Wu Chen dissesse que não havia problema não significava que Mao Rusong acreditaria que ele realmente não se importava.

    Wu Chen conseguia até imaginar que Mao Rusong certamente prepararia um “grande presente” para ele. Caso contrário, não conseguiria ficar tranquilo!

    Nota