Capítulo 400 — O método definitivo de Wu Chen para controlar a irmã!
por NexoNovelCapítulo 400 — O método definitivo de Wu Chen para controlar a irmã!
Wu Jiao e Chen Xue não perceberam que alguém tinha entrado no escritório. Não é que não tivessem ouvido a porta se abrir; simplesmente ignoraram o som de alguém entrando, de tantas vezes que aquilo já acontecera!
Fazia mais de meia hora que estavam ali e, desde que Li Ruobing se sentara à mesa, o entra e sai não parava: gente trazendo documentos, gente pedindo assinatura, gente chamada por Li Ruobing para receber ordens…
No começo, Wu Jiao e Chen Xue levantavam a cabeça toda vez que alguém entrava. Depois, pararam de olhar.
Era sempre a mesma coisa, não tinha nada de interessante para ver.
Li Ruobing virou a cabeça, viu Wu Chen entrar e se levantou sorrindo. Ia dizer alguma coisa, mas Wu Chen ergueu a mão, fez um “psiu” e lançou um olhar na direção de Wu Jiao.
Era óbvio que pretendia pregar uma peça na irmã.
O sorriso de Li Ruobing ficou meio torto, mas ela não fez nenhum som.
No sofá, de frente para a mesa, mas a certa distância, Wu Jiao e Chen Xue estavam sentadas lado a lado, de cabeça baixa, cochichando e admirando a bolsa da Chanel no colo de Wu Jiao.
Estava na cara que ela tinha se apaixonado pela bolsa!
Não conseguia largar!
— …Essa bolsa é de couro legítimo, né? Será que vai acabar desgastando aqui? Olha… — perguntou Wu Jiao baixinho para Chen Xue.
— Usando no dia a dia, com certeza vai desgastar. Mas bolsa cara assim dá pra mandar consertar — respondeu Chen Xue, também baixinho.
— Hum… — Wu Jiao fez biquinho, pensativa, e sussurrou: — Cara desse jeito, será que não vai chamar atenção de gente mal-intencionada?
— Tá com medo de bandido? — perguntou Chen Xue.
— Não é bem isso… É que dá uma dor no coração só de pensar em estragar um pouquinho. E… se eu usar essa bolsa, a gente não vai mais ter bolsas iguais…
— Não tem problema. Eu tenho uma bolsa cara lá em casa. Aquela que minha tia me deu de aniversário este ano, lembra? Também é rosa. Não é tão cara quanto a sua, mas custou mais de dez mil… Daí, quando a gente sair pra passear, as duas vão de bolsa rosa…
— Ah, é, é mesmo! Lembro dela.
— De onde saiu essa bolsa? — Uma voz masculina, num tom risonho, soou de repente, bem pertinho delas.
Wu Jiao e Chen Xue levaram um susto e ergueram a cabeça ao mesmo tempo.
— Mano!
— Irmão Xiao Chen!
As duas cumprimentaram por reflexo. Logo em seguida, Wu Jiao ficou de pé num salto:
— Mano, quando você chegou?
— Agora mesmo — respondeu Wu Chen, sorrindo. Apontou a bolsa com o queixo e perguntou de novo: — Tô te perguntando: de onde saiu essa bolsa?
Wu Jiao ficou nervosa na hora.
Já estava preocupada em levar bronca por ter aceitado uma bolsa tão cara, e Wu Chen ainda chegava perguntando daquele jeito.
Sem perceber, apertou a bolsa com mais força, com um ar meio acuado. Os irmãos se davam muito bem, viviam brincando e implicando um com o outro, mas Wu Chen era cinco anos mais velho, e essa diferença de idade fazia com que, quando ele ficava bravo de verdade, Wu Jiao sentisse medo.
— A bolsa foi presente meu. — A voz de Li Ruobing chegou até eles enquanto ela saía de trás da mesa, os saltos fazendo toc, toc, toc. — Algum problema?
— Não, problema nenhum — respondeu Wu Chen, sorrindo para Li Ruobing. — Só perguntei.
Ao se aproximar, Li Ruobing lançou a Wu Chen um olhar de falsa reprovação. Sabia que ele estava provocando a irmã!
— Humpf! — Wu Jiao soltou de repente um muxoxo.
Pelo tom com que Li Ruobing falara com Wu Chen, percebeu que tinha alguém para defendê-la!
— Tá resmungando por quê? — Wu Chen se virou para a irmã.
— Humpf! Humpf! Humpf! Porque eu quero! Foi a cunhada que me deu, nem vem me dar bronca! — Wu Jiao estava toda cheia de coragem. Só faltava mostrar a língua para o irmão.
— Olha a ousadia. — Wu Chen ergueu a mão… e plantou-a na cabeça de Wu Jiao.
Esfregou!
— Ai! Mano, para… Você… de novo… Bagunçou tudo!
Aquele era o método definitivo de Wu Chen para controlar a irmã “mil anos atrás”: esfregar o cabelo dela. Para uma garota, cuidar do cabelo dava trabalho. Cabelo comprido precisava ser penteado com cuidado e, se ficasse bagunçado, tinha que pentear tudo de novo.
Por mais que tivesse amadurecido ao longo de mil anos de repetições…
Wu Chen não pretendia mudar o jeito de lidar com a irmã.
Não havia necessidade!
Com qualquer pessoa, Wu Chen era capaz de fingir ser o que quisesse, mas com a irmã não havia a menor necessidade disso! Não queria que ela sentisse que ele tinha virado um estranho.
— Reconhece que errou? — perguntou Wu Chen.
— Errei, errei! Mano, eu errei! — disse Wu Jiao.
Só então Wu Chen a soltou.
Esquecendo que havia um sofá atrás dela, Wu Jiao deu um passo para trás e despencou sentada nele, sem chegar a cair. Na mesma hora, revirou a bolsa atrás de um espelhinho, abriu, olhou o estrago e levantou a cabeça para fuzilar Wu Chen com os olhos.
Parecia prestes a morrer de raiva.
— Continua me encarando pra você ver — disse Wu Chen, com um olhar que ela sabia muito bem interpretar.
Wu Jiao amarelou e parou de encará-lo, mas continuou com os lábios apertados, emburrada.
Em casa, ela até tinha coragem de bater boca com Wu Chen. Mesmo sem conseguir “ganhar” dele, podia chamar a mãe para tomar o partido dela. Fora de casa, não ousava. E também não dava para contar muito com a cunhada para defendê-la.
— Que ódio! Vive bagunçando meu cabelo — resmungou Wu Jiao, tirando da bolsa um pentinho de madeira para se pentear.
— Ha! — Li Ruobing não aguentou e caiu na risada. — Vocês dois são sempre engraçados assim?
Estava se divertindo de verdade, principalmente por causa do contraste.
Se não tivesse visto com os próprios olhos naquele dia, Li Ruobing jamais imaginaria que alguém tão tranquilo e centrado quanto Wu Chen fosse capaz de “judiar” da própria irmã!
— Cunhada, meu irmão tá me maltratando! — Wu Jiao ergueu a cabeça e arriscou ir se queixar a Li Ruobing.
— Deixa que eu dou uma lição nele por você — respondeu Li Ruobing, rindo. Então se virou de frente para Wu Chen e agarrou a gravata dele com firmeza.
Puxou!
Beijou!
Li Ruobing simplesmente tascou um beijo em Wu Chen.
Wu Jiao ficou paralisada por um instante e, logo depois, quase revirou os olhos.
Isso é dar uma lição?!
Tem certeza que não é só ficar se exibindo de casal apaixonado?!
E direto assim! Tinha gente olhando!
Embora, para uma estudante do ensino médio da idade dela, aquilo não fosse nada de outro mundo, a cena mexeu muito com Wu Jiao e trouxe de volta todas aquelas dúvidas.
Como eles tinham começado a namorar?
Como uma presidente-executiva jovem, linda e bilionária tinha se interessado pelo irmão dela, que não tinha nem dinheiro nem influência?
E ainda por cima tão apaixonados assim?
Li Ruobing beijou Wu Chen duas vezes e se afastou só um pouquinho, ainda colada nele. Olhando nos olhos dele, perguntou baixinho:
— E a An Menglan?
— Foi pro aeroporto — respondeu Wu Chen, sorrindo, em voz baixa.
— Foi embora? — Li Ruobing se surpreendeu.
— Foi. Voltou pra Modu — respondeu Wu Chen.
— E você teve coragem de deixar ela ir? — provocou Li Ruobing, ainda segurando a gravata dele.
— Minha irmã tá aqui. Não fala disso agora — disse Wu Chen.
Li Ruobing lançou-lhe um olhar e não tocou mais no assunto. Soltou Wu Chen e se virou para Wu Jiao, que se penteava diante do espelho enquanto Chen Xue a ajudava a desembaraçar os fios.
Era preciso admitir que Wu Chen tinha muita prática.
O cabelo de Wu Jiao estava completamente desgrenhado, quase cheio de nós.
— Jiaojiao — chamou Li Ruobing. Quando a menina levantou a cabeça, ela apontou para um lado. — Ali é a minha sala de descanso. Tem um banheiro onde dá pra lavar o cabelo, e tem secador também…
Wu Jiao olhou na direção indicada, levantou-se e disse:
— Obrigada, cunhada.
Ia até lá.
Lavar o cabelo era exagero, mas, com um secador, ficaria mais fácil de ajeitar. Ela tinha lavado o cabelo de manhã e ele não estava oleoso; bastava dar uma secadinha para pentear sem dificuldade.
Foi então que…
Trim, trim…
Um celular começou a tocar.
Era o de Wu Jiao.
Ela parou, voltou, pegou a bolsa e tirou o celular. Deu uma olhada na tela, atendeu e levou o aparelho ao ouvido:
— Oi, mãe.
— Sua pestinha, você ligou pro seu irmão? — A voz de Zhang Xiujuan saiu do celular.
— Liguei, ué — respondeu Wu Jiao.
— Ligou quando? Eu liguei pro seu irmão na hora do almoço e ele disse que você não tinha ligado… Onde você tá agora?
— Tô aqui com meu irmão. Na empresa.
— Ah, já se encontraram? Mas por que foi parar na empresa do seu irmão? Que falta de noção! Não vai atrapalhar o trabalho dele. Seu irmão acabou de começar, e se o chefe dele não gostar…
— Tá tudo bem, mãe. — Enquanto falava, Wu Jiao se virou para Wu Chen e Li Ruobing. De repente, os olhos dela brilharam, e ela lançou ao irmão um olhar que dizia: “Agora você me paga!”.
— Ah, mãe! Meu irmão tá namorando! Ele te contou? — disparou Wu Jiao ao telefone, falando rapidinho.
— Namorando? Seu irmão arrumou namorada? Não me contou nada! Como você sabe? Foi ele que te disse? — perguntou Zhang Xiujuan, afobada. Esse tipo de coisa sempre interessava muito aos pais.
— E não foi só ele que me contou: eu já até conheci a moça! Mãe, sabia? A namorada do meu irmão não é só linda, mas linda de verdade, mais bonita que uma celebridade. Ela também tem muito, muito… — Wu Jiao estava prestes a soltar uma bomba para a mãe!
O irmão começara a namorar sem contar nada para a família, e ainda por cima com uma presidente-executiva fora de série, quase inacreditável. Se a mãe soubesse, com certeza ia encher o filho de perguntas até não poder mais.
