Novels chinesas em português
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    Capítulo 457 — O senhor Wu também sabe solucionar crimes?!

    Ao chegar à varanda, Wu Chen puxou a porta de vidro para fechá-la atrás de si.

    — Alô, senhor Gu — disse Wu Chen ao atender.

    — Senhor Wu, o velho Mao sofreu um acidente de carro… — Gu Ruibo foi direto ao assunto.

    — Eu sei. Tang Jingbin me ligou — respondeu Wu Chen, antes de perguntar: — Você está no hospital? Como está o senhor Mao?

    — Acabei de perguntar ao médico. Ele bateu a cabeça. Estava usando o cinto de segurança e quase não se machucou no resto do corpo; só bateu a cabeça na lateral da porta. Fizeram um curativo, mas ele ainda não acordou.

    — Quando ele vai acordar?

    — Provavelmente sofreu uma concussão. É difícil dizer. O médico disse que, no máximo, ele acorda amanhã…

    Wu Chen conversou por alguns minutos com Gu Ruibo sobre os ferimentos de Mao Rusong. Gu Ruibo tinha informações relativamente completas, e os seguranças de Mao Rusong também estavam no hospital, junto dele.

    Se alguma coisa não estivesse clara, Wu Chen perguntava a Gu Ruibo, que podia consultar os seguranças e repassar a resposta.

    Naquele dia, Wu Chen estava inclinado a não reiniciar o ciclo.

    Certas coisas precisavam acontecer para que surgissem pistas e provas capazes de levar à captura dos responsáveis.

    Wu Chen fez perguntas minuciosas.

    Gu Ruibo conseguiu fotos do local com os seguranças e as enviou a Wu Chen pelo celular.

    Nas imagens, os danos na parte traseira direita do Rolls-Royce de Mao Rusong eram graves: a lateral havia afundado cerca de meio metro. Pelo ângulo da colisão, o caminhão atingira a região do banco traseiro… Era evidente que tinha ido diretamente atrás de Mao Rusong!

    Ainda assim, Mao Rusong não sofrera ferimentos graves. Na verdade, podia-se dizer que saíra quase ileso.

    Não fora sorte.

    Vários fatores tinham contribuído para isso. Primeiro, o motorista de Mao Rusong reagira depressa: quando o caminhão avançou, pisou fundo no acelerador. O carro deu um salto para a frente, fazendo com que o impacto atingisse uma área mais atrás e desviasse um pouco do banco traseiro.

    Segundo, o carro atingido era um Rolls-Royce! Sua segurança era indiscutível!

    Se um caminhão conseguira afundar meio metro da lateral de um Rolls-Royce, um sedã comum teria sido esmagado e desfeito com o impacto.

    Por fim, e mais importante…

    Wu Chen havia alertado Mao Rusong. Mao Rusong sabia que Wu Chen pretendia acabar de vez com os irmãos Qi e que a situação ficaria enorme; por isso, vinha tomando precauções extras.

    Normalmente, ele se sentava no lado direito do banco traseiro.

    Naquele dia, porém, sentara-se à esquerda.

    Assim, o meio metro de lataria amassada não o prensara. Quando o carro foi violentamente sacudido, os airbags chegaram a disparar e ele bateu a cabeça, mas foi só isso.

    Se naquele dia tivesse sentado à direita, e não à esquerda, mesmo que não morresse, provavelmente ficaria gravemente ferido e incapacitado.

    Muito bem!

    O problema oculto havia vindo à tona, mas Mao Rusong não sofrera nada sério.

    Não precisava reiniciar o ciclo!

    — Desgraçados! Aqueles dois cães da família Qi tiveram coragem de mandar matar alguém diretamente… — Gu Ruibo, que normalmente era muito comedido, acabou xingando os irmãos Qi.

    Ele e Mao Rusong eram grandes amigos.

    — Quando o senhor Mao acordar, peça que me ligue. Até lá, senhor Gu, não entre em contato com os irmãos Qi…

    — Certo… Vou fazer como o senhor Wu diz.

    — E mais: peça à polícia de trânsito uma cópia das gravações das câmeras ao longo do trajeto percorrido pelo caminhão envolvido no acidente. Envie também as gravações do percurso feito pela comitiva do senhor Mao depois que ele saiu de casa — acrescentou Wu Chen.

    — Hã…? — Gu Ruibo ficou surpreso.

    Era fácil conseguir aquelas gravações. A tecnologia de monitoramento do trânsito já reconhecia placas automaticamente, e bastava um comando para localizar as imagens. Com a posição de Gu Ruibo, obter esse material seria naturalmente simples.

    O que o deixara atônito não era a dificuldade da tarefa, mas outra coisa… O que o senhor Wu pretendia fazer?

    Investigar o caso?

    O senhor Wu também sabia solucionar crimes?!

    Mesmo que Wu Chen realmente tivesse talento para isso, estava em Donghai. O que poderia descobrir apenas olhando gravações?

    Os seguranças de Mao Rusong tinham dito que o motorista do caminhão usava máscara e boné. O que as câmeras revelariam?

    Num caso comum de fuga após um acidente, seria possível encontrar informações importantes.

    Mas o ataque contra Mao Rusong fora uma tentativa deliberada de assassinato!

    Não era algo que Wu Chen, a centenas de quilômetros dali, pudesse investigar com facilidade. Nem mesmo a polícia de Modu, os homens de confiança de Mao Rusong ou o próprio Gu Ruibo conseguiriam resolver aquilo facilmente.

    Não era que Gu Ruibo subestimasse alguém.

    Era que, quando os irmãos Qi organizavam algo assim, certamente cortavam todos os vínculos diretos que pudessem levar até eles. O caminhão teria sido roubado ou estaria usando placas clonadas; o motorista provavelmente nunca seria encontrado e simplesmente desapareceria do mundo.

    Provocar acidentes de carro era um método habitual dos “figurões”!

    Se o motorista não fosse encontrado, o caso seria apenas um acidente de trânsito seguido de fuga.

    Para a “vítima”, tudo não passaria de um acidente.

    Quem quer que tivesse ordenado aquilo, se ousara atacar Mao Rusong, certamente havia organizado tudo com perfeição. Seria estupidez deixar provas que permitissem rastrear o mandante!

    Uma pessoa assim não teria chegado tão longe nem se tornado um figurão.

    Gu Ruibo conhecia muito bem os meandros desse tipo de coisa. Mesmo que todos soubessem que os irmãos Qi estavam por trás do atentado, uma investigação completa ainda não encontraria provas diretas.

    — Senhor Wu, o senhor pretende… investigar? — perguntou Gu Ruibo, ainda atordoado.

    — Sim — respondeu Wu Chen.

    — Mas… — Gu Ruibo achou que Wu Chen estava tratando o assunto com muita naturalidade. Ele continuava em Donghai, nem sequer dissera que iria a Modu, e queria apenas olhar as gravações, sem pedir mais nada nem falar em uma investigação completa.

    Como aquilo poderia revelar alguma coisa?

    Gu Ruibo não verbalizou suas dúvidas. Não havia necessidade. Se era algo simples e o senhor Wu queria ver as imagens, bastava consegui-las.

    — …Certo, sem problema — respondeu ele, arrastando um pouco as palavras.

    — Então, por enquanto, é só.

    — Está bem, senhor Wu.

    A ligação terminou.

    Wu Chen mal havia guardado o celular e se preparado para sair quando o aparelho tocou de novo. Dessa vez, era Zhuang Xiaodie.

    Ela também ligou por causa do acidente de Mao Rusong, e Wu Chen conversou com ela por alguns minutos.

    Na sala de estar, Wu Dahai, Zhang Xiujuan e Wu Jiao continuavam conversando com Li Ruobing.

    Quando Wu Chen voltou, seus pais já não insistiram que não podiam aceitar tanto dinheiro do filho. Repetir que não queriam receber aquela quantia seria como dizer que não eram uma família.

    Além disso, enquanto Wu Chen falava com Gu Ruibo, Li Ruobing os havia convencido.

    Wu Chen não estava preocupado que, depois de receberem trinta milhões, seus pais perdessem de repente o equilíbrio emocional ou algo assim. Os Wu podiam ser considerados uma família comum, mas, comparados aos trabalhadores assalariados, não eram nem um pouco comuns.

    Afinal, possuíam alguns milhões em patrimônio. Naquela pequena cidade do condado, poucas famílias tinham uma situação financeira dessas.

    E a família de Chen Jinye tinha bem mais que trinta milhões. Ter um velho amigo rico como parâmetro tornava menos provável que eles ficassem deslumbrados com o dinheiro.

    Eles ficaram conversando na sala.

    Sem perceber, já passava das nove da noite.

    Wu Jiao já havia passado de novo o auge da empolgação e voltara ao quarto para acompanhar suas séries.

    Wu Dahai e Zhang Xiujuan sempre tinham dormido e acordado cedo, então foram para o quarto.

    — Filho, Bingbing, vocês também vão descansar cedo, não fiquem acordados até muito tarde… — Zhang Xiujuan apagou a luz da sala e ainda deixou o aviso antes de entrar no quarto.

    — Pode deixar, tia — respondeu Li Ruobing.

    Só a televisão continuava acesa na sala, mas a claridade não era tão fraca.

    — Você acha que seus pais vão conseguir dormir esta noite? — perguntou Li Ruobing, deitada nos braços de Wu Chen, virando o rosto para ele com um sorriso discreto.

    — Acho que não — respondeu Wu Chen, sorrindo. — Daqui a dois dias passa. E imagino que meus pais vão continuar tocando a lanchonete de macarrão da família. Mesmo com dinheiro, eles não vão conseguir ficar sem fazer nada…

    Os dois conversaram mais um pouco.

    — Ah, é verdade. O Segundo Mestre Tang ligou para você? — perguntou Li Ruobing de repente.

    Antes, quando Zhang Xiujuan entregara o celular a Wu Chen, mencionara o nome de Tang Jingbin.

    Wu Chen fora atender na varanda e, depois, voltara a sair para lá. Parecia que alguma coisa tinha acontecido.

    — Sim. Mao Rusong sofreu um acidente de carro, e depois Gu Ruibo também me ligou… — disse Wu Chen.

    — Mao Rusong? — Li Ruobing pensou por um instante.

    Ela sabia quem ele era, mas não o conhecia bem nem tinha tido contato com ele.

    — O acidente dele tem alguma coisa a ver com você…? — perguntou ela.

    Wu Chen explicou a situação, mas não mencionou a conversa secreta posterior entre ele, Gu Ruibo e Tang Jingbin. Limitou-se a contar a origem do conflito, as três mortes e como os irmãos Qi tinham começado a suspeitar de Mao Rusong.

    Depois de ouvi-lo, Li Ruobing entendeu: Mao Rusong… tinha levado o tiro no lugar de Wu Chen!

    — E os ferimentos dele? — perguntou ela, observando a expressão de Wu Chen.

    — Leves. Não é nada grave.

    — Então… o que pretende fazer com a família Qi?

    — Já está tudo organizado. — Wu Chen enrolou uma mecha do cabelo de Li Ruobing no dedo enquanto olhava para a televisão. — Mas acho que, desta vez, talvez não tenham sido os irmãos Qi que armaram tudo contra Mao Rusong.

    — Hã? — Li Ruobing ficou surpresa. — Então quem foi?

    — É preciso investigar — respondeu Wu Chen.

    …

    Uma hora depois.

    A roupa de cama do quarto de Wu Chen tinha sido trocada por um conjunto novo. Zhang Xiujuan soubera com antecedência que o filho traria a namorada para casa e se preparara.

    Li Ruobing acabara de tomar banho e secar o cabelo. Voltou ao quarto usando um roupão.

    Wu Chen estava recostado na cabeceira da cama, com o velho notebook que usava em casa diante de si.

    Li Ruobing se aproximou, puxou o cobertor e olhou para a tela.

    Ele estava vendo imagens de câmeras de trânsito?

    — O que é isso? Câmeras de trânsito? — perguntou ela.

    — As gravações do trajeto da comitiva de Mao Rusong e do caminhão envolvido no acidente. Pedi que Gu Ruibo me enviasse — respondeu Wu Chen.

    — Hã? — Li Ruobing ficou surpresa. — O que você pretende fazer?

    — Dar uma olhada, ué. Confirmar se foram os irmãos Qi ou outra pessoa — disse Wu Chen com naturalidade, clicando com o mouse e alternando as imagens.

    Investigar…

    A expressão de Li Ruobing mudou de imediato.

    — Meu querido senhor Wu, você também sabe solucionar crimes? E… de que adianta olhar essas gravações? Seja quem for que tenha mandado fazer isso, não vai deixar que você descubra alguma coisa só pelas câmeras, não é?

    — Quer apostar? — perguntou Wu Chen casualmente, ainda de olhos na tela. — Em dez minutos, digo a você a resposta.

    Li Ruobing ergueu as sobrancelhas.

    — Está bem! Aposto!

    Há muito ela não queria mais apostar com Wu Chen. Perdia todas as vezes, mas, à medida que a relação dos dois se aprofundava, sua maneira de pensar também mudara.

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