Novels chinesas em português
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    Capítulo 378 — Ninguém ousava tratá-lo assim!

    Tu… tu…

    Ouvindo o sinal de chamada, Peng Wei, de cara fechada, sentiu o coração acelerar.

    Paparazzo havia mais de dez anos, alguém que levara a profissão ao extremo e conquistara a fama de número um do país, Peng Wei tinha, naturalmente, nervos de aço. Manter a calma diante de qualquer imprevisto era o mínimo que se esperava de um paparazzo!

    Mas, dessa vez, nem um veterano como ele conseguia ficar tranquilo.

    Aquilo era sinistro demais!

    Peng Wei nunca tinha passado por nada assim. Por mais poderoso que alguém fosse, por mais longe que chegassem seus contatos, todo mundo tinha medo de que a coisa crescesse! Na era da internet, quando certos casos causavam comoção, nem as autoridades conseguiam necessariamente abafá-los.

    E Peng Wei era um paparazzo “de nível superstar”, capaz de causar comoção com uma única postagem no Weibo! A audiência que ele atraía sozinho não ficava atrás da de muito jovem galã da moda.

    Nos poucos segundos em que a chamada completava, Peng Wei pensou em muita coisa. Pensou em chamar a polícia, ou em expor tudo no Weibo.

    Mas a razão lhe dizia que, para ele, aquela não era a melhor saída!

    Partir para a destruição mútua derrubaria o outro lado, sem dúvida! Mas ele próprio dificilmente sairia inteiro!

    — Alô… — A ligação completou, e a voz de Wu Chen soou no celular.

    — Se-nhor Wu! Você é mesmo poderoso, hein?! — começou Peng Wei, soltando fogo.

    — Quer alguma coisa? — devolveu Wu Chen, num tom indiferente.

    — Acho que a gente precisa conversar pessoalmente. Agora! Já! — disse Peng Wei, sério, com a voz pesada.

    — Não dá. Tô jantando. Amanhã a gente fala — respondeu Wu Chen, com a mesma indiferença.

    E…

    Desligou!

    Tu, tu, tu…

    Ouvindo o sinal de chamada encerrada, Peng Wei por pouco não espatifou o celular de tanta raiva!

    Arrogante demais!

    Wu Chen era arrogante demais!

    Sequestro!

    Cárcere privado!

    Peng Wei estava dando a ele a chance de conversar, e o sujeito nem queria!

    A respiração dele ficou pesada de raiva. Em tantos anos, desde que crescera e ganhara poder, nunca mais tinha passado por uma humilhação daquelas, engolido um sapo daquele tamanho! Ninguém ousava tratá-lo assim!

    Até astros famosos, cheios de costas quentes, quando caíam na mira dele e eram fotografados, tinham de mandar alguém procurá-lo todo educado! Falavam com toda a educação e já chegavam oferecendo dinheiro!

    Peng Wei sabia muito bem que algumas celebridades não é que não pudessem fazer nada contra ele, não é que não conseguissem atingi-lo.

    Só não tinham coragem!

    Tinham medo da influência dele, do poder dele de expor!

    Acostumado a anos de vento a favor, Peng Wei estava, naquele momento, a ponto de explodir!

    Pensou de novo em chamar a polícia! Chamar a polícia e postar na internet! As duas coisas ao mesmo tempo, para expor tudo e transformar aquilo num escândalo enorme! Nem a família Li ia conseguir conter uma tempestade daquelas; a internet ia ferver por alguns dias, com certeza!

    Mas!

    Peng Wei sabia perfeitamente!

    Tudo começara com as fotos de An Menglan com Wu Chen!

    Então as consequências seriam: primeiro, destruir a carreira de An Menglan; mas também enfurecer a família An, e a família Li! Roupa suja se lava em casa, e, quando a coisa se complicava, para as grandes famílias, abafar a repercussão costumava ser prioridade!

    E ele, Peng Wei, estaria acabado!

    De cara fechada, Peng Wei ficou muito tempo imóvel no banco do passageiro. Pensou e repensou, e no fim a razão venceu: ele não tinha coragem de partir para a destruição mútua!

    Além disso, continuava achando que tinha uma opção melhor!

    As fotos que tirara naquele dia!

    A maior base da arrogância de Wu Chen só podia ser a relação dele com Li Ruobing. Do contrário, com uma família comum, como teria tanto poder? Como trataria grandes magnatas como irmãos?

    Eles não estavam só respeitando Li Ruobing, ou melhor, a família Li?

    Falando sem rodeios, Wu Chen não passava de um bonitão sustentado por mulher!

    E aquelas fotos podiam destruir a relação entre Wu Chen e Li Ruobing, acabar com tudo o que ele tinha. Seriam o maior trunfo para negociar com ele e fazê-lo baixar a crista!

    Era assim que Peng Wei via a situação!

    Pensou mais um pouco, e um novo plano tomou forma na cabeça dele.

    Mais de uma hora depois.

    Por volta das nove e meia da noite.

    Wu Chen, Zhuang Xiaodie, Li Ruobing, Su Qingying e Mu Qianqian finalmente saíram do Restaurante Cantonês Laopinxuan. O jantar tinha durado mais de duas horas, e todos tinham bebido bastante.

    Sentado no carro, Peng Wei segurava a câmera e observava, com a cabeça inclinada.

    Viu o grupo conversar e rir junto aos carros, trocar mais algumas palavras e, depois, Li Ruobing entrar no banco de trás do Mercedes-Maybach junto com a garota que tinha beijado Wu Chen antes.

    Wu Chen, porém, não foi no carro de Li Ruobing.

    Foi para outro.

    O que vinha logo atrás do Maybach: um Maserati Quattroporte! Su Qingying e a garota mais nova também entraram no Maserati, uma atrás, a outra no banco do passageiro.

    Peng Wei ficou sem entender. Wu Chen não ia no carro de Li Ruobing e ia em outro… o que era aquilo?

    Será que iam todos juntos a algum lugar e tinham sentado onde dava?

    Antes que chegasse a alguma hipótese razoável, viu os guarda-costas também entrarem nos carros; um deles entrou na Lamborghini com que Wu Chen tinha chegado.

    O comboio partiu.

    — Lao Qian — avisou Peng Wei depressa, sem nem virar a cabeça.

    — Beleza! — Lao Qian ligou o Touareg.

    O comboio se afastou!

    O utilitário foi atrás, discretamente.

    Dois cruzamentos depois, o comboio de seis carros se dividiu de repente. O Mercedes-Maybach de Li Ruobing e dois Mercedes Classe G viraram no cruzamento rumo ao distrito de Nancheng.

    O Maserati de Wu Chen, a Lamborghini e uma van Mercedes só com guarda-costas seguiram em frente.

    Rumo ao distrito de Xicheng.

    No Touareg que vinha atrás.

    — Irmão Peng? — chamou na hora o motorista, Lao Qian.

    — Reto — respondeu Peng Wei, sem hesitar.

    Claro que iam atrás de Wu Chen, que seguia em frente. Seguir Li Ruobing não tinha sentido e era perigosíssimo; Peng Wei imaginava muito bem o nível dos guarda-costas dela.

    Mais de dez minutos depois.

    O Maserati Quattroporte e os outros dois carros já tinham saído do distrito de Zhongcheng e entrado em Xicheng, com o Volkswagen Touareg de Peng Wei sempre atrás.

    À frente havia um cruzamento muito largo.

    Sinal vermelho!

    Os três carros pararam.

    Aquele trecho já tinha pouco movimento, e àquela hora, quase dez da noite, menos ainda. O Touareg não se atrevia a chegar perto demais, com medo de ser descoberto, e parou por um tempo junto ao meio-fio, algumas dezenas de metros atrás.

    O sinal abriu.

    Mas os três carros não saíram. Continuaram parados diante da faixa de pedestres. Como não havia nenhum carro atrás deles, ninguém buzinou.

    Se o Maserati não andava, o Touareg também não podia andar. Não dava para chegar perto, senão não conseguiriam continuar seguindo! Seriam descobertos.

    De dia, dava para seguir colado, porque havia muito carro e era difícil chamar atenção.

    De noite, nem pensar! Com pouco carro na rua, quem seguisse colado demais seria percebido até por alguém sem nenhuma noção de contravigilância!

    Questão de experiência.

    Uns vinte e poucos segundos depois.

    Os três carros parados diante do cruzamento finalmente saíram, atravessaram e seguiram em frente!

    Peng Wei fez sinal na hora para Lao Qian ir atrás!

    Lao Qian afundou o pé no acelerador. Poucos segundos depois, os dois perceberam um problema… o sinal tinha fechado!

    Como o Maserati tinha demorado no cruzamento, quando o Touareg chegou para atravessar, já estava vermelho!

    E agora?

    Duas opções.

    Ou paravam e esperavam, ou furavam o sinal! Se esperassem, o vermelho ia durar uns bons trinta segundos, e perderiam o alvo.

    Se furassem… desde que não causassem acidente, seriam só seis pontos na carteira e duzentos de multa.

    — Vai, vai! Segue! — Peng Wei pensou um segundo e apressou.

    O Touareg furou o sinal vermelho!

    De repente!

    Biiiiii!

    Uma buzina estridente veio de lado!

    Logo em seguida!

    BAM!!

    Peng Wei não teve tempo de reagir. Só sentiu o carro chacoalhar com violência e ser arremessado de lado, enquanto o airbag explodia direto na cara dele! A cabeça zumbia!

    Acidente!

    Nota