Capítulo 306 — Tang Jingbin
por NexoNovelCapítulo 306 — Tang Jingbin
Chegou!
A família Tang tinha mandado alguém!
O Segundo Tio de Tang Xinbao se chamava Tang Jingbin, mas raramente alguém usava o nome dele. Em Modu, costumavam chamá-lo de Segundo Mestre Tang; alguns o chamavam de chefe Tang. Na família Tang, Tang Jingbin cuidava principalmente dos negócios. Dava para dizer que era o responsável geral por todas as atividades comerciais da família, com as “finanças” inteiras nas mãos!
Diferente das famílias poderosas comuns, a família Tang tinha uma particularidade.
Por ser uma família de tradição militar, muitos de seus membros principais eram militares da ativa. Passavam anos e anos nas Forças Armadas, com relativamente pouco contato com o mundo de fora. Além disso, as famílias militares tinham círculos de relações próprios, diferentes dos de famílias como os Li ou os Ding.
Por isso, de modo geral, a família Tang era bem “discreta”!
Quem estava no topo da segunda geração dos Tang era Tang Jingjun, pai de Tang Xinbao. Era o irmão mais velho e o futuro chefe da família. Mas, justamente por ser militar, não tinha mesmo tempo de dar conta de muitos dos assuntos externos da família.
Assim, embora não tivesse seguido o caminho da geração anterior e tivesse optado por entrar no mundo dos negócios, Tang Jingbin tinha uma posição e uma voz enormes dentro da família Tang!
Muita coisa precisava ser resolvida por ele, muita relação precisava ser cultivada por ele, inclusive o trato com a segunda geração das outras grandes famílias. Na maior parte das vezes, era Tang Jingbin quem cuidava disso.
Para o mundo de fora, Tang Jingbin era quem falava em nome da família Tang!
Na maioria das ocasiões, fora de casa, ele podia representar a família com plenos poderes!
Dentro da família Tang, ele era a terceira figura mais importante, abaixo só do pai e do irmão mais velho. Essa ordem não seguia posição nem hierarquia de geração, e sim o peso real das palavras de cada um. Os outros membros da família que seguiam carreira militar, mesmo os que já tinham chegado a postos muito altos, ainda ficavam abaixo de Tang Jingbin nesse ponto.
A família Tang era extremamente poderosa.
Tang Jingbin era, sem dúvida, um figurão!
Não era alguém comparável a jovens como Tang Xinbao, Li Ruotai ou Gu Ruibo.
Que Tang Jingbin viesse pessoalmente a Donghai por causa do que acontecera com Tang Xinbao não surpreendia Wu Chen. Ele sabia que Tang Xinbao se dava mal com o pai e sempre corria para o Segundo Tio quando acontecia alguma coisa. Sabia também que Tang Jingbin tinha um carinho especial pelo sobrinho!
Principalmente nos últimos anos.
Isso tinha muito a ver com o fato de Tang Xinbao ter recusado os planos da família e não ter seguido a carreira militar.
Tang Xinbao tinha feito a mesma escolha que Tang Jingbin fizera no passado.
Além disso, o fato de a surra em Tang Xinbao envolver Li Ruotai também pesava.
— Seu Segundo Tio já chegou? — perguntou Wu Chen.
— Acho que tá quase saindo da rodovia. Veio de carro de Modu — respondeu Tang Xinbao, apressado. — Ele acabou de me ligar perguntando onde eu tava hospedado. Eu disse que tava na sua casa, irmão, e passei o endereço pra ele…
— Beleza, entendi. Eu chego em casa em… mais ou menos uma hora — disse Wu Chen, sorrindo.
— Tá bom, irmão — disse Tang Xinbao.
Depois de desligar, Wu Chen voltou primeiro para o banheiro.
Pouco depois, Wu Chen e Wu Yurong saíram do banheiro, um atrás do outro. Ao ver que ele ia se vestir, Wu Yurong disse, com a voz doce e suave:
— Não, não veste isso. Eu comprei roupa pra você… vem!
Enquanto falava, foi até o closet do quarto.
Wu Chen a seguiu. Wu Yurong abriu o armário da direita, deslizando a porta. Lá dentro havia conjuntos e mais conjuntos de ternos e camisas novos. Embaixo, vários pares de sapatos sociais.
Wu Yurong abriu também uma gaveta dividida em pequenos compartimentos, cheios de acessórios: cintos, abotoaduras, relógios.
Tinha de tudo!
Era óbvio que Wu Yurong tinha se preparado com antecedência.
E, embora tudo fosse novo, nada estava embalado. Parecia que o “homem da casa” já usava aquelas coisas, dando a sensação de que havia um homem morando e vivendo ali.
Dava para sentir que Wu Yurong queria fazer daquele lugar outro “lar”.
— Quando você preparou tudo isso? — perguntou Wu Chen, um pouco surpreso, sorrindo.
— Uns dois dias atrás, ué — respondeu Wu Yurong. Tirou um relógio da gaveta e o entregou a ele. — Olha. Gostou?
Wu Chen pegou o relógio e o examinou. Era um modelo masculino de platina cravejado de diamantes, da linha Grand Complications da Patek Philippe. Não era edição limitada, mas custava perto de dois milhões.
— Muito bonito — disse Wu Chen, sorrindo.
— Vem, experimenta. Deixa que eu coloco. — Wu Yurong pegou o relógio e o prendeu no pulso dele. Ao mesmo tempo, disse com doçura: — Eu também queria comprar um carro pra você. Os carros que você usa agora não estão no seu nome, mas… nem sei quando você vai ter tempo de cuidar da papelada.
— Que sensação estranha — comentou Wu Chen.
— Estranha como? Tá incomodando no pulso? — perguntou Wu Yurong, depressa. Era o primeiro presente que dava a Wu Chen e estava muito atenta à reação dele.
— Não é o relógio… — Wu Chen olhou para ela. — É que você me compra coisa, roupa, ainda quer comprar carro… dá uma sensação de que… você tá me sustentando.
Ele mesmo riu ao terminar.
— Olha o que você fala. — Wu Yurong lançou-lhe um olhar de falsa bronca. Depois passou os braços pelo pescoço dele, encostou o rosto no dele e disse baixinho, com ternura: — Perto do que você faz por mim, o que é isso que eu te dou?
O tom era melosíssimo.
E ainda lhe deu um beijo enquanto falava.
Mais de dez minutos depois.
Diante do espelho, Wu Chen já estava de terno e sapatos novos. Wu Yurong, ainda de camisola, dava o nó na gravata dele.
— …O Gu Ruibo chega hoje a Donghai. Deve te procurar à tarde. Quando marcarem o encontro, avisa o Lei Cheng — disse Wu Chen, ajeitando os punhos da camisa.
— Pode deixar — respondeu Wu Yurong. As mãos dela pararam por um instante, e então ela perguntou, com suavidade: — Aliás, falando no Lei Cheng… tenho uma pergunta.
— Qual?
— Parece que você dá bastante importância ao Lei Cheng. Por quê? — perguntou Wu Yurong, erguendo os olhos para ele.
Já no jantar da noite anterior ela tinha percebido o quanto Wu Chen valorizava Lei Cheng!
Aquilo era estranho.
Lei Cheng não passava do derrotado da família Lei. Tinha, sim, um patrimônio de alguns bilhões, mas a maior parte vinha dos cinco por cento de ações do Grupo Hongfa que possuía. E, justamente por causa da situação familiar, os contatos e a influência dele tinham sido duramente sufocados.
O primeiro parceiro que Wu Chen tinha arranjado para Wu Yurong fora Gu Ruibo!
Com a posição e a influência que tinha hoje, Lei Cheng não conseguia nem ficar de igual para igual com Wu Yurong, que dirá se comparar a Gu Ruibo, membro central de uma grande família! A diferença era grande demais!
Por isso…
— A influência da família Lei é maior do que a de qualquer família de Donghai. Só em patrimônio, eles têm muito, muito mais dinheiro que o Su Ruiwen. É estranho eu dar importância a ele? — disse Wu Chen, sorrindo.
— Mas a família Lei é a família Lei. Quem manda nela… não é o Lei Cheng — respondeu Wu Yurong, franzindo de leve a testa.
— Pode passar a ser! — disse Wu Chen.
Wu Yurong ficou surpresa.
Passar a ser?
— Daqui a um tempo, no máximo um ou dois meses, o Lei Cheng vai tomar o lugar do irmão mais velho, o Lei You. Quando isso acontecer, o dinheiro que ele vai poder movimentar e os contatos que vai poder usar talvez sejam até maiores que os seus! — acrescentou Wu Chen, sorrindo.
Wu Yurong continuou olhando para ele, surpresa. Piscou algumas vezes e então perguntou, com a voz doce e suave, mas num tom sutil:
— O que foi que você fez?
Ela tinha adivinhado!
Wu Chen com certeza tinha feito alguma coisa!
Tinha ajudado Lei Cheng! Só assim fazia sentido aquele jeito de Lei Cheng de tratar Wu Chen nas palmas das mãos!
Ajudar Lei Cheng a recuperar o patrimônio da família era dificílimo, mas Wu Yurong acreditava que Wu Chen conseguiria!
Bastava ele querer!
— O que eu fiz… é complicado! — respondeu Wu Chen, sorrindo.
— Hmph. Se não quer contar, deixa pra lá — disse Wu Yurong, com um muxoxo e um sorriso doce. Não insistiu.
Depois de se arrumar por completo, Wu Chen saiu sozinho.
Wu Yurong não desceu com ele, porque ainda precisava se maquiar. E, àquela hora, também não tinha pressa de ir para a empresa; bastava aparecer por lá ao meio-dia.
Wu Chen desceu e foi para casa na própria Lamborghini. Tinha deixado o carro na empresa de Wu Yurong na tarde anterior; à noite, ela ligou e mandou alguém levá-lo até a villa, para que ele pudesse usá-lo naquele dia.
Meia hora depois.
Distrito de Beicheng, condomínio Zunrong · Donghai Huafu.
Ao se aproximar da entrada do condomínio, Wu Chen reparou em dois carros com placa de Modu estacionados à beira da rua: um Range Rover e um Rolls-Royce Cullinan.
Os dois eram SUVs.
Wu Chen sabia que eram de Tang Jingbin!
Ele já estava na casa dele!
Esperando por Wu Chen!
