Novels chinesas em português
    Índice do Capítulo

    Capítulo 379 — Claro que não foi um acidente!

    Acidente!

    No instante em que o Touareg atravessava o cruzamento, um Toyota Land Cruiser surgiu pela direita. Ao perceber que podia bater, o motorista do Toyota reagiu na hora!

    Buzinou!

    Jogou o volante!

    Mas já era tarde!

    O Toyota acertou de lado a traseira direita do Touareg, e a lanterna traseira direita voou em pedaços. Com o estrondo ensurdecedor, o Touareg, atingido na traseira direita, rodou a traseira para o outro lado.

    Ao volante, Lao Qian cravou o pé no freio. Forçado a rodar e a deslizar meio metro de lado, o Touareg ainda avançou alguns metros antes de parar de vez!

    O Toyota também desviou com a batida, avançou mais de dez metros e só então freou bruscamente.

    Os airbags dos dois carros tinham disparado.

    O pisca-alerta piscava na noite.

    Ao volante do Toyota estava um rapaz de uns vinte e seis, vinte e sete anos, de camiseta preta e boné, magro e de pele escura.

    O rapaz apertava o volante com força. Balançou a cabeça para se recompor, empurrou o airbag para baixo e virou o rosto, observando pelo retrovisor o Touareg atingido.

    Ficou olhando.

    Até Peng Wei e Lao Qian descerem, um depois do outro, balançando a cabeça, precisando se apoiar para sair do carro e ainda meio cambaleantes.

    Pareciam ainda atordoados.

    Mas estavam inteiros.

    O rapaz magro e moreno desviou o olhar, tirou o celular e discou um número depressa.

    Atenderam na hora.

    — Chefe, resolvido!

    — Bom trabalho.

    Uma frase de cada lado, e desligaram.

    Então o rapaz tirou o cinto e desceu do carro. Nem foi discutir com Peng Wei sobre quem era cego ou não sabia dirigir.

    Encostado na porta, acendeu primeiro um cigarro e, com ele entre os lábios, pegou de novo o celular para ligar para a polícia.

    Ligou para a polícia de trânsito!

    Ligou para a seguradora!

    …

    O comboio do Maserati Quattroporte, da van Mercedes e da Lamborghini corria pela Rua Huaxi, no distrito de Xicheng.

    O Maserati ia na frente.

    No banco de trás.

    Su Qingying franziu de leve a testa e olhou para trás. Pouco antes, tinha ouvido um estrondo vindo lá de trás; parecia alguma batida.

    Mas não tinha nada a ver com ela. Só olhou mais umas duas vezes, por curiosidade.

    Trim, trim…

    Um celular tocou de repente.

    Era o de Wu Chen.

    Su Qingying estava agarrada ao braço dele e, quando ele foi pegar o aparelho, soltou-o. Wu Chen tirou o celular e atendeu direto.

    — Senhor Wu, tá feito — veio a voz de Zhao Guaizi.

    — Bom trabalho — disse Wu Chen.

    A batida, claro, não fora acidente! Durante o jantar no Laopinxuan, Wu Chen aproveitara uma ida ao banheiro para ligar para Zhao Guaizi.

    Dissera qual era o cruzamento.

    E a hora exata em que passariam por ele!

    Havia duas possibilidades. Se Peng Wei não furasse o sinal, a batida não aconteceria e o homem que Zhao Guaizi arranjara iria embora. Só que, sem furar o sinal, Peng Wei perderia o alvo!

    E, pelo que Wu Chen conhecia de Peng Wei, tinha certeza de que ele furaria. Então… com certeza ia ser atingido!

    Aquilo não servia só para interromper a perseguição.

    Era, sobretudo, um aviso!

    Wu Chen estava provocando Peng Wei e esperando para ver qual seria a reação final dele!

    — Então não incomodo mais, senhor Wu. Descanse cedo — disse Zhao Guaizi, sensato, sem acrescentar nada.

    Desligaram.

    — Marido, aconteceu alguma coisa? — perguntou Su Qingying, enlaçando de novo o braço dele.

    — Nada — disse Wu Chen, virando-se para ela com um sorriso.

    — Não vai sair de novo pra resolver coisa, vai? — perguntou Su Qingying. Com o álcool, estava com as bochechas coradas.

    — Não vou — disse Wu Chen, sorrindo.

    — Humpf! Todo misterioso… seu malvado… — resmungou de repente Mu Qianqian no banco da frente, com a voz bêbada.

    As duas tinham percebido que Wu Chen estava aprontando alguma!

    Pouco antes, ao passar por aquele cruzamento, Wu Chen tinha mandado o carro esperar mais um pouco; o sinal já estava verde e ele ainda dizia para esperar…

    Esquisito!

    Elas não sabiam por quê.

    Também não importava. Su Qingying nem se preocupava muito com aquilo. Estava zonza de tanto beber e só queria voltar para casa com Wu Chen… A noite era longa, e ela não queria que ele saísse de novo para trabalhar.

    Desde que ele não saísse de repente, o resto tanto fazia.

    Vinte minutos depois.

    Distrito de Xicheng, Residencial Dingxiang International.

    Su Qingying tinha comprado uma casa ali poucos dias antes: villa nº 9, setor C.

    Aos vinte e sete anos, até então ela sempre morara com os pais.

    Coisa muito esquisita! Não era por falta de dinheiro para comprar uma casa!

    Era tudo porque a senhora Su a controlava demais e não deixava que ela morasse sozinha! Aos vinte e sete anos, nem família comum controlava uma filha daquele jeito, mas a senhora Su controlava!

    Claro, agora a situação tinha se invertido!

    Su Qingying tinha se mudado! Ninguém mais conseguia controlá-la!

    ——

    Um novo dia!

    27 de julho de 2020.

    Residencial Dingxiang International, setor C, villa nº 9. No quarto principal do segundo andar, às sete em ponto, Wu Chen abriu os olhos, pontual. Olhou para o teto, o canto da boca se ergueu num sorriso e, com toda a naturalidade, fechou os olhos de novo.

    Virou-se. Nem sabia quem estava abraçando. Afundou o rosto e continuou dormindo.

    Na véspera, tinham ido dormir muito tarde.

    Naquele dia, ia dormir até mais tarde.

    O tempo passou em silêncio.

    Wu Chen acabou dormindo até o meio-dia, até o toque do celular acordá-lo.

    Trim, trim…

    Abriu os olhos, ergueu a cabeça, esticou a mão e pegou o aparelho. Ao ver quem ligava, ficou com uma expressão um tanto peculiar e atendeu:

    — Alô?

    — Senhor Wu! Hoje você tem tempo? A gente pode se encontrar e conversar? — O tom de Peng Wei era extremamente sério, até um pouco sombrio, como se estivesse reprimindo alguma coisa.

    — Pode ser. À tarde — respondeu Wu Chen, com um leve sorriso.

    — Uma da tarde, na Casa de Chá Qingyuan — Peng Wei passou direto a hora e o lugar.

    — Combinado.

    Depois de desligar, Wu Chen olhou em volta. Estava sozinho no quarto. Levantou-se, foi primeiro ao banheiro se lavar e depois se vestiu.

    Mais de dez minutos depois, ao sair do quarto, percebeu… havia movimento lá embaixo!

    E cheiro de comida.

    Desceu.

    Wu Chen ouviu barulho na cozinha e viu Mu Qianqian, de camisola, esparramada de costas no sofá, com a cabeça virada para a televisão, comendo batatinha, toda largada.

    — Malvadão, acordou? — cumprimentou Mu Qianqian, sorrindo, ao vê-lo descer.

    — Me chamou de quê? — devolveu Wu Chen, erguendo uma sobrancelha para provocá-la.

    — Irmão querido~~ Irmão querido~~ — Mu Qianqian mudou na hora, e ainda repetiu duas vezes.

    Na noite anterior, ela tinha “apanhado” por chamá-lo de malvadão. Agora tinha aprendido.

    Wu Chen sorriu e, entrando na sala, perguntou:

    — Por que vocês não foram trabalhar? Hoje é segunda, não é?

    Quando acordara, achara que Su Qingying e Mu Qianqian já tinham ido trabalhar.

    — A irmã Qingying disse que vai à tarde. Disse que queria… fazer comidinha pro maridinho — respondeu Mu Qianqian, imitando de propósito o jeito de Su Qingying na segunda metade da frase, e logo sacudiu os ombros, fingindo arrepio.

    — Peste! — Wu Chen chegou ao sofá e deu um peteleco de leve na testa dela.

    Estava só passando.

    Não parou; foi direto para a cozinha.

    — Marido, acordou! — disse Su Qingying, sorrindo, ao vê-lo entrar.

    Estava com uma espátula numa das mãos.

    E de avental.

    A fadinha estava cozinhando de novo!

    Wu Chen chegou por trás dela, abraçou-a pela cintura e inclinou a cabeça para espiar, perguntando baixinho, sorrindo:

    — O que tem de gostoso aí?

    — Costelinha. Pra dar uma força pro meu marido — disse Su Qingying, virando a cabeça. Como estavam bem perto, assim que terminou de falar, deu-lhe um beijo.

    Com toda a naturalidade: deu vontade, beijou.

    Wu Chen conversou um pouco com Su Qingying na cozinha e até quis ajudar, mas ela não deixou. Disse que tinha melhorado mais na cozinha e não precisava da ajuda do marido.

    Wu Chen voltou para a sala.

    Mal se sentou no sofá, Mu Qianqian veio se arrastando e deitou a cabeça nas pernas dele. Continuou vendo televisão e comendo batatinha, croc, croc, toda tranquila.

    Wu Chen apertava a bochecha dela, só um gesto distraído das mãos, enquanto via televisão com ela e jogava conversa fora.

    Onze e cinquenta: almoço na mesa!

    Os três almoçaram muito bem.

    Meio-dia e meia, terminaram.

    Era hora de todo mundo sair.

    Su Qingying e Mu Qianqian tinham de ir trabalhar; Wu Chen também tinha o que resolver.

    Como Su Qingying ia esperar Mu Qianqian subir para trocar de roupa, Wu Chen saiu primeiro. Antes de descer para a garagem subterrânea, ganhou um beijo de cada lado do rosto, um de Su Qingying e um de Mu Qianqian.

    Cinco minutos depois.

    A Lamborghini azul saiu do Residencial Dingxiang International, pé no fundo, acelerando para o leste, rumo ao distrito de Zhongcheng!

    Era hora de encontrar Peng Wei!

    Peng Wei não era nenhum peixe pequeno, mas também não merecia que Wu Chen gastasse tanto esforço com ele. Era resolver e pronto!

    Reagisse Peng Wei como reagisse, Wu Chen ia resolver tudo naquele dia!

    Nota