Novels chinesas em português
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    Capítulo 213 — Que tamanho de rancor é esse?

    Mao Rusong ficou meio atordoado. Chegou a suspeitar que Wu Chen
    estivesse sendo sarcástico.

    Porque, na ligação de antes, as palavras de Wu Chen tinham soado
    bastante ameaçadoras. Aquele jeito de falar sorrindo dera a Mao Rusong a
    sensação de: eu sei o que você tem a esconder e vim te ameaçar!

    E, depois de encontrá-lo pessoalmente… passara a suspeitar que Wu Chen
    fosse um assassino profissional de nível mundial!

    No pouco tempo em que estivera em contato com ele, a impressão geral de
    Mao Rusong era de que Wu Chen não era “boa pessoa”, e sim alguém capaz
    de lhe causar sérios problemas. O alvo talvez fosse até sua fortuna e
    sua vida.

    Mas agora… o que aquilo queria dizer?

    Ele não ia usar o golpe que Mao Rusong dera em Ding Ruilong para
    chantageá-lo?

    Como é que aquilo tinha virado “mandou bem”?

    — Senhor Wu, quando diz que eu mandei bem… o que quer dizer com isso? —
    Mao Rusong realmente não havia entendido. Não era a frase que lhe
    escapava, mas a atitude de Wu Chen.

    — Quer dizer que você mandou bem. — Wu Chen sorriu para ele. — Muito
    bem!

    Os olhos de Mao Rusong, que pareciam enormes justamente por ele ser tão
    magro, giraram de leve. Ele repassou com cuidado todas as possibilidades
    e então sondou:

    — Senhor Wu, você e Ding Ruilong… têm alguma rixa?

    — Temos. — Wu Chen sorriu e assentiu, admitindo.

    — Ah… — Mao Rusong respirou fundo e ficou de boca aberta, com a cara de
    quem finalmente entendera. Relaxou muito em comparação com antes, e um
    sorriso surgiu em seu rosto. — Hahaha, senhor Wu, devia ter dito logo!
    Olha só, quase me matou de susto…

    Por dentro, na verdade, não estava tão relaxado quanto aparentava.

    — Então somos amigos… senhor Wu, é gente nossa. — Mao Rusong gesticulava
    enquanto falava.

    Aquilo não passava de uma tentativa de estreitar laços.

    Por dentro, ele havia voltado a ficar intrigado. Se Wu Chen era inimigo
    de Ding Ruilong, certamente não o entregaria. Mas então por que tinha
    vindo procurá-lo? Com certeza queria que ele fizesse alguma coisa.

    Passar a perna em Ding Ruilong de novo?

    Mao Rusong não queria.

    Mas, se Wu Chen realmente exigisse aquilo, ele aceitaria ou recusaria?
    Se recusasse de cara, Mao Rusong de verdade não sabia se conseguiria
    sair vivo daquele escritório naquele dia.

    — Chefe Mao, ouvi dizer que He Shiqin sempre esteve sob seus cuidados —
    disse Wu Chen, sorrindo.

    — He… — A expressão de Mao Rusong mudou de repente.

    He Shiqin, a mulher de Ding Ruilong, que inclusive lhe dera uma filha
    ilegítima.

    Mao Rusong era habilidoso em fazer amizades e cultivar relações. Gostava
    de estudar as pessoas e, quanto ao fato de a filha ilegítima de Ding
    Ruilong morar em Modu, sabia disso havia muitos anos.

    Não apenas sabia: também ajudava a cuidar das duas.

    Não fora Ding Ruilong que pedira. Mao Rusong tomara a iniciativa.

    Qualquer homem que tentasse se aproximar demais de He Shiqin recebia um
    aviso dele.

    Qualquer um que tentasse intimidar He Shiqin e He Xinxin, aquela “mãe e
    filha desamparadas”, era devidamente colocado no lugar por Mao Rusong.

    Em toda Modu, Mao Rusong podia ser considerado alguém de influência
    extraordinária, com amigos em todos os níveis. E no distrito de Dongpu…
    o Bar Jiudu Kongjian ficava justamente ali, então sua força naquele
    território era ainda maior! De arruaceiros de rua a bilionários, todos
    que o conheciam tinham de tratá-lo com respeito e chamá-lo de Quinto
    Mestre Mao.

    Já as figuras ainda mais ricas e de status mais alto ou o tratavam como
    irmão, ou o chamavam com familiaridade de “Velho Mao”.

    No distrito de Dongpu, não seria exagero dizer que Mao Rusong mandava e
    desmandava.

    E He Shiqin e He Xinxin moravam justamente no distrito de Dongpu.

    Para impedir que alguém perturbasse a vida tranquila das duas, Mao
    Rusong chegara a mandar subordinados de confiança comprarem imóveis
    perto da casa de He Shiqin. Tinha alguns homens ali, revezando-se para
    ficar de olho em He Shiqin e He Xinxin.

    Era proteção por um lado, mas também tinha um componente de vigilância.

    Ele sabia que, embora Ding Ruilong já não gostasse de He Shiqin, Ding
    Ruilong tinha uma obsessão doentia por pureza emocional e um sentimento
    de posse perverso. Se uma mulher que lhe dera um filho fosse tomada por
    outro homem, ele enlouqueceria!

    Além disso, Ding Ruilong não era tão insensível assim. Embora
    publicamente nem reconhecesse a própria filha ilegítima, todos os anos
    transferia uma quantia de oito dígitos para a conta de He Shiqin como
    pensão da menina.

    Justamente por saber com o que Ding Ruilong se importava, Mao Rusong
    passara a cuidar das duas por conta própria. Chegara até a avisá-lo
    quando alguém tentava se aproximar de He Shiqin, alguém que não se
    incomodava com o fato de ela ser solteira e ter uma filha e estava
    disposto a assumir o papel de pai da filha ilegítima de Ding Ruilong!

    Esse era o motivo pelo qual Wu Chen, ao chegar a Modu, procurara Mao
    Rusong primeiro.

    Se fosse direto atrás de He Shiqin, se se encontrasse com ela e ainda
    aparecesse na casa dela para dar aulas particulares, certamente chamaria
    a atenção de Mao Rusong. E, assim que Mao Rusong achasse algo estranho,
    com certeza investigaria e poderia até avisar Ding Ruilong.

    Se Ding Ruilong descobrisse, o plano de Wu Chen envolvendo He Shiqin não
    funcionaria.

    — He… He Shiqin… — A expressão de Mao Rusong ficou ainda mais estranha.

    Wu Chen havia admitido ser inimigo de Ding Ruilong.

    E agora mencionava He Shiqin por iniciativa própria. E, ao lado dela,
    estava a filha ilegítima de Ding Ruilong.

    Que porra ele queria fazer?!

    — Senhor Wu, você quer… — Mao Rusong arregalou os olhos. Que tamanho de
    rancor era aquele?

    Rancores tinham tamanhos. Gu Ruibo e Ding Ruilong, por exemplo, vinham
    brigando nos negócios havia muito tempo, mas tudo se limitava a intrigas
    comerciais. Gu Ruibo sabia que a filha ilegítima de Ding Ruilong estava
    em Modu, mas não prestava atenção nela, a menos que quisesse guerra até
    o fim contra toda a família Ding!

    He Xinxin podia ser filha ilegítima, mas ainda tinha o sangue dos Ding.
    A família não a reconhecia, mas ainda tinha uma reputação a preservar.
    Como diz o ditado, até para bater num cachorro é preciso olhar quem é o
    dono — quanto mais quando se trata de uma filha ilegítima.

    — Vou levar as duas para Donghai — disse Wu Chen, sorrindo, com toda
    franqueza.

    — Levar embora? Para… Donghai? — Mao Rusong continuava de olhos
    arregalados. Acabara de imaginar que Wu Chen queria machucar He Shiqin e
    He Xinxin para se vingar de Ding Ruilong. Agora, ouvindo aquilo, parecia
    que não… mas ao mesmo tempo soava como… sequestro? Para ameaçar Ding
    Ruilong?!

    — Vai sequestrá-las? — perguntou Mao Rusong.

    — Não. Vou fazer com que elas aceitem ir comigo para Donghai por vontade
    própria — respondeu Wu Chen.

    — Por vontade própria… — Mao Rusong voltou a não entender. Como ele
    conseguiria isso?

    Hein?!

    Espere!

    Donghai?!

    Mao Rusong se lembrou de repente que, quando ouvia falar de Donghai, o
    primeiro nome que lhe vinha à cabeça era Li Ruotai! Embora Donghai não
    fosse a base principal da família Li, Li Ruotai vinha prosperando ali
    havia anos, e Mao Rusong também já ouvira falar da fama do Jovem Mestre
    Li de Donghai.

    Ele sabia que Donghai era o “território” de Li Ruotai.

    E a família Li, embora a aliança matrimonial com os Ding tivesse
    fracassado quatro anos antes, ainda vinha desenvolvendo pouco a pouco
    uma cooperação com eles. No momento, as duas famílias estavam numa
    relação de aliança. E aquele jovem chamado Wu Chen queria levar a mulher
    e a filha ilegítima de Ding Ruilong para Donghai?

    Haveria alguma ligação nisso?

    Mao Rusong piscava enquanto olhava para Wu Chen. Depois de um bom tempo,
    pareceu se lembrar de algo e perguntou:

    — Senhor Wu, você… se chama Wu Chen?

    — Sim. — Wu Chen sorriu e assentiu.

    — Wu Chen… Wu Chen… — Mao Rusong tinha a impressão de já ter ouvido
    aquele nome, mencionado de passagem por alguém, mas não conseguia
    lembrar quem. Parecia que o assunto daquela vez também tinha relação com
    Donghai.

    Trim, trim…

    Um celular tocou.

    Era o de Mao Rusong.

    Ele pegou o aparelho e olhou a tela. No identificador de chamadas
    aparecia: Irmãozinho Gu.

    Era Gu Ruibo.

    Mao Rusong lançou outro olhar para Wu Chen e disse:

    — Vou atender uma ligação.

    Então limpou a garganta, atendeu e levou o celular ao ouvido. Antes que
    pudesse falar, a voz de Gu Ruibo já veio direta do outro lado:

    — Alô? Velho Mao? O que está acontecendo aí? Um dos seus homens me
    ligou. É assassino profissional ou o quê? Já estou a caminho, levando
    gente para lá…

    — É… — Mao Rusong de repente não soube o que dizer. Olhou mais uma vez
    para Wu Chen, pensou um pouco e falou: — Irmãozinho Gu, deixa eu te
    perguntar uma coisa primeiro. Você sabe… quem é Wu Chen? De Donghai…

    Mao Rusong lembrava vagamente que talvez tivesse sido justamente Gu
    Ruibo quem mencionara aquele nome uma vez.

    — Wu Chen? Sei. Por quê? Estou perguntando o que houve aí, e você fala
    dele?

    — Não… é ele. Ele está sentado bem na minha frente agora.

    — O quê?! Ele?! Tem certeza?! — A voz de Gu Ruibo subiu de tom.

    Nota