Capítulo 380 — Arrogante até o fim! Não dá para quebrar o personagem!
por NexoNovelCapítulo 380 — Arrogante até o fim! Não dá para quebrar o personagem!
Distrito de Zhongcheng, Avenida Chunyuan.
Uma da tarde. A Lamborghini chegou rugindo, reduziu ao se aproximar da Casa de Chá Qingyuan e parou.
Wu Chen desligou o motor e desceu, mas não entrou logo. Encostou-se no carro, ergueu a cabeça para olhar a placa da Casa de Chá Qingyuan e então pegou o celular e ligou para Peng Wei.
Atenderam na hora.
— Cheguei. Cadê você? — perguntou Wu Chen, direto.
— Terceiro andar, Tianshui Yise — respondeu Peng Wei, dando direto o nome da sala reservada.
Wu Chen desligou, ajeitou o paletó por hábito e entrou na casa de chá. Uma recepcionista veio recebê-lo na hora; Wu Chen disse que tinha um encontro marcado e deu o sobrenome, e ela o levou para cima.
Ao mesmo tempo.
Do outro lado da rua, em frente à Casa de Chá Qingyuan, havia um hotel três estrelas chamado Hotel Yijia. No terceiro andar, quarto 322, diante da janela voltada para a rua.
As cortinas estavam fechadas, deixando só uma fresta.
Peng Wei segurava a câmera. Tinha acabado de fotografar a entrada da Casa de Chá Qingyuan, dezenas de fotos em sequência: Wu Chen descendo do carro, fazendo a ligação, entrando, a recepcionista vindo recebê-lo na porta, os dois trocando algumas palavras… Tinha registrado tudo!
Estava guardando provas de que Wu Chen tinha ido encontrá-lo naquele dia!
Dois minutos depois.
Peng Wei ergueu de novo a câmera e mirou uma janela do terceiro andar da Casa de Chá Qingyuan, do outro lado da rua: a janela da sala Tianshui Yise!
Ajustou o foco.
Aproximou a imagem!
Dava para ver Wu Chen já dentro da sala, sentado à mesa. Peng Wei tirou mais um monte de fotos em sequência.
Na sala Tianshui Yise.
Assim que entrou, Wu Chen percebeu que Peng Wei não estava ali. Não era surpresa nenhuma. Também não achou que Peng Wei tivesse ido ao banheiro. Se Peng Wei ainda tinha coragem de marcar aquele encontro, era porque vinha disposto a arriscar a pele.
Daí toda aquela cautela! Wu Chen entendia.
A recepcionista também não disse aonde tinha ido o cliente que reservara a sala; talvez nem soubesse. Não falou mais que o necessário e foi embora depois de levá-lo até lá.
Alguns minutos depois.
Bateram à porta!
Era só o chá, naturalmente pedido antes por Peng Wei: um oolong de primeira… Depois que o funcionário saiu, Wu Chen se serviu e ficou bebendo sozinho.
Sem que percebesse, passaram-se mais de dez minutos.
Já era uma e vinte.
E nada de Peng Wei!
Na verdade, Peng Wei continuava no hotel da frente, observando Wu Chen pela janela. E não só ele: observava também os arredores, quem entrava e saía da casa de chá.
Queria ver se havia emboscada! Se Wu Chen tinha levado mais alguém!
Antes de Wu Chen chegar, Peng Wei já tinha vindo preparar tudo e ficara observando, para ver se Wu Chen mandaria alguém antes, se apareceria alguém suspeito!
Peng Wei estava com medo de verdade!
Na verdade, já na véspera, depois do acidente, tinha pensado em deixar Donghai na mesma hora. Tinha entendido que a batida não fora acidente. O motorista do Toyota que batera no carro dele, aquele rapaz magro e moreno, tivera um comportamento estranhíssimo depois da batida!
Nenhuma raiva. Fumava o tempo todo, com um olhar esquisito, e ainda o media de cima a baixo, com ar de quem se divertia.
Aquilo não era normal!
Peng Wei só podia desconfiar de uma coisa: tudo tinha sido armado por Wu Chen!
E o mais assustador da armação não era ter provocado a batida, e sim que o culpado não era o Toyota!
O Touareg tinha furado o sinal vermelho! Culpa total!
Não havia o que discutir!
Mesmo que, naquela hora, o Toyota tivesse matado todo mundo dentro do Touareg, o motorista não responderia criminalmente! No máximo… pagaria uma indenização humanitária!
Aquilo deixava Peng Wei apavorado!
Quantos homens e quantos carros Wu Chen tinha posto naquele cruzamento para aproveitar justo o momento em que eles furassem o sinal e bater neles?!!
Se Wu Chen quisesse matá-lo na véspera, ele já estaria morto! E morto à toa!
Quanto mais pensava, mais medo dava!
Peng Wei tinha pensado mesmo em fugir de Donghai, voltar correndo para Modu e só depois achar um jeito de resolver tudo! Ficara pensando se ia embora ou não da véspera até aquela manhã!
No fim, decidiu ficar! Ia encontrar Wu Chen!
Não tinha jeito!
Porque, quanto mais pensava, mais via que não podia ir embora.
Se voltasse para Modu assim, e depois? Os oito membros centrais da equipe tinham simplesmente evaporado! Ia fingir que não era com ele?
Ele podia até fingir que nada tinha acontecido, mas os parentes daqueles homens não iam fingir!
Em poucos dias viriam procurá-lo, perguntando: cadê eles? Por que ninguém consegue falar com eles?
Peng Wei nem teria como explicar!
Claro, também podia voltar para Modu, expor tudo na internet e chamar a polícia! Mas isso o levava de volta ao motivo original pelo qual não tinha coragem: destruição mútua?
Wu Chen tinha a família Li por trás, e a família Li jamais deixaria escândalos como traição e sequestro irem parar nas manchetes! Quem pusesse uma coisa dessas na manchete, quem arrumasse confusão, seria o primeiro que a família Li faria sumir!
Peng Wei não queria morrer!
Por isso, depois de pensar e repensar, resolveu “arriscar uma jogada ousada”! Não fez a escolha “mais segura”, que seria procurar Li Ruobing e mostrar a ela as fotos de Wu Chen com Zhuang Xiaodie!
Fez a escolha que maximizava os próprios interesses! A que considerava a “melhor solução”!
Procurar Wu Chen!
Ameaçar Wu Chen!
Peng Wei achava que Wu Chen só era tão arrogante porque ainda não sabia que tinha sido fotografado daquele jeito. Então era preciso que ele soubesse! Que entendesse a situação em que estava!
E assim virar o jogo!
Desde que Wu Chen não quisesse acabar esmagado pela família Li, então…
As fotos de An Menglan com Wu Chen? Wu Chen teria de pagar para comprá-las de volta!
As fotos de Zhuang Xiaodie com Wu Chen? Também teria de pagar para comprá-las de volta!
Dava até para transformar Wu Chen em informante e, de vez em quando, perguntar a ele coisas sobre An Menglan.
Peng Wei estava preparado para o pior, mas também tinha imaginado o melhor desfecho possível! Estava com raiva, e não queria só descontar: queria dinheiro também!
Toda aquela cautela era para garantir que conseguiria terminar a conversa com Wu Chen! O que mais temia era levar uma paulada na cabeça antes mesmo de explicar a situação!
Na sala Tianshui Yise.
Uma e vinte e cinco da tarde.
Trim, trim…
O celular tocou.
Wu Chen pousou a xícara, olhou a tela e atendeu:
— Cadê você?
— Senhor Wu, acho que a gente pode conversar em outro lugar — disse Peng Wei, sem rodeios.
Queria mudar de lugar. Continuava achando aquela casa de chá insegura, sobretudo porque tinha avisado Wu Chen cedo demais; ele tivera tempo de sobra para armar emboscadas.
O poder de Wu Chen em Donghai o tinha assustado de verdade.
As pessoas simplesmente sumiam.
— Andou vendo filme demais? — Wu Chen ergueu uma sobrancelha e sorriu. — Não tenho tempo pra perder com você! Te dou cinco minutos. Se não aparecer em cinco minutos, eu vou embora, e depois disso a gente não tem mais por que se encontrar.
E desligou assim que terminou.
Arrogante assim mesmo! Não dava para quebrar o personagem.
Quatro minutos depois.
Wu Chen ouviu passos do lado de fora da sala. Pararam diante da porta, houve uma pausa de uns dois segundos, e só então a porta se abriu.
Peng Wei! Tinha vindo, afinal!
A pressão psicológica que ele carregava não tinha comparação com a de Wu Chen! Já que iam conversar, achava que não havia mais por que recuar!
De xícara na mão, Wu Chen virou a cabeça e lançou um olhar de canto a Peng Wei, que entrava.
Peng Wei era bem alto, devia ter um metro e oitenta e cinco. Rosto comum, nariz meio achatado, óculos de armação preta. Tinha um ar de professor universitário, ou de editor de jornal.
E era mesmo extremamente hábil com as palavras, sobretudo em mexer com as emoções dos internautas e chamar atenção!
— Pra que isso tudo? — disse Wu Chen, com um leve sorriso. Desviou o olhar e tomou mais um gole de chá.
Sem expressão, Peng Wei foi até o outro lado da mesa, puxou uma cadeira e se sentou.
Os dois ficaram frente a frente, com a mesa entre eles.
— O que você quer conversar comigo? — perguntou Wu Chen, sorrindo. Quem queria resolver o problema causado por Peng Wei era ele, mas agora perguntava a Peng Wei o que ele queria conversar.
Não havia contradição nenhuma!
Wu Chen já tinha a iniciativa nas mãos! E, de fato, quem marcara o encontro dessa vez fora Peng Wei.
— Senhor Wu, antes de a gente conversar de verdade, acho que preciso te avisar de uma coisa — disse Peng Wei, olhando para ele sem expressão. — Já deixei combinado com algumas pessoas. Se eu sumir hoje, alguém vai chamar a polícia na hora e expor na internet tudo o que eu sei sobre você, sobre a senhorita Li Ruobing e sobre An Menglan!
Era medo escancarado!
Aquela frase deixava o medo de Peng Wei mais que evidente, e logo de cara.
Ele não tinha escolha. Precisava garantir a própria segurança!
Wu Chen ouviu até o fim.
E caiu na risada.
