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    Capítulo 292 — Grande Hotel Heyi de Donghai

    A ligação para Meng Junhao foi atendida logo.

    — Alô, senhor Wu. — Meng Junhao atendeu rápido, num tom um tanto respeitoso.

    — Os carros que o pessoal do Ding Ruilong pegou ontem e ainda não devolveu. Me manda todas as placas no celular — disse Wu Chen, direto, e desligou.

    Confiava que Meng Junhao entenderia.

    Para vir a Donghai, Ding Ruilong certamente precisaria de carros.

    Quando descesse do avião, alguém com certeza iria buscá-lo, e quem fosse buscá-lo devia ter sido mandado antes. Wu Chen conhecia Ding Ruilong e sabia dos hábitos dele: quando ia secretamente a algum lugar resolver alguma coisa, mandava gente na frente para preparar tudo.

    E Ding Ruilong só tinha confirmado o encontro com Lei Cheng no dia anterior; portanto, quem viesse preparar as coisas não teria chegado antes do dia anterior.

    Também podia ter chegado naquela manhã, mas aí o tempo ficaria apertado demais.

    Ao chegar a Donghai, o pessoal de Ding Ruilong deixaria preparados os carros que ele usaria. Não iam comprar carro novo; com certeza arranjariam por meio de contatos.

    E, se os carros vinham de contatos, tendo procurado Meng Junhao diretamente ou não, ele conseguiria ficar sabendo… A rede de Ding Ruilong em Donghai era formada por gente que também fazia parte da rede uns dos outros.

    Meng Junhao provavelmente não sabia que Ding Ruilong viria secretamente a Donghai naquele dia; Ding Ruilong não deixaria que soubesse. Já a questão dos carros… o pessoal de Ding Ruilong vinha a Donghai com frequência havia anos e sempre usava carros; para Meng Junhao, não havia nada de “especial” nisso, e ele não prestaria muita atenção.

    Mas, se mandassem verificar que carros tinham sido usados no dia anterior, com certeza ele descobriria!

    A Lamborghini voava pela via principal.

    Seis minutos depois.

    Plim!

    O celular de Wu Chen tocou: uma mensagem com seis placas. Meng Junhao tinha investigado rapidíssimo.

    Trim-trim…

    O celular tocou de novo.

    Era Meng Junhao ligando.

    Wu Chen atendeu.

    — Senhor Wu, esses seis carros foram arranjados ontem à noite… — foi logo dizendo Meng Junhao.

    — Certo. Bom trabalho. Por enquanto é isso — disse Wu Chen, com um sorriso na voz…

    E desligou.

    Wu Chen encaminhou a mensagem de Meng Junhao e fez outra ligação.

    Também foi atendida logo.

    — Alô, tava com saudade de mim? — Uma voz feminina, doce e suave, veio do outro lado. Era Wu Yurong!

    — Acabei de te mandar uma mensagem. Pede pra alguém verificar e rastrear esses carros e me diz onde eles foram parar no fim. Tem que ser rápido, e com sigilo — disse Wu Chen, direto, sem rodeios.

    — Carros… espera. Hum… vi aqui… — Pela atitude dele, Wu Yurong percebeu que era coisa séria e também não perdeu tempo. — Tá. Vou fazer uma ligação. Aguarda notícias minhas.

    — Beleza — disse Wu Chen.

    Desligaram.

    Para rastrear carros, o jeito mais eficaz e rápido era o monitoramento de trânsito. Com contatos fortes o bastante, uma ligação bastava para consultar tudo na hora. Os sistemas de monitoramento atuais eram muito inteligentes: qualquer placa que passasse por um cruzamento com câmera era identificada.

    E a influência de Wu Yurong em Donghai dispensava comentários.

    Wu Chen continuou dirigindo para Nancheng.

    Àquela altura, devia fazer cerca de uma hora que Ding Ruilong tinha descido do avião. O aeroporto ficava bem afastado; só até a área central era mais de meia hora de estrada.

    O comboio dele provavelmente ainda estava a caminho, rodando pela área central, quase chegando ao destino.

    Wu Chen não tinha como saber onde Ding Ruilong ia ficar dessa vez: podia ser um hotel, podia ser algum imóvel que ele tivesse em Donghai.

    Mas conseguia determinar a região aproximada.

    A Huancai Fashion ficava no distrito de Nancheng, e a villa onde Li Ruobing costumava morar também. O local combinado para o encontro de Ding Ruilong com Lei Cheng ficava no distrito de Zhongcheng.

    E o aeroporto ficava nos arredores de Nancheng.

    Portanto, Ding Ruilong ficaria em Nancheng ou em Zhongcheng. Qualquer outro lugar seria longe demais, pouco prático para o que ele tinha a fazer.

    Nancheng era a maior probabilidade!

    Por isso Wu Chen seguia direto para lá.

    Dez minutos depois.

    Wu Chen já tinha entrado no distrito de Zhongcheng e seguia rumo a Nancheng.

    Trim-trim…

    O celular tocou.

    Wu Chen olhou: era Wu Yurong retornando. Atendeu na hora.

    — Pedi pra um amigo checar o monitoramento de trânsito. Três minutos atrás, os seis carros passaram pelo cruzamento da Rua Kang’an com a Avenida Huaxing, no distrito de Nancheng, rumo ao norte. Depois disso, não aparecem mais. Devem ter parado na Rua Kang’an Norte… — disse Wu Yurong, com a voz doce.

    — Rua Kang’an Norte… — repetiu Wu Chen, e então sorriu. — Pronto. Já sei onde é.

    — Não precisa que eu continue checando? — perguntou Wu Yurong, com suavidade.

    — Não precisa — riu Wu Chen.

    — Então tá. Vai resolver suas coisas. Se precisar, me liga. — Wu Yurong falou com doçura e desligou primeiro.

    Wu Yurong sabia mesmo deixar as pessoas à vontade. Tinha uma inteligência emocional altíssima: sabia que Wu Chen estava tratando de algo importante e não fez uma única pergunta a mais. Nem sequer perguntou quem ele estava rastreando.

    Alguns minutos depois.

    A Lamborghini azul entrou voando no distrito de Nancheng.

    Mais cinco minutos.

    Rua Jianguang, distrito de Nancheng. Era uma rua antiga. Wu Chen estacionou numa vaga à beira da rua, desceu e entrou na loja de roupas baratas mais próxima, daquelas de marcas genéricas que dizem vender sobras de exportação.

    Pouco depois.

    Quando saiu da loja, Wu Chen já estava com outra roupa: calça jeans, sobretudo preto, tênis e boné.

    Na mão, carregava uma sacola grande; dentro, naturalmente, estavam o terno e os sapatos sociais que tinha tirado.

    Voltou ao carro, rodou mais um trecho e estacionou junto à entrada de um beco chamado Beco Guang’an.

    Desceu e entrou no beco a pé.

    Ao atravessar aquele beco comprido, já via ao longe a outra saída. Do lado de fora ficava a Rua Kang’an Norte, e, à esquerda da saída, havia um prédio de hotel de frente para a rua, que ocupava uma área enorme, mas tinha só sete andares.

    Grande Hotel Heyi de Donghai!

    Em Donghai, aquele hotel não estava entre os melhores. Era só um quatro estrelas: dava para chamar de luxuoso, mas nem tanto. E, na Rua Kang’an Norte, era o único hotel.

    O comboio de Ding Ruilong tinha sumido depois de entrar na Rua Kang’an Norte.

    Era bem provável que ele estivesse hospedado ali.

    Para alguém com a posição de Ding Ruilong, ficar num quatro estrelas numa visita secreta a Donghai era discrição máxima.

    Wu Chen não saiu do beco nem entrou pela porta principal do Grande Hotel Heyi. Foi direto pela porta lateral do hotel, perto da saída do beco, uma portinha pequena.

    O Grande Hotel Heyi tinha quatro portas laterais e de fundos, todas para uso dos funcionários.

    Entrada e saída de funcionários, entregas da cozinha, o pessoal da limpeza levando o lixo… nada disso costumava passar pela porta principal.

    A porta lateral dava num corredor de acabamento bem simples. Como fazia parte da área de funcionários, não havia por que caprichar na decoração.

    Wu Chen não tinha andado muito quando, ao passar por um cruzamento de corredores, viu no corredor da direita um homem de meia-idade, de uniforme de segurança, saindo de uma sala.

    — Irmão, posso te perguntar uma coisa? Como eu chego na administração do hotel? Tô procurando o gerente Liu — perguntou Wu Chen, aproximando-se com um sorriso.

    — A sala do gerente fica pra lá. Vai em frente e depois vira à esquerda… — Como Wu Chen tinha sido educado, o segurança também lhe indicou o caminho com boa vontade.

    — Valeu, irmão — agradeceu Wu Chen.

    Passou pelo segurança e seguiu adiante.

    Depois de virar à esquerda, tirou uma máscara do bolso e foi colocando enquanto andava. Passou direto pela porta da sala do gerente, virou à direita no cruzamento, deu uma volta… e logo chegou aos elevadores.

    Wu Chen conhecia aquele hotel muito bem.

    Afinal, era um quatro estrelas, e Donghai inteira não tinha tantos hotéis desse nível. E Wu Chen, ao longo dos mil anos de ciclos, tinha percorrido Donghai inteira com os próprios pés; praticamente não havia lugar onde não tivesse estado.

    Entrou no elevador.

    Com um giro do pulso, um cartão deslizou da manga dele e ficou preso entre dois dedos.

    Era um cartão-mestre do hotel.

    Em geral, os seguranças e o pessoal da limpeza de hotel tinham cartões-mestre, que liberavam todos os elevadores e todos os quartos!

    Aquele cartão Wu Chen tinha acabado de “pegar” com o segurança.

    Passou o cartão.

    Apertou o botão do sexto andar!

    Wu Chen acreditava que Ding Ruilong devia estar no sexto andar, porque só ali havia suítes executivas. As suítes executivas eram os melhores quartos do hotel, equivalentes às suítes presidenciais de um cinco estrelas.

    Se Ding Ruilong já tinha aceitado ficar num quatro estrelas, não ia ficar também num quarto comum, né?

    Não fazia o menor sentido.

    O elevador subiu.

    Logo.

    Ding!

    Sexto andar. As portas do elevador se abriram.

    Nota