Novels chinesas em português
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    Capítulo 023 — Você também entende de arte?

    Enquanto os outros ainda estavam chocados por descobrirem que Yao Bin havia trapaceado, Wu Chen, sem aviso algum, puxou-o bruscamente para junto da mesa e desceu a faca com extrema rapidez!

    Li Ruobing tinha acabado de conseguir aquela faca.

    Pouco antes, ela saíra para pedi-la a um guarda-costas.

    Foi Wu Chen quem mandou que fosse buscar a faca depois que as cartas haviam sido seladas.

    Naquele momento, Li Ruobing também não sabia para que Wu Chen queria aquilo.

    Se pretendesse fazer alguma coisa perigosa, ela carregava uma arma.

    Para que precisaria de uma faca?

    Ela até se incomodara por Wu Chen ficar “mandando” nela.

    Mas ainda assim foi buscar.

    Agora Li Ruobing finalmente entendia.

    Finalmente sabia para que Wu Chen queria a faca.

    Trapaceou no jogo, perde a mão!

    Aquela era uma regra de cassino conhecida no mundo inteiro.

    Fosse em jogos realizados em navios de cruzeiro em alto-mar, fosse em cassinos clandestinos, era a mesma coisa!

    Yao Bin só sentiu Wu Chen puxá-lo com violência.

    Seu corpo perdeu o equilíbrio na mesma hora.

    Ele cambaleou e quase caiu.

    Então veio uma dor lancinante!

    — Aaaah!! Minha mão!! Aaaah!!

    Os gritos de Yao Bin fizeram todos se estremecerem.

    Mas ele logo parou de gritar.

    Quando a dor atingia certo limite, o corpo começava a ficar entorpecido.

    A pessoa inteira podia ficar completamente atordoada por causa dela.

    Wu Chen realmente havia cortado.

    A mão esquerda de Yao Bin havia se separado para sempre de seu corpo.

    Algumas gotas de sangue espirraram na roupa de Wu Chen.

    Um pouco também atingiu seu rosto.

    Clang.

    Wu Chen jogou casualmente a faca ensanguentada sobre a mesa.

    Manteve as duas mãos um pouco afastadas do corpo e olhou para si mesmo.

    O terno azul e a camisa branca tinham algumas manchas de sangue.

    Também havia um pouco nas mãos e no rosto.

    — Alguém tem um lenço? — perguntou Wu Chen com toda a calma, fazendo um gesto para as pessoas ao redor.

    Ele estava calmo demais.

    Tão calmo que parecia que não tinha sido ele quem acabara de cortar a mão de alguém.

    Quanto mais tranquilo ficava, mais assustador parecia.

    E não era pose.

    Era hábito.

    Durante os mil anos de ciclos temporais, houve um período em que Wu Chen passou o tempo estudando técnicas de jogo com enorme dedicação.

    Entrou e saiu de cassinos clandestinos de todos os tamanhos em Donghai.

    Também entrou em conflito com muita gente.

    Houve noites em que dezenas de homens o perseguiram com facões por mais de dez ruas.

    E houve vezes em que aconteceu o contrário: sozinho, foi ele quem perseguiu um grupo de homens por mais de dez ruas.

    De qualquer forma, não precisava pensar nas consequências.

    Tudo seria reiniciado.

    Por isso, naquele período, Wu Chen realmente não respeitava lei nem limite algum.

    Procurava estímulos por vontade própria!

    Que tipo de cena ele ainda não tinha visto?

    Aquilo era pouca coisa.

    Li Ruobing tirou alguns lenços de papel da bolsa e foi a primeira a entregá-los a Wu Chen.

    A dois passos dali, Bao Wei já havia pegado uma caixa de lenços e pretendia oferecê-la.

    Ao ver que a senhorita Li tinha entregado primeiro, colocou a caixa de volta em silêncio.

    Wu Chen limpou o rosto com os lenços.

    Depois limpou as mãos e deu leves batidinhas nas manchas de sangue da roupa.

    Ao ver isso, Li Ruobing virou a cabeça e murmurou algumas palavras para o guarda-costas atrás dela.

    — Na verdade, você não precisava trapacear. Não conseguiria me vencer mesmo assim. Se vai quebrar as regras, ou não faz, ou faz sem ser descoberto. Se for descoberto uma vez, sua vida acabou!

    Da trigésima quinta até a trigésima oitava mão, foram quatro mãos no total.

    Embora Yao Bin tivesse roubado um ás de espadas, não chegou a usá-lo.

    Para trapacear substituindo uma carta, era preciso que a carta escondida combinasse com a mão recebida.

    Só assim seria útil.

    Por isso, depois de roubar a carta, Yao Bin também estava esperando por uma oportunidade.

    Na verdade, Wu Chen conseguia imaginar a mentalidade dele.

    Quando chegou ao Clube Huangguan, Yao Bin não tinha intenção de trapacear.

    Isso só mudou depois que encontrou Wu Chen.

    Antes da trigésima quinta mão ser distribuída, Yao Bin tinha exatamente cem milhões em fichas.

    No total, ainda estava no lucro.

    Mas já havia perdido o controle da mesa.

    O dinheiro que tinha ganhado não parava de voltar, pouco a pouco, para Wu Chen.

    Ele não conseguia impedir!

    Shen Guangjun o contratara por uma fortuna.

    Naturalmente, Yao Bin também havia feito promessas.

    Não bastava recuperar os trezentos milhões que Shen Guangjun perdera antes ali.

    Ele também precisava ganhar mais!

    Isso era certo!

    Yao Bin percebeu que, sem trapacear, não seria capaz de vencer Wu Chen.

    Por isso decidiu correr o risco.

    O que não sabia era que, aos olhos de Wu Chen, todas as suas técnicas mais refinadas estavam expostas com absoluta clareza.

    Não conseguiam enganar os olhos de Wu Chen nem por um instante.

    Yao Bin já estava deitado de lado no chão.

    Com a mão direita, apertava o pulso esquerdo.

    Seu rosto estava branco como papel e o corpo tremia sem parar.

    O sangue corria rápido demais!

    Se não recebesse tratamento imediatamente, morreria por perda de sangue.

    Não aguentaria muitos minutos.

    — Pelas regras do cassino, com a quantidade de dinheiro que estava em jogo hoje, cortar uma mão não seria suficiente. No mínimo, seriam as duas mãos e os dois pés. Mas hoje você só estava jogando para outra pessoa. Não era quem mandava nisso tudo. Então não vou dificultar mais para você.

    Depois de falar, Wu Chen parou de tentar limpar o colarinho.

    Jogou de lado o lenço manchado de sangue, enfiou uma mão no bolso da calça e virou a cabeça para Shen Guangjun, que estava encostado na parede junto à porta, tremendo.

    O rosto de Shen Guangjun estava completamente branco.

    Branco de medo.

    Não tinha sido a mão dele que fora cortada.

    Mas Yao Bin tinha sido levado por ele.

    Jogava em seu nome!

    Se Yao Bin trapaceara, Shen Guangjun jamais conseguiria se desvincular completamente daquilo!

    — Chefe Shen, e aí? O que você tem a dizer? — perguntou Wu Chen, sorrindo.

    Era seu sorriso habitual.

    Mas, aos olhos de Shen Guangjun, parecia o sorriso de um demônio!

    — Eu… isso não tem nada a ver comigo! Eu não mandei ele trapacear! Não tem nada a ver comigo! Foi ideia dele, eu não sabia!

    Shen Guangjun se explicou desesperadamente, coberto de suor.

    Então caiu de joelhos!

    — Jovem Mestre Li! Jovem Mestre Li, você sabe como eu sou! Eu, velho Shen, posso gostar de apostar, mas nunca trapaceio! Isso realmente não tem nada a ver comigo!

    Shen Guangjun agarrou a perna da calça de Li Ruotai e praticamente implorou.

    Nem ousava pedir clemência a Wu Chen.

    Naquele momento, sentia que Wu Chen era ainda mais assustador do que Li Ruotai.

    O homem cortava uma mão quando dizia que cortaria.

    E, depois disso, continuava com a expressão de quem não tinha feito absolutamente nada.

    — Cuida disso — disse Wu Chen a Li Ruotai, fazendo um gesto para a situação na sala. — Eu vou na frente.

    Então caminhou em direção à porta.

    Ao passar atrás de Li Ruotai, inclinou a cabeça e falou baixo junto ao ouvido dele:

    — Não faça nada com Shen Guangjun dentro do clube. Deixa ele levar Yao Bin embora.

    Li Ruotai assentiu.

    Nem sabia por que, de repente, obedecia tanto ao “cunhado”.

    Mas obedecia.

    Wu Chen e Li Ruobing deixaram a Sala Imperial.

    Os guarda-costas de Li Ruobing também saíram com eles.

    No caminho até o elevador, Li Ruobing tornou a passar o braço pelo de Wu Chen com naturalidade.

    Os guarda-costas seguiam atrás.

    — Foi bom cortar a mão de alguém? — perguntou Li Ruobing em voz baixa.

    — Não senti nada — respondeu Wu Chen, lançando-lhe um olhar e um sorriso.

    — Nada?

    A expressão de Li Ruobing ficou estranha.

    E o olhar que dirigia a Wu Chen ficou ainda mais peculiar, cheio de uma curiosidade diferente.

    Ela sentia que talvez tivesse encontrado algum tipo de “mistério sem solução”.

    Não conseguia entendê-lo.

    Wu Chen dizia ser um corretor de informações.

    Certo.

    Por enquanto, ela aceitava isso.

    Mas ele também dominava técnicas de jogo e acabara de derrotar um especialista de alto nível.

    Tinha treinado?

    Além disso, dizia não sentir nada depois de cortar a mão de alguém.

    E permanecia perfeitamente calmo…

    A intuição dizia a Li Ruobing que Wu Chen já havia matado alguém.

    A intuição feminina muitas vezes era bastante precisa.

    Na verdade, tudo que parecia anormal em Wu Chen — aquelas informações que chegavam a parecer adivinhação, sua calma e estabilidade, as habilidades extraordinárias que dominava, até sua crueldade quando necessário — só parecia tão anormal por uma razão.

    Wu Chen era jovem demais!

    Alguém de pouco mais de vinte anos não deveria ter uma experiência de vida tão vasta.

    — Nem foi minha própria mão. O que eu deveria sentir? — disse Wu Chen com outro sorriso ao entrar no elevador.

    De volta ao décimo primeiro andar, eles não foram ao cômodo onde Li Ruotai havia se encontrado antes com Zhao Guaizi e os outros.

    Entraram numa suíte enorme.

    Era realmente muito grande, mas a decoração era discreta e elegante.

    Pelas molduras sobre a mesa de centro e pelas fotografias artísticas nas paredes, aquela provavelmente era a suíte particular de Li Ruotai.

    — Seu irmão até que tem bom gosto. Um lótus de Cui Ruzhuo… interessante — comentou Wu Chen.

    Junto à parede próxima à entrada havia uma pintura de lótus.

    Wu Chen parou por um instante, olhou para o quadro e sorriu.

    — Bom gosto uma ova. Ele só finge ser refinado. Tudo isso é para os clientes importantes que ele traz aqui. Como se ele entendesse alguma coisa dessas — respondeu Li Ruobing.

    Ela realmente conhecia o próprio irmão.

    — Você também entende de arte? Estuda pintura? — perguntou Li Ruobing, virando-se para ele.

    — Um pouco, um pouco — respondeu Wu Chen com modéstia.

    Então fez um gesto na direção do quadro na parede.

    — Essa pintura é falsa. O original, pelo que sei, está atualmente com um colecionador em Hong Kong.

    Depois disso, seguiu para dentro, caminhando sem pressa pela sala e observando o lugar.

    A decoração tinha um estilo elegante e discreto, mas o ambiente inteiro carregava uma sensação artificial, como um apartamento decorado para exposição.

    Era exatamente como Li Ruobing dissera.

    A suíte servia para receber clientes importantes.

    Por isso, decoração e acabamentos eram muito sofisticados.

    Mas, na prática, a suíte quase não era usada.

    Perto da janela havia até um piano Steinway.

    Se Li Ruotai soubesse tocar piano, seria um milagre.

    Era apenas decoração!

    — Já mandei os guarda-costas buscarem roupa para você. Eles trazem daqui a pouco. Quer beber alguma coisa enquanto isso? — perguntou Li Ruobing, caminhando até o armário de bebidas.

    — Dom Pérignon P2, safra 2000. Obrigado — respondeu Wu Chen casualmente.

    Li Ruobing, que acabara de abrir a porta do armário, virou a cabeça e franziu levemente a testa.

    O sorriso em seu rosto mostrava surpresa.

    Porque aquela era sua champanhe favorita.

    Li Ruobing não tinha o hábito de servir ninguém.

    Mas, depois do desempenho de Wu Chen naquele dia, achou que servir uma taça a ele não seria nada demais.

    Podia considerar uma recompensa.

    Enquanto Li Ruobing servia a bebida…

    Wu Chen se sentou diante do piano.

    Abriu a tampa do teclado, deslizou a mão casualmente sobre as teclas e então começou a tocar.

    Uma melodia suave e agradável começou a se espalhar pelo ambiente.

    Nota