Novels chinesas em português
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    Capítulo 280 — Tang Xinbao e Guo Qiqi

    O jovem de cabelo curto encarava Wu Chen, atordoado. Ele não conhecia Wu Chen, e tudo o que acontecera naquela noite deixava claro que Wu Chen o salvara por “senso de justiça”. Mas Wu Chen tinha acabado de mencionar o segundo tio dele… Para saber que, quando estava em apuros, ele recorria ao segundo tio, era preciso conhecê-lo!

    — Também tenho alguns amigos em Modu e já ouvi falar de você. Seu GTR modificado de mil cavalos é bem famoso por lá. E agora há pouco você a chamou de Qiqi… — Wu Chen olhou para a garota de vestido preto. — Você é a Guo Qiqi, né?

    Ao ver Wu Chen olhar para ela, a garota assentiu, um pouco atordoada.

    — E você é o Tang Xinbao, certo? — Wu Chen voltou a olhar para o rapaz de cabelo curto.

    Ele também assentiu, ainda atordoado.

    Tang Xinbao, vinte e um anos, membro direto da terceira geração da família Tang de Modu.

    A família Tang de Modu era um pouco mais poderosa que as famílias Gu e Xiang. Não era a mais forte de Modu, mas certamente estava entre as principais.

    Por causa do peso regional, as famílias Gu e Xiang de Modu tinham cacife para disputar uma queda de braço com as famílias Li e Ding. Mas, olhando apenas para as posições ocupadas por seus membros, ainda ficavam um pouco abaixo.

    Já a família Tang, olhando só para as posições ocupadas pela geração mais velha, podia se sentar à mesma mesa que as famílias Li e Ding, de igual para igual. Em termos de relações e rede de contatos, talvez fosse até mais forte.

    Ainda assim, comparada a grandes famílias como os Li e os Ding, a família Tang tinha uma particularidade. Ou melhor, era de outro “tipo”!

    Quatro gerações da família Tang tinham servido nas forças armadas!

    A geração mais antiga já era militar nos anos de guerra, mais de meio século antes. Mas quem de fato chegou ao topo foi a geração do atual patriarca.

    O patriarca da família Tang não era originalmente de Modu. Sua terra ancestral ficava na província de Gan. Depois da vitória na guerra, por ter ocupado cargos em Modu durante muito tempo, acabou criando raízes na cidade.

    O avô de Tang Xinbao era militar. O pai era militar. O irmão mais velho era militar. Só ele não era…

    Na verdade, como membro direto da família, ele também deveria ter seguido carreira militar. Mas fora muito rebelde: recusara-se a cursar a academia militar, não quis se alistar e decidira seguir pelos negócios. Por causa disso, chegara a romper com o pai, e a relação dos dois continuava ruim até hoje.

    Era por isso que, nos últimos anos, quando tinha algum problema, ele procurava o segundo tio, e não o pai.

    Guo Qiqi, vinte e um anos, neta caçula de Guo Xingqi, presidente do conselho do Grupo Jiuhe de Modu.

    A família Guo, do Jiuhe, era uma das famílias empresariais mais antigas ainda em atividade em Modu. Começara no ramo têxtil, e sua ascensão remontava a cerca de um século. Atravessara os anos de guerra, conhecera a decadência e depois voltara a se erguer. Passara, enfim, por muitos altos e baixos.

    Diferente das famílias Tang e Gu, a família Guo não era uma família de poder político. Até hoje continuava sendo uma família puramente empresarial. O clã inteiro tinha um patrimônio de dezenas de bilhões, o que, em Modu, ainda não bastava para colocá-lo no topo.

    Mas os Guo estavam enraizados em Modu havia muito, muito tempo.

    Tinham enfrentado tempestades demais e, ao longo delas, acumulado uma rede de contatos e influência que famílias empresariais comuns dificilmente teriam.

    Tang Xinbao e Guo Qiqi podiam ser considerados amigos de infância. Conheciam-se desde muito pequenos e só começaram a namorar oficialmente no ensino médio. Era um namoro por livre escolha.

    Guo Qiqi era bonita, mas não chegava ao nível máximo. Pela escala de notas de Wu Chen, uma mulher nota 6 já era considerada bonita aos olhos das pessoas comuns; Guo Qiqi levaria um 7,5.

    Era do tipo que fica mais bonita quanto mais se olha, e tinha a postura de uma jovem dama criada numa família tradicional.

    Na verdade, com tudo o que Tang Xinbao tinha a oferecer, ele poderia conquistar a beldade de primeira linha que quisesse, de qualquer tipo. Mas gostava justamente de Guo Qiqi e era bastante fiel.

    Aliás, o fato de os dois terem namorado tranquilamente, sem nenhuma oposição, tinha muito a ver com a posição das duas famílias.

    Embora a família Guo, do Jiuhe, não fosse uma família de poder político, sua influência não ficava muito atrás. Tinha raízes profundíssimas em Modu e, ao lado da família Tang, formava um par à altura.

    — Irmão, então você é… — Tang Xinbao, ainda atordoado, recobrou-se um pouco e devolveu a pergunta.

    Wu Chen os conhecia e sabia dizer o nome dos dois com precisão. Por isso, Tang Xinbao achou que talvez também conhecesse seu salvador, ou pelo menos já tivesse ouvido falar dele.

    — Wu Chen — respondeu ele, sorrindo.

    Tang Xinbao piscou, olhando para ele. Depois de um bom tempo, virou-se para a namorada, Guo Qiqi, com um olhar interrogativo.

    Guo Qiqi devolveu o olhar, completamente perdida.

    Não conseguiam se lembrar.

    Nenhum dos dois tinha ouvido falar de Wu Chen.

    Era perfeitamente normal. No círculo da “terceira geração” de Modu, era normal que alguns tivessem ouvido falar de Wu Chen, e também era normal que outros não tivessem.

    Nem todo mundo prestava atenção em quem era o novo namorado de Li Ruobing. Além disso, fazia pouco tempo, pouco mais de dez dias.

    Tang Xinbao e Guo Qiqi também eram jovens e ainda estavam na faculdade. Os círculos que frequentavam eram diferentes dos de outros membros da terceira geração que já tinham entrado no mercado e começado a participar dos negócios da família.

    — Então, irmão, a sua família é… — Tang Xinbao voltou a perguntar.

    Não sabia quem era “Wu Chen”, mas achava que ele devia ter uma origem parecida com a sua. Senão… se não fosse do mesmo círculo, como poderia dizer algo como “ligue pro seu segundo tio”?

    Ele sabia demais.

    — Minha família tem uma casa de lamian numa cidadezinha de condado — respondeu Wu Chen.

    — Você é piadista, hein, irmão — disse Tang Xinbao na hora.

    Wu Chen sorriu.

    Tang Xinbao também sorriu.

    Achou que Wu Chen estava brincando.

    Wu Chen não tinha a menor intenção de explicar em detalhes. Tang Xinbao logo ficaria sabendo de tudo o que precisava saber. Falar mais ou falar menos agora não faria diferença.

    — Irmão, quantos anos você tem? — perguntou Tang Xinbao.

    — Vinte e dois — respondeu Wu Chen, sorrindo.

    — Ah… então tá certo eu te chamar de irmão mais velho — disse Tang Xinbao.

    Só queria confirmar. Os dois pareciam ter idades parecidas, e só pela aparência era difícil dizer quem era mais velho.

    — Irmão, com quem você aprendeu a lutar? — Tang Xinbao perguntou de novo. Parecia ter chegado a um assunto que o interessava de verdade e foi ficando cada vez mais animado, no tom de quem queria muito pedir orientação. — Como você treinou? Como você consegue ser tão forte? Nunca vi ninguém tão forte quanto você. Eu treino desde pequeno e não chego nem perto. Como alguém fica forte desse jeito…?

    Ele não perdia o ânimo mesmo. Com o rosto todo inchado e roxo, o corpo inteiro doendo, ainda tinha cabeça para perguntar aquilo.

    — Aprendi sozinho — respondeu Wu Chen, sorrindo.

    — Sério? Você treinou sozinho e ficou forte assim? Dá pra me ensinar? — Tang Xinbao ainda falava quando…

    Vruuuum!

    O ronco de motores ecoou do lado de fora do beco. No começo parecia distante, mas foi se aproximando rápido. E não era um carro só. Pelo barulho, todos vinham em altíssima velocidade!

    A conversa parou.

    Wu Chen, Tang Xinbao e Guo Qiqi viraram a cabeça ao mesmo tempo para fora do beco.

    Wu Chen olhou por um instante e saiu direto. Logo chegou à entrada do beco e espiou a rua.

    Os carros vinham do sul. Era um comboio de cinco ou seis veículos, todos correndo feito loucos. Poucos segundos depois de Wu Chen chegar à saída do beco, eles despontaram na rua em frente, jogaram-se todos para o acostamento e frearam bruscamente!

    Os carros pararam, as portas se abriram, e mais de dez pessoas desceram.

    De um Mercedes preto desceu um homem com uma bengala numa das mãos: era Zhao Guaizi! Chegara com seu pessoal em pouco mais de dez minutos, porque morava ali perto.

    E não viera sozinho. Yu Hailiang, o chefe de He Ming, também estava com ele.

    Quando He Ming ligou para Yu Hailiang, ele estava ao lado de Zhao Guaizi num clube de negócios onde Zhao costumava ficar.

    — Senhor Wu, foi um mal-entendido! Senhor Wu! — Assim que desceu do carro, Zhao Guaizi avistou Wu Chen na entrada do beco e gritou, aflito. Enquanto gritava, vinha o mais rápido que podia, mancando. — Senhor Wu, foi mesmo um mal-entendido! O senhor ainda lembra de mim? Sou eu, o Guaizi. A gente se conheceu aquela vez na casa do Jovem Mestre Li… Senhor Wu!

    Não havia nada da pose de chefão de sempre. Zhao Guaizi andava e gritava ao mesmo tempo, desesperado para se explicar.

    Enquanto isso…

    A Lamborghini de Wu Chen continuava estacionada na beira da rua. Zhuang Xiaodie estava no banco do passageiro, olhando inquieta pela janela.

    Trim-trim…

    O celular tocou.

    Zhuang Xiaodie já estava com o aparelho na mão. Assim que tocou, olhou a tela e atendeu na hora.

    — Alô, irmã — disse depressa, sem tirar os olhos da janela.

    — Já acabou? — perguntou Li Ruobing.

    — Não. Acho que ainda não. Chegou mais um monte de gente — respondeu Zhuang Xiaodie, nervosa.

    — Ainda não acabou? Chegou mais gente? — A voz de Li Ruobing subiu de tom.

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