Capítulo 361 — Sentindo a magia de Wu Chen!
por NexoNovelCapítulo 361 — Sentindo a magia de Wu Chen!
An Menglan ficou encarando Wu Chen, atônita. Ele também tocava violino?!
— É hobby. Já estudei — disse Wu Chen, sorrindo.
De novo aquela resposta!
An Menglan continuou com os olhos cravados nele. Depois de tudo o que Wu
Chen já tinha mostrado, ela se perguntava o que, afinal, aquele “hobby”
e aquele “já estudei” queriam dizer. Não ia ser também… Não! Impossível!
A energia de uma pessoa tem limite!
Se Wu Chen tivesse quarenta anos e tocasse muito bem piano e violino, os
dois em nível de mestre, ainda seria coisa de outro mundo, mas dava para
entender. Afinal, gênios existem!
Mas aos vinte e dois, de jeito nenhum! Ele tinha acabado de se formar
numa universidade de ponta; mal saíra da fase de estudos pesados. Se o
tempo livre já tinha ido todo para o piano, não havia como ter treinado
violino a um nível tão alto também!
Então… ele devia só saber tocar, e pronto.
— Assim, com a cabeça inclinada, não fica difícil pra cantar? — repetiu
Wu Chen, sorrindo para ela.
Para tocar violino, o instrumento fica apoiado no ombro esquerdo, preso
com a lateral do queixo. Não tem como não inclinar a cabeça!
— Então… vou abusar da sua boa vontade — disse An Menglan. Pensando
nisso, a expressão dela voltou bastante ao normal, e ela entregou a Wu
Chen o violino e o arco.
Wu Chen pegou o violino e o examinou. Era um instrumento antigo, obra de
um luthier célebre do século XIX, com quase duzentos anos de história.
Um violino daqueles, naturalmente, custava uma fortuna. E, pelo que Wu
Chen sabia, tinha sido presente de aniversário da mãe de An Menglan
quando ela completou dezoito anos!
Fora comprado de um colecionador por um milhão de dólares!
An Menglan cuidava muito bem daquele violino! Era apaixonada por ele!
Comparando, An Menglan tocava violino muito melhor do que piano. O
motivo principal era a facilidade de levar o instrumento consigo. Ela
viajava muito e podia carregá-lo para qualquer lugar, praticando sempre
que tinha um tempinho!
— Pode começar — disse Wu Chen, posicionando o violino.
— Tá bom! — An Menglan assentiu.
Wu Chen puxou o arco!
Um ritmo leve de blues se espalhou pela sala, com um ar pastoral. Aos
poucos, o andamento foi ficando mais sereno, mas, depois de uma
modulação para cima, virou rapidamente algo grandioso, épico!
An Menglan ficou chocada!
Chocada de verdade, a um ponto que não dava nem para medir!
A introdução terminou!
E An Menglan esqueceu de cantar de novo!
Wu Chen parou, sorriu para ela e disse:
— Senhorita An, você se distraiu de novo. Tá muito cansada? Quer
descansar um pouco?
— Ah… desculpa, desculpa. Hum… de… de novo, vamos de novo… — An Menglan
se desculpou várias vezes, ajeitou o cabelo sem jeito e chegou até a
fugir um pouco do olhar dele.
Naquele momento, o coração dela disparava!
Era como se tivesse descoberto algo “inacreditável”. Algo além do senso
comum, além do que a mente humana alcança! An Menglan já sentia a
“magia” de Wu Chen! Amava a música acima de tudo, e o talento musical
que Wu Chen mostrava simplesmente não devia estar ao alcance de um “ser
humano”!
A cabeça, uma bagunça!
O coração, disparado!
An Menglan olhou para o computador, obrigou-se a se concentrar, respirou
fundo mais duas vezes e disse:
— Pode começar!
Wu Chen voltou a puxar o arco!
A mesma melodia! Do pastoral ao épico, do sereno ao arrebatador!
An Menglan começou a cantar. Já na primeira nota a voz saiu altíssima,
com um quê de canto lírico. Na verdade, não era; continuava sendo canto
popular, que exigia falsete e uma extensão vocal enorme!
A música era dificílima!
Mas, só no canto, An Menglan foi quase perfeita! Porque o acompanhamento
perfeito despertava nela toda a emoção!
Uma corte antiga!
Ela ia do comum ao esplendor! Aos poucos, ganhava ares de soberana!
A música se chamava Nüwang. Não falava de romance entre homem e mulher,
e sim da disputa cruel pelo poder numa corte antiga, da história de
alguém extraordinário perdido na vida comum que volta a ser
extraordinário! Uma boa música costuma fazer a gente sentir a história
que existe por trás dela!
E a Nüwang de Wu Chen era exatamente assim!
A música não só combinava com voz feminina, como combinava especialmente
com An Menglan! Ela, a Grande Rainha Demônio da música, tinha confiança
e domínio de sobra! Só assim dava para extrair todo o sabor daquela
canção!
Cinco minutos depois.
A música terminou!
An Menglan silenciou, ofegante, com o rosto meio vermelho, claramente
tomada pela emoção! A música era difícil demais, sobretudo o refrão, com
agudos em sequência. Nem An Menglan saiu dela sem se sentir exausta!
Cansada, sim!
Mas também… que delícia!
Uma sensação de lavar a alma!
— Essa música… acho que pode ser a faixa principal! — disse An Menglan,
ainda ofegante, olhando para Wu Chen.
Nem tinha cantado as outras e já tinha decidido!
Porque a sensação que aquela música lhe dava era boa demais, boa demais!
— Calma. Pelo menos testa todas antes — disse Wu Chen, sorrindo. Ele
sabia que aquela música ia atraí-la muito, mas também sabia… que uma das
seguintes é que era, de verdade, a música da vida de An Menglan!
Nos mil anos de ciclos, fora justamente com aquela música que Wu Chen,
num único dia, vivera com An Menglan uma história que não se pode
contar!
— Tá bom… — An Menglan assentiu, sem se opor.
A próxima: Chengbao!
Wu Chen deixou o violino de lado, voltou ao piano e começou a tocar a
introdução.
Chengbao era em estilo country, com o tema da “inocência de criança” e
das “lembranças”. Falando de forma simples, era a história de uma
garotinha brincando na praia: toda menina é uma princesa e tem, dentro
do coração, um castelo só dela!
A música inteira tinha ritmo leve e simples, melodia simples e letra
singela!
Músicas assim costumam se espalhar com muita facilidade, porque são
fáceis de aprender, meio canção-chiclete. Mas a letra de Wu Chen era boa
demais! Por isso, não passava nenhuma sensação de coisa “barata”!
Qing Buyao Huitou era punk rock; na voz de uma garota, ficava
descoladíssima!
Yinhe tinha um conteúdo mais de ficção científica, com elementos de rap.
O refrão era um rap só de voz feminina, embora aquela parte também
pudesse ser cantada por um homem, virando um dueto. As duas formas
funcionavam!
Zuihou de Pianzhang!
Folk! Um ritmo extremamente suave, pedindo uma voz feminina delicada. A
letra falava de sonhos e de saudade! Temas bem populares, que An Menglan
já tinha cantado antes, mas em estilo folk era a primeira vez!
Era essa música!
Com a voz magnética e um canto suave, An Menglan fez uma primeira
interpretação perfeita! Logo em seguida, fez sinal para Wu Chen tocar de
novo! E cantou mais uma vez!
E uma terceira!
E uma quarta!
Os olhos de An Menglan ficaram vermelhos! Cantando, as lágrimas
começaram a escorrer pelo rosto!
Entregue de corpo e alma, ela tinha cantado até chorar outra vez! Da
primeira vez que cantara Qiaoxiang, chorara pela história dentro da
música, pelas pessoas daquela história. Agora, chorava por si mesma!
Quem corre atrás de um sonho sempre enfrenta percalços, sempre acaba
incompreendido!
An Menglan queria cantar a vida inteira. Realizar o sonho na música não
significava ter de parar! Se ela pretendia se afastar, era,
naturalmente, por causa da família, do clã! Não podia ser só cantora!
A família apoiava que ela tratasse a carreira artística como hobby, mas
não que cantasse para sempre! Afinal, com um patrimônio daquele tamanho,
cedo ou tarde ela teria de herdar uma parte!
Depois de cantar quatro vezes, já meio sem controle das emoções, An
Menglan pediu “desculpa” outra vez e saiu apressada da sala de piano.
Foi enxugar as lágrimas!
Dessa vez, voltou rápido.
As lágrimas já estavam secas, embora os olhos continuassem um pouco
vermelhos. Ela já tinha se recomposto. Assim que entrou na sala de
piano, sorriu para Wu Chen com ar de desculpa:
— Desculpa, senhor Wu. Hoje eu tô meio…
— Eu entendo — interrompeu Wu Chen. Sorriu e perguntou: — Decidiu? Qual
música vai comprar?
— Decidi! — An Menglan assentiu e então disse, com um olhar meio solene:
— Quero todas! Vou fazer um álbum com essas sete músicas!
Não foi surpresa nenhuma para Wu Chen!
As sete eram músicas capazes de “estourar em um dia”. Era impossível An
Menglan desprezar alguma!
— Então… — Wu Chen sorriu. — E a faixa principal?
— Zuihou de Pianzhang! — respondeu An Menglan na hora, sem nem pensar!
Ela gostava muitíssimo de Nüwang, mas, comparando com Zuihou de
Pianzhang, era a segunda que ressoava muito mais dentro dela!
— Pretendo chamar o álbum de Zuihou de Pianzhang também! — acrescentou
An Menglan.
— Combina bastante — disse Wu Chen, sorrindo.
— E tem mais… — An Menglan começou, e parou, hesitante.
— O quê? — perguntou Wu Chen.
— Senhor Wu, eu preciso te pedir desculpas! — disse An Menglan, com o
olhar muito sério.
Wu Chen ergueu uma sobrancelha.
