Novels chinesas em português
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    Capítulo 414 — Mestre Chenwu

    O Bentley Continental não era o carro que Wu Chen costumava usar, e An Menglan nunca o vira dirigindo aquele modelo. Mas a placa era de Donghai…

    An Menglan observava. Havia alguns degraus diante da entrada do prédio, e ela desceu por eles. Quando os demais executivos a viram se mover, também avançaram um pouco, esticando o pescoço para olhar.

    Quem seria? Quem poderia receber de An Menglan uma recepção tão solene, tão importante, a ponto de todos os dirigentes da empresa saírem para esperar?

    Afinal, An Menglan não era apenas uma cantora famosa!

    Entre suas várias identidades, essa era secundária. Ser dona de uma gravadora também era secundário. O essencial era que ela era a filha mais velha da família An, de Hong Kong, herdeira de uma família com uma fortuna de centenas de bilhões!

    O para-brisa do Bentley refletia um pouco a luz. An Menglan conseguiu distinguir vagamente Wu Chen ao volante, com uma garota no banco do passageiro. Os outros nunca tinham visto Wu Chen e não conseguiam identificar quem estava no carro.

    Parecia tão jovem?

    Logo!

    O Bentley Continental chegou à margem da rua, a pouco mais de vinte metros da entrada, virou, atravessou o estacionamento diante da empresa e parou atravessado a poucos metros da escadaria do edifício.

    — Chegamos. Pode descer — disse Wu Chen a Zhuang Xiaodie, soltando o cinto de segurança.

    Os dois saíram do carro.

    A porta de Wu Chen dava para a entrada da empresa. Assim que ele desceu, An Menglan deu mais dois passos para recebê-lo. Os executivos atrás dela ficaram atônitos — jovem demais!

    — Mestre Chenwu, chegou!

    — Senhorita An.

    Wu Chen e An Menglan trocaram cumprimentos e ainda apertaram as mãos formalmente. Os mais de dez executivos atrás da cantora ficaram completamente perplexos.

    Chenwu?!

    Mestre?!!

    Seria aquele cantor amador que explodira na internet recentemente, o intérprete de “Remédio para a Alma”, Chenwu? Devia ser ele! Os executivos tinham como confirmar, pois, alguns dias antes, na reunião anterior à viagem para Donghai, An Menglan dissera que iria contratar Chenwu!

    Um jovem chegava num carro com placa de Donghai, e ela o chamava de “Chenwu”. Só podia ser o cantor de “Remédio para a Alma”.

    Mas!

    Mestre?!!

    Por que An Menglan o chamava de mestre? Se Chenwu tivesse quarenta ou cinquenta anos, muito mais velho do que ela, seria perfeitamente natural tratá-lo assim, por cortesia ou respeito.

    Só que ele não parecia velho! Tinha pouco mais de vinte anos! Nem podia ser mais velho que An Menglan!

    Os mais de dez executivos exibiam expressões estranhas ao observar Wu Chen. Não conseguiam compreender. Um cantor desconhecido do público até outro dia… Com que direito?!

    Mesmo que fosse realmente excelente!

    Não poderia ser tão extraordinário a ponto de fazer An Menglan reverenciá-lo, certo? Em todo o cenário musical de língua chinesa, quantas pessoas eram capazes de conquistar tamanha admiração dela? Dava para contar nos dedos!

    Havia outro detalhe: An Menglan ainda não revelara quem escrevera a letra e a música das demos do novo álbum que trouxera no dia anterior. Para fazer a avaliação às cegas, não precisava dizer!

    Ela escondera deliberadamente essa informação até dos compositores e letristas com quem tinha mais proximidade. Mesmo quando lhe perguntaram, não respondeu diretamente. Era algo extraordinário demais: escrever sete músicas seguidas ali mesmo, diante de todos! Teria que explicar muita coisa, e ainda assim seria difícil acreditarem.

    E havia algo ainda mais importante! An Menglan assinara com Wu Chen um contrato de participação de cinquenta por cento no lucro líquido.

    Receava que o assunto surgisse. O que pensariam os demais compositores da empresa ao descobrir?

    Logo depois do cumprimento formal entre Wu Chen e An Menglan…

    Zhuang Xiaodie, que também descera, contornou a frente do Bentley e se aproximou.

    — Zhuang Xiaodie — apresentou Wu Chen. Então fez um gesto na direção de An Menglan e disse, sorrindo para Zhuang Xiaodie: — Nem preciso apresentar, né…?

    — Senhorita Zhuang, prazer em conhecê-la — disse An Menglan, sorrindo e estendendo a mão. Já sabia quem era Zhuang Xiaodie, pois Wu Chen lhe contara, mas era a primeira vez que se encontravam.

    Como imaginara antes, ela realmente tinha uma beleza excepcional! E, entre as mulheres de Wu Chen que An Menglan conhecera até aquele momento, era a que tinha o melhor corpo!

    — Senhorita An, oi, muito prazer! — Zhuang Xiaodie respondeu, um pouco empolgada, apertando-lhe a mão.

    An Menglan tinha fãs em todos os lugares.

    Embora os artistas favoritos de Zhuang Xiaodie fossem todos atores, porque ela própria estudava interpretação, naturalmente também ouvia música, como qualquer jovem, inclusive as canções de An Menglan.

    Podia ser considerada uma fã da cantora.

    Apertaram as mãos e trocaram gentilezas.

    Tudo extremamente cortês e formal.

    Naturalmente, estavam representando papéis. An Menglan não queria que os funcionários soubessem de seu relacionamento particular com Wu Chen.

    Esse também era um dos motivos para chamá-lo de mestre Chenwu. Além disso, era um costume!

    Um costume do meio artístico.

    Na indústria do entretenimento, as pessoas normalmente não eram tratadas por seus nomes civis: praticamente todos usavam nomes artísticos. Os que não adotavam um eram minoria, fossem atores, cantores, compositores, letristas ou escritores!

    Wu Chen chegara à empresa de An Menglan na condição de compositor e letrista contratado. Era natural que ela o tratasse dessa maneira.

    Quanto ao título de mestre, era sincero! An Menglan considerava Wu Chen um verdadeiro músico! Daqueles que deixariam seu nome gravado na história da música mundial, brilhando através das eras!

    Depois de mais algumas formalidades na porta…

    An Menglan apresentou formalmente a Wu Chen algumas pessoas, as mais importantes da Menghua Music.

    Entre elas estavam o renomado produtor Yu Xiaohu, a renomada letrista Fangfang, Yuan Lang, compositor e letrista que trabalhava especialmente para An Menglan, além do chefe do departamento de agenciamento artístico, de um vice-presidente e de outros.

    Não apresentou todos. Eram mais de dez pessoas.

    Limitou-se àqueles de posição mais elevada e que estavam mais perto.

    Depois das apresentações, entraram juntos no prédio.

    — Mestre Xiaohu, podem voltar ao trabalho — disse An Menglan, virando-se para o homem de meia-idade à sua direita.

    Aparentemente dirigia-se só ao produtor Yu Xiaohu, mas, na realidade, dispensava todos.

    E todos se dispersaram.

    Quanto mais avançavam para dentro do prédio, menos gente os acompanhava. Logo só restaram An Menglan, Wu Chen e Zhuang Xiaodie. Ao seguirem pelo corredor em direção aos elevadores, Wu Chen percebeu que a empresa estava num clima de tensão.

    Os funcionários que passavam falavam baixinho entre si. Todos pareciam inquietos.

    Era fácil imaginar o motivo: o vazamento das músicas na véspera…

    — Como estão as coisas agora? Descobriram alguma coisa? — Wu Chen finalmente perguntou a An Menglan ao chegarem diante do elevador.

    — Ontem meus guarda-costas verificaram todas as câmeras de segurança. Por enquanto, temos cinco suspeitos — respondeu An Menglan enquanto apertava o botão.

    Enquanto falava, seu olhar voltou a mudar.

    Bastava mencionar aquilo para se sentir culpada diante de Wu Chen!

    — Identificaram suspeitos tão depressa? Trabalharam bem — disse Wu Chen, sorrindo. — E os cinco? Vieram trabalhar hoje? Foram detidos?

    — Todos vieram — respondeu An Menglan, com a voz melodiosa carregada de cansaço. Sofrera de insônia na noite anterior, dormira apenas uma hora antes de amanhecer e não descansara mais. — Não mandei os guarda-costas prender ninguém. Cinco pessoas é muita gente. Quem vazou os arquivos provavelmente foi uma só. Se eu acusar inocentes…

    Wu Chen compreendeu a preocupação.

    Se inocentes fossem acusados injustamente, isso destruiria a confiança. Os outros quatro provavelmente pediriam demissão!

    Entre os cinco suspeitos devia haver pessoas importantes na empresa, gente talentosa. Seria uma pena provocar um rompimento e perdê-las.

    — Mas mandei os guarda-costas investigar os computadores, registros de chamadas dos celulares e outras coisas. Ainda estão apurando, sem resultado por enquanto… — acrescentou An Menglan.

    Ela lidara muito bem com a situação.

    Naquele momento, investigar discretamente era realmente a melhor alternativa.

    Também não era necessário temer que o culpado fugisse. Quanto mais delicada a situação, mais aquele que vazara as gravações precisaria continuar indo trabalhar normalmente. Pedir licença ou demissão agora seria praticamente se denunciar!

    Subiram de elevador.

    Durante o trajeto, An Menglan também contou a Wu Chen detalhes sobre como ocorrera a avaliação às cegas no dia anterior.

    Logo os três chegaram ao escritório da presidente, no décimo primeiro andar, o último do edifício!

    Era um escritório espaçoso, com amplas janelas do chão ao teto. A decoração não era especialmente luxuosa, mas havia elementos ligados à música por toda parte. Num dos cantos, encontrava-se até um piano.

    — Senhor Wu, Zhuang Xiaodie, sentem-se — disse An Menglan, apressada. Depois de indicar o sofá aos dois, voltou à mesa de trabalho.

    Tirou uma pasta de documentos da gaveta, folheou para conferir alguma coisa e se levantou, aproximando-se do sofá para entregá-la a Wu Chen.

    — Senhor Wu, dá uma olhada.

    Wu Chen recebeu a pasta, pousou-a sobre a mesa de centro e a abriu. Eram os dados dos cinco suspeitos. Os guarda-costas de An Menglan eram muito competentes. Embora o vazamento tivesse acontecido havia menos de vinte e quatro horas, já haviam identificado cinco possíveis responsáveis e reunido muitas informações sobre eles.

    Enquanto Wu Chen examinava os documentos, An Menglan caminhou alguns passos de um lado para outro, ansiosa.

    — Conversei com os guarda-costas. Eles vão continuar investigando. Se não descobrirem nada, vamos entrevistar todos os que participaram da avaliação às cegas, um por um. Perguntar o que fizeram depois e comparar as respostas com os dados da investigação, pra ver se alguém mente…

    — Não precisa — disse Wu Chen, porém. Levantou a cabeça para An Menglan e apontou uma página da pasta. — Foi ele. É só chamar esse homem!

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