Capítulo 009 — Li Ruobing perde a compostura
por NexoNovelCapítulo 009 — Li Ruobing perde a compostura
— Venha até a Torre 7 do CBD de Nancheng… — Assim que a chamada foi atendida, Li Ruobing foi direta ao ponto, num tom frio que não admitia recusa.
— Já estou aqui embaixo — respondeu Wu Chen, com indiferença.
— … — Li Ruobing prendeu a respiração por um instante antes de dizer: — Vou mandar alguém buscar você.
— Garagem subterrânea. Lamborghini branca. — E Wu Chen desligou.
Para um desconhecido, conseguir um encontro com uma figura do porte de Li Ruobing era difícil como poucas coisas na vida. Para Wu Chen, porém, ver qualquer pessoa importante de Donghai era simplíssimo.
Bastava um telefonema e algumas frases bem escolhidas.
Ele conhecia os segredos de todas as pessoas de posição. Bastava mencionar um deles de passagem, e o outro morderia a isca.
Na ligação anterior, o que de fato levara Li Ruobing a retornar o contato tinha sido a “aposta”. Pouquíssimas pessoas sabiam daquilo. Era impossível que um estranho soubesse.
Pouco depois, um homem alto e magro, de terno preto e óculos escuros, chegou ao estacionamento e bateu no vidro da Lamborghini branca.
Wu Chen também conhecia aquele homem: Zhou Huan, um dos guarda-costas de elite de Li Ruobing, ex-soldado de reconhecimento de uma unidade de forças especiais de primeira linha. Casado, tinha um filho de cinco anos.
— Vamos. — Wu Chen desceu do carro.
Zhou Huan mediu Wu Chen de cima a baixo. Ele estava vestido de maneira comum e era muito jovem; parecia um universitário sem muito dinheiro.
Por dentro, o guarda-costas se perguntava por que a chefe o havia mandado descer para buscar alguém assim. Mas não fez perguntas.
— Por aqui, senhor. — Zhou Huan indicou o caminho com um gesto e seguiu à frente.
O CBD de Nancheng era o distrito comercial de Donghai, todo formado por torres corporativas de alto padrão, com controle de acesso rigoroso.
Sem passar um cartão de funcionário, ninguém subia.
Zhou Huan levou Wu Chen ao elevador e chegou com ele ao 31º andar.
O aluguel ali era de um valor absurdo. Uma empresa comum, ao abrir as portas, alugaria no máximo uma salinha. Li Ruobing, quando montara a empresa três anos antes, alugara cinco andares inteiros de uma só vez.
E aquilo era apenas uma parte dos negócios dela, o escritório administrativo. Na zona industrial, ainda mantinha uma superfábrica na qual investira um bilhão.
Como os cinco andares pertenciam à mesma empresa, a reforma tinha sido feita de forma integrada.
A marca “Huancai Fashion” aparecia por toda parte. Funcionários iam e vinham entre as estações de trabalho, todos muito ocupados.
Homens e mulheres bonitos onde quer que se olhasse.
O guarda-costas conduziu Wu Chen pela escada até o andar de cima.
Foram ao 33º.
Ali quase não se via funcionário algum. Em compensação, havia guarda-costas de terno preto em cada canto. Se Wu Chen não soubesse quem estava a ponto de encontrar, teria jurado que ia se reunir com algum chefão do submundo.
Na verdade, Li Ruobing era mesmo uma figura de enorme peso. Só não era do submundo. Publicamente, era apenas uma empresária de destaque em Donghai, uma presidente-executiva.
33º andar. Escritório da presidente.
Dois guarda-costas de terno preto, parados como dois guardiões de porta, um de cada lado.
— Chefe, ele chegou — anunciou Zhou Huan para dentro.
— Entre. — A voz gelada de Li Ruobing veio de dentro do escritório.
Zhou Huan entrou com Wu Chen.
O escritório era enorme. A vista pelas janelas do chão ao teto era belíssima, mas o ambiente tinha poucos móveis, e o sofá de recepção ficava muito longe da mesa de trabalho.
— Foi você que me ligou? — Li Ruobing largou a caneta e fixou em Wu Chen um olhar sombrio.
Estava surpresa. Wu Chen era muito diferente do que ela havia imaginado. Um estranho lhe telefonara de repente, mencionara coisas conhecidas por pouquíssimas pessoas, sabia quem ela era e falava com uma calma absoluta.
Ela esperava um homem maduro e firme, provavelmente de meia-idade. Wu Chen, porém, era jovem demais. Parecia um estudante.
Wu Chen também observava Li Ruobing.
Alta e esguia, cabelo preto, longo e liso, óculos de armação dourada, maquiagem de uma beleza fria. Sua presença era intensa. Mesmo sentada em silêncio, era possível sentir o quanto ela era imponente e inacessível.
E aquela presença era tão forte que chegava a fazer as pessoas esquecerem a sua beleza.
— Senhora Li, é um prazer! — Wu Chen sorriu.
Em seguida, começou a andar pelo escritório, observando tudo por conta própria, como se estivesse na casa dele: caminhava para onde queria, olhava o que queria e chegou a dar uma volta completa em torno da mesa, passando por trás de Li Ruobing.
Zhou Huan olhou para a chefe, pedindo instruções com os olhos.
O comportamento de Wu Chen era… arrogante demais. Ele não fazia nada de concreto, mas circular com tanta liberdade diante de Li Ruobing já era, em si, uma arrogância.
— Pode sair — disse Li Ruobing a Zhou Huan.
Zhou Huan se retirou.
Li Ruobing voltou os olhos para Wu Chen, que já havia chegado ao sofá, se sentado e cruzado as pernas.
— Wu Chen, correto? — Li Ruobing pegou um documento sobre a mesa. — Vinte e dois anos, formado no Departamento de Computação da Universidade de Donghai. Seu pai se chama Wu Dahai; sua mãe, Zhang Xiujuan. Os dois têm um restaurante de lamian numa cidade pequena. Você ainda tem uma irmã mais nova, Wu Jiao, que está no ensino médio…
Pá! Pá! Pá!
Wu Chen bateu palmas, sorrindo.
— A senhora Li tem mesmo recursos impressionantes. Em menos de uma hora já investigou tudo com essa clareza.
Wu Chen não se surpreendeu nem um pouco. Conhecia o alcance de Li Ruobing.
Seu número de celular estava registrado no próprio nome. Para quem tinha poder e influência, levantar seu histórico era muito fácil; a única diferença estava no tempo que levaria.
— Eu cheguei a pensar que alguém tivesse se apropriado do seu chip. Não esperava que fosse mesmo você. Um simples… recém-formado! — Li Ruobing largou o documento e encarou Wu Chen de frente.
Naturalmente, tinha um mar de dúvidas. Wu Chen não tinha nenhum respaldo. Era comum demais.
— Quem eu sou não importa, não é? — Wu Chen inclinou a cabeça e sorriu. — Vou ser breve. Me dê dez milhões e eu digo quem é o traidor.
— Quem mandou você? — perguntou Li Ruobing.
Ela não parecia ter o menor interesse no tal traidor. Continuava convencida de que o problema era Wu Chen.
— Estou sozinho. Você pode me considerar um… corretor de informações. Eu sei muita coisa que te interessa, que te preocupa. Você paga, eu dou a resposta. Uma troca justa.
— Um estranho aparece do nada, me fala de um traidor, me pede dez milhões e ainda chama isso de troca justa. Você acha isso possível?
Li Ruobing sorriu e, no instante seguinte, voltou a ficar fria.
— Eu te aviso: se não me der uma resposta que me satisfaça, você não sai vivo daqui hoje.
Enquanto falava, Li Ruobing abriu uma gaveta, tirou algo de dentro e o depositou sobre a mesa.
PÁ!
Uma pistola preta bateu na madeira.
Aquela mulher era sempre direta.
E tinha coragem de matar alguém dentro do próprio escritório, de verdade.
— Iss… Uau! Quer me matar? — Wu Chen fez o gesto de puxar o ar entre os dentes, mas logo soltou uma exclamação divertida. Ergueu a mão e sacudiu o objeto que segurava. — Sem isto aqui, como é que você vai me matar?
Na mão de Wu Chen estava, nada menos, o carregador da pistola.
O rosto de Li Ruobing mudou. Ela olhou para a própria arma e, de fato… o carregador não estava nela.
— Você… em que momento… — Li Ruobing se levantou bruscamente.
