Novels chinesas em português
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    Capítulo 465 — Todos o chamam de senhor Wu!

    — Você ouviu tudo? — Li Ruobing virou a cabeça para Wu Chen. — Quem diria, meu querido senhor Wu? Seus métodos são tão refinados que bastaram dois dias em Modu para fazer An Menglan abrir mão de cinquenta por cento das ações por livre e espontânea vontade.

    — Não é à toa que é o homem de Li Ruobing! — arrematou ela, com os cantos dos lábios se curvando num sorriso.

    Pelo tom, era impossível discernir se ela estava elogiando Wu Chen ou a si mesma.

    — Sobre as ações, eu só comentei de passagem na época — respondeu Wu Chen, sorrindo.

    — É mesmo? — Li Ruobing não se deu por convencida. Passou os braços pelo pescoço dele mais uma vez e aproximou o rosto, encarando-o bem nos olhos. — Não era mais uma das suas táticas?

    — Eu tenho cara de quem faria isso?

    — E não tem? — O sorriso dela se abriu, radiante.

    Entre gracejos e provocações, os dois se deitaram juntos na cama.

    A interrupção de An Menglan havia quebrado o clima no início, mas, ao término daquela ligação, o humor de Li Ruobing estava excelente.

    Era um estado de espírito sutil e complexo.

    An Menglan havia se rendido rápido demais e oferecido concessões em excesso! Por causa disso, o receio que Li Ruobing nutria por ela despencou de imediato.

    Aquela mulher jamais seria páreo para ela!

    Embora a família An tivesse ainda mais peso e influência do que a de Wu Yurong — o que justificava a forte hostilidade que Li Ruobing sentira a princípio —, An Menglan, por mais que fosse uma lenda absoluta no cenário musical, concentrava todo o seu talento e influência unicamente nesse meio. Não dominava outras áreas.

    Em termos de jogo de cintura, frieza e manipulação de bastidores, ficava a léguas de distância de Wu Yurong, a temida Viúva Negra.

    Li Ruobing concluiu que suas preocupações anteriores em relação a An Menglan não passavam de excesso de zelo.

    A única adversária realmente perigosa continuava sendo Wu Yurong!

    Com o ânimo renovado, ela julgou que seria um desperdício arruinar uma manhã tão agradável. O melhor a fazer era retomar com Wu Chen o que havia ficado pela metade.

    Ela mordeu a toalha.

    …

    Pouco depois das dez da manhã, na varanda.

    — Nossa, esse cigarro… — Chen Jinye já estava ali havia mais de meia hora conversando com Wu Dahai. Só então foi até a varanda, pegou o cigarro que o amigo lhe ofereceu e deu uma tragada. No mesmo instante, notou algo fora do comum e aproximou o maço dos olhos. — Esse Huanghelou…

    — Foi a Bingbing que comprou para mim — contou Wu Dahai, com um sorriso largo. Ele costumava aparentar mais idade do que tinha, mas naquele dia parecia rejuvenescido.

    Como diz o ditado: quando o coração está alegre, o semblante floresce.

    O filho havia se tornado alguém brilhante, e a futura nora era uma mulher extraordinária.

    Ele e Zhang Xiujuan quase não tinham pregado os olhos na noite anterior, mas o sono não vinha; a euforia ainda não havia se dissipado.

    Chen Jinye reconheceu a embalagem do famoso “Grande Tijolo de Ouro”. Já ouvira falar daquela linha lendária, mas era a primeira vez que a via de perto — e, ainda por cima, que a experimentava.

    — Um único cigarro desses passa de cem yuans! Velho Wu, você tirou a sorte grande, hein? — comentou Chen Jinye, admirado, embora sem grande surpresa.

    Afinal de contas, quem era a presidente Li? Era mais do que natural que presenteasse o futuro sogro com algo desse nível.

    O que o intrigava, na verdade, era Wu Dahai. O amigo sempre fora sovina e apegado às economias. Antes, quando Chen Jinye lhe dava cigarros ou bebidas de primeira linha, Wu Dahai só tinha coragem de abri-los em feriados importantes.

    Por que agora estava gastando daquele jeito?

    — É assim que se faz, velho Wu! Seu filho virou um homem de sucesso e arranjou uma mulher poderosa. De agora em diante, não precisa mais ficar regulando cada centavo… — disse Chen Jinye, soltando a fumaça.

    — Pois é, meu filho se tornou alguém capaz! — suspirou Wu Dahai, gesticulando no ar com orgulho. — Ah, velho Chen, a Bingbing trouxe cinco pacotes fechados desses cigarros. Leve um quando for embora.

    — De jeito nenhum! Nem pense nisso! A presidente Li deu de presente para você, que é o sogro dela. Seria uma falta de postura tremenda eu levar um pacote embora — recusou Chen Jinye, balançando as mãos com firmeza.

    — Que história é essa de postura? Você estendeu a mão para a nossa família vezes sem conta ao longo desses anos. Tempos atrás, quando foram arranjar confusão no meu restaurante de macarrão, não foi você quem moveu céus e terras para resolver a parada?

    — O que é isso, velho Wu? Se você não tivesse raspado as economias e arriscado tudo para me emprestar dinheiro lá atrás, acha que eu teria chegado a algum lugar? Desse jeito você me ofende! Pare com isso, não vou aceitar de forma alguma.

    Enquanto conversavam, os dois amigos quase engataram uma daquelas longas sessões de memórias do passado.

    Uma amizade sólida não se constrói da noite para o dia.

    E um laço que nunca atravessou provações jamais alcançaria tamanha profundidade.

    Chen Jinye sabia que Wu Dahai talvez só fosse generoso daquele jeito com ele, o velho irmão de estrada. A camaradagem de décadas falava por si só, fruto de apoio mútuo ao longo de uma vida inteira. Com qualquer outra pessoa, Wu Dahai continuaria sendo o mesmo homem prudente, sem o menor ímpeto de esbanjar só porque tinha algum no bolso.

    Ainda assim, havia algo naquele dia que soava fora do padrão.

    Na noite anterior, Wu Dahai estava com a testa vincada de preocupação e, durante o jantar, aproveitara o embalo da bebida para desabafar seus receios a meia-voz.

    Como podia ter mudado tão da água para o vinho de um dia para o outro?

    — Nem eu esperava por isso! Esse meu moleque ficou poderoso demais, rapaz! Hahaha! — gabou-se Wu Dahai, gesticulando com o cigarro entre os dedos.

    Tinha caroço naquele angu.

    — Velho Wu, depois que eu e minha filha fomos embora ontem à noite, aconteceu mais alguma coisa? Por que você amanheceu tão diferente hoje…? — disparou Chen Jinye, sem rodeios, como sempre fazia.

    — Heh! — Wu Dahai deu um sorrisinho misterioso, fazendo suspense de propósito.

    — Ah, não me venha com mistério! O que aconteceu ontem à noite…? — A curiosidade de Chen Jinye explodiu na hora.

    — Eu conto, mas bico calado, não vá espalhar por aí. A Jiaojiao já me avisou que o assunto tem que ficar em segredo por enquanto, não podemos deixar o pessoal da internet descobrir… — Wu Dahai baixou a voz.

    — Hã? — Chen Jinye ficou estupefato.

    Wu Jiao havia pedido aquilo? Segredo? Não podia deixar a internet saber?

    O que estava acontecendo ali?

    — Diga logo, velho Wu. Não confia em mim, por acaso? — perguntou Chen Jinye, encafifado.

    — Aliás, a sua filha provavelmente já sabe de tudo… — completou Wu Dahai, antes de relatar a Chen Jinye que Wu Chen havia faturado uma fortuna compondo músicas de sucesso.

    Chen Jinye escutou atentamente, fez algumas perguntas pontuais e, no final, deu um tapa estalado na própria coxa!

    — Mas que garoto danado! Eu sempre disse que o Xiao Chen tinha nascido para grandes feitos! — exclamou, radiante.

    Mesmo sem ter ligação direta com o ocorrido, Chen Jinye sentia uma alegria genuína pelo velho companheiro.

    Ele próprio havia enriquecido cedo, enquanto Wu Dahai sempre fora avesso a riscos, apegado à estabilidade e sem coragem de se aventurar em novos negócios. No passado, Chen Jinye bem que tentara puxar Wu Dahai para cima como forma de retribuir a ajuda de outrora, mas o amigo nunca aceitara dar o salto.

    Agora, finalmente, as coisas haviam se ajeitado. Wu Dahai continuava com a mesma simplicidade de sempre, mas o filho decolara de vez: além de ter ao lado uma namorada formidável, provara ser capaz de gerar rios de dinheiro sozinho.

    A família Wu havia se reerguido com força total!

    — Agora tudo faz sentido! Com razão a presidente Li se envolveu com ele. O Xiao Chen está longe de ser um homem comum! Hahaha! — repetiu Chen Jinye, maravilhado.

    Os dois fumaram mais dois cigarros na varanda, trocando ideias em ritmo descontraído.

    — Ah, velho Chen, meu filho me transferiu trinta milhões ontem… Eu e a sua cunhada passamos a noite inteira em claro remoendo isso. Não temos coragem de sair inventando moda com uma dinheirama dessas. Me dá uma luz: o que a gente devia fazer com essa quantia?

    — Bem… — Chen Jinye parou para pensar com muita seriedade.

    — A sua fábrica não estava precisando de capital ultimamente? E se eu investir com você? Colocando na sua mão, eu durmo tranquilo… — sugeriu Wu Dahai.

    — N-não, nem pensar. De jeito nenhum — atalhou Chen Jinye, gesticulando em recusa, e fez questão de esclarecer: — Velho Wu, não é que eu queira negar participação societária. Com a condição atual da sua família e essa aproximação com a presidente Li, se fosse qualquer outra pessoa, eu me estapearia para ceder ações e me vincular a vocês; pagaria do meu bolso se precisasse…

    — Mas você é você!

    — Dinheiro… é o que mais destrói amizade neste mundo. Você sabe muito bem o inferno que virou a minha vida quando montei sociedade com aquele sujeito anos atrás… Ah! — Chen Jinye soltou um longo suspiro.

    Nunca, em hipótese alguma, abra um negócio com um grande amigo!

    Essa era a lição de ouro que Chen Jinye gravara na pele à base de prejuízo.

    O mundo estava farto de exemplos de amigos fraternos que se tornaram inimigos mortais por causa de divisão de lucros.

    — Faz o seguinte, velho Wu… Se quer a minha opinião sincera, não invente moda. Compre imóveis para alugar, foque em pontos comerciais no nível da rua. Pegue as melhores esquinas aqui da nossa cidadezinha. O valor se preserva… Além de ser um investimento seguro como uma rocha, vai garantir o sustento da sua família pelo resto da vida!

    Chen Jinye conhecia o amigo a fundo e, por isso mesmo, oferecia a alternativa mais prudente. Wu Dahai passara metade da vida labutando no calor de uma cozinha comercial; jamais se adaptaria ao jogo de traições e armadilhas do mundo empresarial.

    Além do mais, com Wu Chen demonstrando tamanha capacidade, dinheiro nunca mais faltaria sob aquele teto!

    Empreender era arriscado demais, e a família não precisava correr perigo; a rota mais conservadora era a única sensata.

    Se aqueles trinta milhões fossem convertidos em lojas e salas comerciais, renderiam com facilidade de um a dois milhões de yuans por ano só em aluguéis.

    — Comprar imóveis… É, faz sentido… — Wu Dahai começou a ponderar a sugestão com extremo cuidado.

    Chen Jinye tragou pela última vez, apagou o toco do cigarro e encarou Wu Dahai como se um estalo lhe houvesse ocorrido na memória.

    — Ah, velho Wu…

    — O que foi? — Wu Dahai ergueu os olhos.

    — É que… ontem à noite, quando cheguei em casa, me veio uma coisa à cabeça. Talvez eu esteja viajando, talvez tenha entendido errado. Até porque não manjo muito desses assuntos… — começou Chen Jinye, titubeante.

    — O que é, homem? Desembucha — cobrou Wu Dahai.

    — Bem… ouvi isso num bate-papo informal com uns amigos da cidade. Eles comentaram que surgiu recentemente em Donghai um jovem incrivelmente poderoso… — Chen Jinye arrastou o tom de voz.

    Wu Dahai o fitou com expressão confusa, sem atinar o que aquele causo tinha a ver com a sua vida.

    — Dizem que todos o chamam de senhor Wu… O tal senhor Wu de Donghai? — indagou Chen Jinye.

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