Capítulo 244 — Não garanto que ele saia inteiro de Donghai
por NexoNovelCapítulo 244 — Não garanto que ele saia inteiro de Donghai
Com o celular tocando na mão, Wu Chen saiu do escritório e caminhou até
a escada no fim do corredor antes de atender.
— Alô, tio — disse Wu Chen.
— Xiao Wu… — Li Maoren o cumprimentou, fez uma pausa e então perguntou
em voz baixa: — Ding Ruilong talvez vá para Donghai. Bingbing contou a
você?
Aquilo obviamente não fora Li Ruobing quem lhe dissera diretamente.
Provavelmente ela contara a Li Ruotai, e Li Ruotai ao pai.
Caso contrário, ele não precisaria daquela pergunta. Bastaria perguntar
à própria Li Ruobing.
— Contou. Falamos por telefone anteontem à noite — respondeu Wu Chen.
— O que você pretende… fazer? — perguntou Li Maoren, devagar.
— O que o senhor acha, tio? — Wu Chen riu. — O que acha que eu vou
fazer?
— Você… — Li Maoren suspirou e ficou pensativo.
A relação entre os dois agora tinha uma proximidade estranha. Embora a
origem fosse Li Ruobing, na prática aquela relação havia sido construída
separadamente, contornando-a. Era como se os dois já estivessem do mesmo
lado em tudo.
Depois da primeira conversa entre ambos, Li Maoren investigara o
assunto. Fizera verificações preliminares, confirmara que tudo o que Wu
Chen dissera era verdade e já começara a montar seu plano.
Naquela época, a avaliação de Li Maoren sobre Wu Chen já havia subido
mais um patamar.
Partindo de um nível que já era extremamente alto.
E os dois ainda tiveram uma segunda conversa, por telefone, na qual Wu
Chen lhe contou outro material comprometedor fatal sobre Ding Ruilong: a
morte de Wang Ruida.
Para a família Li, por causa do caso de Dong Yuantao, Li Maoren já
decidira romper com a família Ding. Se não seriam amigos, seriam
inimigos. Então só restava atacar a família Ding.
E a família Sun era uma aliada inabalável da família Li.
Se fossem atacar a família Ding, naturalmente teriam de coordenar tudo.
Avançariam e recuariam juntos.
E se ainda conseguissem trazer a família Wang…
Li Maoren entendia perfeitamente que, para a família Li, aquilo não
apenas deixava de ser um problema como, ao contrário, se tornava uma
oportunidade de crescer ainda mais. O bolo a ser dividido não era apenas
o da família Ding, mas também o da família Wei…
Uma nova aliança surgiria.
Tudo seria articulado pela família Li, que se tornaria o núcleo e a
peça-chave.
E aquela oportunidade fora criada por Wu Chen.
Assustador demais.
Na visão de Li Maoren, alguém como Wu Chen normalmente não viveria
muito. Sabia coisas demais. E seus métodos para formar alianças e
manipular relações eram assustadores demais.
Mas!
Li Maoren não tinha a menor intenção de agir contra ele. Naturalmente
porque a motivação de Wu Chen para fazer tudo aquilo era sua filha, Li
Ruobing. Wu Chen era namorado dela.
Se se casasse com Li Ruobing, seria considerado parte da família Li.
Um talento monstruoso daquele nível podia claramente se tornar um dos
seus. Por que empurrá-lo para fora?
— …Você… não importa o que aconteça, Ding Ruilong não pode morrer em
Donghai — disse Li Maoren por fim, sem rodeios. — Eu sei que, alguns
dias atrás, ele mandou gente atacar você e quase feriu Bingbing. Você
está com raiva, mas… ainda não é a hora. Já procurei a família Ding.
Eles vão oferecer uma compensação. Posso transferir toda a compensação
para você…
A compensação seria para Li Ruobing, mas Li Maoren queria entregá-la a
Wu Chen.
E seu tom era completamente de negociação. Comparado à atitude que
tivera no primeiro encontro com Wu Chen, era a diferença entre o céu e a
terra.
— Por que o senhor acha que eu faria algo tão impulsivo e sem pensar nas
consequências? — perguntou Wu Chen, sorrindo. — Preparei um grande
espetáculo para a família Ding. Por que eu mesmo destruiria tudo antes
da hora?
— Talvez você não queira fazer isso agora — respondeu Li Maoren. — Mas
Ding Ruilong… não vai lhe dizer nada agradável.
Li Maoren temia que, depois de chegar a Donghai, Ding Ruilong provocasse
Wu Chen. Talvez Wu Chen não planejasse matá-lo diretamente, mas, se Ding
Ruilong procurasse a própria morte, já seria outra história.
Era um aviso preventivo.
— Não vai acontecer. O que o senhor está imaginando não vai acontecer —
disse Wu Chen, sorrindo. Depois diminuiu o ritmo da voz. — Mas… embora
Ding Ruilong não vá morrer em Donghai, se ele ousar vir, não garanto que
saia inteiro de Donghai.
— O que quer dizer com “não sair inteiro”? — perguntou Li Maoren.
— Exatamente o que parece — respondeu Wu Chen, rindo.
— O que você pretende fazer? — perguntou Li Maoren de imediato.
— É complicado — respondeu Wu Chen, sem explicar muito.
— …Xiao Wu. — Li Maoren ficou em silêncio por um instante. Parou outra
vez por alguns segundos e então disse: — Está bem. Desde que faça tudo
de forma limpa e ele não morra… então faça como quiser!
— Claro que vou fazer… tudo muito limpo! — respondeu Wu Chen, sorrindo.
— Certo… Ah, ouvi A-Tai dizer que você foi para Modu? — Li Maoren mudou
de assunto. Não havia muito mais a dizer.
Os dois conversaram mais um pouco. Wu Chen não explicou o que fora fazer
em Modu, e Li Maoren também não insistiu. Trocaram algumas palavras
casuais e desligaram.
Quando Wu Chen voltou ao escritório, Zhuang Xiaodie e Mao Rusong já
haviam assinado o contrato.
— Senhorita Zhuang, espero que tenhamos uma boa parceria — disse Mao
Rusong, sorrindo e estendendo a mão.
— U-uma boa parceria — respondeu ela, apertando-lhe a mão, ainda
parecendo pouco acostumada.
Não estava acostumada a apertar a mão de Mao Rusong numa posição que
parecia completamente igualitária.
Wu Chen se aproximou e parou diante da mesa.
Os dois olharam para ele. Wu Chen olhou para Zhuang Xiaodie e perguntou,
sorrindo:
— Já assinou?
— Uhum, uhum. — Ela assentiu, apertando os lábios. O rosto ainda estava
levemente corado pela oscilação das emoções.
— Já almoçou? — perguntou Wu Chen.
— Ainda não. Acordei ao meio-dia e nem saí — respondeu Zhuang Xiaodie.
Seus olhos pareciam úmidos ao olhar para ele.
— Então vamos comer… — Wu Chen inclinou a cabeça e olhou para Mao
Rusong. — Chefe Mao, vem com a gente?
— Não, não. Vocês dois podem ir. Ainda tenho algumas coisas para
resolver… — Mao Rusong acenou com a mão, sorrindo.
Não queria ser vela.
Wu Chen saiu com Zhuang Xiaodie.
Quando desciam de elevador, havia apenas os dois lá dentro. De braço
dado com ele, Zhuang Xiaodie ficava olhando de lado para o seu perfil.
Havia até certa ternura apaixonada naquele olhar.
— Senhor Wu — chamou ela de repente.
— Hum? — Wu Chen virou a cabeça.
Zhuang Xiaodie passou os dois braços pelo seu pescoço e o beijou.
Só o soltou pouco antes de o elevador chegar ao primeiro andar e as
portas se abrirem. Continuou olhando para ele daquele jeito e disse,
docemente, em voz baixa:
— Obrigada.
Wu Chen sorriu e não disse nada.
Saíram.
Foram comer.
Depois, Wu Chen foi com Zhuang Xiaodie até a casa dela, onde morava
havia cerca de um ano. Era um apartamento individual de alto padrão, com
um quarto e uma sala, providenciado por Mao Rusong. Ela sempre morara
ali sozinha.
Na casa de Zhuang Xiaodie, Wu Chen ligou separadamente para Su Qingying
e Wu Yurong para avisar que voltaria no dia seguinte. Não precisou ligar
para Mu Qianqian, que passava todos os dias com Su Qingying e estava ao
lado dela durante a ligação.
Depois disso, Wu Chen também falou uma vez com He Shiqin por telefone.
Confirmaram o horário exato da partida no dia seguinte.
Sem que percebessem.
A noite caiu.
Zhuang Xiaodie sabia cozinhar. Preparou pessoalmente um jantar farto
para Wu Chen, e cozinhava muito bem. Como diz o ditado, para conquistar
o coração de um homem, conquiste primeiro o estômago. Durante o último
ano, ela também recebera treinamento específico de culinária.
Depois do jantar.
Descansaram um pouco.
Os dois voltaram a se divertir por algum tempo.
A noite avançou.
Nove e meia.
No quarto.
Com os cabelos desgrenhados e o corpo mole, Zhuang Xiaodie repousava a
cabeça sobre o braço de Wu Chen, encostada em seu ombro. Os dois estavam
parcialmente cobertos por uma manta. Ele a abraçava com o braço esquerdo
e mexia no celular com a mão direita. Já iam descansar, e Wu Chen
decidiu fazer mais uma ligação antes de dormir.
Discou o número e levou o celular ao ouvido.
A ligação foi atendida rapidamente.
— Alô, querido — disse Li Ruobing.
— Trabalhando até tarde de novo hoje? — perguntou Wu Chen, sorrindo.
— Hoje não. Estou em casa — respondeu ela.
Primeiro conversaram casualmente por algum tempo, com naturalidade e
leveza. Depois, o assunto chegou ao momento em que ele voltaria.
— …E aí, como estão as coisas? Já resolveu tudo? Quando volta para
Donghai? — perguntou Li Ruobing.
— Volto amanhã. Provavelmente chego em casa ao meio-dia — respondeu Wu
Chen, sorrindo. — E vou levar três pessoas comigo.
— Vai trazer gente? Quem? — Li Ruobing pareceu ligeiramente surpresa.
— Você vai saber quando encontrar com elas — respondeu Wu Chen.
— Você… — Li Ruobing sentiu que havia alguma coisa estranha. Talvez por
intuição feminina, perguntou: — Mulheres?
— Sim — respondeu Wu Chen.
— E as outras? — perguntou ela.
— Não tem outras — respondeu Wu Chen, rindo.
Li Ruobing levou um instante para entender. Então seu tom mudou
imediatamente:
— Três mulheres?!! As três são mulheres?! Você… você foi para Modu por
só três dias, não foi? E vai trazer três mulheres de volta?!!
