Capítulo 278 — Isso ainda vai virar uma confusão enorme!
por NexoNovelCapítulo 278 — Isso ainda vai virar uma confusão enorme!
Wu Chen, que já tinha erguido o joelho para o chute frontal, ouviu aquele grito de assombração, interrompeu o movimento por um instante e depois baixou o pé com naturalidade.
A expressão do jovem de cabelo branco era mesmo a de quem tinha visto uma assombração.
O beco estava escuro demais. Só de perto ele conseguira ver o rosto de Wu Chen. Nunca o tinha visto pessoalmente, mas já tinha visto a foto dele, por isso o reconheceu na hora.
Pavor!
Um pavor absoluto!
O jovem continuava com o braço erguido, apertando o bastão retrátil, mas o corpo inteiro parecia paralisado. Encarava Wu Chen de olhos arregalados. Agora não era só o cabelo que estava branco; o rosto também tinha perdido toda a cor.
Ele se chamava He Ming, tinha o apelido de “Baitou”, vinte anos, e era o chefe da segurança do Bar Yema.
Na Rua Anlong, conhecida como a rua dos bares, quem cuidava dos “assuntos” da área era Yu Hailiang. No submundo, era chamado de “Daliang”, e alguns também o chamavam de “irmão Liang”.
O chefe direto de He Ming era Yu Hailiang.
E o chefe de Yu Hailiang… era um dos homens de confiança de Zhao Guaizi, um dos “Quatro Grandes” do submundo de Donghai!
Acima de Zhao Guaizi estava o famoso “Jovem Mestre Li de Donghai”, Li Ruotai!
Ou seja, para aquele jovem de cabelo branco, He Ming, Wu Chen era nada menos que o cunhado do chefe do chefe do chefe dele!
Naquela altura, circulavam inúmeros rumores sobre Wu Chen no submundo de Donghai.
Falava-se da origem dele, de como era a relação com Li Ruobing, e já tinha até surgido o boato de que o Jovem Mestre Li tinha um certo medo do cunhado. Sobretudo nas camadas mais baixas, as histórias ficavam cada vez mais absurdas.
Chefões como Zhao Guaizi e Wang Zhuangyuan já tinham passado o recado para baixo: fiquem de olhos bem abertos e não vão provocar Wu Chen por não o reconhecerem. Isso seria ainda mais grave do que provocar o próprio Jovem Mestre Li.
Era por causa desse recado que He Ming tinha visto a foto de Wu Chen. A ordem descera nível por nível, e qualquer um com alguma responsabilidade, grande ou pequena, tinha visto a foto.
He Ming tinha, naquele exato momento, uma foto de Wu Chen no celular, enviada pelo chefe dele, Yu Hailiang.
— Você me conhece? — perguntou Wu Chen, com a voz indiferente, enfiando uma das mãos no bolso, como de costume.
Clang!
He Ming continuava com o braço erguido, mas já nem conseguia segurar o bastão. A arma caiu no chão com um tinido metálico nítido que, no beco agora silencioso, soou especialmente estridente.
Tum!
Os joelhos de He Ming cederam, e ele se ajoelhou ali mesmo, diante de Wu Chen.
Ninguém seria capaz de entender o pavor que ele sentia naquele instante. Era só um chefete do nível mais baixo, alguém que raramente conseguia sequer ver Zhao Guaizi, quanto mais falar com ele. Diante do “famoso” senhor Wu, não só não encontrava coragem para resistir, como a cabeça dele já estava ocupada por uma única pergunta…
Como ele ia morrer?
Só conseguia pensar nisso.
Tremia de medo.
O que tinha acontecido naquela noite era grave demais. Mesmo sem conseguirem vencer Wu Chen, o simples fato de terem cercado e atacado Wu Chen… Para He Ming, aquilo já era grande demais para ter conserto!
— Se-senhor Wu, eu… eu não sabia… que era o senhor… eu… — conseguiu dizer He Ming, a duras penas, com a voz trêmula.
Quanto mais alguém pertencia ao submundo, melhor sabia o que significava ofender uma grande figura. Não havia espaço nem para contar com a sorte.
Tum!
Tum!
Tum!
Os quatro ou cinco arruaceiros e seguranças que ainda estavam de pé se ajoelharam, um após o outro. Wu Chen nem tinha olhado para eles, nem tivera tempo de lhes dar atenção.
Antes, já estavam com medo de avançar. Quando He Ming tomou a frente, eles se preparavam para acompanhá-lo num último ataque contra Wu Chen. Mas, assim que He Ming gritou “senhor Wu”, todos pararam junto com ele.
Os rostos mudaram na hora. Eles também já tinham ouvido falar do “senhor Wu” e ainda se agarraram à esperança de que He Ming tivesse se enganado.
Só quando He Ming caiu de joelhos entenderam que não havia engano nenhum!
Então todos se ajoelharam, com medo de chamar atenção por continuarem de pé.
Também entendiam que aquilo… talvez acabasse respingando até no “Mestre Guaizi”! Já não era algo que alguém do nível de He Ming pudesse segurar.
— Senhor Wu, me perdoa, me perdoa, eu errei… me perdoa… — De tão nervoso e apavorado, He Ming falava rápido e meio sem nexo.
Enquanto falava, enfiou de repente a mão dentro da roupa e tirou alguma coisa.
Plac!
Com a mão tremendo, deixou o objeto cair. Era uma faca borboleta fechada.
Ele a pegou de volta na mesma hora. Era um gesto que podia muito bem ser mal interpretado por Wu Chen: ainda tinha a ousadia de puxar uma faca… Mas He Ming estava fixado numa única ideia. A cabeça zumbia, e ele já não era capaz de nenhum raciocínio complicado.
Abriu a faca com um giro do pulso.
Ainda de joelhos, apoiou a mão esquerda no chão, segurou a faca borboleta ao contrário com a direita e desceu a lâmina com força, cravando e puxando!
Tchac!
Decepou o próprio dedo mindinho!
Mas não gritou. Os músculos do rosto apenas tremeram. Parecia nem sentir tanta dor; a adrenalina em excesso lhe permitia ignorar, por enquanto, quase tudo.
— Senhor Wu, eu errei, senhor Wu! — continuou dizendo, trêmulo, olhando para cima, para Wu Chen, com súplica nos olhos.
Wu Chen não tinha mandado que ele cortasse o dedo, nem tinha falado em regra nenhuma.
He Ming fizera aquilo por conta própria, mas a ideia não tinha surgido do nada. Havia um precedente!
Liu Huzi, homem de confiança de Zhao Guaizi, já tinha ofendido Wu Chen e, no fim, cortara um dedo para pedir perdão. A história tinha se espalhado pelo submundo havia muito tempo.
He Ming também era gente de Zhao Guaizi, só que de um nível ainda mais baixo. Não sabia se aquilo ia adiantar, mas não conseguia pensar em outra saída. Morto de medo, simplesmente partiu para a opção mais extrema!
Wu Chen olhou para He Ming em silêncio. Pensou por um instante e fez um gesto com a cabeça.
— De cara pra parede.
He Ming entendeu na hora. Sentiu um alívio enorme, quase uma alegria incontida, embora não deixasse transparecer.
Wu Chen não ia lhe complicar mais a vida.
— Tá, tá, tá.
He Ming obedeceu, praticamente se arrastando até a parede. Ajoelhou-se direito, de frente para ela, com as duas mãos na cabeça!
Wu Chen virou o rosto e passou os olhos pelos outros que estavam ajoelhados. Os rapazes imitaram na mesma hora: arrastaram-se até a parede, ajoelharam-se de frente para ela e puseram as mãos na cabeça.
No submundo, aquela postura tinha um sentido bem simbólico: rendição total, sem qualquer defesa.
— Vamos… vamos, vamos, vamos… — Uma voz baixinha soou a uns dez e poucos metros dali.
Eram os quatro filhinhos de papai, dois rapazes e duas moças. Tinham ficado completamente desnorteados. Que “senhor Wu” era aquele? Por que estavam se ajoelhando? Por que alguém tinha cortado o próprio dedo?
Foi então que o jovem punk que liderava o grupo pareceu se lembrar de alguma coisa e, quase sussurrando, chamou os outros para dar no pé!
Os quatro tinham acabado de se virar, tentando sair sem fazer barulho.
— Eu falei que vocês podiam ir? — Wu Chen virou a cabeça e lançou um olhar para eles.
Os quatro congelaram. Depois, devagar, voltaram-se para encará-lo.
As duas garotas e o outro jovem mestre estavam inquietos. Já o líder punk demonstrava um certo medo, porque tinha se lembrado de quem era o “senhor Wu”. O pai dele já o tinha mencionado.
— Arrumam confusão e já querem dar no pé? — perguntou Wu Chen, no mesmo tom indiferente.
Os outros três não sabiam o que dizer e olharam inquietos para o jovem punk.
O canto da boca dele tremeu. Então forçou um sorriso que mais parecia choro.
— Senhor Wu, a gente… não bateu em ninguém…
Ele realmente não sabia o que dizer. Mas, assim que soltou aquilo, encontrou um fio de argumento.
— Senhor Wu, a gente… a gente só estava passando. Parou pra ver a confusão. Nem conhece eles… — disse o jovem punk.
Wu Chen apenas olhou para ele.
Só olhou, sem dizer uma palavra.
O pomo de adão do rapaz subiu e desceu. Ele não aguentava o olhar nem a presença de Wu Chen… Na verdade, Wu Chen não tinha nenhuma presença especial, mas, como o rapaz sabia quem ele era, achava que tinha!
Olhou para Wu Chen e logo desviou os olhos. O olhar dele vagou, inquieto, por He Ming e pelos outros ajoelhados junto à parede, e depois pelos corpos espalhados pelo chão.
Shff.
A ponta do sapato raspou no chão quando o jovem punk deslocou o pé. Então apertou o passo, foi rapidinho até a parede, ajoelhou-se de frente para ela e pôs as mãos na cabeça.
Os outros três demoraram um instante para reagir e depois fizeram o mesmo, ajoelhando-se junto à parede com as mãos na cabeça.
O beco ficou em silêncio.
Até os que estavam com ossos quebrados pelos golpes de Wu Chen continuaram deitados, aguentando a dor sem dar um pio, fingindo-se de mortos. Tinham visto o que estava acontecendo e concluíram que era melhor ficar no chão.
— Façam suas ligações — disse Wu Chen de repente.
Dito isso, deu as costas e começou a caminhar em direção à saída do beco.
Mandou que ligassem porque aquilo não tinha acabado.
E ainda ia virar uma confusão enorme!
A razão de tudo isso estava no casal que eles tinham perseguido e espancado: o jovem de cabelo curto e a garota de vestido preto. Os dois… eram gente nada, nada comum!
Se tivessem mesmo saído gravemente feridos, talvez nem Li Ruotai conseguisse abafar o caso com facilidade.
Essa também era a razão pela qual Wu Chen decidira “se meter onde não era chamado”!
