Capítulo 139 — Esse é o poder por trás dele? Você acredita nisso?
por NexoNovelCapítulo 139 — Esse é o poder por trás dele? Você acredita nisso?
Li Ruotai parecia um pouco aflito. E, pelo jeito, falava escondido de alguém, por isso a voz tão baixa.
— Já estamos indo. Fica calmo — respondeu Li Ruobing.
Ela continuava encarando Wu Chen. Depois de falar, deslizou o dedo pela tela e desligou. Com o celular na mão, não desviou o olhar dele nem por um instante.
Mais alguns segundos de silêncio.
Li Ruobing puxou com força a gravata de Wu Chen outra vez, aproximou-se e o beijou direto na boca.
O resto podia esperar. Primeiro, beijar!
Li Ruobing já havia beijado Wu Chen algumas vezes, e Wu Chen também a beijara por iniciativa própria. Mas, antes, ou estavam atuando, ou era coisa de disputa e provocação.
Desta vez, não era nenhuma das duas.
Enquanto o beijava, soltou a gravata e passou os dois braços em volta do pescoço dele, tomando claramente a iniciativa. Wu Chen também passou os braços pela cintura dela e a apertou contra o corpo.
Por muito, muito tempo.
Por fim, Li Ruobing se afastou um pouco.
— Está na hora de ir — disse baixinho.
Depois sorriu para ele e recebeu um sorriso de volta. Olhou de relance para o canto da boca dele, ergueu a mão, tocou ali com a ponta do dedo e depois mostrou o dedo a Wu Chen.
Havia batom nele.
Li Ruobing o soltou, foi até uma mesa ao lado, tirou alguns lenços de papel e voltou. Wu Chen estendeu a mão para pegar um, mas ela não deixou.
— Deixa que eu faço — disse em voz baixa.
E, com o papel na mão, limpou pessoalmente o canto da boca dele. Fez isso com cuidado, com atenção. O olhar transitava entre os olhos e os lábios de Wu Chen. O sorriso no rosto dela era discreto, mas trazia um leve ar sedutor.
Pode-se dizer que era a primeira vez que ela mostrava esse tipo de expressão e de emoção diante de um homem.
Wu Chen, porém, sabia que Li Ruobing não estava tentando agradá-lo.
Claro que não!
Ela simplesmente tinha tomado a decisão. Tudo o que acontecera naqueles dias — e, acima de tudo, o que ocorrera na reunião do conselho de administração do Grupo Jinfu no dia anterior — fizera Li Ruobing compreender por inteiro o quanto Wu Chen era poderoso e assustador. Ela até precisava admitir que, em certos aspectos, ele era muito superior a ela!
Mas ela não era Su Qingying!
Ao concluir que Wu Chen era mais forte do que ela, sua reação mais direta foi: Wu Chen era digno dela! Podia ser seu parceiro!
Era uma espécie de “mentalidade de quem valoriza os fortes”!
E, havia poucos instantes, os dois finalmente tinham rompido aquela última barreira entre eles!
Li Ruobing queria levar a relação com Wu Chen a sério. Mas jamais permitiria ser a parte fraca e controlada nessa relação! Numa relação entre parceiros, inevitavelmente um dos dois seria o mais dominante, e ela queria ser a parte forte, com a iniciativa nas próprias mãos!
Por isso, ao limpar pessoalmente o canto da boca de Wu Chen naquele momento, na verdade…
ela estava flertando com ele!
Wu Chen sabia exatamente o que Li Ruobing estava pensando.
Naturalmente, não temia “se render” e acabar cedendo.
Ao contrário.
Achava que aquilo ia ser muito interessante!
— Sua maquiagem borrou — disse Wu Chen com um sorriso.
Ergueu a mão, tirou o papel dos dedos dela de uma vez, limpou a própria boca e caminhou até o sofá.
Li Ruobing ficou um instante com a mão ainda no ar. Depois olhou para as costas dele e disse, suavemente:
— Vou retocar. Querido, senta um pouco.
Pegou a bolsa e, de salto alto, entrou no banheiro privativo do escritório da presidente-executiva para retocar a maquiagem. Aquele escritório não tinha só banheiro próprio, mas também uma sala de descanso. Às vezes, quando Li Ruobing trabalhava até muito tarde, nem voltava para casa: dormia ali mesmo.
A maquiagem não estava tão borrada.
O problema era principalmente o batom, que passara para a boca de Wu Chen e, depois de tanto esfregar de um lado para o outro entre os dois…
Alguns minutos depois, Li Ruobing saiu do banheiro e foi direto para a sala de descanso.
— Vou trocar de roupa — disse ao passar.
— Tá! — respondeu Wu Chen do sofá, sorrindo.
Mais alguns minutos.
— Wu Chen, vem aqui me ajudar a fechar… — chamou Li Ruobing de dentro da sala.
— Hum? Já vou.
Wu Chen se levantou e foi até lá.
A porta estava apenas encostada. Ele a empurrou e entrou. O cômodo não era muito grande, apenas um lugar para descanso provisório, mas tinha todos os móveis básicos de um quarto e um armário de tamanho médio.
Li Ruobing estava em frente a um espelho de corpo inteiro, de costas para ele.
Já havia tirado a roupa de trabalho e vestido um longo vestido preto. O modelo era solene o bastante para ocasiões formais, sem perder elegância nem feminilidade. O zíper ficava nas costas. Pelo jeito, ela não conseguia puxá-lo sozinha até o fim, e por isso chamara Wu Chen.
Ele se aproximou.
A cintura do vestido era bem justa. A cintura fina e as costas de Li Ruobing estavam expostas diante dele. Dava até para ver a tira traseira do sutiã e perceber que modelo ela usava.
Diante do espelho, com a cabeça levemente inclinada, Li Ruobing viu pelo reflexo que Wu Chen chegava. Puxou o cabelo preto, longo e liso para um lado, segurando-o com a mão.
— Fecha para mim.
A intenção dela era muito simples.
Deixar Wu Chen olhar, mostrar sem mostrar tudo, despertar a vontade dele sem deixar que a tivesse.
Bastava Wu Chen tomar a iniciativa. Ela fingiria resistir enquanto continuava instigando. Se ele acabasse pedindo…
então Wu Chen teria perdido!
Wu Chen mantinha o leve sorriso no rosto.
Via tudo com clareza.
Na verdade, entendia que, agora que a relação dos dois tinha chegado àquele ponto, Li Ruobing certamente acabaria perdendo o controle se continuasse brincando daquele jeito! Porque a experiência dela nesse terreno era praticamente zero. Podia ser inteligentíssima, mas estava usando truques de principiante contra alguém como Wu Chen, um verdadeiro “personagem de nível máximo”. Mais cedo ou mais tarde, aquilo ia dar problema!
Wu Chen estendeu a mão e puxou lentamente o zíper do vestido pelas costas.
— Pronto — disse.
Li Ruobing esticou o braço, apanhou uma caixa sobre a mesa ao lado e a passou para trás.
— Coloca para mim.
Wu Chen pegou a caixa e abriu.
Era um colar de diamantes.
Passou os dois braços à frente dela e prendeu o colar em seu pescoço.
Li Ruobing se olhou no espelho e depois se virou para ele.
— E então?
— Muito bom — respondeu Wu Chen.
— Só “muito bom”? — retrucou ela.
— E o que mais? Você, Li Ruobing, ainda precisa que alguém fique elogiando? Você liga para isso? — Wu Chen devolveu a pergunta, ainda sorrindo.
Li Ruobing estreitou de leve os olhos.
Então abriu um sorriso de repente. Aproximou-se, puxou um pouco o colarinho dele, ajeitou-lhe a gravata e, bem perto, falou baixinho:
— Você é mesmo bom em irritar os outros. Estou realmente curiosa: será que você trata todas as mulheres assim? Ou… só faz isso comigo? Fica mexendo com as minhas emoções de propósito porque eu sou especial? É isso, não é?
E sorriu outra vez.
Havia um leve ar de vitória naquele sorriso. Se Wu Chen admitisse que ela era especial, então Li Ruobing teria “ganhado” aquela discussão.
— Está na hora de ir — respondeu Wu Chen, sorrindo.
Ele não admitiu.
Mas também não negou!
O sorriso de Li Ruobing ficou ainda mais radiante. O humor dela melhorou na hora! Finalmente tinha conseguido levar a melhor sobre Wu Chen uma vez e fazê-lo desviar da resposta.
Ela não percebeu que Wu Chen lhe dera aquele pequeno “agrado” de propósito.
Assim, ela tomaria ainda mais iniciativa!
Agora que a relação dos dois estava oficialmente estabelecida, Wu Chen não podia continuar apenas irritando Li Ruobing o tempo todo. Precisava deixá-la satisfeita de vez em quando.
Porque o que Wu Chen queria conquistar era o amor dela!
Depois de terminar de ajeitar o colarinho dele, Li Ruobing entrelaçou o braço no dele.
— Vamos!
Mais de meia hora depois.
No Clube Huangguan de Donghai, naquela suíte de decoração refinada e elegante, com um ar artístico e um piano no ambiente.
Li Ruotai estava sentado no sofá, olhando com certa aflição para o homem à sua frente.
No sofá oposto estava um homem de uns cinquenta anos, com a presença de quem ocupa posições de poder há muito tempo. Li Ruotai se parecia um pouco com ele.
Era justamente o pai de Li Ruotai e Li Ruobing, o filho mais velho do patriarca Li e futuro chefe da família Li:
Li Maoren!
— É só isso? Isso é tudo o que você descobriu? — perguntou Li Maoren, sério, depois de terminar de ler a pilha grossa de documentos.
Ergueu os olhos para o filho.
— Pai! Eu penso igual ao senhor. Também acho que tem alguma coisa errada! Investiguei escondido da mana por vários dias, botei gente procurando informação no país inteiro — explicou Li Ruotai, carregando na ênfase. — Mas foi só isso! Não tem mesmo como achar mais nada!
— Então você está me dizendo que o homem por quem a Bingbing se interessou vem de uma família que tem só um restaurante de lamian? Esse é o poder por trás dele? Você acredita nisso?
Ao terminar, Li Maoren jogou a pasta sobre a mesa.
