Novels chinesas em português
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    Capítulo 394 — Como meu irmão nerd de exatas poderia ter uma namorada?

    No distrito de Zhongcheng, em Donghai, ficava o Shopping Donghai Commercial Building.

    Era o shopping mais antigo de Donghai, o primeiro da cidade. Hoje em dia, não podia ser considerado sofisticado e nem se comparava aos vários shoppings construídos em Donghai nos últimos anos, mas, graças à localização, continuava sendo um marco do centro da cidade!

    Os moradores antigos de Donghai e o pessoal dos condados e vilarejos da região tinham o costume de fazer compras ali.

    Não tinha pretensão de luxo, os preços eram baixos, e havia muita coisa boa para comer e para fazer!

    Embora não fosse fim de semana, o shopping estava abarrotado de gente, com uma proporção bem alta de jovens, já que eram férias de verão e as escolas estavam fechadas.

    No segundo andar.

    Duas garotas bonitas, de uns dezesseis ou dezessete anos, carregando bolsinhas fofas, passeavam olhando as vitrines. A da esquerda era um pouco mais alta, devia beirar um metro e setenta, e usava blusa branca e calça jeans.

    A da direita era um pouco mais baixa, embora não muito, e mais magra. Também usava jeans, com um moletom de manga curta.

    As duas estavam de tênis de lona e sem maquiagem. Bastava bater o olho para perceber que eram estudantes.

    E dava para ver que eram melhores amigas, muito grudadas.

    As bolsas e os tênis eram exatamente do mesmo modelo.

    Eram Wu Jiao… e sua colega e melhor amiga, Chen Xue.

    — Xiao Xue, tô morta de cansaço, meus pés tão doendo de tanto andar… — De repente, Wu Jiao deixou os ombros caírem e deu alguns passos se arrastando, fazendo cena. — Vamos comer alguma coisa.

    — Tá com fome? — Chen Xue virou-se para ela. — Mas a gente acabou de comer!

    E como tinham comido! Estavam havia horas passeando pelo shopping e ainda não tinham comprado nada. Viviam dizendo que iam olhar mais um pouco, mas comida já tinham comido de montão: panqueca recheada na chapa, bucho escaldado, sorvete… Em quase todo andar do shopping, em cada cantinho, havia alguém vendendo petiscos.

    Wu Jiao e Chen Xue diziam que tinham vindo fazer compras, mas, na verdade, estavam mais interessadas em comer do que em comprar.

    Além disso, a graça de bater perna no shopping estava em olhar, não em comprar.

    Com o orçamento curto, era preciso olhar bastante até achar algo que valesse a pena.

    As mulheres pensavam assim. As meninas também.

    — Vamos, vai. A gente senta um pouquinho em algum lugar. Tô muito cansada, depois a gente continua… — disse Wu Jiao, enganchando o braço no da amiga.

    — Vamos na lanchonete, no terceiro andar… — Chen Xue apontou para cima.

    Não era a primeira vez que iam àquele shopping. Sabiam muito bem onde tinha comida boa e onde tinha coisa divertida.

    Subiram de braços dados.

    Trim, trim…

    Um celular começou a tocar.

    — Peraí, telefone. — Wu Jiao parou e tirou da bolsa o celular com capinha de orelhas de coelho. Na tela, aparecia um número desconhecido.

    Não fazia ideia de quem pudesse ser.

    Atendeu!

    — Alô? — disse Wu Jiao.

    — Você é… — Do outro lado da linha, veio uma voz muito fria e séria, que mal disse duas palavras e parou. Depois de uma breve pausa, ficou bem mais “afável”.

    — Você é a Wu Jiao?

    — Sou eu… Quem tá falando?

    — Meu nome é Li Ruobing. Sou… a namorada do seu irmão! — disse Li Ruobing.

    — Na… mo… ra… da… do meu irmão?! — Wu Jiao repetiu sílaba por sílaba, num tom exagerado, e por reflexo olhou para a amiga Chen Xue.

    Aquele cabeça-dura do seu irmão, duro feito um toco de madeira, estava namorando?

    O nerd de exatas do seu irmão, que passara quatro anos de faculdade sem nunca falar em namorada, agora estava namorando?!

    Desde quando?

    Como ela não sabia de nada?

    — É o seguinte: acabei de falar com o seu irmão. Ele disse que você veio pra Donghai e que ia te procurar, mas… ele tá ocupado com umas coisas. Como eu tô com tempo, vou te encontrar — explicou Li Ruobing em poucas palavras. Depois perguntou: — Onde você tá agora?

    — Ah… — Wu Jiao ficou sem palavras.

    Simplesmente não sabia o que dizer.

    Era tudo repentino demais!

    Uma mulher ligava do nada, dizia ser namorada do irmão dela, queria encontrá-la e perguntava onde ela estava.

    Era meio esquisito.

    Por instinto, Wu Jiao chegou a pensar que talvez tivesse caído na conversa de algum golpista.

    Só que não conseguia imaginar o que alguém poderia querer tirar dela!

    — Ah… Tô com uma amiga aqui no Shopping Donghai Commercial Building. A gente tava indo comer alguma coisa… — acabou respondendo.

    — Me espera. Tô indo agora.

    — Ah…

    — Tu, tu, tu…

    Wu Jiao ainda queria dizer alguma coisa, mas Li Ruobing desligou assim que terminou de falar. Só restou o sinal de linha.

    Aquela firmeza e aquele tom de comando, que em Li Ruobing eram puro hábito, deixavam Wu Jiao meio desconcertada.

    Ela baixou o celular, atordoada.

    — Jiaojiao, quem era? O que foi? — perguntou Chen Xue, abanando a mão diante dos olhos da amiga ao vê-la parada, distraída.

    — A namorada do meu irmão. Disse que tá vindo pra cá. — Wu Jiao olhou para a amiga.

    — Seu irmão tá namorando? — Chen Xue também se surpreendeu. Claro que ela conhecia Wu Chen, conhecia desde pequena.

    — Também tô achando estranho. Eu não sabia de nada! — disse Wu Jiao, e logo ergueu o celular. — Vou ligar pro meu irmão e perguntar dela…

    Procurou na agenda o contato salvo como “Mano” e ligou.

    Ele atendeu logo.

    — Até que enfim lembrou que tem telefone? A mãe disse que você veio pra cidade de manhã — disse Wu Chen, de cara.

    — Hehe! — Wu Jiao riu. — É que eu tava passeando com a Xiao Xue. Pensei em te procurar de tarde… Ah, mano, quero te perguntar uma coisa. Fala a verdade!

    — A Ruobing te ligou? — perguntou Wu Chen, direto.

    — Sua namorada?

    — É.

    — Ainda bem! Eu já tava achando que era golpe… Mano, desde quando você tá namorando? Por que eu não tô sabendo?

    — Agora eu tenho que te prestar contas quando arrumo namorada?

    — Não foi isso que eu quis dizer! Aff! Se não quer contar, deixa… Tchau, tchau, vou comer com a Xiao Xue. — E Wu Jiao desligou assim que terminou de falar.

    Desligar na cara do próprio irmão era uma coisa que ela fazia com a maior naturalidade do mundo.

    Assim que largou o celular, disse a Chen Xue, toda afobada:

    — É a namorada dele mesmo! Humpf, até que meu irmão é esperto! Passou quatro anos de faculdade sem namorar e mal começou a trabalhar já arrumou namorada!

    — E desde quando eles tão juntos? O irmão Xiao Chen falou?

    — Não falou. Ficou todo misterioso, não quis me contar…

    — E como ela é? Quantos anos tem?

    — E eu lá vou saber?… Daqui a pouco a gente descobre. Ela disse que vem me encontrar…

    As duas adolescentes continuaram subindo, conversando com aquela cara de quem adorava uma fofoca.

    Era só papo à toa.

    Meia hora depois.

    No terceiro andar do shopping, na Lanchonete Jinmen.

    Wu Jiao e Chen Xue estavam sentadas num canto, as duas morrendo de tédio. Tinham pedido tortinhas de nata, batata frita e Coca-Cola, nada de hambúrguer, só “besteirinhas”.

    Comiam enquanto esperavam, mas, depois de todo aquele tempo, a mulher ainda não tinha aparecido.

    — Por que ela ainda não chegou? — perguntou Wu Jiao, com o canudo na boca.

    — Deve tá chegando. Quer ligar e perguntar? — sugeriu Chen Xue.

    — Ai… — Wu Jiao suspirou e pegou o celular que estava virado para baixo na mesa. Olhou para a tela, pensando se ligava para apressar a mulher. Parecia meio falta de educação.

    Foi então que…

    Trim, trim…

    Ao ver a tela, Wu Jiao se animou na hora.

    — Chegou, chegou! — anunciou, e atendeu na mesma hora. — Alô?

    — Tô no primeiro andar. Onde você tá?

    — No terceiro, na Lanchonete Jinmen.

    — Tá. Me espera.

    Duas frases, e desligou de novo.

    — Nossa, quanta marra… — resmungou Wu Jiao ao largar o telefone. Por enquanto, a impressão que tinha de Li Ruobing não era lá muito boa, mas também não chegava a ser ruim.

    Dois minutos depois.

    Li Ruobing, de vestido azul e com uma bolsa na mão, empurrou a porta da Lanchonete Jinmen.

    Parou perto da entrada e correu os olhos pelo lugar.

    Ao mesmo tempo…

    — Ei, ei, Jiaojiao, olha! Que moça mais linda… — No canto, Chen Xue cutucou Wu Jiao de repente e cochichou, apontando discretamente para a porta.

    — Hã? — Wu Jiao virou a cabeça para olhar, e os olhos dela também brilharam.

    — Parece até artista famosa.

    — É mais bonita que artista! Olha o vestido dela, que lindo…

    — E essa pele branquinha? Linda de morrer.

    Dizem que os homens adoram olhar mulher bonita, mas as mulheres adoram ainda mais! Olham com admiração, comparando e reparando em cada detalhe da roupa.

    As duas garotas ficaram babando em Li Ruobing, aos cochichos, de olhos brilhando.

    — Ué? Parece que ela tá procurando alguém, né? Não… não pode ser a namorada do seu irmão, pode? Ela já devia ter chegado… — disse Chen Xue de repente.

    — Impossível! Meu irmão é um tapado, vive grudado no computador e não sabe nem chegar numa garota. Já é um milagre ele ter arrumado namorada. Como é que ia conquistar uma deusa dessas? — rebateu Wu Jiao.

    — Nossa, você fala assim do seu irmão? — Chen Xue olhou para ela.

    — Mas é verdade! Quem é que passa a faculdade inteira sem namorar hoje em dia? Meu irmão passou! Já mandaram até carta de amor pra ele, e nem assim ele namorou… — disse Wu Jiao, com a cara mais séria do mundo.

    Creeec!

    De repente, ouviu-se o barulho de uma cadeira sendo arrastada do outro lado da mesa.

    — Já mandaram carta de amor pro Wu Chen? Quando foi isso? Ele nunca me contou — perguntou Li Ruobing, sentando-se diante das duas garotas com um sorriso.

    Nota