Novels chinesas em português
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    Capítulo 364 — Uma noite para lembrar a vida inteira!

    Ninguém sabia o que tinha se passado por dentro de An Menglan. Nem ela
    mesma sabia direito, porque estava bêbada. O álcool deixa as pessoas
    ousadas para falar e agir e até… sem controle de si mesmas!

    An Menglan sempre vivera de forma muito livre!

    Quis beijar Wu Chen e beijou!

    Talvez tivesse sido atraída pelo talento dele. Talvez Wu Chen lhe
    despertasse uma sensação diferente. Ou talvez ela já sentisse que Wu
    Chen era a alma gêmea que procurara a vida inteira… Na verdade, nem An
    Menglan tinha certeza do que estava pensando!

    A vontade simplesmente veio!

    Bêbada, ela não pensaria em todas aquelas complicações. Ainda lembrava
    da aposta com Li Ruobing e sabia que o que fazia era errado, mas… no
    fim, a emoção venceu a razão!

    An Menglan virou o corpo, segurando o rosto dele enquanto o beijava. De
    repente se ergueu um pouco e, num movimento, sentou-se direto no colo
    dele. Em nenhum momento os dois se “separaram”!

    Uma mulher bêbada!

    E um homem bêbado também!

    Na verdade, Wu Chen estava muito mais sóbrio que An Menglan, mas não
    escolheu recusá-la. Wu Chen admitia que não era homem de uma mulher só,
    mas também nunca tinha prometido a nenhuma que seria!

    An Menglan não beijava muito bem!

    Nunca tinha namorado!

    Não ter encontrado a pessoa certa era só um dos motivos. Na verdade, as
    razões de An Menglan nunca ter namorado eram complexas. A origem
    familiar tornava muito difícil encontrar alguém à altura dela, e ela
    também estreara cedo demais!

    Começara a carreira de cantora aos dezessete anos! E estourara logo na
    estreia!

    An Menglan tinha só vinte e seis anos! E já estava no décimo ano de
    carreira!

    Para uma estrela jovem, namoro é assunto muito delicado, sobretudo para
    uma cantora como An Menglan, que unia fenômeno de audiência e talento!

    Mas, além disso tudo, o maior motivo de An Menglan não namorar não
    estava nesses fatores de fora, e sim dentro dela!

    Ela tinha dado à música os melhores anos da juventude!

    O amor não era indispensável na melhor fase da vida dela! A música, sim!

    O que ela precisava era de uma alma gêmea! Alguém com quem pudesse falar
    de música sem reservas! Alguém com quem pudesse abrir o coração!

    Não de um namorado!

    Claro, uma alma gêmea podia virar namorado!

    An Menglan estava totalmente entregue. Para quem está bêbado, a noção do
    tempo fica vaga; ela nem sabia quanto tempo tinha passado beijando Wu
    Chen. Até que… ergueu a cabeça de supetão!

    O rosto, vermelhíssimo!

    A respiração, pesada!

    Mas havia algo estranho no olhar!

    — De… desculpa, senhor Wu. Acho que eu… eu tô bêbada, eu… — An Menglan
    percebeu de repente que tinha ido longe demais. Falou meio em pânico,
    levantou-se e se afastou para o lado.

    Viu as marcas de batom que tinha deixado no canto da boca dele e também
    no rosto.

    E voltou a pensar: será que tinha enlouquecido?!

    Diante de um homem que conhecia havia só dois dias, por que estava
    agindo assim?!

    — Se… senhor Wu, espera um pouco… — An Menglan olhou em volta como quem
    procura alguma coisa e saiu apressada da sala de piano.

    Foi rápido e voltou rápido.

    Trouxe uma caixa de lenços de papel. Segurava a caixa com uma mão e
    puxava um lenço com a outra.

    — Senhor Wu, limpa aqui. Tem… tem marca… — disse An Menglan,
    gesticulando, como se fosse limpar ela mesma o batom do rosto dele.

    — Obrigado — disse Wu Chen, sorrindo. Pegou o lenço e limpou o canto da
    boca. Depois acrescentou: — Senhorita An, não quer lavar o rosto? Você
    não parece muito bem…

    O tom de Wu Chen não tinha a menor alteração!

    Ele sabia que aquele era o momento em que o coração de An Menglan estava
    mais confuso, então… era preciso manter a calma! Se Wu Chen mostrasse
    uma atitude do tipo “a gente se beijou, então agora tem que acontecer
    alguma coisa”, An Menglan com certeza recuaria!

    Ela sabia que o que tinha feito era muito errado! Se não soubesse que Wu
    Chen tinha namorada, ainda vá lá. Mas ela sabia. Li Ruobing tinha até
    avisado!

    — Ah, tá… vou lá — respondeu An Menglan. Ela mesma sentia que precisava
    se afastar um pouco! Já não sabia direito como encarar Wu Chen!

    An Menglan saiu de novo da sala de piano e voltou para o quarto.

    Ia lavar o rosto… Como estava maquiada, tinha de tirar a maquiagem! E
    tirar maquiagem não é só lavar o rosto. Muito cosmético bom é à prova
    d’água; lavar direto não tira tudo e ainda faz mal à pele!

    Wu Chen também foi ao banheiro e limpou o rosto diante do espelho.

    Poucos minutos depois.

    Wu Chen voltou para a sala de piano.

    Sentou-se!

    Ergueu as mãos!

    E começou a tocar!

    Tocou uma peça totalmente nova. Não era acompanhamento de canção, e sim
    uma composição para piano que ele criara nos mil anos de ciclos! Música
    puramente instrumental! Um estilo muito suave, com aquela sensação de
    “noite tranquila, ondas e brisa do mar”!

    Passaram-se mais dez minutos.

    An Menglan enfim voltou à sala de piano. Sem maquiagem, também tinha
    desfeito o coque de sempre. Os longos cabelos ondulados caíam sobre os
    ombros. As bochechas ainda vermelhas do álcool e o olhar cansado
    deixavam An Menglan com um ar especialmente lânguido.

    Ela já tinha se recomposto.

    Wu Chen não parou de tocar por ela ter voltado.

    An Menglan puxou uma cadeira, sentou-se ao lado do piano e, por hábito,
    pegou de novo a taça de vinho. Inclinou a cabeça para observar Wu Chen e
    depois fechou os olhos para ouvir aquela música comovente. Aos poucos,
    começou a balançar o corpo de leve no ritmo, para um lado, para o outro,
    bem de mansinho…

    A peça de Wu Chen era muito longa. Tocá-la inteira levava meia hora.

    An Menglan ouviu tudo em silêncio.

    De vez em quando, ainda tomava um gole de vinho!

    E o olhar que lançava a Wu Chen, sem que ela percebesse, voltou a ficar
    enevoado.

    Se tudo o que An Menglan vira em Wu Chen até ali, a técnica divina, o
    choque, o talento deslumbrante, ainda podia ser considerado só uma
    preparação…

    Era só naquele momento!

    A noite silenciosa.

    O vinho embriagante.

    A música encantadora.

    O homem tocava; a mulher ouvia.

    Tudo se elevava a outro patamar!

    An Menglan observava aquele homem de sorriso sempre leve no canto da
    boca, tocando concentrado. Sentia-se muito relaxada e chegou a sentir
    que a vida podia congelar naquele instante! Tão confortável, tão
    fascinante!

    Uma noite para lembrar a vida inteira!

    Wu Chen tocou a peça do começo ao fim!

    Terminou.

    A sala de piano ficou num silêncio absoluto.

    Wu Chen virou a cabeça para An Menglan e só então percebeu que ela…
    tinha dormido!

    Continuava sentada ao lado do piano, apoiada na pequena plataforma.
    Sobre ela ainda havia um pouco menos de meia garrafa de vinho e a taça
    vazia. An Menglan tinha uma das mãos pousada na garrafa e a cabeça
    inclinada, encostada de leve no próprio braço, respirando de forma
    tranquila.

    A peça de Wu Chen tinha, sim, um certo efeito de embalar o sono, mas não
    a ponto daquilo.

    O principal era que An Menglan estava bêbada e exausta de verdade.

    Wu Chen continuou com a cabeça virada… Daquele ângulo, via perfeitamente
    o perfil adormecido de An Menglan. Comparando, a feminilidade de An
    Menglan era mesmo algo que nenhuma das outras alcançava. Tanto Su
    Qingying quanto Wu Yurong eram refinadas demais! Su Qingying tinha
    aquela aura de fada; a feminilidade de Wu Yurong se mostrava nas
    expressões e no tom de voz. As duas passavam a sensação de que “só se
    pode admirar de longe”!

    An Menglan era diferente. A beleza e o jeito dela conquistavam gente de
    qualquer idade! Aquela sensação de mulher era difícil de pôr em
    palavras!

    Wu Chen ficou admirando-a por um momento e então se levantou.

    Deu dois passos e ergueu de leve a mão dela. An Menglan não acordou.
    Quem está bêbado, depois que pega no sono de verdade, dificilmente
    acorda.

    Wu Chen passou o braço dela por cima do próprio ombro, enfiou o outro
    braço por baixo dela e a pegou no colo.

    Saiu da sala de piano.

    Atravessou a sala.

    Com o pé, empurrou de leve a porta entreaberta do quarto e entrou com An
    Menglan nos braços.

    Nota