Capítulo 320 — Três tiros! A arma explodiu!
por NexoNovelCapítulo 320 — Três tiros! A arma explodiu!
Ao ouvir a pergunta, a expressão de Tang Wu mudou de leve. Mas logo ele assumiu o tom de quem não estava entendendo direito:
— Patrão, o senhor está falando de…
Parecia não saber do que Ding Ruilong estava falando.
Tang Wu tinha trinta e três anos. Era ex-integrante das forças especiais e tinha uma resistência psicológica excepcional.
— Vou perguntar de novo. Na noite do meu aniversário, no ano passado, o que você fez com a Liu Xiaoyu? — Ding Ruilong o encarava sem expressão e repetiu a pergunta quase palavra por palavra.
— Eu… — Tang Wu chegou a parecer meio perdido, com ar de quem tentava se lembrar.
Tinha sido quase um ano antes. Se nada de especial tivesse acontecido, seria normal ele não se lembrar.
Todos os outros olhavam para Tang Wu. Ao vê-lo daquele jeito, quebrando a cabeça para lembrar, ficaram todos meio desconfortáveis.
Não que soubessem de alguma coisa.
Mas sabiam quem era Liu Xiaoyu. E entendiam o que significava Ding Ruilong fazer uma pergunta daquelas de repente.
Liu Xiaoyu era universitária, aluna do curso de dança moderna da Faculdade de Dança da Universidade de Nanguang. Jovem, bonita, de conversa doce e lábia boa.
De junho do ano anterior até a época do aniversário de Ding Ruilong, ela tinha sido a mulher mais mimada por ele. Só no fim daquele ano Ding Ruilong deixou de vê-la, o que, na prática, foi deixá-la ir embora.
Tinha simplesmente enjoado dela!
E, se Ding Ruilong fazia aquela pergunta a Tang Wu agora, era óbvio que desconfiava que Tang Wu lhe tinha posto chifre!
Os homens que Liu Xiaoyu tivera depois de deixar Ding Ruilong, ou antes de conhecê-lo, não importavam. Isso não era chifre.
Mas, se ela tivesse se envolvido com outro homem enquanto estava com Ding Ruilong, aí, naturalmente, era!
Os guarda-costas e os assistentes também não sabiam por que Ding Ruilong desconfiava de Tang Wu de repente, muito menos se aquilo era verdade.
Mas, se fosse… Tang Wu ia morrer!
— Patrão, eu… faz muito tempo. Naquela noite, eu… — Tang Wu enfim falou, mas continuava no papel de quem não conseguia se lembrar de jeito nenhum.
— Tá atuando direitinho, hein. — Ding Ruilong o encarava fixamente e arreganhou os dentes num sorriso.
— Patrão, o senhor… se ouviu alguma coisa, ou se desconfia de alguma coisa, será que podia… me dar uma pista? Eu juro que…
Ding Ruilong ficou em silêncio. Ergueu o pulso, com a arma na mão e o cano inclinado para cima. Os olhos continuavam cravados em Tang Wu!
— Patrão, não sei o que o senhor ouviu, mas juro pro senhor que nunca fiz nada que pudesse traí-lo! — garantiu Tang Wu, ainda com uma aparência relativamente calma.
Na verdade…
O próprio Ding Ruilong também achava que Wu Chen tinha inventado!
Wu Chen tinha acertado muitos nomes, o que provava que o investigara de verdade, mas… descobrir nomes era coisa simplíssima. Li Ruotai podia ter passado todos diretamente.
Mas!
Ding Ruilong tinha um incêndio por dentro!
Desde que encontrara Wu Chen naquela tarde até aquele momento, a raiva só tinha crescido, e as emoções, ficado cada vez mais represadas, sem ter por onde sair.
Ele só queria explodir!
E, já que Wu Chen tinha falado daquilo, se não tirasse a limpo, ia ficar com aquilo atravessado!
Depois de mais de dez segundos em silêncio, Ding Ruilong tirou o celular com a outra mão. Procurou um bom tempo até encontrar o número de Liu Xiaoyu nos contatos.
Ligou e ainda pôs no viva-voz.
— Tu… tu… tu… Alô? Amor, você finalmente me ligou de novo! Eu já tava achando que você não me queria mais…
Assim que a ligação foi atendida, soou uma voz de menina, toda melosa. Já começou fazendo manha, num tom meio empolgado, porque Ding Ruilong tinha voltado a procurá-la.
— Na noite do meu aniversário, no ano passado, o que você fez com o Tang Wu? — perguntou Ding Ruilong direto, com a voz grave.
Do outro lado, silêncio na hora!
Uns três segundos depois.
— …N-nada, ué… Depois que a festa acabou, o Tang Wu me levou de volta pro apartamento e… e foi embora…
A voz de Liu Xiaoyu saiu gaguejante, nada natural.
O sangue-frio dela não chegava nem perto do de Tang Wu!
Ding Ruilong estreitou levemente os olhos.
— Você lembra direitinho, hein — disse, sem emoção nenhuma.
— É, é, né… Minha memória sempre foi boa, você sabe. Por quê, amor?… — Liu Xiaoyu terminou de novo no tom manhoso.
— Não tá mentindo pra mim? — perguntou Ding Ruilong.
— Claro que não. Eu lá ia ter coragem de mentir pra você?
— Tem certeza?
— Tenho, ué!
— Então por que o Tang Wu me contou que foi você que agarrou ele e não deixou ele ir embora, e que ainda tirou a roupa por conta própria, sem a menor vergonha? O Tang Wu me contou tudo, e você ainda tem coragem de dizer que não tá mentindo?! — berrou Ding Ruilong no fim!
Ding Ruilong estava blefando! Mesmo bêbado, ainda sabia como descobrir a verdade de um jeito simples.
Do outro lado, silêncio de novo. Só uma respiração pesada.
— Se você me contar o que aconteceu de verdade naquela noite, eu não mato você nem os seus pais. Você só tem essa chance! — disse Ding Ruilong ao celular, enquanto os olhos continuavam cravados em Tang Wu.
A cara de Tang Wu já tinha mudado. Ele estava a ponto de desmoronar.
Alguns segundos depois.
— Buáá… Amor, foi ele que me forçou! Ele viu que eu tava bêbada… buáá… eu tive medo de você ficar bravo, medo de você me achar suja, por isso não tive coragem de te contar… buááá… O Tang Wu é um desgraçado! Depois ele ainda me ameaçou com isso, disse que eu…
O choro de Liu Xiaoyu soou pelo celular!
Ding Ruilong tinha blefado dizendo que a iniciativa fora dela.
Liu Xiaoyu, por sua vez, dizia o contrário: que estava bêbada e que Tang Wu a forçara!
Quem tinha tomado a iniciativa não importava!
O que importava era que aquilo tinha acontecido de verdade! Ding Ruilong tinha mesmo levado chifre!
Ding Ruilong nem esperou Liu Xiaoyu terminar. Desligou. Enquanto guardava o celular, continuou encarando Tang Wu, e a mão que segurava a arma chegou a tremer.
Tum!
Tang Wu caiu de joelhos! Sabia que estava acabado! Liu Xiaoyu não tinha sangue-frio nenhum, não sabia esconder nada! Aquilo ia matar os dois!
— Patrão, patrão, me escuta, não foi assim! A Liu Xiaoyu tá mentindo, foi ela que tomou a iniciativa, foi ela… — De joelhos no chão, Tang Wu falava e gesticulava, agitadíssimo.
A testa já estava encharcada de suor.
— Naquela noite foi ela que não me deixou… Ela ainda disse que o senhor tava cego por ter se encantado com a Xu Piaopiao, foi ela que disse… — Tang Wu não dava nem chance para Ding Ruilong falar e despejou tudo de uma vez.
Queria se explicar. Tinha medo de levar um tiro antes de terminar, por isso falava numa velocidade altíssima, sem ousar parar!
Segundo Tang Wu, naquela noite a iniciativa tinha sido de Liu Xiaoyu.
No jantar de aniversário de Ding Ruilong, no ano anterior, havia convidados de todo lado. O empresário rico Xu Bin compareceu levando a sobrinha, Xu Piaopiao, e fez questão de apresentá-la a Ding Ruilong. Xu Piaopiao era mesmo bonita, e Ding Ruilong de fato se encantou por ela.
Naquela época, Ding Ruilong estava justamente mimando Liu Xiaoyu. Mas, com o aparecimento de Xu Piaopiao, mandou Liu Xiaoyu voltar mais cedo para o apartamento e disse que ela não precisava ficar fazendo companhia a ele.
Depois disso, Tang Wu, como guarda-costas de Ding Ruilong, levou Liu Xiaoyu de volta de carro.
No caminho, Liu Xiaoyu teve um acesso de raiva e passou o trajeto inteiro xingando Xu Piaopiao. Era evidente que sentia que estava prestes a perder o lugar de favorita.
Quando chegaram ao apartamento, Tang Wu considerou a tarefa cumprida e ia embora. Mas Liu Xiaoyu o segurou, não deixou que ele fosse e o beijou por iniciativa própria…
Tinha aproveitado a coragem do álcool para se “vingar” de Ding Ruilong! Para lhe pôr chifre de propósito!
Essa era a versão de Tang Wu. E, contada assim, parecia muito próxima da verdade, porque o que ele dizia fazia sentido.
Mas, fosse ou não a verdade inteira, uma coisa já estava totalmente confirmada: Tang Wu tinha mesmo posto chifre em Ding Ruilong!
O que Wu Chen dissera não era invenção. Era verdade!
Tang Wu falou por vários minutos sem parar, rapidíssimo e cheio de detalhes, suando em bicas de desespero.
— Terminou? — Ding Ruilong fungou de repente e o interrompeu.
— Patrão, patrão, eu sei que errei, mas eu…
Bang!
O tiro!
Ding Ruilong ergueu a mão e atirou, sem nem ter posto silenciador… No peito de Tang Wu desabrochou uma mancha vermelho-viva.
Bang! Bang… pá!
Ding Ruilong se levantou e disparou mais duas vezes. Um dos tiros acertou também a testa de Tang Wu. Mas, no terceiro, algo deu errado!
Uma explosão de fogo estourou na mão de Ding Ruilong!
— Aaaah! Caralho! — Ding Ruilong soltou um grito de dor e sacudiu a mão, arremessando a arma longe.
A arma tinha explodido!
A chance de uma pistola explodir ao disparar era baixíssima, mas a arma de Ding Ruilong explodiu justamente no terceiro tiro!
— Patrão!
Gritos de espanto ecoaram pela sala.
