Capítulo 266 — Amantes secretos
por NexoNovelCapítulo 266 — Amantes secretos
A iluminação do qingba era bem fraca. A grande maioria dos bares desse tipo seguia esse estilo de decoração. Não que não tivessem janelas, mas, quando tinham, costumavam vedá-las por completo: em parte para isolar o barulho da rua, em parte para criar um ambiente silencioso e na penumbra.
As paredes ao redor tinham muitos objetos decorativos luminosos, e a luz, no geral, era amarelada e baixa.
Ainda nem tinha escurecido, mas, como dali de dentro não se via o sol lá fora, dava a sensação de que a noite já tinha caído, de que era hora de ouvir música, relaxar e aproveitar.
Por causa do horário, ainda havia poucos clientes.
O espaço era enorme, e a disposição das cabines de sofá criava áreas separadas.
O casal se sentou perto de Wu Chen. Entre as duas cabines havia um corredor, mas, na prática, a distância era pequena: o celular dele estava a pouco mais de dois metros dos dois.
E o microfone de uma gravação de vídeo capta som num raio bem amplo.
Mesmo assim, nenhum dos dois notou nada de especial na mesa de Wu Chen.
Por causa da luz baixa, e porque todas as mesas tinham abajures em forma de vela, copos de dados silenciosos, cinzeiros e outras coisas, os itens que não estavam em uso ficavam agrupados. Bastava bater o olho para ver apenas um amontoado de objetos lado a lado; não havia como identificar de imediato o “ponto” que importava!
Além disso, a maior parte do celular de Wu Chen ficava escondida atrás do abajur.
Claro, olhando com atenção, alguém veria um celular em pé, apoiado na luminária. Mas… ninguém tinha motivo para ficar examinando o que havia na mesa ao lado. Era difícil reparar!
O casal mal prestou atenção em Wu Chen, muito menos na mesa dele.
Para os dois, era só um rapaz que tinha ido beber num bar. Nada de especial.
Wu Chen sabia que eles não iam reparar.
Depois que se sentaram frente a frente, o homem tirou o boné e o jogou sobre a mesa, de qualquer jeito. Era um homem de meia-idade, cabelo curto, mais de quarenta anos e aparência razoável.
A mulher também tirou a máscara. Aparentava uns quarenta anos, tinha certo charme e usava maquiagem carregada. Era bem mais bonita do que a média das mulheres da idade dela e tinha um ar refinado.
Os dois pareciam ter muito dinheiro. Ele usava um relógio de grife que valia centenas de milhares, e o terno parecia sob medida. Ela estava coberta de joias, com um anel de diamante que faiscava.
— O que você vai beber? — perguntou o homem.
— Escolhe você — respondeu a mulher.
Nem precisaram chamar: um garçom logo se aproximou.
Pediram bebidas e uma travessa de frutas e começaram a conversar, num tom descontraído.
— Vai voltar para casa hoje à noite? — perguntou o homem.
— Tenho que voltar. O velho Hu tem dormido em casa esses dias. Se eu não voltar, ele vai desconfiar. Da última vez, ele até me perguntou — disse a mulher.
— Perguntou o quê?
— Por que eu tinha chegado tão tarde. Falei que tinha saído com a Fang Lin e as meninas.
— Ele está desconfiando de você?
— Isso não. Perguntou por perguntar. Vive atolado de trabalho, onde é que ia ter tempo de ficar me vigiando?
Pouco depois, o garçom trouxe as bebidas e as frutas. Só quando ele se afastou os dois retomaram a conversa.
— E a sua mulher? Ainda fica te investigando? — perguntou ela.
— Investigar o cacete. Da última vez veio fazer escândalo, eu meti um tapa nela. Agora sossegou — respondeu ele.
— Ela não desconfiou de mim, né? — insistiu a mulher.
— Não. Como ia desconfiar? Fica tranquila. — Enquanto falava, ele pegou um morango da travessa, esticou o braço e o levou direto à boca dela.
Ela o pegou com a boca e comeu.
Tudo muito natural.
Casais daquela idade quase nunca faziam esse tipo de coisa. Dar comida na boca era coisa de namoradinhos.
Os dois, claro, não eram casados.
Eram amantes secretos.
— Ah, falando nisso, aquele pedido da fábrica do norte… — recomeçou o homem.
Passaram a falar de negócios.
O assunto em si não importava.
Pelo menos, não para Wu Chen.
O que importava era a relação clandestina entre os dois. Numa relação dessas, ao se encontrarem às escondidas, fosse qual fosse o tema da conversa, inevitavelmente fariam gestos que só amantes fazem, diriam coisas que só amantes dizem e, com a maior naturalidade, mencionariam as famílias de cada um e certos assuntos.
Os dois traíam os respectivos cônjuges.
Wu Chen os filmava justamente para registrar a prova dessa traição.
No “20 de julho” anterior, depois de jogar o problema nas mãos de Wu Yurong, Wu Chen fora a muitos lugares e investigara muita coisa. Por certos motivos, também acabara investigando algumas coisas a mais.
Wu Chen sabia que os dois iam se encontrar ali porque eles mesmos tinham contado.
À força!
Porque Wu Chen os sequestrara e arrancara a informação sob tortura!
Quanto ao horário exato em que chegariam… Wu Chen o confirmara pelas câmeras de segurança!
Justamente as câmeras daquele qingba! No “20 de julho” anterior, Wu Chen estivera ali pouco depois das oito da noite. Pelas gravações, ficara sabendo a hora exata em que os dois chegaram e também a hora em que foram embora, com precisão de segundos!
Só que, como os encostos dos sofás eram muito altos, as câmeras internas não tinham captado o que os dois faziam depois de se sentar.
Mais de dez minutos depois.
— Quando você vai pedir o divórcio ao seu marido? — perguntou o homem.
— E como é que eu vou pedir? Se eu falar do nada, ele não vai desconfiar? Primeiro tenho que arranjar um pretexto para brigar com ele… — respondeu a mulher.
Nesse momento, Wu Chen deu uma olhada no relógio. Depois esticou a mão, tocou algumas vezes na tela do celular e parou a gravação.
Salvou!
Já bastava. Aqueles vinte minutos de vídeo provavam por completo que os dois eram amantes de longa data.
Levantou-se!
Foi embora!
Ao sair do bar, Wu Chen voltou para o carro, mas não partiu logo. Ficou esperando um pouco.
Mais alguns minutos se passaram.
Um Mercedes preto parou atrás da Lamborghini. Dele desceu uma garota de saia curta e justa, que valorizava muito as curvas, com maquiagem impecável e uma beleza fora do comum. Os saltos fizeram tac, tac, tac enquanto ela dava alguns passos rápidos.
Foi direto até a Lamborghini azul, abriu a porta do passageiro e entrou.
Era Zhuang Xiaodie.
O Mercedes preto era o carro dos guarda-costas de Li Ruobing; um deles a tinha levado até ali.
Antes de deixar o Residencial Liu’an rumo àquele lado, Wu Chen já tinha ligado para ela e dito que saísse dali a dez minutos e fosse até lá.
Zhuang Xiaodie entrou, fechou a porta e se virou para Wu Chen com um sorriso doce:
— Senhor Wu.
Só então puxou o cinto.
Wu Chen virou a cabeça e a observou, sorrindo.
Zhuang Xiaodie era mesmo obediente. Ao meio-dia, Wu Chen dissera que ia levá-la para sair… Mesmo sem saber o que ele pretendia, ela se arrumou com todo o capricho. Da maquiagem à combinação de roupas e joias, tudo nela transmitia refinamento e encanto.
Partiram.
Wu Chen ligou a Lamborghini e voltou à estrada.
Cerca de meia hora depois.
Rua Shangfeng, distrito de Zhongcheng, Residencial Zhizhen Manor.
Um guarda-costas de terno preto e fone no ouvido estava parado do lado de fora do portão, observando os carros que passavam. Já estava ali fazia algum tempo, esperando alguém.
A Lamborghini azul surgiu no começo da rua e logo chegou ao portão do condomínio.
O guarda-costas se inclinou para espiar dentro do carro. Ao ver Wu Chen, tirou um controle do bolso e levantou a cancela.
Wu Chen entrou com a Lamborghini naquele condomínio de casas de segurança rigorosíssima.
O guarda-costas acompanhou o carro com os olhos e, com a mão no fone, disse:
— Chefe, o senhor Wu chegou.
O Residencial Zhizhen Manor era enorme.
Quem fosse ali pela primeira vez dificilmente encontraria de cara a casa que procurava. Dava mesmo para se perder.
Wu Chen, porém, não se perderia.
Era a primeira vez que ia ali desde o começo de sua nova vida, mas, ao longo dos ciclos, já estivera lá vezes demais.
Pouco depois.
A Lamborghini parou junto ao meio-fio, em frente à Vila nº 7.
Era uma casa isolada enorme, cercada de gramado. Dava para ver vários guarda-costas de preto circulando em patrulha, e um deles passeava com um cachorro grande enquanto olhava em volta.
Nos dias de hoje, uma cena dessas passava uma forte impressão de vigilância cerrada.
E o lugar era, de fato, fortemente vigiado.
Wu Chen e Zhuang Xiaodie desceram do carro.
Zhuang Xiaodie foi para o lado dele e enganchou o braço no seu. Os dois seguiram juntos até a entrada da Vila nº 7.
Um guarda-costas de preto veio recebê-los de imediato e, ao se aproximar, disse com toda a cortesia:
— Senhor Wu, por aqui, por favor.
E seguiu à frente, indicando o caminho com um gesto.
