Capítulo 319 — Sou bem branquinho, mas não tanto quanto você é verde!
por NexoNovelCapítulo 319 — Sou bem branquinho, mas não tanto quanto você é verde!
Ding Ruilong encarou Wu Chen de cara fechada. Mas, de repente, sorriu, e o estado de espírito relaxou de uma vez.
Tinha acabado de perceber que aquilo era só um truquezinho de Wu Chen! Ele queria irritá-lo de propósito!
Além disso, dava para ver que Wu Chen tinha perdido a compostura porque bebera demais. Ding Ruilong tinha mandado gente matá-lo; não tinha dado certo, mas Wu Chen com certeza guardava rancor!
— Heh!
Ding Ruilong soltou uma risada fria e se sentou de novo, com o canto da boca erguido.
— Bebe um pouquinho e já mostra a cara. Vai, fala. Quero ouvir. Deixa todo mundo ouvir o que você sabe!
— Não acredita? — Wu Chen olhou para ele, com o sorriso de bêbado. — Acha que eu tô mentindo? Você mandou gente me matar. Acha que eu não ia pedir pra alguém te investigar? Ouvi dizer que você tem mulher que não acaba mais. Vai saber quantas vezes já levou chifre!
— Para de falar merda! — Ding Ruilong o encarou e soltou outra risada fria. — Você? Um bonitinho que vive às custas de mulher? Nem sei o que a Ruobing viu em você!
— Branquinho eu até sou, mas não tão verde quanto você! — riu Wu Chen, bêbado.
Numa troca de ofensas dessas, tudo dependia de quem perdia a calma primeiro! Quem não segurasse as emoções, perdia!
— Pelo visto você não sabe mesmo — continuou Wu Chen, ainda sorrindo feito bêbado. — Então eu vou contar! Vou contar mesmo, hein.
— Conta! Conta logo! — rebateu Ding Ruilong. Parecia calmo, mas por dentro estava a ponto de explodir!
— Lembra de uma menina chamada Yao Xuefu? Ficou uns meses com você, não ficou? Depois pegou o seu dinheiro e foi sustentar um bonitão. Ouvi dizer que arrumou um garoto de programa de casa noturna. Que gosto o seu, hein, tsc, tsc…
— E aquela modelo, a Wang Qinqin? Parece que agora tem um figurão bancando ela, né? Vai saber se ela ficou primeiro com você ou se, enquanto tava com você, já tinha arrumado outro pra bancar.
— E a Zhou Qian, lembra? Ela até abortou por sua causa, não foi? Você deu uma boa grana pra ela por isso, devia ter oito dígitos, né? E se eu te disser que a criança que ela tirou naquela época não era sua? Acredita?
Wu Chen não falou de He Shiqin. Em vez disso, despejou de uma vez três outras.
A cara de Ding Ruilong mudava de cor a cada nome.
Fossem as histórias verdadeiras ou falsas, os nomes Wu Chen tinha acertado todos!
Mas, justamente por falar tanta coisa de uma vez, a história perdia credibilidade. Ninguém teria capacidade de investigar tanta coisa com tanto detalhe.
Na verdade, o que Wu Chen dizia era mesmo meio verdade, meio mentira! Com personagens pequenos demais, ele não perdera tempo investigando a fundo ao longo dos mil anos de ciclos.
E aquelas três histórias não eram o que importava!
O que importava era a quarta!
— Ainda não acredita?
Wu Chen observava a cara dele.
— Então vou te contar mais uma. Lembra da Liu Xiaoyu? No ano passado você passou vários meses mimando ela. E… não tem um guarda-costas seu chamado Tang Wu? Os dois… ouvi dizer que, na noite do seu aniversário no ano passado… ei! Adivinha o que os dois fizeram? Adivinha! Pensa bem: não tá sentindo um brilho verde em cima da cabeça?
Silêncio na sala.
Ding Ruilong encarava Wu Chen sem expressão. Achava que ele estava inventando, mas aquilo continuava sendo uma humilhação, e naturalmente estava furioso!
— Ei? Você trouxe guarda-costas hoje! O Tang Wu veio? Que tal chamar ele aqui agora… Eu pergunto na cara dele. Garanto que faço ele abrir o bico! — Wu Chen gesticulava e ainda olhou para a porta.
Ding Ruilong não respondeu. Só continuou olhando para ele.
— Não veio? — Wu Chen abriu um sorriso para ele. — Não trouxe pra Donghai? Então, quando voltar pra Nanguang, pergunta direitinho pra ele. Aí você vê se levou chifre ou não! Tsc, tsc, tsc!
O jeito e o tom de Wu Chen eram exatamente os de um bêbado arrumando confusão. Não daquele tipo que já perdeu a lógica e fala coisa com coisa; era o tipo que fala sem medo nenhum, fala demais e fala rápido!
— Tsc, tsc! Que dó. Um jovem mestre feito você, levando chifre toda hora… — Wu Chen voltou a zombar de Ding Ruilong e, enquanto falava, pegou a mão de Li Ruobing.
Só pegou a mão. Mas a atitude estava clara.
Pose de vencedor!
— Já chega! — Sun Yongzhang enfim falou, fuzilando Wu Chen com o olhar.
— Tá bom, tá bom, parei, não falo mais. — Wu Chen abanou a mão, sorrindo, com ar de quem já tinha falado o bastante.
— Ruilong, não se rebaixa ao nível dele. — Sun Yongzhang se virou para Ding Ruilong e tentou acalmá-lo com jeito. — Vem, vem, vamos beber. Não dá trela pra ele. Bebeu demais e começou a falar besteira.
Ding Ruilong, que continuava encarando Wu Chen, respirou fundo, virou-se para Sun Yongzhang e forçou um sorriso.
— Com gente desse tipo eu também não quero discutir. Vamos, Tio Sun, um brinde ao senhor!
E ergueu a taça de vinho tinto.
Aos poucos, o clima à mesa foi se recuperando. Logo as gargalhadas de Tang Jingbin voltaram a soar.
Principalmente porque Wu Chen tinha parado de falar.
Sem que se percebesse, deram oito e meia da noite.
O jantar tinha se estendido bastante, mas, àquela altura, já estava no fim. Todos estavam meio altos. Ding Ruilong era quem mais tinha bebido: Wu Chen o irritara, ele não podia explodir, e acabou bebendo um pouco mais.
O jantar terminou.
Quando todos saíam da sala, Li Ruotai se virou para Wu Chen e Li Ruobing.
— Mana, cunhado, que tal dormirem aqui hoje? A gente sobe, conversa mais um pouco, toma um chá…
— Fechado! — Wu Chen assentiu. Tinha bebido tanto que até cambaleava um pouco ao andar, e Li Ruobing o amparava.
— Segundo Mestre Tang, vai dormir aqui hoje? — Li Ruotai se virou para Tang Jingbin.
Tang Jingbin também assentiu.
Li Ruotai, porém, não convidou Ding Ruilong. Ding Ruilong percebeu: Li Ruotai simplesmente não queria que ele ficasse.
— Ruilong, que tal você também não ir embora hoje? Fica aqui… — convidou Sun Yongzhang.
— Não precisa, Tio Sun. Ainda tenho umas coisas pra resolver, preciso voltar — recusou Ding Ruilong. Tinha mesmo algo a fazer. Além disso… Wu Chen e Li Ruobing iam dormir ali. Se ele também ficasse, aí sim estaria procurando sofrimento. Melhor nem imaginar!
Todos ainda conversaram um pouco no corredor. Depois, Ding Ruilong foi embora com seus guarda-costas, e os outros subiram para a grande suíte do último andar, o décimo primeiro.
Assim que entrou na suíte, Wu Chen se endireitou de uma vez. Parou de cambalear e já não precisava que Li Ruobing o amparasse. Chegou até a ajeitar, por hábito, a frente do paletó. Depois enfiou uma das mãos no bolso e seguiu para dentro.
Todos notaram a mudança, inclusive Tang Jingbin.
— Você não tá bêbado? — Li Ruobing apertou o passo para alcançá-lo e perguntou baixinho, inclinando a cabeça.
— Claro que não. — Wu Chen sorriu para ela.
— Você… o que você tá aprontando? — Li Ruobing não se segurou. Até ela tinha caído na dele: achara que Wu Chen tinha mesmo bebido demais e estava aproveitando a coragem do álcool para enfrentar Ding Ruilong na frente de todo mundo.
— O Ding Ruilong vai parar no hospital hoje à noite — disse Wu Chen, sorrindo. E nem baixou a voz ao dizer aquilo. Até Tang Jingbin ouviu.
…
Mais de meia hora depois.
Grande Hotel Heyi de Donghai!
Suíte executiva 616!
Ding Ruilong já tinha voltado. Ficou sentado no sofá, de cara fechada, por um bom tempo. Depois se levantou e foi para o quarto. Pouco depois, voltou com uma arma na mão, sentou-se de novo no sofá e gritou para fora:
— Entrem!
A porta se abriu na hora, e dois guarda-costas entraram.
— Chama todo mundo aqui! — ordenou Ding Ruilong, de cara fechada.
Os dois viram a arma na mão dele. Não sabiam o que ele pretendia, mas já estavam calejados com esse tipo de coisa. Não disseram nada e saíram para chamar os outros.
Logo.
Mais de dez pessoas entraram na suíte: guarda-costas, assistentes, todo mundo.
A porta se fechou!
— Patrão!
O grupo se dividiu em duas fileiras diante de Ding Ruilong, todos com a expressão séria.
Ding Ruilong continuava sentado no sofá, com a arma na mão, a cabeça um pouco baixa e o olhar enviesado para o chão. Por um bom tempo, não disse nada.
O clima na sala foi ficando cada vez mais pesado.
— Tang Wu! — chamou Ding Ruilong de repente. Ergueu a cabeça devagar e correu os olhos pelo grupo, meio transtornado pelo álcool.
— Patrão.
Um guarda-costas de quase um metro e noventa, alto e corpulento, deu um passo à frente.
Era o Tang Wu de quem Wu Chen tinha falado. Ele tinha vindo para Donghai, e Wu Chen sabia disso. No dia anterior, antes de se infiltrar na 616, Wu Chen tinha esperado do lado de fora até Ding Ruilong sair com seus homens e vira com os próprios olhos o grupo de dez e poucos que saiu com ele. Tang Wu estava entre eles!
Naquele dia, porém, Ding Ruilong tinha ido ao Clube Huangguan com seis guarda-costas, e Tang Wu não estava no grupo. Ficara de plantão no Grande Hotel Heyi.
— Me responde uma pergunta — disse Ding Ruilong, encarando Tang Wu.
— Pode falar, patrão — respondeu Tang Wu, sério e atento.
— Na noite do meu aniversário, no ano passado, o que você fez com a Liu Xiaoyu? — perguntou Ding Ruilong, sem expressão.
