Capítulo 144 — Quem é você? Por que apareceu ao lado da minha filha?
por NexoNovelCapítulo 144 — Quem é você? Por que apareceu ao lado da minha filha?
Li Ruobing se levantou de um salto.
— Conversar a sós? O que vocês precisam falar escondido de mim?
Sua reação foi intensa.
Estava aflita porque não fazia ideia do que Wu Chen pretendia fazer outra vez!
E sabia muito bem que, se ela não estivesse presente, o pai jamais falaria com Wu Chen de maneira tão contida.
E agora Wu Chen ainda tomava a iniciativa de pedir uma conversa a sós?
— Bingbing. — Li Maoren ergueu a cabeça e olhou para a filha com o cenho franzido. — Leve seu irmão e saiam.
Não era um pedido.
Era uma ordem!
— Eu não vou sair! — retrucou Li Ruobing na hora. — O que vocês têm de tão vergonhoso para falar? Eu nem tenho direito de ouvir?
Era só uma desculpa que ela tinha inventado.
— Foi o jovem Wu que pediu para conversar a sós. Por que você está discutindo comigo? — devolveu Li Maoren, fechando a cara.
Dessa vez, Li Ruobing realmente ficou sem resposta.
— Ruobing. — Wu Chen continuava sentado no sofá.
Ergueu a mão, segurou a dela, que estava de pé ao lado, e olhou para cima com um sorriso.
— Vou conversar sozinho com o seu pai. Não briga. Com você aqui, há coisas que eu e o tio não podemos falar à vontade. Ele está o tempo todo levando em conta os seus sentimentos. Tem assunto que é melhor colocar às claras…
Li Ruobing virou a cabeça e lançou-lhe um olhar atravessado.
Irritada!
Irritadíssima!
No caminho até ali, dentro do carro, ela havia explicado toda a situação em detalhes a Wu Chen. Contara que o pai pegara um avião de manhã cedo e viera por causa de A-Tai. Conhecer o namorado da filha era só um assunto de passagem. Bastava contornar com cuidado e seguir adiante.
Wu Chen, porém, não lhe dissera uma palavra sobre o que pretendia fazer.
E agora tinham chegado àquele ponto.
Mesmo irritada, Li Ruobing não podia perder a cabeça com ele. Não podia discutir. Isso a faria parecer culpada, como se tivesse medo de que algum segredo escapasse.
Ficou alguns segundos com aquele olhar duro sobre Wu Chen.
Então, com o rosto gelado, soltou a mão dele de uma vez.
— Conversem!
Virou-se, contornou o sofá e saiu depressa, os saltos altos batendo no chão.
Li Ruotai seguiu a irmã imediatamente.
Enquanto saía, ainda falou:
— Então… pai, cunhado, conversem. Eu e a mana vamos sair primeiro…
Os irmãos deixaram a suíte.
O corredor estava tomado de guarda-costas.
Li Ruotai saiu por último e fechou a porta com cuidado.
Li Ruobing estava furiosa. Parou um instante, o rosto congelado, e de repente se virou.
— A-Tai, tem câmera nessa sala? — perguntou baixinho.
— Ah… tem! — Li Ruotai hesitou e assentiu. — Mas está desligada.
No Clube Huangguan, dava para dizer que havia câmeras ocultas por toda parte, usadas para filmar às escondidas e obter material comprometedor. Inclusive naquela suíte de ares refinados. Diziam que era a suíte particular de Li Ruotai, mas na prática servia para receber clientes importantes. Em geral, as câmeras ocultas dali só eram ligadas quando aparecia algum cliente realmente importante.
Naquele dia, quem estava ali era o próprio pai dele.
É claro que Li Ruotai não teria deixado as câmeras ligadas!
— Dá para ligar? Onde é que se assiste? — perguntou Li Ruobing.
— Isso… — Li Ruotai hesitou e olhou para o lado.
No corredor não estavam apenas os guarda-costas dele e de Li Ruobing. Os de Li Maoren também estavam ali.
E todos eram homens de confiança de Li Maoren!
A irmã ia falar daquilo assim, abertamente?
Era mesmo uma boa ideia?
Para Li Ruobing, não havia problema nenhum!
Ela só queria saber o que Wu Chen pretendia conversar com o pai. E, quanto a isso, não tinha medo nem de que o próprio Li Maoren soubesse!
— É só para dar uma olhada. Você conhece o temperamento do nosso pai. Não tem medo de dar problema? E você sabe muito bem como é o seu cunhado — disse Li Ruobing, rápido. — Só nós dois assistimos. Quando eles terminarem de conversar, você apaga a gravação.
Alguns dos guarda-costas de Li Maoren, ouvindo a conversa dos irmãos, ficaram com expressões esquisitas.
Mas certamente não diriam nada. Muito menos tentariam impedir.
No máximo, contariam a Li Maoren depois.
Li Ruobing e Li Ruotai eram filha e filho biológicos dele! Não havia como estarem querendo prejudicar o próprio pai.
— Anda logo! — Li Ruobing lançou outro olhar duro ao irmão hesitante.
— Hm… é… ali na frente…
Li Ruotai titubeou, mas acabou erguendo a mão e apontando para o outro lado do corredor. Era a suíte grande na diagonal, quase de frente. Bem perto.
— Vamos!
Li Ruobing se virou na hora.
Os dois entraram na suíte do outro lado. Também era uma suíte grande, com alguns guarda-costas sentados na sala. Aquela suíte era usada pelos seguranças. Quando os irmãos entraram, todos se levantaram. Nenhum dos dois disse nada. Li Ruotai foi na frente, conduzindo a irmã até um dos cômodos internos.
Entraram.
O cômodo devia ter sido, originalmente, um quarto da suíte. Mas ali não havia mais cama nem nada do gênero. Havia uma mesa comprida, vários computadores e uma parede inteira coberta de monitores de vigilância. Alguns “funcionários” estavam sentados diante daquela fileira de máquinas.
— Saiam primeiro — ordenou Li Ruotai ao entrar.
Todos se levantaram e saíram.
Li Ruotai escolheu um computador qualquer, sentou-se e começou a operá-lo pessoalmente. Digitou a senha e ligou todas as câmeras ocultas da suíte grande do outro lado…
No instante em que as imagens apareceram, a expressão dos dois mudou.
Algumas câmeras já não mostravam imagem nenhuma. Sem sinal.
Mas ainda havia um ponto transmitindo.
Ele enquadrava de perto o rosto de Wu Chen…
E então o sinal também caiu!
…
Na suíte grande do outro lado, depois que Li Ruobing e Li Ruotai saíram e a porta se fechou.
Na sala restavam apenas Wu Chen e Li Maoren, sentados frente a frente.
— Parece que a Bingbing escuta bastante o jovem Wu… — o tom de Li Maoren mudou na hora.
A filha já não estava ali; ele também não precisava mais fingir tanta cordialidade!
— Não exatamente. É só que ela sempre foi razoável comigo — respondeu Wu Chen, mantendo o mesmo sorriso de antes.
— Você…
Li Maoren ia dizer alguma coisa.
— Tio, só um instante — Wu Chen o interrompeu de repente.
Levantou-se, ajeitou o paletó e virou-se na direção do armário de bebidas.
Li Maoren acompanhou Wu Chen com o olhar, de rosto fechado, enquanto ele se afastava.
O que aquilo queria dizer?
Ia pegar uma bebida?
Não!
Wu Chen chegou ao armário de vidro transparente e abriu a porta. Então puxou de dentro uma garrafa de vinho tinto. A garrafa era inteiramente preta e opaca. O gargalo tinha um formato um pouco estranho, algo impossível de notar enquanto ela permanecia guardada.
Wu Chen tirou a garrafa sem sequer examiná-la.
E a arremessou direto contra o chão.
Pá!
A garrafa se despedaçou.
Mas nenhum líquido espirrou. Dentro havia baterias, fios, componentes eletrônicos e outras peças… tudo conectado a uma microcâmera pinhole habilmente disfarçada no gargalo.
Depois de quebrá-la, Wu Chen ainda pisou nos restos com o sapato de couro.
Em seguida, caminhou para outro canto da sala. Pegou uma pequena escultura decorativa sobre um armário, mexeu na parte de baixo e retirou a bateria.
Depois seguiu para outro ponto do cômodo. Perto do piano havia uma estante junto à parede. Sobre ela, um gramofone antigo. Nos dias atuais, ter um objeto daqueles na sala dava à suíte um belo ar de sofisticação. Ao lado do gramofone havia vários discos de vinil.
Wu Chen ergueu o gramofone, empurrou-o um pouco para o lado e esticou a mão por trás dele.
Arrancou o cabo de energia.
Três pontos resolvidos.
Wu Chen voltou na direção do sofá e da mesa de centro. Depois de se sentar diante de Li Maoren, esticou a mão para a mesinha lateral e pegou um enfeite de metal. Era uma criatura auspiciosa ligada à fortuna.
Wu Chen desenroscou a base do objeto.
E puxou de dentro uma confusão de peças: bateria, componentes eletrônicos, uma câmera…
Quando a microcâmera saiu junto com o resto, um dos olhos do enfeite ficou vazio!
A câmera tinha sido instalada de dentro para fora, disfarçada como um dos olhos da criatura.
Quatro pontos de filmagem clandestina desmontados ao todo!
Mas Wu Chen ainda estendeu a mão para debaixo da mesa de centro. Tateou por alguns instantes e arrancou uma caixinha preta presa com fita adesiva na parte de baixo. Havia uma luz vermelha piscando nela…
Era um aparelho para captar áudio de perto!
Wu Chen desligou o interruptor direto e pôs a caixa de lado.
Então olhou para Li Maoren, tornou a cruzar uma perna sobre a outra e sorriu.
— Pronto, tio. Agora podemos conversar.
Li Maoren o encarava com o rosto fechado.
Tinha visto tudo o que ele acabara de fazer.
De repente, sem tirar os olhos de Wu Chen, esticou a mão e pegou a pistola que estava no centro da mesa. Levantou-se num impulso, apontou o cano para Wu Chen e perguntou, com voz gelada:
— Quem é você? Por que apareceu ao lado da minha filha?
