Novels chinesas em português
    Índice do Capítulo

    Capítulo 207 — Conversaram sobre o quê? O que vão conversar de novo?!

    Nos últimos dois dias, Li Ruotai vinha falando com frequência com o pai,
    Li Maoren.

    Desde que Wu Chen quase sofrera um acidente na manhã do dia anterior, Li
    Ruotai conversara em particular e em detalhes com o pai sobre tudo
    aquilo. Só mentira sobre “Li Ruobing quase ter sido ferida”; o resto,
    contara exatamente como acontecera.

    Li Ruotai imaginava que, se Wu Chen queria conversar pessoalmente com
    Lao Dao, então certamente poderia usá-lo contra Ding Ruilong!

    Antes, Li Ruotai não teria contado ao pai nada sobre atacar Ding
    Ruilong. Mas, desde que Li Maoren fora a Donghai e tivera uma conversa
    secreta com Wu Chen… antes de partir, Li Maoren deixara instruções ao
    filho!

    Embora Li Ruotai não soubesse dos detalhes, percebia a mudança de
    atitude do pai.

    Entendia que, quanto maiores fossem os problemas de Ding Ruilong,
    maiores seriam as chances de a família Li “romper” com a família Ding!

    E naquela tarde.

    Depois que Wu Chen resolveu a questão de Lao Dao e Li Ruotai voltou ao
    hospital acompanhando a ambulância, ele telefonou de novo para o pai.
    Também não conseguiu explicar direito, mas passou a ideia principal!
    Isso fez Li Maoren entender que Wu Chen já tinha resolvido Lao Dao e
    podia usá-lo contra Ding Ruilong!

    Li Maoren estava muito interessado nisso!

    Também queria saber!

    Por isso, ainda instruíra o filho a perguntar mais. Se não conseguisse
    descobrir, podia ligar para ele!

    Li Maoren entendia uma coisa: havia assuntos que Wu Chen podia contar a
    ele, mas talvez não quisesse contar aos filhos! Justamente por serem
    grandes demais! Quanto maior o assunto, menos gente devia saber! Do
    contrário, se vazasse, a família Ding poderia agir primeiro, de forma
    extrema! Havia ali também uma intenção de protegê-los.

    Wu Chen lançou um olhar para Li Ruotai e depois para o celular
    estendido. Pegou o aparelho, levou-o ao ouvido e disse, sorrindo:

    — Tio…

    — A-Tai me contou a situação — disse Li Maoren, direto.

    — A-Tai está aqui do lado. O tio tem certeza de que quer que ele ouça? —
    Wu Chen também foi direto.

    Li Maoren se surpreendeu e ficou calado por um instante.

    O que Wu Chen queria dizer era… que o assunto era enorme!

    — Eu ligo para você — disse Li Maoren, e desligou.

    Wu Chen afastou o celular do ouvido, olhou a tela e o devolveu a Li
    Ruotai.

    Li Ruotai olhou para Wu Chen com uma expressão muito esquisita, meio
    atordoado. O que o cunhado quis dizer com aquilo? Tinha sido ele quem
    combinara tudo com o pai; como, de repente, parecia que o cunhado e o
    pai tinham entrado num acordo num piscar de olhos para deixá-lo de
    fora?!!

    Era uma sensação horrível.

    E não só por curiosidade.

    Por um instante, chegou a sentir que a relação do cunhado com o pai
    parecia mais próxima que a dele próprio, o filho, com o pai?!

    Trim, trim…

    O celular de Wu Chen tocou. Estava no bolso do pijama.

    Wu Chen se levantou, tirando o aparelho enquanto se virava para a
    escada. Atendeu, levou-o ao ouvido e disse primeiro:

    — Vou para o escritório.

    Li Ruotai o viu subir. Levou um instante para reagir e então correu
    atrás dele!

    Wu Chen chegou ao segundo andar, entrou no escritório, fechou a porta
    atrás de si, trancou-a e foi para a varanda… Li Ruotai chegou à porta,
    mas não a tempo de entrar. Forçou a maçaneta, sem sucesso, e percebeu
    que estava trancada por dentro.

    Que é isso?!

    O que eles vão conversar de novo?!

    Li Ruotai praticamente se grudou à porta, com o ouvido colado nela, mas
    não conseguia ouvir nada, porque Wu Chen fora para a varanda e fechara a
    porta de vidro…

    Um bom tempo depois.

    — A-Tai? Querido? — A voz de Li Ruobing soou na sala do térreo.

    A comida continuava cozinhando nas panelas, mas não era preciso vigiar o
    tempo todo. Li Ruobing saiu da cozinha e viu que nem Wu Chen nem o irmão
    estavam ali. Olhou em volta e subiu. No corredor do segundo andar,
    encontrou Li Ruotai grudado à porta, tentando escutar escondido.

    — O que você está fazendo? — perguntou, franzindo a testa enquanto se
    aproximava. — Está tentando ouvir o quê?

    — Não dá para ouvir… — Li Ruotai virou a cabeça para a irmã, com cara de
    sofrimento.

    — Não dá para ouvir o quê? — Li Ruobing franziu ainda mais a testa.

    — O cunhado está falando com o pai e não deixa a gente ouvir… — disse
    ele em voz baixa.

    E voltou a colar o ouvido na porta. Recusava-se a acreditar que não
    conseguiria ouvir som nenhum.

    A expressão de Li Ruobing também mudou.

    Outra conversa?

    Outra conversa a sós que eles não podiam ouvir?

    Era muito parecido com a última vez. A diferença estava no estado de
    espírito de Li Ruobing. Da outra vez, ela queria saber desesperadamente
    e estava muito ansiosa. Agora, não. Com a experiência anterior, sabia
    que poderia perguntar a Wu Chen depois, em particular. Não precisava
    ficar escutando atrás da porta.

    — Desce. Seu cunhado ainda está bravo com você. Se ele sair e te vir
    assim, vai pegar bem? Anda, desce logo — disse Li Ruobing, fuzilando o
    irmão com o olhar.

    Mais de dez minutos depois.

    Quando Wu Chen saiu do escritório e desceu, Li Ruobing já tinha voltado
    para a cozinha. Li Ruotai estava sentado no sofá da sala, com cara de
    quem quebrava a cabeça de tanto pensar. Afinal, sobre o que eles tinham
    conversado? Nem usaram o celular dele; o pai ligara direto para o de Wu
    Chen. Tinham medo de que o celular dele estivesse gravando? Precisavam
    de tanto cuidado?

    Ao ver Wu Chen descer, Li Ruotai se levantou na hora.

    — Cunhado… — começou.

    — Pergunta ao seu pai. Vê se ele te conta — disse Wu Chen, sorrindo,
    encerrando o assunto de vez.

    E nem foi para a sala. Seguiu direto para a cozinha.

    Os pratos que levavam mais tempo já estavam praticamente prontos, mas
    ainda faltavam três. Por serem salteados, de preparo rápido, Wu Chen os
    deixara justamente para o fim.

    Salteou mais dois pratos.

    Pouco depois das sete, a comida foi para a mesa.

    O jantar começou!

    Seis pratos e uma sopa, todos feitos por Wu Chen. Li Ruobing apenas
    ajudara a preparar as verduras e a olhar as panelas.

    Para três pessoas, era um jantar farto demais. E Wu Chen não fizera só
    comida caseira. A carpa do Rio Amarelo ao molho agridoce, por exemplo,
    era um prato que uma dona de casa comum dificilmente conseguiria fazer.
    Só de olhar, a versão de Wu Chen parecia obra do chef de um hotel
    estrelado!

    Naquela refeição… Li Ruotai comeu completamente distraído. Tinha outra
    mentalidade; já comera e vira de tudo, e comida boa não o afetava tanto.
    Sua cabeça estava tomada por uma única pergunta: afinal, sobre o que o
    cunhado conversara com o pai?

    Enquanto comia, ele se perdia nos pensamentos de vez em quando. Fazia
    tudo o que Li Ruobing mandava. Quando ela mandou que pedisse desculpas a
    Wu Chen, ele pediu.

    Já Li Ruobing, ao contrário do irmão, comia estupefata.

    Tão gostoso assim?

    Como podia ser tão gostoso?!

    Não que ela nunca tivesse comido coisa boa. A questão era… aquilo fora
    feito por Wu Chen. Era diferente! Wu Chen não era cozinheiro! Ao vê-lo
    cozinhar, ela já percebera que ele tinha habilidade, mas não imaginara
    que chegasse àquele nível!

    Até na vida cotidiana, Wu Chen tinha capacidades impressionantes.

    Isso fez com que ele parecesse, mais uma vez, um pouco diferente aos
    olhos de Li Ruobing.

    Pouco depois das oito da noite, o jantar terminou.

    Li Ruotai viu a irmã e o cunhado de pijama, todos à vontade, e entendeu
    que a irmã provavelmente dormiria ali naquela noite. Então, com muito
    bom senso, não ficou atrapalhando. Despediu-se e foi embora!

    Pouco depois das nove da noite.

    As luzes da sala estavam apagadas, mas a televisão continuava ligada. Wu
    Chen assistia ao noticiário da noite.

    Li Ruobing apagou a luz da cozinha e saiu… Desde que Li Ruotai fora
    embora, ela estivera arrumando a mesa e a cozinha. Raramente fazia isso
    pessoalmente. Naquele dia, porém, não era para experimentar a sensação
    de ser dona de casa. Ela jamais seria dona de casa.

    Era apenas porque… Wu Chen cozinhara, então tirar a mesa e lavar a louça
    cabia a ela. Achava justo!

    Na penumbra.

    Guiada pela luz da televisão, Li Ruobing chegou ao sofá e parou por um
    instante ao lado de Wu Chen. Ele ergueu os olhos para ela com um
    sorriso. Li Ruobing então girou o corpo e se sentou direto no colo dele,
    envolvendo seu pescoço com os dois braços.

    — Marido… está na hora de descansar — disse baixinho, sorrindo.

    Usara uma voz surpreendentemente doce!

    E, além disso, o chamara diretamente de marido!

    Naquele momento, o olhar que Li Ruobing dirigia a Wu Chen… deixava claro
    que queria que algo acontecesse entre os dois!

    Nota