Novels chinesas em português
    Índice do Capítulo

    Capítulo 014 — Mana… cunhado?!

    Zhao Guaizi, Wang Zhuangyuan e os demais se levantaram.

    Os guarda-costas do lado de fora abriram a porta. Li Ruobing indicou que seus próprios homens não precisavam entrar e levou apenas Wu Chen consigo. Ao vê-la, Zhao Guaizi e Wang Zhuangyuan se curvaram em cumprimento.

    — Senhorita Li!

    Na verdade, eles só a tinham visto pouquíssimas vezes.

    Sabiam muito pouco sobre ela.

    Mas sabiam que Li Ruobing era a figura de maior destaque da terceira geração da família Li, uma mulher cuja capacidade e cujos métodos podiam ser ainda mais implacáveis do que os de certas velhas raposas. Só que, por ser mulher e ter uma personalidade forte demais, não mantinha uma boa relação com a família.

    Se Li Ruobing se dava bem ou não com os parentes, evidentemente não era assunto que dissesse respeito a arruaceiros do nível de Zhao Guaizi e Wang Zhuangyuan.

    O que todos sabiam era que o Jovem Mestre Li tinha muito medo da irmã.

    E, por isso, eles tinham ainda mais medo dela.

    Ofender Li Ruobing era mais assustador do que ofender o próprio Jovem Mestre Li!

    — Mana, o que aconteceu de tão urgente para você vir pessoalmente? — perguntou Li Ruotai, sorrindo. Parecia até um pouco nervoso e abanava o ar com a mão, por causa do cheiro de cigarro.

    Enquanto Li Ruotai falava, Zhao Guaizi e os outros já se encaminhavam para a saída.

    De repente!

    Liu Huzi soltou um berro.

    — É ele! — Apontou para o jovem de terno azul ao lado de Li Ruobing, gritando de empolgação. Olhava de um lado para o outro, e até a pele do rosto lhe tremia. — Chefe! Jovem Mestre Li! Foi ele ontem à noite!

    Liu Huzi odiava Wu Chen com todas as forças.

    Na noite anterior, ficara genuinamente apavorado. Acreditara que havia ofendido alguém que jamais deveria ter provocado. Mesmo depois de cortar o dedo, não sentira ódio; no fundo, chegara até a ficar grato por uma figura tão importante não ter ido além.

    Mas, quando descobriu que havia sido enganado, sua raiva se multiplicou centenas, milhares de vezes!

    Muita gente era assim.

    Se levasse uma bofetada em público de uma figura poderosa, nem ousaria odiá-la. Talvez até aprendesse a lição.

    Mas ser feito de idiota por um moleque que não era ninguém…

    Comparado à dor de perder o dedo, o ódio nascido da humilhação era ainda maior!

    Liu Huzi tinha visto o tamanho da raiva do Jovem Mestre Li pouco antes e já fizera seus planos: assim que pegassem o rapaz da noite anterior, primeiro deceparia uma das mãos dele e depois o entregaria ao Jovem Mestre Li. O Jovem Mestre Li dissera que o queria vivo; não dissera que o queria inteiro.

    Só que, mal terminou de pensar nisso, Wu Chen apareceu diante de seus olhos.

    Quando a porta se abrira, ele nem o havia reconhecido. Wu Chen tinha trocado de roupa. Antes de chegar ali, Li Ruobing o levara para comprar um terno caríssimo, além de relógio, abotoaduras e outros acessórios.

    Wu Chen parecia outra pessoa em comparação com o dia anterior.

    Liu Huzi ficou tão exaltado que começou a gritar no instante em que o reconheceu, deixando todos na sala atônitos por um momento.

    Wang Zhuangyuan franziu a testa e examinou Wu Chen com atenção.

    Na noite anterior, os dois tinham se cruzado, mas Wang Zhuangyuan não prestara atenção. Mais tarde, porém, vira o rosto de Wu Chen nas imagens das câmeras do bar.

    Era mesmo aquele rapaz.

    Ainda assim, nem ele nem Zhao Guaizi ousaram agir. Aquele era o território do Jovem Mestre Li, e não cabia a eles fazer o que bem entendessem.

    Além disso, o rapaz tinha chegado com a irmã do Jovem Mestre Li.

    — É ele? — Li Ruotai olhou para Liu Huzi e depois mediu Wu Chen.

    — Sim, sim, sim! Foi ele ontem à noite! — gritou Liu Huzi. Mas, ao notar que Zhao Guaizi lhe fazia sinais discretos, foi baixando a voz.

    — Ora, está todo mundo aqui — disse Wu Chen de repente, com um sorriso calmo e natural.

    Todos olharam para ele.

    Zhao Guaizi nunca o havia visto. Wu Chen, por sua vez, já o encontrara incontáveis vezes nos ciclos anteriores.

    Uma sala cheia de conhecidos!

    — Ah, é verdade. Peguei seu carro emprestado ontem para dar uma volta. Aqui está a chave. O carro está na garagem subterrânea da Torre 7 do CBD de Nancheng.

    Wu Chen tirou a chave da Lamborghini do bolso e a lançou para Wang Zhuangyuan.

    Wang Zhuangyuan a pegou no ar, mas por um instante não soube o que dizer.

    Mesmo naquele ambiente, Wu Chen se comportava com uma familiaridade impressionante. Wang Zhuangyuan não conseguia medir qual era, afinal, a posição dele.

    — Mana, esse moleque é… — Li Ruotai finalmente perguntou.

    — Que “moleque”? — Li Ruobing franziu a testa. — Este é seu cunhado. Cumprimente.

    — Ma… cunhado? — Li Ruotai pareceu engasgar e quase não conseguiu respirar.

    Seu primeiro pensamento foi que a irmã estivesse repetindo o velho truque dos namorados de fachada.

    Mas!

    Li Ruobing nunca havia mandado Li Ruotai chamar nenhum dos falsos namorados anteriores de cunhado.

    — Cumprimente — ordenou Li Ruobing, lançando-lhe um olhar atravessado.

    — O-olá, cunhado! — Li Ruotai cumprimentou na mesma hora, do modo mais correto possível.

    Naturalmente, não tinha medo de Wu Chen.

    Tinha medo da irmã.

    Temia que, se se recusasse a cumprimentá-lo, Li Ruobing viesse lhe dar um tapa diante de todo mundo. Aquilo seria humilhante demais.

    — Sss…

    Wang Zhuangyuan, Zhao Guaizi e Liu Huzi puxaram o ar entre os dentes ao mesmo tempo.

    Aquele jovem de pouco mais de vinte anos era cunhado do Jovem Mestre Li?!

    Era o homem de Li Ruobing?!

    Ferrou. Ferrou de verdade!

    Eles tinham acreditado que um moleque vigarista os havia feito de idiotas, mas a coisa dera uma volta completa: no fim, o sujeito era mesmo uma figura importante!

    E do tipo que nem o próprio Jovem Mestre Li ousava provocar!

    Ninguém sabia por que o Jovem Mestre Li não conhecia o próprio cunhado, mas era fácil imaginar que Li Ruobing e aquele homem estavam juntos havia pouco tempo.

    E, pelo fato de Li Ruobing mandar o irmão chamá-lo de cunhado na frente de todos, parecia que a relação dos dois era muito boa.

    Então Wu Chen fazia parte da família do Jovem Mestre Li.

    E eles eram apenas gente de fora.

    Zhao Guaizi não parava de lançar olhares de esguelha para Liu Huzi.

    Liu Huzi já suava frio. Sentia que, desta vez, estava mesmo acabado.

    O clima na sala ficou estranhíssimo.

    — Vocês podem ir — disse Li Ruotai, quebrando o silêncio.

    — Sim, sim, claro.

    Zhao Guaizi e os outros concordaram depressa. Nem ousaram olhar demais para Li Ruobing ou Wu Chen e seguiram em direção à saída.

    Li Ruobing e Wu Chen, por sua vez, avançaram juntos para dentro da sala, ela ainda de braço dado com ele, com toda a naturalidade.

    De repente!

    Como se estivesse passando mal, Li Ruobing levou a mão à boca e teve duas ânsias de vômito. Então, como se não aguentasse mais, empurrou Wu Chen e correu para o banheiro privativo no fundo da sala. Entrou, bateu a porta e recomeçou a ter ânsias lá dentro.

    Zhao Guaizi e os outros, que já estavam chegando à porta, pararam.

    Primeiro se espantaram.

    Depois se assustaram.

    E então ficaram completamente pasmos.

    Todos tinham idade e experiência suficientes para saber o que podia fazer uma mulher ter ânsias daquele jeito.

    Li Ruotai também entendeu.

    Até Wu Chen ficou meio atônito.

    Aquilo não estava combinado!

    Foi decisão de Li Ruobing na hora. Wu Chen entendia o que ela pretendia, mas…

    Não estava exagerando um pouco na atuação?

    Escolhera justamente o momento em que as figuras importantes ligadas a Li Ruotai estavam ali para encenar aquilo?

    Queria mesmo que todo mundo entendesse errado?

    Wu Chen não teve tempo de pensar. Correu até o banheiro e tentou entrar, mas descobriu que a porta estava trancada.

    Bateu nela.

    — Ruobing, você está bem?

    — Estou… urgh… estou… já vou…

    Quando Li Ruobing saiu do banheiro, não havia mais ninguém na sala além de Li Ruotai, junto ao sofá, e Wu Chen, diante da porta.

    Wu Chen a amparou pelo braço e perguntou, preocupado:

    — Você está bem?

    — Melhor impossível. — Li Ruobing sorriu.

    Li Ruotai ficou pasmo de novo.

    A irmã estava sorrindo!

    Sua irmã sorria para um homem!

    — Você realmente inventa cada coisa na hora — murmurou Wu Chen, inclinando a cabeça para falar junto ao ouvido dela.

    — Ficou com medo? Medo de Ding Ruilong descobrir e te matar? — respondeu ela num sussurro quase inaudível.

    — Você acha que eu teria medo?

    Li Ruotai não conseguia ouvir o que diziam. Aos seus olhos, aquela era uma cena de intimidade extrema: a irmã e o “cunhado” trocando palavras ao pé do ouvido, os dois sorrindo.

    Ainda havia cheiro de cigarro na sala.

    Li Ruotai foi depressa até a janela e a abriu para ventilar.

    Ao voltar para a mesa de centro, pegou o cinzeiro e o jogou inteiro no lixo.

    — Chega disso. Senta — disse Li Ruobing, puxando Wu Chen para se sentar.

    — Mana, você não está… — Li Ruotai ergueu a mão, querendo fazer um gesto, mas sem coragem. Queria apontar para a barriga da irmã.

    — Só não estou me sentindo muito bem — respondeu Li Ruobing de propósito, de maneira vaga.

    Parecia uma negativa.

    Mas, quanto mais negava, mais Li Ruotai entendia errado.

    Será que a irmã estava mesmo grávida?

    Do filho daquele homem?!

    Desta vez ela estava falando sério?!

    Nota