Novels chinesas em português
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    Capítulo 202 — Um resgate de cem milhões de dólares. Que tal pensar no
    assunto?

    Lao Dao estava com uma expressão estranha, mas Wu Chen não pareceu
    surpreso.

    Só tinham se passado pouco mais de dez minutos desde que ligara para Li
    Ruotai. Li Ruotai e a ambulância certamente ainda estavam a caminho.

    Mas, antes disso, Li Ruotai já dera ordens para que o pessoal do
    submundo de Donghai vasculhasse a cidade atrás de Lao Dao!

    Por isso, quando Wu Chen telefonou e passou o endereço, certamente havia
    homens dele relativamente perto de Shuangqiao. Deviam ter chegado
    primeiro, para “dar apoio” a Wu Chen.

    De repente, o corredor ficou em silêncio.

    Dava para perceber que o grupo inteiro já estava diante da porta e, de
    uma hora para outra, todos tinham se calado.

    Toc, toc!

    Alguém bateu.

    Wu Chen se levantou, foi até a entrada e abriu. Do lado de fora estava
    um homem gordo, de meia-idade e rosto avermelhado, com uma das mãos
    enfiada por dentro da roupa; era evidente que carregava uma arma ali. No
    instante em que a porta se abriu, o homem ainda ficou em alerta, mas, ao
    ver que era Wu Chen, relaxou bastante.

    Atrás do gordo havia um bando de homens, mais de dez, alguns espremidos
    nos degraus mais abaixo.

    — Senhor Wu… — disse o gordo de rosto vermelho em voz baixa, espiando o
    interior do apartamento por trás de Wu Chen.

    Ele conhecia Wu Chen, porque, àquela altura, Wu Chen já era muito famoso
    no submundo de Donghai! Talvez alguns bandidinhos ainda não soubessem
    como ele era, mas um “figurão” como aquele gordo certamente sabia, ou no
    mínimo já tinha visto uma foto!

    O homem se chamava Dai Lin e era um dos homens de confiança de Zhao
    Guaizi.

    — Esperem lá embaixo. Se chegarem mais irmãos, mandem ficar embaixo
    também. Não precisamos de tanta gente. Quem puder ir embora, que vá. E
    cuidado para não incomodar os moradores — disse Wu Chen a Dai Lin.

    — Ah… certo.

    Dai Lin concordou, sem ousar dizer mais nada.

    Wu Chen fechou a porta.

    Logo depois, ouviu-se do lado de fora o barulho desordenado de passos
    descendo a escada.

    Wu Chen voltou ao sofá, sentou-se no mesmo lugar e olhou outra vez para
    Lao Dao.

    Lao Dao entendeu que estava tudo bem e que os recém-chegados deviam ser
    “gente de Wu Chen”. Voltou a atenção para o celular, conferiu a mensagem
    mais uma vez, digitou um número e a enviou.

    Em seguida, ligou para o mesmo número.

    — Irmão Dao… — disse uma voz masculina abafada do outro lado.

    — Está em Nanguang? — perguntou Lao Dao.

    — Estou.

    — Quantos irmãos estão com você?

    — Agora, uns seis ou sete… O que foi, Irmão Dao?

    O pessoal de Lao Dao em Nanguang evidentemente ainda não sabia que algo
    lhe acontecera. Não teriam como saber tão rápido, e a família Ding
    tampouco iria avisá-los.

    — Acabei de mandar um endereço. Leve os homens para lá, agora! Jiang
    Chuan vai aparecer. Quero que vocês peguem ele! — ordenou Lao Dao.

    — Pegar o Mestre Chuan? Irmão Dao, isso quer dizer…

    — Pergunta menos, porra! Ele quase acabou comigo! E faça um serviço
    limpo. Quero ele vivo. Por enquanto, não machuquem.

    — Pode deixar, Irmão Dao. Fique tranquilo…

    Depois de acertar tudo, Lao Dao desligou e olhou para Wu Chen.

    Na verdade, não estava obedecendo às ordens de Wu Chen. Ainda não era
    homem dele; os dois, a rigor, continuavam em lados “inimigos”! Fazia o
    que Wu Chen dizia porque Jiang Chuan já tinha “admitido” que Ding
    Ruilong matara Ang Tun, e Jiang Chuan conhecia a verdade!

    Do ponto de vista de Lao Dao, capturar Jiang Chuan permitiria descobrir
    a verdade, saber exatamente o que acontecera!

    Ao ver Lao Dao olhando para ele, Wu Chen foi direto:

    — Cinco anos atrás, Ang Tun atravessou a fronteira com seus homens e
    entrou no país para negociar pessoalmente…

    Ia contar de uma vez a Lao Dao por que Ding Ruilong matara Ang Tun!

    Vale mencionar uma coisa: o Grupo Jinhua não tinha absolutamente nenhuma
    ligação com “drogas”. Ao meio-dia do dia anterior, Wu Chen falara
    rapidamente do grupo com Li Ruotai, que logo entendera errado e achara
    que a cooperação entre Ding Ruilong e o Grupo Jinhua envolvia “drogas”!

    Estava enganado!

    Porque não conhecia a situação. Não fazia negócios com Mianmar nem tinha
    interesses em jogo por lá, por isso sabia pouco sobre a região. Como a
    maioria das pessoas, ao pensar nos senhores da guerra das fronteiras de
    Mianmar, associava-os instintivamente a “drogas”!

    Isso estava errado!

    As principais áreas de Mianmar ligadas às drogas ficavam no Triângulo
    Dourado, e não no norte do país, que fazia fronteira com a China.

    A fonte de lucro dos pequenos senhores da guerra do norte de Mianmar,
    aquilo pelo que viviam se enfrentando e disputando, eram as minas de
    jade!

    Os lucros eram gigantescos, e o negócio praticamente não tinha custo: as
    minas estavam ali e pertenciam a quem as ocupasse! Em cada território
    controlado por um senhor da guerra, a forma de lucrar variava. Alguns
    cobravam impostos pesadíssimos dos donos das minas, somas astronômicas
    todos os anos! Em outras regiões, os próprios senhores da guerra
    controlavam diretamente as minas!

    Noventa e cinco por cento do jade de qualidade comercial do mercado
    mundial vinha de Mianmar!

    O país tinha dezenas de milhares de minas e instalações de extração de
    jade, e, em todo o norte de Mianmar, o lucro anual do contrabando de
    jade passava, somado, de trinta bilhões de dólares!

    Os negócios do Grupo Jinhua com a China eram justamente o “contrabando
    de jade”.

    Cinco anos antes, como a fiscalização estava apertada demais, Ang Tun
    atravessara pessoalmente a fronteira com seus homens e fora à província
    de Yun negociar, abrir caminhos e fazer contatos. Depois, também passara
    por Nanguang… Ninguém sabia o que dera nele, mas resolvera tentar
    cooperar com Ding Ruilong.

    Ang Tun decidira por conta própria e mudara o itinerário de última hora.
    Queria “mostrar serviço” e abrir aquele canal. Se desse certo e
    conseguisse o apoio da família Ding, sua posição dentro do Grupo Jinhua
    subiria ainda mais!

    Mas Ding Ruilong não mexia com contrabando.

    Tinha maneiras demais de ganhar dinheiro, todas por vias legais. Não
    precisava correr aquele tipo de risco.

    Ainda assim, os dois se encontraram. Ding Ruilong recebeu Ang Tun, mas
    recusou a proposta na cara dele, dizendo que não tinha interesse!

    Então… ninguém sabe que parafuso se soltou na cabeça de Ang Tun, mas ele
    passou a ameaçar Ding Ruilong nas entrelinhas. Lao Dao já tinha feito
    alguns serviços para Ding Ruilong e, como Lao Dao era homem do Jinhua,
    naturalmente eram serviços que o Jinhua prestara a Ding Ruilong… Ang Tun
    se achava importante demais e não conhecia Ding Ruilong.

    Usou aqueles serviços para ameaçá-lo e forçá-lo a “cooperar”!

    Diante disso, Ding Ruilong mudou de atitude. No fim, disse que pensaria
    e que precisava consultar a família.

    Ang Tun foi embora cheio de expectativas. Voltaria para esperar a
    resposta de Ding Ruilong e queria fazer uma surpresa ao tio… No caminho
    de volta, saindo do país pela província de Yun, foi eliminado por homens
    enviados por Ding Ruilong enquanto atravessava a província!

    Contando os cinco homens que o acompanhavam e o próprio Ang Tun, seis
    pessoas sumiram da face da Terra numa única noite!

    Quem liderou pessoalmente o serviço foi Jiang Chuan!

    Ang Tun era um estrangeiro envolvido com todo tipo de ilegalidade; até
    para entrar na China usava rotas clandestinas. Por isso, Ding Ruilong
    nem sentiu muito peso na consciência ao mandar matá-lo! Bastava que o
    Jinhua não descobrisse quem tinha feito aquilo.

    O erro fatal de Ang Tun… foi ter contado abertamente a Ding Ruilong,
    durante a conversa, que aquela decisão era só dele! Ding Ruilong o
    fizera falar e descobrira que o Jinhua não tinha intenção de cooperar
    nem de ameaçá-lo. Era apenas ideia de Ang Tun, que queria resolver tudo
    às escondidas e depois voltar para “colher os louros”!

    Por isso Ang Tun morreu!

    E o Grupo Jinhua jamais descobriria quem o matara, porque nem sabia que
    Ang Tun havia procurado Ding Ruilong!

    Depois de ouvir tudo, Lao Dao ficou calado por muito tempo.

    Entendeu. Ang Tun cavara a própria cova! Nem dava para dizer que a culpa
    era de Ding Ruilong; Ang Tun é que tinha procurado encrenca! E ainda
    manchara a reputação do Jinhua: usar serviços anteriores como chantagem
    e trair um cliente?

    Além disso, Lao Dao sabia que aquilo combinava bem com o jeito de Ang
    Tun! Ele era extremamente ambicioso e agia de forma agressiva. Queria
    herdar o posto do tio, o General Kun Han, e se tornar o futuro chefe do
    Grupo Jinhua!

    Enquanto Lao Dao continuava em silêncio, Wu Chen tirou o próprio
    celular, digitou um número internacional e ligou.

    Tu… tu… tu…

    Passaram-se mais de dez segundos até alguém atender.

    — Lao Dao está nas minhas mãos! Um resgate de cem milhões de dólares.
    Que tal pensar no assunto? — disse Wu Chen de cara, com um sorriso.

    Do outro lado da linha estava o chefe do Grupo Jinhua, o senhor da
    guerra Kun Han!

    Lao Dao ficou pasmo e encarou Wu Chen!

    Nota