Capítulo 228 — Trouxe esperança!
por NexoNovelCapítulo 228 — Trouxe esperança!
— O quê… o quê você quer dizer com matar…? Irmã Shanshan, não se precipite… — Ao ouvir aquilo, He Xinxin ficou até um pouco assustada. Tinha catorze anos e fora bem criada; naturalmente ficaria com medo ouvindo algo assim.
— Alguém se atreveu a mexer com a nossa Xinxin. Se não matar, vai guardar pra comemorar o Ano-Novo? — A voz no celular continuava explosiva. Na verdade, eram apenas palavras exageradas para fazer pose.
— Também não precisa matar… — disse He Xinxin.
— Xinxin, por que ficou com medo agora? Quem é? Conta pra sua irmã!
— É o professor particular que minha mãe arranjou pra mim…
— P-professor particular… — O tom do outro lado se acalmou imediatamente, e a garota até riu. — Ah! Achei que fosse alguma coisa séria. Professor particular… se foi sua mãe que arranjou, como a gente vai se meter? Você não consegue resolver sozinha? O último não foi…
— Desta vez é diferente. Ele é muito ruim. Até gravou escondido quando estava falando comigo… e aí eu…
He Xinxin explicou a situação de maneira simples. Ela nunca escondia dos amigos o método que usava para expulsar professores particulares. Também não havia nada que não pudesse contar.
— …Agora eu nem me atrevo a deixar minha mãe descobrir. Eu não quero aprender a desenhar. Ele disse que, se eu não estudar direito, vai me bater…
— Esse velho até que sabe das coisas, hein? — comentou Shanshan primeiro.
— Não é velho. Deve ter uns vinte e poucos anos — disse He Xinxin.
— Vinte e poucos? É homem?
— É.
— Ah! Achei que sua mãe tivesse arranjado de novo algum professor de belas-artes de alguma faculdade. Então é jovem? Universitário? Estuda arte? Acabou de se formar?
— Eu… não sei. Ele não falou. Mas parece ter bastante dinheiro. Dirige um Mercedes-Benz.
— Mercedes-Benz é o cacete! Se está trabalhando de professor particular pros outros! O irmão Daqi dirige uma Ferrari! Se é jovem, fica fácil. Por mais fodão que seja, não vai ser nada demais! Xinxin, é só dizer o que você quer fazer. Porra, se atreveu a mexer com a Xinxin, eu chamo alguém agora mesmo pra destruir o carro dele…
— Não! Também não precisa… se minha mãe descobrir, vai brigar comigo…
— Verdade. Não podemos deixar sua mãe descobrir… então diga o que você quer fazer.
— Primeiro… pegar a gravação de volta, fazer ele pedir desculpas pra mim, depois… depois…
He Xinxin travou um pouco. Não conseguia pensar de imediato no que fazer. Algo cruel demais definitivamente não servia; não era para tanto. Mas algo leve demais não aliviaria sua raiva!
— Está bem, está bem, entendi, Xinxin. Deixa comigo. Vamos dar um susto nele — disse Shanshan.
As duas conversaram mais um pouco.
Por fim, combinaram que He Xinxin levaria Wu Chen para fora e o conduziria a um lugar conveniente para pôr o plano em prática.
Mais de dez minutos depois.
He Xinxin saiu do próprio quarto. Trocara de casaco, mas ainda era uma peça larga, com um estilo bem hip-hop. A marca vermelha ao lado do queixo ainda não havia desaparecido, então ela se movia com muito cuidado. Assim que saiu do quarto, entrou rapidamente no ateliê.
— Professor, eu desenho bem, não desenho? — He Xinxin estava realmente muito obediente. Ao ver Wu Chen folheando seus esboços, aproximou-se e o chamou de professor num tom docíssimo, parecendo especialmente comportada.
— Hum, não está mal. Para a sua idade, você é muito boa. — Wu Chen virou a cabeça, sorriu para ela e fez um gesto. — Sente-se.
He Xinxin sentou-se na cadeira diante da prancheta.
Wu Chen pegou um lápis e apontou para o desenho inacabado sobre a prancheta.
— O traço aqui deveria ser feito assim…
Uma hora depois.
Já passava das onze da manhã.
He Shiqin, de avental, ainda estava ocupada na cozinha. Ela queria muito que Wu Chen ensinasse sua filha, estava levando aquilo muito a sério e sentia uma urgência enorme. Como era a primeira vez que o recebia para almoçar, naturalmente não faria apenas alguns pratos e pronto.
Ela pretendia preparar oito pratos!
Só para separar, lavar e cortar os ingredientes de todos eles, gastara meia hora.
A essa altura, alguns pratos ensopados que haviam ido primeiro ao fogo já estavam quase prontos. Restavam uma salada fria e dois pratos salteados, todos rápidos de preparar, por isso ficariam para o final.
He Shiqin terminou de temperar mais uma salada fria.
Depois pegou tigelas e talheres e foi primeiro arrumá-los na sala de jantar.
Ao ver que não havia ninguém na sala, mas conseguir ouvir vagamente vozes vindas do ateliê, cuja porta estava encostada, ela se aproximou. Assim que empurrou a porta e estava prestes a falar alguma coisa, congelou. Primeiro ficou surpresa e depois… encantada!
Porque viu a filha, He Xinxin, sentada obedientemente na cadeira, enquanto Wu Chen permanecia de pé, um pouco atrás e ao lado dela, segurando um lápis e demonstrando técnicas de desenho.
E sua filha estava ouvindo com uma expressão realmente atenta, especialmente obediente e comportada.
He Shiqin teve de repente a sensação de ter voltado alguns anos no tempo. Naquela época, a filha também era tão obediente.
Na verdade, He Shiqin estava bastante surpresa.
Tantos mestres e professores experientes não conseguiam ensinar sua filha, não conseguiam controlá-la de jeito nenhum. Quando Wu Chen chegara, a reação dela também fora enorme, chegando a bater a porta. Como agora estava assim?
Wu Chen a colocara na linha tão depressa?
Ou teria despertado novamente o interesse da filha pela pintura?
He Shiqin estava realmente encantada!
— Mãe… — He Xinxin pareceu perceber sua presença e virou a cabeça para a porta.
Wu Chen também olhou.
— Ah… bem, professor Wu, desculpe o trabalho… Xinxin, estude direito, não decepcione seu professor… o almoço já está quase pronto. Professor Wu, também não precisa ter tanta pressa para ensinar a Xinxin. Deve estar cansado… pode descansar um pouco na sala… — A lógica das palavras de He Shiqin parecia ter ficado um pouco confusa.
Era de tanta felicidade!
— Mãe, eu estou estudando com o professor. Você pode não atrapalhar? — He Xinxin falou, fazendo bico como se estivesse descontente.
Sabia atuar muito bem. Estava atuando para Wu Chen ver.
— Essa menina… então vou terminar o almoço. Obrigada pelo trabalho, professor Wu… — He Shiqin repreendeu a filha com um sorriso feliz, falou com Wu Chen e então fechou a porta.
He Xinxin lançou outro olhar de lado para Wu Chen e perguntou diretamente:
— Professor, estou obedecendo, não estou?
— Hum. — Wu Chen assentiu sorrindo e gesticulou outra vez. — Olhe para a prancheta. Vamos continuar…
He Xinxin deu uma risadinha e voltou a “estudar” desenho seriamente com ele.
Mais de dez minutos depois.
A comida foi posta à mesa.
He Shiqin chamou Wu Chen e He Xinxin para lavar as mãos e almoçar.
He Shiqin ficou feliz demais durante aquele almoço, porque a filha realmente parecia ter mudado. Na mesa, ela chegou a fazer perguntas espontaneamente a Wu Chen sobre pintura, tratava-o com muito respeito e falava com uma doçura impressionante.
A filha que ninguém conseguia ensinar, Wu Chen conseguia.
A vontade de He Shiqin de contratar formalmente Wu Chen como professor particular ficou ainda mais intensa!
Sua vida já havia mergulhado na escuridão. Não restavam outras possibilidades para ela. Depositara todas as esperanças na filha. Queria que a filha melhorasse, se tornasse excelente! Queria que, no futuro, ela conquistasse sucesso e reconhecimento!
Como a filha não obedecia, até essa esperança estava quase desaparecendo.
Mas ela jamais imaginara que a chegada do professor Wu lhe traria esperança outra vez!
Depois do almoço.
He Shiqin conversou mais um pouco com Wu Chen sobre o trabalho de professor particular. Wu Chen disse que ensinaria mais um pouco e observaria. Comentou que He Xinxin tinha muita sensibilidade e que ainda tinha tempo naquele dia, então faria mais alguns testes com ela à tarde.
Naturalmente, He Shiqin ficou extremamente satisfeita.
Por isso, depois da conversa, Wu Chen não foi embora. Ficou conversando casualmente com He Shiqin e descansou um pouco. Depois voltou ao ateliê para ensinar He Xinxin a desenhar.
Sem que percebessem.
Eram três e meia da tarde.
He Xinxin havia passado no teste de Wu Chen e voltara para o quarto. Wu Chen, por sua vez, estava novamente na sala conversando com He Shiqin…
Na sala, He Shiqin conversava com Wu Chen.
He Xinxin saiu outra vez do quarto.
Ela carregava um skate em uma das mãos e tinha uma mochila pendurada no ombro, com equipamentos de proteção dentro.
— Mãe, posso sair para brincar um pouco? — perguntou He Xinxin.
— Hum… — He Shiqin olhou para a filha, pensou por um instante e sorriu. — Pode. Só não fique até muito tarde. Volte cedo.
Ela realmente estava de bom humor. Depois de ver a filha obedecer, estudar com seriedade e então querer relaxar, naturalmente não a impediria.
Depois de falar com a filha, He Shiqin ainda virou a cabeça para explicar a Wu Chen:
— Xinxin anda brincando de skate ultimamente. É num parque aqui perto, com um grupo de crianças mais ou menos da idade dela.
— Relaxar de vez em quando e ter mais amigos é uma coisa boa. — Wu Chen sorriu.
— Professor, você tem tempo? — He Xinxin falou justamente naquele momento, dirigindo-se a Wu Chen com doçura. — Quer ir comigo dar uma olhada? É bem perto, no parque. Eu não sei só desenhar, viu~?
Ela queria atrair Wu Chen para lá!
Levá-lo ao parque!
