Novels chinesas em português
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    Capítulo 206 — Que belo “irmãozinho”!

    Li Ruobing passou meia hora inteira no andar de cima.

    Porque não tinha ido apenas trocar de roupa. Como estava com cheiro de
    peixe, também tomou banho e refez a maquiagem.

    Claro que não conseguiu deixá-la tão caprichada quanto antes, pois não
    tinha levado tantos cosméticos.

    Então simplesmente fez outra maquiagem leve. Batom e lápis de
    sobrancelha ainda tinha na bolsa.

    Por volta das seis da tarde, quando já escurecera lá fora, Li Ruobing
    finalmente desceu.

    Estava com a cara fechada. Seu humor tinha mesmo azedado um pouco, mas
    não podia culpar ninguém; só aquele peixe já limpo. Naquele dia, tinha
    se arrumado toda para encontrar Wu Chen e ainda pretendia cozinhar
    pessoalmente. Quando o irmão, Li Ruotai, chegasse, os três, como “uma
    família”, jantariam juntos.

    Chegara até a pensar em dar uma bronca no irmão na frente de Wu Chen.

    E mandá-lo pedir desculpas a ele.

    Li Ruobing realmente não queria que houvesse qualquer problema, nem que
    Wu Chen guardasse mágoa do seu irmão!

    Tinha planejado tudo direitinho.

    Imaginara que, naquele dia, haveria ali uma atmosfera de “lar”!

    No fim, não conseguira passar nem da etapa de cozinhar!

    Sentia-se frustrada!

    Vestindo outro pijama masculino de Wu Chen e de chinelos, Li Ruobing
    chegou à porta da cozinha. Ainda segurava o celular e pensava que, se
    não desse certo, chamaria um cozinheiro para vir até a casa.

    Mas a cena na cozinha a deixou parada, surpresa.

    Tchhh!

    A carpa mergulhou num bom tanto de óleo quente, provocando uma explosão
    de chiados…

    De avental, Wu Chen estava diante do fogão, que tinha três bocas em
    fileira. Duas estavam acesas. Na panela do meio, alguma coisa já
    cozinhava em fogo baixo, tampada, enquanto Wu Chen preparava o peixe na
    boca da esquerda…

    A cozinha era enorme, com área comparável à de um quarto de tamanho
    padrão.

    Na longa bancada atrás de Wu Chen, vários ingredientes já lavados
    estavam dispostos em bacias e pratos. Não havia bagunça nenhuma; tudo
    estava organizado de forma clara e ordenada, com um ar extremamente
    profissional!

    Li Ruobing ficou parada à porta da cozinha, atônita.

    Ainda se lembrava daquela vez na casa de Wu Chen, quando observara,
    quase como uma sonâmbula, Wu Chen e Su Qingying indo de um lado para o
    outro feito um casalzinho. Lembrava-se vagamente de Wu Chen ter olhado
    uma panela para Su Qingying enquanto ela estendia roupa.

    Só isso não bastava para saber se ele sabia mesmo cozinhar. Saber fazer
    uma coisinha ou outra não contava. Qualquer um sabia fazer miojo ou
    fritar um pouco de arroz que sobrara.

    Agora…

    Li Ruobing tinha a impressão de que Wu Chen não só sabia cozinhar como
    parecia muito profissional.

    Seria porque a família dele tinha um restaurante de lamian?!

    Do contrário, homens da idade dele que soubessem cozinhar eram
    raríssimos.

    Pensando nisso, Li Ruobing voltou à velha pergunta: havia alguma coisa
    que Wu Chen não soubesse fazer?!

    — Está olhando o quê? — Vendo que ela continuava calada, Wu Chen
    lançou-lhe um olhar de lado e perguntou, sorrindo. Depois acrescentou: —
    Vem ajudar. Ainda tem verdura para lavar… dá uma olhada nas sacolas…

    — Ah… tá. — Li Ruobing voltou a si e respondeu.

    Mal deu um passo para dentro da cozinha e pareceu se lembrar de algo.
    Parou de repente, recuou até a porta e ergueu o celular.

    Clique!

    O flash disparou!

    Li Ruobing tirou uma foto de Wu Chen cozinhando.

    — O que está fazendo? — perguntou Wu Chen, olhando para ela com um
    sorriso.

    — Guardando de lembrança — respondeu Li Ruobing, apertando os lábios.

    Olhou a foto que acabara de tirar, abriu o Weixun e publicou nos
    Momentos. Não escreveu legenda nenhuma; postou apenas a foto de Wu Chen
    cozinhando.

    Aquela conta do Weixun não era a de trabalho, e sim a pessoal. Por isso,
    tinha pouquíssimos contatos; às vezes passava um ano inteiro adicionando
    só umas poucas pessoas. A mais recente fora Su Qingying!

    Li Ruobing queria deixar aquilo ainda mais incontestável, continuar
    espalhando e fazer mais gente saber que Wu Chen era seu namorado!

    Além disso, Wu Chen estava cozinhando para ela…

    Alguns minutos depois.

    Li Ruobing também vestiu um avental e, seguindo as instruções de Wu
    Chen, lavava, limpava e cortava os ingredientes… Ela sabia cozinhar; só
    estava enferrujada.

    — Meu querido senhor Wu, posso fazer uma pergunta? — disse Li Ruobing de
    repente.

    — O quê? — respondeu Wu Chen.

    — Você já cozinhou para Su Qingying? — perguntou ela, num tom casual.

    — Não. — Wu Chen sorriu, virou a cabeça para olhá-la e continuou, ainda
    sorrindo: — Sem contar em casa, acho que… nunca cozinhei para mulher
    nenhuma. Você é a primeira.

    Wu Chen apenas dizia a verdade. O que acontecera durante o ciclo não
    contava; tudo havia sido reiniciado!

    Li Ruobing apertou os lábios num sorriso. Estava muito feliz por dentro,
    mas conteve a emoção.

    Ela mesma achava aquilo um pouco diferente do seu jeito. Estava feliz só
    porque um homem cozinhara para ela e não para outras mulheres. No fundo,
    estava se comparando a Su Qingying… Era estranho! Li Ruobing nunca se
    imaginara uma mulher capaz de usar joguinhos para disputar um homem por
    ciúme, mas simplesmente não conseguia evitar pensar assim…

    — Wu Chen — chamou Li Ruobing de repente.

    — Hum? — Wu Chen virou a cabeça para ela.

    Nesse instante, Li Ruobing inclinou o corpo, esticou o pescoço e deu um
    beijo no canto da boca dele. Tinha passado batom de novo, e a marca
    ficou ali na hora. Depois do beijo, recuou.

    — E agora, o que foi? — perguntou Wu Chen, sorrindo.

    — Você é meu homem. Não posso beijar você? — Li Ruobing lançou-lhe um
    olhar de lado.

    Usava a firmeza para disfarçar. Aquilo era uma “recompensa” para Wu
    Chen; ela só estava feliz!

    Wu Chen sorriu e não retrucou.

    Passou-se mais de meia hora.

    Por volta das seis e quarenta da noite.

    Li Ruotai chegou.

    Não precisou bater. Digitou a senha e entrou direto na villa.

    Na sala já se sentia o cheiro da comida, e ele ouvia barulho vindo da
    cozinha.

    — Mana, cunhado… — chamou duas vezes.

    — Olha a panela — disse Wu Chen a Li Ruobing na cozinha.

    Então tirou o avental e saiu arrastando os chinelos, fazendo um gesto
    com a mão para Li Ruotai, que já estava perto do sofá.

    Li Ruotai, porém, ficou meio parado ao olhar para ele.

    Porque… era a primeira vez que via Wu Chen assim, à vontade em casa, de
    pijama e chinelos. Até então, sempre o vira de terno. O terno dava um ar
    mais maduro, e agora Wu Chen parecia… realmente muito novo!

    Parecia um universitário de férias em casa, meio largado e preguiçoso.

    Isso fez Li Ruotai se lembrar da idade de Wu Chen, e então veio uma
    sensação quase assustadora! Como alguém tão jovem podia ser tão foda?
    Não era só o cérebro; a capacidade física também… No dia anterior, Li
    Ruotai interrogara os guarda-costas em detalhes. Sabia que Wu Chen
    enfrentara sozinho sete homens dentro do elevador e vencera! Nas
    palavras dos guarda-costas, aquilo não era coisa de gente… não era algo
    que um ser humano pudesse fazer! Forte num nível anormal!

    E Wu Chen era quatro anos mais novo que Li Ruotai.

    Li Ruotai sentia cada vez mais que não era só o “irmãozinho” diante da
    irmã. Diante do cunhado Wu Chen, também era mesmo um “irmãozinho”!

    — Senta. Está parado aí por quê? — Wu Chen se sentou no sofá e olhou
    para Li Ruotai.

    Depois puxou um lenço de papel e limpou a boca. Ainda havia ali a marca
    do beijo de Li Ruobing.

    Li Ruotai se sentou. Ia dizer alguma coisa, mas Wu Chen perguntou
    primeiro:

    — Como está Lao Dao?

    — Tudo certo. Recebeu outra transfusão, e os médicos trataram os
    ferimentos de novo… — respondeu Li Ruotai, resumindo.

    Wu Chen assentiu.

    — Cunhado, aquele Lao Dao… você terminou de conversar com ele? —
    perguntou Li Ruotai por conta própria.

    — Terminei — respondeu Wu Chen, olhando para ele com um sorriso, sem
    continuar.

    Li Ruotai já começava a sentir uma pressão diante de Wu Chen. Era uma
    sensação inexplicável.

    — E… vocês conversaram sobre o quê? — perguntou de novo.

    — Nada de mais. Só batemos papo — respondeu Wu Chen.

    Deixou perfeitamente claro que não queria falar do assunto.

    Nos minutos seguintes, Li Ruotai tentou arrancar alguma coisa de Wu Chen
    por todos os ângulos. Mencionou a família Ding, o Jinhua, Lao Dao. Wu
    Chen só lhe contara um pouco, e era só isso que ele sabia; então ficou
    sondando com todo tipo de pergunta indireta.

    Naturalmente, não descobriu nada.

    Se Wu Chen não quisesse falar, ele não ficaria sabendo de uma palavra
    sequer.

    Li Ruotai não tinha o que fazer.

    Depois de alguns segundos de silêncio, que o deixaram meio constrangido,
    Li Ruotai pareceu se lembrar de algo. Tirou o celular, ligou para um
    número e foi atendido logo.

    — Pai, cheguei… Hum… hum… isso… tá bom…

    Falou só algumas frases, levantou-se e foi até Wu Chen.

    — Cunhado, é o meu pai — disse, estendendo o celular.

    Como não conseguira descobrir nada sozinho, tinha chamado o próprio pai,
    Li Maoren, para a jogada!

    Nota