Capítulo 238 — Não eram casados, eram um casal
por NexoNovelCapítulo 238 — Não eram casados, eram um casal
Pensando bem, He Shiqin sabia que exercia grande atração sobre os homens. Embora já tivesse trinta e dois anos e uma filha de quatorze, ainda houvera homens que a cortejaram ao longo daqueles anos.
E nenhum deles era um homem comum!
Jovens ricos, inclusive mais novos do que ela.
Tinham ido atrás dela sem se importar com o fato de ela ter uma filha. Quando se declaravam, chegavam a jurar que cuidariam muito bem da menina e coisas do tipo…
Uma mulher como He Shiqin, que no passado fizera Ding Ruilong enlouquecer a ponto de matar, naturalmente não precisava se menosprezar. Mesmo depois dos trinta, ela realmente se conservava muito bem… Seu rosto continuava lindo!
Principalmente o corpo. A maioria das garotas jovens não conseguia se comparar a ela.
Wu Chen jamais tinha demonstrado esse tipo de intenção em relação a He Shiqin, nem sequer com o olhar. Antes de abrir o jogo, sua postura diante dela sempre fora a de um professor diante da mãe de uma aluna.
He Shiqin também sabia que Wu Chen era muito mais novo do que ela.
Mas… ir direto para um hotel inevitavelmente a fazia pensar demais.
Wu Chen continuou subindo os degraus sem parar, como se nem prestasse atenção em saber se ela o seguia. Só quando chegou à porta giratória daquele hotel quatro estrelas chamado Tianyue é que He Shiqin subiu os degraus com uma expressão estranha.
Ela seguiu Wu Chen e entrou no hotel logo atrás dele.
Quase não havia hóspedes à vista no saguão do primeiro andar, porque naquele horário da manhã poucas pessoas chegavam a um hotel e ainda não era hora do check-out.
Wu Chen levou He Shiqin até a recepção.
Ela parecia um pouco desconfortável. Naquele dia, havia se arrumado com todo o cuidado. Desde cedo, depois de acordar, começara a se preparar: maquiara-se e vestira um vestido branco de chiffon com sapatos rosa de salto alto e sola vermelha.
Até a bolsa combinava muito bem com a roupa.
Além disso, usava um colar e uma pulseira bastante brilhantes.
Aquele conjunto de He Shiqin certamente custava mais de cem mil.
Ela era muito rica. Quando chegara a Modu, mais de dez anos antes, havia investido em imóveis, comprando várias casas e lojas de rua que ainda eram baratas naquela época. Os preços dos imóveis ainda não eram tão altos, de modo que o valor investido naquele tempo era várias vezes menor do que o valor atual das propriedades. Hoje, só em aluguéis, recebia de três a quatro milhões por ano.
Sem contar a pensão que Ding Ruilong pagava a He Xinxin ao longo dos anos, apenas o patrimônio da própria He Shiqin já passava de cem milhões.
E isso sem falar na pensão anual de oito dígitos que Ding Ruilong pagava pela filha ilegítima!
Ela era o tipo de “rica discreta” que já tinha independência financeira e não precisaria trabalhar nunca mais!
Por isso, seus gastos cotidianos com roupas e outras coisas naturalmente eram luxuosos. Como sempre cozinhavam em casa, não gastava tanto com comida e bebida; o principal era vestuário e todo tipo de artigo de uso pessoal… Que mulher não gosta de se arrumar?
Como diz o ditado, a roupa faz o homem…
Naquele dia, He Shiqin parecia ainda mais jovem, arrumada com especial requinte. Já Wu Chen, com apenas vinte e dois anos, parecia bem mais maduro de terno. Assim, considerando apenas a idade aparente, os dois até combinavam bastante!
Um homem e uma mulher jovens, ambos vestidos formalmente e aparentando ter vinte e poucos anos, chegando juntos a um hotel… era quase impossível não causar mal-entendido!
Wu Chen parou diante do balcão. He Shiqin ficou um pouco atrás e ao lado dele, apertando os lábios enquanto, sem perceber, passava a mão pelo cabelo e o colocava atrás da orelha.
Ao ver os dois, a recepcionista fez uma expressão de quem entendia a situação e sorriu.
— Bom dia, senhor, senhorita. Têm reserva?
— Não temos reserva — respondeu Wu Chen, sorrindo. — Tem suíte executiva disponível?
— Um momento, senhor. Vou verificar…
A recepcionista consultou rapidamente o computador e ergueu a cabeça.
— Temos, sim, senhor. Quantas suítes?
Enquanto falava, ainda lançou um olhar para He Shiqin, cuja expressão parecia um pouco estranha.
Na visão dela, He Shiqin parecia apenas envergonhada. Talvez fosse uma mulher de personalidade mais reservada; vir a um lugar daqueles com um homem sempre provocava alguma mudança emocional… A recepcionista já tinha visto aquilo muitas vezes.
Todos os dias, tanta gente entrava e saía do hotel que ela conhecia mulheres de todo tipo. Algumas eram muito abertas e não ligavam para nada; outras eram muito mais contidas.
Ela chegou a concluir diretamente que os dois provavelmente eram um casal que acabara de começar a namorar, e não marido e mulher.
Esposas não ficavam com vergonha.
— Uma… — respondeu Wu Chen.
— Certo, senhor. Por favor, apresente seu documento de identidade… — disse a recepcionista. Depois olhou para He Shiqin e acrescentou, com um sorriso profissional: — Senhorita, o seu documento também.
— Eu… eu também preciso? — He Shiqin se surpreendeu um pouco.
— Sim, senhorita. Quando um homem e uma mulher ficam no mesmo quarto, precisamos dos documentos dos dois — explicou a recepcionista, sorrindo.
— Ah… está bem…
Soava estranho, e a atmosfera ficou ainda mais esquisita. He Shiqin concordou e tirou o documento de identidade da bolsa. Wu Chen também pegou o seu, e os dois os entregaram à recepcionista, um depois do outro.
Ela recebeu os documentos, examinou-os e comparou o rosto dos dois com as fotografias, cumprindo seu trabalho com responsabilidade.
Mas sua expressão mudou ligeiramente.
Foi apenas por um instante, e ela disfarçou muito bem.
Na verdade, ficou bastante surpresa e olhou mais uma vez para He Shiqin, porque os documentos traziam as datas de nascimento: Wu Chen nascera em 1998; He Shiqin, em 1988…
Registro concluído.
Pagamento feito.
A recepcionista entregou a Wu Chen os dois documentos e o cartão do quarto.
— Senhor, é no décimo sexto andar. O elevador fica ali… — disse ela, apontando a direção.
— Obrigado. — Wu Chen sorriu e levou He Shiqin para o andar de cima.
Àquela altura, ela só podia acompanhá-lo. Ainda estava um pouco apreensiva, mas o assunto que Wu Chen queria discutir era sério demais! Podia-se dizer que envolvia sua vida e sua morte, e até a questão de quem cuidaria de He Xinxin no futuro…
O que mais ela podia fazer?
Não havia escolha!
He Shiqin só podia esperar… que fossem apenas conversar.
Quando subiram de elevador.
Havia apenas os dois lá dentro, e por algum tempo ninguém falou… Wu Chen devolveu casualmente o documento de He Shiqin e depois permaneceu em silêncio, de frente para a porta do elevador, esperando chegar, sem sequer olhar para ela.
He Shiqin guardou o documento, lançou um olhar para Wu Chen e voltou a apertar os lábios.
— Senhor Wu… — chamou ela.
— O quê? — Wu Chen olhou de relance para ela, sorrindo.
— Por que… escolheu este lugar? — perguntou He Shiqin. Seu olhar fugia, sem coragem de encará-lo diretamente, enquanto ela passava outra vez a mão pelos cabelos para esconder as próprias emoções.
— Porque aqui é seguro. Tem a melhor privacidade e ninguém vai nos incomodar — respondeu Wu Chen, sorrindo.
Era uma justificativa difícil para He Shiqin aceitar. Qualquer pessoa normal sabia que vir a um lugar daqueles poderia causar mal-entendidos. Portanto, se a intenção fosse apenas segurança e privacidade, não havia necessidade alguma de escolher um hotel.
Poderiam simplesmente encontrar um restaurante e pegar uma sala reservada; daria no mesmo!
Ou, mais simples ainda, conversar dentro do carro. Não seria ainda mais conveniente?
He Shiqin ficou ainda mais inquieta.
Chegaram ao décimo sexto andar.
A decoração daquele andar era especialmente sofisticada, porque ali só havia suítes executivas, e todo o corredor era acarpetado.
Wu Chen olhou o número no cartão e conduziu He Shiqin para dentro do corredor. Logo chegaram à suíte 1607. Ele passou o cartão, abriu a porta e então se virou de lado, fazendo um gesto para que ela entrasse.
He Shiqin olhou para Wu Chen e avançou. No exato instante em que estava prestes a entrar no quarto, Wu Chen estendeu a mão de repente, envolveu a cintura dela com o braço e entrou na suíte junto com ela.
A porta se fechou!
Dentro do quarto.
Perto da entrada, He Shiqin ficou completamente rígida. Quando entrara, Wu Chen a abraçara pela cintura. Embora já a tivesse soltado, a intenção dele parecia óbvia demais…
Naquele momento, surpreendentemente, ela não pensou em fugir. Em vez disso, mergulhou diretamente num conflito interno…
