Capítulo 327 — Por que você não explodiu junto?
por NexoNovelCapítulo 327 — Por que você não explodiu junto?
Wu Chen sabia que An Menglan ia ligar para ele. Só não sabia quando.
Alguns dias antes, Song Xuan tinha recebido uma ligação da sua ídola, An Menglan… e passara a ela o número de Wu Chen, com a autorização dele.
— É o seguinte, senhor Chenwu… — An Menglan ia começando.
— Meu sobrenome é Wu — corrigiu Wu Chen, interrompendo.
— Olá, senhor Wu — disse An Menglan. Fez uma pausa e perguntou: — Eu conversei por telefone com a senhorita Song. Você está sabendo, não está?
— Tô. Ela me contou naquele dia.
— Então… é o seguinte, senhor Wu. Eu admiro muito o seu talento. Ouvi as duas músicas que você escreveu e gostei muito, muito mesmo. — An Menglan não poupou elogios.
— Obrigado — disse Wu Chen, sorrindo. Continuava tranquilo, só com a cortesia normal de quem troca gentilezas!
Era a primeira vez que An Menglan passava por aquilo.
Desde que se afastara parcialmente dos palcos para se concentrar na gestão da empresa e na descoberta de novos talentos, ela já tinha feito pessoalmente muitas ligações como aquela. E todos os “cantores desconhecidos” que recebiam uma ligação dela reagiam praticamente igual!
Ficavam eufóricos! Homem ou mulher, tanto fazia!
Não existia cantor desconhecido que não quisesse ser estrela, ser contratado por uma empresa, fazer sucesso! Ainda mais com uma superestrela, dona de empresa, ligando pessoalmente. Ficar eufórico era o normal!
Mas Wu Chen reagia a An Menglan… como reagiria a um fulano qualquer.
An Menglan achou estranho, mas não era impossível de entender.
Não tinha investigado o passado de Wu Chen. Não sabia o que ele fazia, nem como era a família dele. Podia ser que viesse de família muito rica, escrevesse e lançasse músicas só por diversão e não tivesse o menor interesse nesse negócio de idolatrar celebridade.
Se fosse da personalidade dele, não se empolgar era perfeitamente normal!
Só que, para An Menglan, aquela reação complicava as coisas! Significava que ia ser dificílimo contratá-lo!
— Senhor Wu, posso fazer uma pergunta meio indiscreta? Você estudou música ou é só um hobby? — perguntou An Menglan.
— Hobby, digamos. Estudei computação — disse Wu Chen.
— Ainda está estudando?
— Não, isso não.
— E você tem vontade de seguir carreira no meio artístico? Acho que, com o seu talento, você se tornaria uma nova estrela rapidinho. — Ao dizer isso, a própria An Menglan achou a situação esquisita.
Antes, sempre que fazia esse tipo de ligação, a pessoa do outro lado logo perguntava se ela queria contratá-la ou coisa parecida. Ela nem precisava fazer tanta pergunta.
— Por enquanto, não tenho esse plano — recusou Wu Chen, sem rodeios.
Silêncio do outro lado.
An Menglan ficou sem saber o que dizer. Também era a primeira vez: tinha levado um não!
— Senhor Wu, você é mesmo muito talentoso. Aposto muito no seu dom pra música. — An Menglan voltou a elogiá-lo primeiro e então continuou: — Vamos fazer assim, senhor Wu: você tem tempo nos próximos dias? Está em Donghai, não está?
— Tempo… tenho. Tô em Donghai — disse Wu Chen.
— Vou a Donghai nesses próximos dois dias. Quando estiver aí, posso te convidar pra um encontro? — An Menglan fez o convite formalmente. Depois de uma pausa, acrescentou: — A senhorita Song também vai estar. A gente pode se encontrar e conversar. O que acha?
Wu Chen ficou um instante em silêncio, como se pensasse.
— Senhor Wu, mesmo que você não tenha vontade de estrear, acho que talvez a gente possa colaborar de outras formas, não acha? Conversar pessoalmente é sempre bom, e não vou tomar muito do seu tempo — disse An Menglan.
Ela queria mesmo conhecer Wu Chen. Alguém capaz de escrever, em poucos dias, duas músicas que estouraram, e estouraram daquele jeito: An Menglan nunca tinha ouvido falar de ninguém assim.
Além de “gênio da música”, não conseguia pensar em outra expressão para definir Wu Chen.
Por um gênio musical tão talentoso, An Menglan achava que valia a pena até fazer pessoalmente a viagem para conversar sobre contrato ou colaboração!
E, quando encontrasse Wu Chen, a primeira coisa seria, claro, tentar convencê-lo a estrear. Se não desse mesmo, falariam de colaboração. Mesmo que fosse só contratá-lo como compositor e letrista, já seria ótimo!
— Então… tá bom — concordou Wu Chen, “a contragosto”.
— Combinado, então. Na hora a gente se fala por telefone — disse An Menglan, com uma pontinha de alegria na voz.
— Certo.
— Então não vou incomodar mais. Tchau.
— Tchau.
Fim da ligação.
Depois de desligar, Wu Chen ficou com o celular na mão, pensando um pouco, com o sorriso habitual no rosto.
Durante toda a ligação, a voz de An Menglan se mantivera suave e magnética. Não houvera nenhuma pose de grande empresária ou de superestrela, o que tinha muito a ver com a origem e a educação dela.
A rigor, An Menglan era da quarta geração de uma família rica! A educação que recebera dispensava comentários, e a aura de superestrela não a deixava nem um pouco deslumbrada. Comparado à origem da família, o status de superestrela era, por assim dizer, só um “bônus”!
Tinha entrado para a música, no começo, só para realizar o próprio sonho musical.
E, pode-se dizer, já o tinha realizado!
Mas o amor pela música não mudara. A paixão continuava acesa. Por isso… qualquer jovem com talento musical ganhava a atenção dela!
Wu Chen conhecia An Menglan muito bem!
Embora fosse de Hong Kong, An Menglan morava a maior parte do tempo em Modu.
E, de Donghai a Modu, eram só duas horas de trem de alta velocidade. Nos mil anos de ciclos, Wu Chen tivera muitíssimos contatos com An Menglan… dava para dizer que a conhecia por dentro e por fora!
Sentado no sofá, depois de desligar, Wu Chen pensou um pouco em tudo o que já tinha acontecido entre os dois.
— Irmão — chamou Tang Xinbao. Quando Wu Chen olhou, perguntou: — Aconteceu alguma coisa?
— Não. — Wu Chen sorriu e perguntou: — Quando seu Segundo Tio ligou, falou que horas vem?
— Falou. Disse que talvez venha ao meio-dia — respondeu Tang Xinbao.
Os dois voltaram a conversar.
Ao mesmo tempo.
Primeiro Hospital Afiliado à Universidade de Donghai, enfermaria VIP do terceiro andar.
De roupa de hospital, Ding Ruilong estava recostado na cabeceira, com a mão direita enfaixada. À direita da cama, junto à parede, Sun Yongzhang e Tang Jingbin estavam sentados em poltronas, separados por uma mesinha de chá. Os três conversavam.
Sun Yongzhang tinha ido ao hospital na noite anterior; depois, dormira num hotel ali perto e voltara bem cedo para visitar Ding Ruilong.
Tang Jingbin acabara de chegar.
Não tinha muita intimidade com Ding Ruilong, mas estivera no jantar e na bebedeira da noite anterior, e fora depois disso, quando Ding Ruilong voltou ao hotel, que tudo aconteceu.
Com a posição de Ding Ruilong, valia a pena Tang Jingbin aparecer para uma visita.
— …Isso não vai deixar sequela, vai? O que o médico disse? — perguntou Tang Jingbin, olhando para Ding Ruilong e depois para Sun Yongzhang.
— Ainda não dá pra saber — respondeu Sun Yongzhang. — O médico disse que depende da recuperação. Os dedos foram todos salvos. Se a recuperação for muito boa, talvez nem afete o movimento dos dedos. Mas mexeu com músculo, tendão e osso, então cicatriz é inevitável… Ai! — E suspirou.
Tang Jingbin entendeu. Muito provavelmente ia ficar alguma sequela. Talvez não algo muito grave, mas, no futuro, Ding Ruilong devia ter dificuldade para mexer os dedos. Se conseguiria fechar a mão, nem dava para saber.
E era a mão direita, a dominante. Com certeza ia afetar a vida dele dali para a frente.
— O importante é que não foi nada pior — disse Tang Jingbin, olhando para Ding Ruilong. — Pra um homem, umas cicatrizes na mão não são grande coisa.
Estava tentando consolá-lo.
Ding Ruilong, recostado, estava com uma cara péssima, abatidíssimo. Ao ouvir aquilo, olhou para Tang Jingbin e, por consideração à posição dele, ainda forçou um leve sorriso.
— O Segundo Mestre Tang tem razão. No fundo não é nada demais. A mão continua aqui…
Aquilo soava meio como consolo a si mesmo.
Trim-trim…
Um celular tocou de repente. Era o de Ding Ruilong.
Ele virou a cabeça, estendeu a mão esquerda, pegou o aparelho e olhou. Franziu levemente a testa. Era Li Ruotai. Ding Ruilong imaginou que, muito provavelmente, Li Ruotai estava ligando para zombar dele.
Hesitou alguns segundos, mas atendeu.
— Alô? — A voz saiu fria.
— Vai tomar no cu, Ding Ruilong! Seu filho da puta, você teve coragem de me apunhalar pelas costas! Por que essa porra não explodiu e te matou?! Vai se foder! Me espera! Isso não vai ficar assim! — Li Ruotai já começou despejando uma enxurrada de palavrões.
Ding Ruilong ficou tão atordoado com os xingamentos que a raiva subiu na hora!
