Capítulo 330 — Genial! Genial!
por NexoNovelCapítulo 330 — Genial! Genial!
Não havia nada de surpreendente em Li Maoren saber do incêndio. Até os internautas já sabiam que o Clube Huangguan de Donghai tinha pegado fogo na noite anterior; a notícia estava em toda parte.
Wu Chen, porém, entendeu que, embora Li Maoren tivesse ligado de repente para perguntar do “incêndio no clube”, não era bem disso que queria saber. Queria saber da história de “Ding Ruilong ter mandado incendiar o clube”!
E, pelas deduções de Wu Chen, Li Maoren devia ter acabado de ficar sabendo. Alguém tinha ligado para ele!
Pelo visto, Li Ruotai já tinha começado o escândalo!
Wu Chen conseguia deduzir até quem tinha ligado: Sun Yongzhang, claro!
Não podia ter sido Li Ruotai. Se fosse, Li Maoren nem precisaria perguntar; o próprio Li Ruotai lhe contaria os bastidores.
Li Maoren sabia que o filho pretendia queimar o clube, só não sabia quando ele ia fazer isso.
Por isso, ver o clube pegar fogo de repente, o incêndio acabar sendo tratado como incêndio criminoso e a culpa ainda cair nas costas de Ding Ruilong, fazia Li Maoren perceber naturalmente que havia uma “conspiração” por trás!
E vir perguntar a Wu Chen mostrava que ele desconfiava que o “mentor por trás de tudo” era Wu Chen!
O incêndio com certeza exigia a colaboração de Li Ruotai, então os dois deviam ter agido juntos. Já jogar a culpa em Ding Ruilong devia ser obra de Wu Chen!
Não que Li Maoren desprezasse o próprio filho. É que ele… realmente não achava que Li Ruotai tivesse capacidade para montar um plano tão grande e minucioso!
Seria facílimo dar tudo errado!
Além disso, a história toda tinha muitos pontos quase inacreditáveis. E, justamente por serem tão extraordinários, Li Maoren pensou em Wu Chen sem nem precisar se esforçar!
Wu Chen se levantou da mesa e saiu da sala de jantar.
— Tio, você ficou sabendo? — perguntou, já subindo a escada.
— E tinha como eu não saber? — O tom de Li Maoren não estava bom. — Uma coisa desse tamanho… foi você que armou, não foi? — Dessa vez, perguntou sem rodeios.
— Fui eu — respondeu Wu Chen, admitindo com toda a tranquilidade. Contasse ou não, Li Ruotai acabaria contando; não havia por que esconder.
— Jovem Wu… por que você não me avisou antes? Dessa vez você foi longe demais — disse Li Maoren, num tom de queixa.
Era por isso que estava de mau humor. Estava mesmo ressentido. Agora que tinham jogado a culpa direto em Ding Ruilong, a família Li teria de levar o teatro até o fim: pressionar pesado a família Ding, exigir explicação e indenização.
Se a família Ding descobrisse a verdade, todos os planos iriam por água abaixo!
— Tio. — Wu Chen já tinha entrado no escritório. — Se eu tivesse te contado antes, você… não teria concordado, teria?
Li Maoren ficou em silêncio por um instante. Era o mesmo que confirmar.
Claro que não teria concordado com um plano tão arriscado. Ele preferia segurança; antes de pôr o grande plano em marcha, o ideal era não provocar a família Ding. Quanto mais estável, melhor!
Wu Chen queria se vingar de Ding Ruilong. Li Maoren, por sua vez, não tinha rixa nenhuma com ele.
— Não vai dar nenhum problema, vai? — perguntou Li Maoren, depois de alguns segundos.
— Claro que não! — Wu Chen sorriu.
— Ai! — suspirou Li Maoren. — Jovem Wu, jovem Wu… não é pra te criticar, mas me diz: isso não foi arriscado demais? Se a família Ding perceber alguma coisa errada, tudo o que a gente combinou antes não vai pro brejo?
Não era o tom de um figurão falando com um subordinado. Era o tom de um mais velho… quase implorando para ser ouvido!
Ele também não tinha como controlar Wu Chen. Só lhe restava reclamar depois do fato consumado.
— Tio, se eu tive coragem de fazer, é porque não vou errar — disse Wu Chen, parado na varanda do escritório, olhando para fora, com o celular no ouvido.
— Tá, você é o bom, o capaz… — Li Maoren já estava meio sem paciência. Os dois vinham se falando e conversando tanto que o tratamento tinha ficado bem mais informal; Li Maoren já não fazia tanta pose.
— E… — Li Maoren mudou de assunto. — A pistola do Ding Ruilong explodindo… foi você que…
— Deve ter sido acidente, né? Ha. — Wu Chen disse “acidente”, mas terminou com uma risadinha.
Aquela risada fez Li Maoren entender: Wu Chen estava admitindo. Aquilo também tinha sido obra dele!
Também não havia por que esconder de Li Maoren. Ele sabia que Ding Ruilong chegara a Donghai em segredo um dia antes, e Wu Chen ainda lhe passara os dados que tinha roubado. Li Maoren chegaria lá sozinho; negar não fazia sentido.
— Você… ferrou ele duas vezes num dia só. Ficou satisfeito? — perguntou Li Maoren.
— Até que fiquei — respondeu Wu Chen, sorrindo.
Li Maoren não fez muitas perguntas sobre a pistola, porque, em comparação, aquilo era “simples”. Desde que ninguém descobrisse que a arma tinha sido adulterada, não havia muito mais o que investigar por outros caminhos.
Incriminar Ding Ruilong era diferente: complexo, envolvia mais gente e deixava muito espaço para investigação, por isso era mais fácil surgir alguma falha.
Li Maoren e Wu Chen trocaram mais algumas palavras e voltaram ao assunto do incêndio.
Li Maoren fez algumas perguntas.
Wu Chen contou por alto.
Alguns minutos depois, Li Maoren, de excelente humor, desatou a elogiá-lo.
— Genial! Genial mesmo! Pelo visto me preocupei à toa! Hahahaha! Jovem Wu, você é bom mesmo! — Li Maoren caiu na gargalhada.
A mudança de atitude vinha do que Wu Chen lhe contara, o ponto mais importante: a investigação acabaria chegando em Jiang Chuan, e Jiang Chuan estava naquele momento em Donghai, nas mãos de Wu Chen.
Ou seja, por mais que a família Ding investigasse, a pista morreria num dos próprios homens dela.
Além disso… Li Maoren sabia muito bem o valor de Jiang Chuan!
Aquele sujeito não tinha servido só a Ding Ruilong. Antes, tinha servido ao pai de Ding Ruilong!
…
Ao mesmo tempo.
Primeiro Hospital Afiliado à Universidade de Donghai, enfermaria VIP do terceiro andar.
Já fazia quase uma hora e meia desde que Ding Ruilong mandara investigar. Nesse tempo, além de esperar a ligação, ele não ficara parado.
Chamou à enfermaria, um por um, todos os seus guarda-costas e fez perguntas a cada um, sempre sobre Jiang Hongguang.
Os mais chegados a Jiang Hongguang foram interrogados com atenção especial.
Pelos relatos, Jiang Hongguang não vinha mostrando nada de muito anormal nos últimos tempos. Tudo o que tinha de estranho acontecera no dia anterior.
— …Você acabou de ouvir. Ontem à tarde, nas duas vezes em que saiu, o Jiang Hongguang olhou uma mensagem antes. Recebeu alguma coisa; deve ter alguém dando ordens pra ele. Na primeira vez eu estava jogando cartas com você; na segunda, jantando com você. Não fui eu que mandei essas mensagens… — disse Ding Ruilong a Li Ruotai, sem expressão.
— É assim que você pretende se livrar da suspeita? O Jiang Hongguang é seu homem. Bastava você combinar tudo antes. Quem avisa ele na hora… pode ser qualquer um — respondeu Li Ruotai, sentado numa cadeira no canto, encarando-o com um sorriso frio.
— Por que você insiste que fui eu? Eu ia usar um método idiota desses? Deixar provas tão óbvias? — Ding Ruilong estreitou os olhos.
— Essa desculpa você já tinha pronta faz tempo, né? Quer que não sobre testemunha pra te desmentir? — rebateu Li Ruotai na hora.
Os dois estavam a ponto de brigar de novo.
Foi então que…
Trim-trim…
O celular de Ding Ruilong tocou.
Ele o pegou e atendeu direto:
— Fala!
— Jovem Mestre, mandei levantarem tudo. As finanças recentes do Jiang Hongguang… têm algum problema, mas o valor é pequeno, só umas dezenas de milhares… não se sabe de onde veio esse dinheiro. Nas ligações, parece que não tem nada demais. Daqui a pouco mando a lista pro seu celular. Só que… — disse uma voz de homem de meia-idade.
— Só que o quê? — perguntou Ding Ruilong.
— É que… ontem, pouco depois das quatro e pouco depois das seis da tarde, o Jiang Hongguang teve duas ligações. Esse número só falou com ele nessas duas vezes; antes disso, não havia contato nenhum.
O homem continuou:
— Aí mandei investigarem esse número. Tem coisa errada. É um número clandestino, não dá pra descobrir quem é o usuário de verdade. E, desde a ativação do chip até hoje, só teve três ligações. As duas últimas foram ontem. A primeira foi uns dias atrás…
Nesse ponto, a voz do homem hesitou.
— O que foi? — perguntou Ding Ruilong, percebendo a mudança no tom.
— É que… a única ligação desse número antes de ontem foi pro Mestre Chuan. Quer dizer… pro Jiang Chuan! Pro número que o Jiang Chuan costumava usar.
Ding Ruilong travou. Os olhos se arregalaram. Só depois de um instante perguntou, incrédulo:
— Jiang Chuan?!!
