Capítulo 289 — Irmão, pode me ensinar a lutar?
por NexoNovelCapítulo 289 — Irmão, pode me ensinar a lutar?
Wu Chen e Li Ruobing acordaram juntos outra vez. Wu Chen estendeu a mão e pegou o celular.
Na tela: Gu Ruibo.
Li Ruobing olhou para a tela e depois para Wu Chen. Claro que sabia quem era Gu Ruibo. Wu Chen já tinha contado a ela que fora a Modu fazer a ponte entre Gu Ruibo e Wu Yurong, para que os dois unissem forças e cercassem os ativos periféricos da família Ding.
Então, se Gu Ruibo ligava de repente àquela hora, era porque…
Wu Chen atendeu.
— Alô, chefe Gu.
— Senhor Wu, não atrapalhei seu descanso, né? — foi logo dizendo Gu Ruibo.
Na verdade, a pergunta era bem estranha. Já passava das nove da manhã, e Gu Ruibo falava em atrapalhar o descanso. Isso mostrava que ele sabia que Wu Chen tinha ido dormir muito tarde e talvez ainda estivesse dormindo.
Portanto… era evidente que Li Ruotai tinha ligado para ele.
Gu Ruibo era praticamente o dono do pedaço em Modu. No círculo, todo mundo conhecia o “Irmão Gu” de Modu, e Li Ruotai tinha uma amizade pessoal excelente com ele.
Por isso, era perfeitamente razoável que Li Ruotai o pusesse a par do caso da família Tang e de Tang Xinbao, pedindo que ajudasse a apaziguar as coisas ou que sondasse a reação dentro da família Tang.
— Não, eu já ia levantar — respondeu Wu Chen, sorrindo. E acrescentou: — O Atai te ligou?
— Senhor Wu, você… — Gu Ruibo ficou meio surpreso. Fez uma pausa e perguntou, rindo: — O Atai te contou?
— Não. Eu adivinhei — riu Wu Chen.
— Senhor Wu, você é mesmo… — Gu Ruibo falou no tom de quem não sabia o que dizer.
Na verdade, não havia nada de absurdo em Wu Chen ter adivinhado.
Mas a impressão que Gu Ruibo tinha dele carregava um quê de místico, sempre associada à ideia de “saber das coisas antes que acontecessem”. Por isso, sem perceber, ele pensava nessa direção e achava Wu Chen impressionante demais.
— O Atai me contou tudo. Senhor Wu, você salvou o Tang Xinbao ontem, foi isso? E aí… quem bateu nele era gente do Atai? — perguntou Gu Ruibo.
— Mais ou menos isso — respondeu Wu Chen, sorrindo. — Mas também não dá pra dizer que era gente do Atai. Se ele não quiser proteger ninguém, consegue se desvincular.
— Isso é verdade, mas o Atai passou tantos anos construindo as coisas em Donghai. Se isso… ai! — Gu Ruibo não terminou e soltou um suspiro.
Wu Chen entendeu o que ele quis dizer.
Na verdade, Wu Chen também só tinha falado por falar.
De fato, bastava Li Ruotai não querer proteger ninguém para sair limpo da história; no máximo, a responsabilidade iria até Zhao Guaizi. Mas, se Li Ruotai não protegesse ninguém e ficasse só assistindo Zhao Guaizi ir para a cadeia, as consequências não se limitariam a arranhar a imagem do Jovem Mestre Li de Donghai!
O mais importante: a reputação, a posição e o poder de influência que ele conquistara em Donghai ao longo daqueles anos seriam afetados.
Isso abalaria as bases que Li Ruotai construíra na cidade.
Além disso, alguém podia usar o caso como pretexto. A história com certeza se espalharia, as grandes famílias ficariam sabendo, e a família Wei, que já vinha agindo contra Li Ruotai, não ia ficar parada.
E, como no fim Tang Xinbao não tinha sofrido nada grave, as consequências podiam ser grandes ou pequenas!
Tudo dependia de como o caso fosse conduzido!
— Disso eu cuido. Não vai ter problema — disse Wu Chen ao telefone.
— Senhor Wu, se você está dizendo, então com certeza não vai ter problema — respondeu Gu Ruibo na hora, rindo. E comentou: — O Atai tem muita sorte de ter um cunhado como você…
Em tudo o que dizia, Gu Ruibo deixava claro que estava bajulando Wu Chen.
E não só por causa da impressão que tinha dele.
Wu Chen também era o seu “deus da fortuna”.
— Na verdade, esse assunto nem é tão complicado assim — riu Wu Chen.
— Então, senhor Wu, o que acha, posso ajudar em alguma coisa? Que tal… eu ir pra Donghai? — sugeriu Gu Ruibo, pensativo.
— Se tiver tempo, vir dar mais peso ao lado do Atai seria bom — disse Wu Chen, sorrindo. — Se não tiver, deixa pra lá. Também não precisa preparar nada especial. Os detalhes você acerta direto com o Atai.
— Fechado. Então vou ver minha agenda… — disse Gu Ruibo.
Conversaram mais um pouco e desligaram.
Uma conversa curta.
E não trataram de nada concreto. Dava para dizer que tinha sido só conversa fiada.
Mas, na prática, estavam se alinhando. Se depois houvesse necessidade, Wu Chen poderia chamar Gu Ruibo para resolver as coisas. E a ligação de Gu Ruibo também tinha a intenção de manter mais contato e estreitar a relação.
Wu Chen pôs o celular de volta no lugar. Ao virar o rosto, viu de novo Li Ruobing olhando para ele de um jeito estranho.
Ela o encarava fixamente, sem piscar.
— O que foi? — perguntou Wu Chen, sorrindo.
Li Ruobing continuou encarando e não respondeu.
Na verdade, ela só tinha percebido a atitude de Gu Ruibo para com Wu Chen. Era uma bajulação daquelas: quem não soubesse de nada acharia que ele estava falando com alguém ainda mais poderoso que a própria família Gu.
Li Ruobing estava com uma sensação muito peculiar.
Sabia o quanto Wu Chen era foda e assustador. Entendia que, fosse quem fosse, bastava conviver um pouco mais com ele para mudar sua percepção e sua atitude em relação a ele.
Mas entender era uma coisa; sentir na pele era outra.
E, naquele dia, Li Ruobing já tinha sentido isso duas vezes.
Aquela sensação de: “Como é que o meu homem pode ser tão foda assim?”
— Nasceu alguma flor na minha cara? — perguntou Wu Chen de novo, sorrindo, ao ver que ela não dizia nada.
Li Ruobing levou um instante para reagir. O canto dos lábios se curvou de leve, e ela piscou:
— Nada, não.
Dito isso, esticou-se e deu um beijo na bochecha dele. Depois o abraçou e, aconchegada nele, um tiquinho dengosa, perguntou:
— Vai dormir mais?
— Você ainda tá com sono? — devolveu Wu Chen.
— Não.
— Então vamos levantar. — Wu Chen beijou a testa dela.
Levantaram.
Foram ao banheiro se lavar e se arrumar com calma. Como Li Ruobing precisava se maquiar, Wu Chen terminou de se vestir e saiu primeiro do quarto, descendo as escadas.
Eram dez da manhã, e não havia ninguém na sala do térreo.
Wu Chen sentou-se no sofá, ligou a televisão e ficou vendo o noticiário.
Uns dez e poucos minutos depois.
Ding! A porta do elevador ao lado da escada do térreo se abriu de repente. Vinha do subsolo. Zhuang Xiaodie, de vestido azul, saiu carregando duas sacolas grandes.
Tinha ido ao mercado e acabara de voltar.
Wu Chen virou a cabeça, levantou-se e foi até ela. Pegou as sacolas das mãos dela e perguntou, sorrindo:
— Que horas você levantou?
— Às nove — respondeu Zhuang Xiaodie, com um sorrisinho doce, de lábios comprimidos.
— Tão cedo? Dormiu o suficiente? — perguntou Wu Chen.
— Mais ou menos. Não tô com sono — disse ela.
Foram conversando enquanto andavam. Depois de umas frases à toa, entraram juntos na cozinha. Wu Chen deixou as sacolas, e Zhuang Xiaodie vestiu o avental e começou a preparar a comida.
Depois de largar as coisas, Wu Chen ficou olhando para ela.
Zhuang Xiaodie não percebeu.
Wu Chen ficou olhando por um bom tempo, até que enfim disse:
— Sabe, você não precisa fazer isso.
— Hum? — Zhuang Xiaodie, que tinha acabado de tirar um osso grande da sacola, virou-se para ele. — O quê, senhor Wu?
— Eu disse que você não precisa fazer isso. — Wu Chen sorriu para ela. — Você não é empregada.
— N-não tem problema. Eu… nem tenho nada pra fazer mesmo. — A expressão dela ficou um pouco sem jeito.
— Você, viu… — Wu Chen suspirou com um sorriso e não continuou.
Ele entendia: Zhuang Xiaodie queria mostrar serviço. Por isso, mesmo sem ter dormido o bastante, tinha ido às compras e, ao voltar, começara na hora a fazer o almoço para todos… Aquilo vinha do sentimento de inferioridade que carregava.
Não se sentia à altura de nenhuma delas, fosse Li Ruobing, Wu Yurong, Su Qingying ou Mu Qianqian.
Sentia muita pressão.
Um estado de espírito assim, evidentemente, não mudava só com palavras. Wu Chen sabia que, dissesse o que dissesse, não adiantaria muito.
Mas também não era preciso se preocupar tanto.
Quando ela virasse uma grande estrela, com dinheiro suficiente e uma posição social alta o bastante, provavelmente melhoraria.
Tac, tac… Passos soaram do lado de fora da cozinha.
Alguém estava descendo.
— Pode ir fazendo. Daqui a pouco a Ruobing desce — disse Wu Chen, com um gesto, e saiu da cozinha.
Na sala do térreo.
Quem tinha descido era Tang Xinbao. O rosto continuava inchado e roxo, cheio de escoriações, mas os ferimentos não o impediam de se mexer.
— Bom dia, irmão! — cumprimentou Tang Xinbao, todo animado, ao chegar perto do sofá e ver Wu Chen saindo da cozinha.
— Bom dia — riu Wu Chen. Enquanto ia para o sofá, perguntou: — Tá tonto?
— Nada. Tô ótimo. — Tang Xinbao ainda fez um gesto para mostrar como estava forte.
Os dois se sentaram. Mal tinham trocado umas palavras quando Tang Xinbao se levantou de repente.
— Irmão, você me ensina a lutar? Posso virar seu discípulo? — perguntou ele, com os olhos ardendo de expectativa.
