Capítulo 279 — Irmão, você me conhece?
por NexoNovelCapítulo 279 — Irmão, você me conhece?
Enquanto Wu Chen caminhava de volta para a saída do beco, He Ming, de cabelo tingido de branco, ajoelhado junto à parede, e o jovem punk, também ajoelhado ali, sacaram os celulares.
Wu Chen tinha mandado ligar. Naturalmente, estavam loucos para fazer isso!
He Ming ia ligar para o chefe, Yu Hailiang.
O jovem punk ia ligar para o pai.
A notícia logo chegaria a Zhao Guaizi, e então Li Ruotai ficaria sabendo. Zhao Guaizi jamais ousaria esconder algo tão grave. Pelo contrário, provavelmente correria para ligar para Li Ruotai antes que Wu Chen o fizesse, para se explicar primeiro.
Admitir o erro por conta própria era muito melhor do que esperar Li Ruotai vir cobrar depois!
Wu Chen voltou uns dez e poucos metros.
Não pretendia ir embora. Se o problema fosse só dele, teria simplesmente saído. Não precisaria se preocupar com o desenrolar. No dia seguinte, alguém inevitavelmente bateria à sua porta para pedir desculpas e oferecer reparação. Talvez, para aplacar a “fúria” de Wu Chen, alguém até fosse tirado de cena em segredo.
Na realidade, porém, Wu Chen não sentia “fúria” nenhuma.
Ele já tinha estropiado um bando inteiro, quebrando braços e pernas. Além disso, fora ele mesmo quem procurara aquela briga de propósito. E, no fim das contas, toda aquela gente podia ser considerada gente de Li Ruotai.
Agora Li Ruotai obedecia bastante a Wu Chen e até tinha um certo medo dele. Bastava uma palavra de Wu Chen para Li Ruotai mobilizar na hora o pessoal do submundo para resolver qualquer coisa.
Portanto… mesmo do ponto de vista de Wu Chen, aqueles sujeitos todos eram “gente da casa”.
Era como diz o ditado: a enchente invadiu o templo do Rei Dragão. Gente do mesmo lado se atacando sem se reconhecer!
E todo o desenrolar daquilo era algo que Wu Chen já sabia de antemão, ou melhor, tinha previsto havia muito tempo. Ele já “sabia” o que ia acontecer, e tudo seguia exatamente como ele imaginara. Por isso… por dentro, não sentia a menor agitação!
Aliás, Wu Chen não tinha o hábito de “se meter onde não era chamado”.
Ao longo dos mil anos de ciclos, houve uma época em que ele gostava de intervir. Depois, entendeu.
Não precisava.
Em qualquer grande cidade populosa do mundo, todos os dias aconteciam incontáveis coisas envolvendo vidas, crimes e prejuízos enormes.
Coisas demais!
Ia se meter em todas?
Wu Chen achava que não! Não daria conta, nem teria braços para tanto!
Ele não queria ser herói urbano nenhum. Considerava-se uma pessoa comum, de desejos comuns. Achava que, já que se está vivo… o melhor era tornar a própria vida um pouco mais leve, um pouco mais feliz!
Sem ficar remoendo obsessões, sem viver cansado demais!
Por isso… embora já tivesse reiniciado aquele 20 de julho e, só de assistir ao noticiário da noite, soubesse onde tinha havido um acidente de trânsito durante o dia, onde um acidente de trabalho matara alguém, ele não se metera em nada disso. Não tinha ânimo para tanto.
Só interveio no que acontecia ali, naquele beco.
Unicamente porque “conhecia” o jovem de cabelo curto e a garota de vestido preto que estavam sendo perseguidos e espancados!
Ele tinha previsto as consequências de não se meter e também calculado o tamanho do benefício que poderia tirar se interviesse!
Wu Chen chegou até o jovem de cabelo curto e a garota de vestido preto.
O rapaz continuava sentado junto à parede, com a namorada ao lado. Ainda parecia meio aéreo e acompanhava Wu Chen com os olhos fixos, sem conseguir se recompor.
O que o deixava “aéreo” não era só a habilidade absurda de Wu Chen na briga, mas também… a reviravolta inacreditável da situação.
No meio da pancadaria, os adversários pareceram reconhecer Wu Chen, chamaram-no de “senhor Wu”, ajoelharam-se e começaram a implorar perdão.
Até os filhinhos de papai que tinham chamado aquela gente, e que no bar se mostravam tão arrogantes, estavam agora ajoelhados junto à parede.
O jovem de cabelo curto já tinha entendido.
Aquele homem de terno, que parecia ter mais ou menos a idade dele, não era apenas um “mestre incomparável”. Era também uma grande figura de Donghai!
— Consegue ficar de pé? — perguntou Wu Chen, olhando para ele com o sorriso de sempre.
O rapaz ergueu a cabeça e ficou olhando para ele, meio aéreo. Levou um instante para reagir. Então se mexeu de repente, apoiando uma das mãos na parede atrás de si para tentar se levantar.
A garota de vestido preto segurou o outro braço dele para ajudar.
Wu Chen estendeu a mão.
O rapaz tirou da parede a mão em que se apoiava… Wu Chen o puxou e o pôs de pé. Ele já tinha descansado um pouco. Mesmo com o corpo inteiro doendo e o rosto todo inchado e roxo, conseguia, com esforço, ficar em pé.
— Irmão, ob-obrigado! Foi graças a você. Se não fosse você, eu… Irmão, eu vou te retribuir, pode ter certeza! Obrigado! — O rapaz começou a agradecer, cada vez mais emocionado.
Antes, a situação tinha parecido perigosa demais, coisa de vida ou morte!
Pelo menos era o que ele sentia. Na realidade… Wu Chen sabia que, mesmo sem a intervenção dele, ninguém morreria. O jovem de cabelo curto seria espancado até ir parar no hospital gravemente ferido, mas não morreria.
— Irmão, obrigada — agradeceu também a garota de vestido preto, que o amparava.
Os dois eram extremamente educados e estavam muito emocionados.
Era natural tratarem assim quem consideravam seu “salvador”.
— Como vocês arrumaram essa encrenca? — perguntou Wu Chen, indicando o beco com um gesto da cabeça.
— Foi… foi antes, lá no bar… — começou o rapaz.
Diante de quem tinha salvado a vida dele, não tinha nada a esconder. Parecia até querer que Wu Chen julgasse quem tinha razão, porque já sabia que ele era uma grande figura de Donghai e tinha poder para dar um jeito naquela gente.
A história não era complicada.
E Wu Chen também perguntava algo que já sabia. Conhecia o motivo de tudo desde o “20 de julho” anterior.
O casal tinha vindo de carro passear em Donghai. Sobretudo por causa do rapaz de cabelo curto: ele era fanático por carros e tinha ouvido falar que os pilotos de racha de Donghai eram muito bons. Por isso, trouxera seu GTR modificado até a cidade.
Queria conhecer os pilotos de racha locais e medir forças com eles.
Os dois tinham chegado a Donghai naquele mesmo dia. Ainda nem tinham acionado contatos para marcar uma corrida. Antes, foram a um bar à noite, para sentir a vida noturna de Donghai.
Foi lá que deram de cara com o grupo do jovem punk. As mesas reservadas ficavam lado a lado. Conversando com a namorada, o rapaz de cabelo curto se gabou de como seu carro modificado era potente e contou a ela alguns boatos sobre os pilotos de racha de Donghai.
O jovem punk era justamente um dos membros centrais desse grupo.
Ao ouvir a conversa, ele se meteu. Os dois começaram a discutir sobre modificações e sobre quem era melhor, nenhum querendo ceder. O jovem punk então lançou o desafio: que saíssem imediatamente para ver qual carro era mais rápido, e quem amarelasse era um cachorro!
O rapaz de cabelo curto respondeu que tinha bebido e que só dava para ser no dia seguinte.
O jovem punk começou a zombar dele.
Depois, os dois lados passaram aos xingamentos, bateram na mesa e se levantaram para bater boca cara a cara.
O rapaz de cabelo curto também não se intimidou com a vantagem numérica do outro lado. Tinha treinamento e não tinha medo de briga! Mesmo assim, ninguém chegou às vias de fato dentro do bar. Os dois lados foram contidos.
A garota de vestido preto acalmou o namorado.
Do lado do jovem punk, os amigos também o puxaram e o aconselharam em voz baixa, porque aquele era um estabelecimento de Zhao Guaizi. O próprio jovem punk não tinha coragem de brigar ali dentro, já que isso pegaria muito mal para o bar.
Assim, lá dentro só houve bate-boca, sem briga.
Quando o rapaz de cabelo curto e a garota de vestido preto terminaram de beber e saíram, o jovem punk chamou gente para cercá-los… Foi isso que aconteceu.
Uma discussão das mais comuns que acabou virando violência!
Aos olhos de Wu Chen, o lado do jovem punk estava claramente errado. Se a briga era para saber quem era melhor, bastava fazer uma corrida e pronto!
Chamar um bando de arruaceiros para encurralar o outro, destruir o carro dele e espancá-lo… aquilo só podia ser chamado de covardia de quem se escora no poder para pisar nos outros.
Wu Chen tinha seu próprio julgamento, mas não o expressou.
O rapaz de cabelo curto contou tudo em detalhes, porque achava que estava com a razão. Aquele GTR modificado, em que tinha gastado vários milhões, era a menina dos olhos dele, e tinha sido destruído! Só de falar, já se exaltava.
Levou uns oito ou nove minutos, falando e gesticulando, até terminar. Wu Chen ouviu tudo sem fazer nenhum comentário. Apenas disse:
— Eu vou resolver isso.
— Irmão, preciso te agradecer de novo, de verdade. Se não fosse você, eu e a Qiqi hoje nem sei o que teria acontecido com a gente… — O rapaz voltou a agradecer, muito emocionado.
Wu Chen sorriu. Virou a cabeça, olhou mais uma vez para o fundo do beco, para os ajoelhados, os caídos e os que seguravam o braço sem ousar dar um pio, e depois voltou a sorrir para o rapaz.
— Não vai ligar pro seu segundo tio?
— Ah, é, eu tenho que…
Com o lembrete, o rapaz pegou o celular e descobriu que a tela estava quebrada.
Ia se virar para pedir o celular da namorada, mas parou de repente. Então ergueu a cabeça bruscamente e olhou para Wu Chen.
— Irmão, você… me conhece?
