Capítulo 374 — Tirano do estúdio
por NexoNovelCapítulo 374 — Tirano do estúdio
Na verdade, Peng Wei nem tinha decidido qual seria o próximo passo. Tinha muitas ideias, e a principal era que devia procurar Li Ruobing! Mostrar a ela as fotos de Wu Chen com An Menglan!
Pouco mais de vinte minutos depois.
Peng Wei desceu.
Naqueles vinte e poucos minutos, convocara por telefone cinco membros centrais da equipe. Quem estava com trabalho em andamento recebeu ordem de largar tudo por ora!
Ponto de encontro: estacionamento subterrâneo!
Três carros, seis pessoas!
Partida!
Direto para Donghai!
…
Ao mesmo tempo, em Donghai, distrito de Zhongcheng, Residencial Tianheng.
Era ali que Song Xuan morava, na villa nº 31.
No subsolo, o estúdio de gravação.
Um vão enorme, dividido em várias partes. A sala interna era uma cabine de vidro, de isolamento acústico total. Do lado de fora, de frente para o vidro, ficava a mesa de controle, com mesas de mixagem, computadores e todo tipo de equipamento.
Uma da tarde.
Dentro da cabine, An Menglan cantava de olhos fechados diante do microfone. Do lado de fora, silêncio. Wu Chen, Song Xuan e Liu Jing estavam todos de fone; só ali dentro se ouviam a música e a voz dela.
Como era só demo, todos os instrumentos do acompanhamento eram simulados pelos equipamentos, mas o resultado não era ruim.
E o sentido de gravar demos era justamente encontrar a sensação, achar os problemas e ajustar! Buscar ao máximo o melhor estilo e o melhor jeito de cantar!
A música terminou.
Wu Chen tirou o fone, pegou uma pilha grossa de papéis e abriu a porta da cabine.
An Menglan desligou o microfone por um momento.
E os dois voltaram a discutir.
Os papéis nas mãos de Wu Chen eram as letras e partituras das sete músicas, sem Qiaoxiang. Essa ainda não tinha data de lançamento, então não havia pressa em trabalhar nela.
Do lado de fora, Song Xuan também tirou o fone. Pelo vidro, viu que Wu Chen e An Menglan pareciam ter entrado em atrito de novo.
O vidro isolava o som; ela não ouvia o que diziam.
Mas, pela linguagem corporal e pelas expressões, dava para perceber que estava rolando uma certa “briga”.
E era briga mesmo!
Por causa de “como cantar”!
An Menglan reconhecia totalmente o talento de Wu Chen para compor! Mas! Compor era uma coisa; cantar, outra!
Não era a mesma coisa!
Quantos produtores musicais de fama mundial tinham uma capacidade criativa enorme e simplesmente não sabiam cantar? Isso não atrapalhava em nada.
An Menglan não achava que Wu Chen pudesse superá-la também no canto! Era a única vantagem que ainda tinha diante dele, falando só de música!
Já estavam ali havia algumas horas.
No começo, Wu Chen só dava sugestões sobre a interpretação dela. Algumas ela aceitava com humildade; outras, discutia. O clima estava ótimo!
Mas, aos poucos, a coisa desandou!
An Menglan descobriu que Wu Chen tinha, na música, um lado extremamente convencido e teimoso! E o jeito dele de mostrar isso era simplíssimo: todo mundo tinha de fazer do jeito dele!
Ela tinha de cantar exatamente como Wu Chen mandava! Estilo, impostação, quando alternar entre voz de peito e falsete, e por aí vai!
Wu Chen era um “tirano do estúdio”!
Aquilo deixava An Menglan muito incomodada.
Ela também tinha a sua compreensão da música! E sabia que estilos combinavam mais com ela. Mas Wu Chen nunca aceitava o que ela considerava um “jeito melhor de cantar”!
Implicava com cada detalhe!
Os dois brigavam em praticamente todas as músicas!
— …Essa parte, essa parte você não pode se empolgar tanto. Eu sei que você é ótima nos agudos, senhorita An, mas… aqui tem que segurar um pouco. Entende o que eu tô dizendo? — disse Wu Chen, cutucando com o dedo o papel na mão.
— Nüwang é uma música que já pede ser suave onde é suave e intensa onde é intensa. Essa parte tá quase entrando no refrão… — rebateu An Menglan, defendendo o ponto dela.
— O interlúdio antes do refrão é que vai puxar a emoção da música. Antes dele, você não precisa fazer nenhum tratamento especial. É um movimento de segurar primeiro pra depois explodir — disse Wu Chen, olhando nos olhos dela.
An Menglan apertou os lábios. Como Wu Chen era o compositor, ela já partia em desvantagem e não conseguia muito bem vencê-lo na discussão.
— Senhor Wu, a música é sua, mas, na interpretação… eu continuo mantendo a minha opinião — disse An Menglan, também olhando nos olhos dele.
Plac!
Wu Chen deu um peteleco nos papéis, num estalo seco.
— Canta do jeito que eu tô falando, tá bom? — disse, firme. — Senhorita An, eu sei que você entende muito de música, mas ninguém entende melhor do que eu as músicas que eu escrevi!
An Menglan apertou os lábios e se calou. O olhar escapou para o lado, com toda a cara de quem estava furiosa.
Em tantos anos de carreira, ninguém nunca tinha ousado falar com ela daquele jeito.
Claro que ela não se importava com a atitude dele. Discutindo música, ser sério e rigoroso não tinha nada de errado! O problema era que aquele convencimento e aquela teimosia de Wu Chen davam uma raiva!
E ela ainda perdia a discussão…
— OK. Vamos fazer assim: canta dos dois jeitos! — disse Wu Chen, olhando para ela. — A gente grava duas versões da demo e depois avalia com calma.
— Tá bom. Sem problema — concordou An Menglan, sem pestanejar.
Wu Chen saiu da cabine e voltou para o outro lado do vidro. Pôs o fone, ajustou os equipamentos e fez sinal para An Menglan de que podia começar.
Ela respondeu com outro sinal: tudo certo.
De novo!
Bzz, bzz…
Uma vibração leve veio de Song Xuan. Com os fones, ninguém ouviu, mas ela sentiu.
Pegou o celular e olhou a tela: Mãe!
Era Wu Yurong.
Song Xuan tirou o fone e saiu rapidinho do estúdio para atender.
Poucos minutos depois, estava de volta.
Não era nada demais. Wu Yurong só tinha ligado para combinar o jantar. Era fim de semana, e nos fins de semana Song Xuan costumava jantar com a mãe.
Mais de meia hora depois.
A porta do estúdio se abriu de repente. Era o guarda-costas A-Li. Liu Jing notou, virou a cabeça, e A-Li lhe fez um aceno.
Mais uns dois minutos e An Menglan terminou de cantar outra vez.
Wu Chen tirou o fone e já ia entrar na cabine.
Foi quando Liu Jing falou:
— Senhor Wu, a comida chegou. Ninguém almoçou ainda. Vamos comer primeiro.
De fato, ninguém tinha almoçado. Pouco antes, Liu Jing pedira a A-Li que encomendasse.
Wu Chen olhou para ela, assentiu e se inclinou para o microfone:
— Vamos comer primeiro.
Estava mesmo na hora. O principal era An Menglan descansar; cantando sem parar, a garganta não ia aguentar.
An Menglan saiu da cabine.
Todos deixaram o estúdio por um tempo e subiram.
Na sala do térreo, a mesa de centro estava coberta de embalagens. Era comida pedida, mas farta. An Menglan costumava comer em alto padrão, e A-Li naturalmente sabia disso.
Todos comeram.
Pouco mais de dez minutos depois.
Ainda não tinham terminado.
A porta da villa se abriu de repente.
Um guarda-costas abriu, e Wu Yurong entrou de qipao, com um xale de seda sobre os ombros! Uma chegada meio inesperada.
— Mãe, o que você tá fazendo aqui? A empresa não tá cheia de trabalho? — Song Xuan se levantou na hora para recebê-la.
— É fim de semana, cheia de quê? — respondeu Wu Yurong, sorrindo com doçura. — Vim ver vocês. A Xuanxuan me disse que a senhorita An tava gravando aqui…
E olhou para An Menglan.
Tinha vindo mesmo só dar uma olhada. Na ligação de antes, Song Xuan comentara o que estavam fazendo em casa. Wu Yurong também não tinha nada de importante naquele dia; estava fazendo hora extra na empresa, mas sair mais cedo, naturalmente, não era problema.
No fundo, ela estava pensando na aposta entre An Menglan e Li Ruobing.
An Menglan e Wu Chen, que precisava fazer o papel do “colega Wu”, também se levantaram para cumprimentá-la.
Trocadas umas frases de cortesia, todos voltaram a se sentar.
— Está se acostumando com Donghai nesses dias, senhorita An?
— É prático gravar aqui? Se não for, posso conseguir para você o melhor estúdio de Donghai…
Desde que chegou, Wu Yurong praticamente só conversou com An Menglan.
Afinal, An Menglan era a convidada. Convidada de honra!
Quanto a Wu Chen… diante da filha, Wu Yurong não podia trocar mais palavras com ele do que o necessário. Tinha medo de que Song Xuan percebesse alguma coisa.
Depois de um tempo de conversa, An Menglan disse de repente:
— Aliás, senhora Wu, que bom que a senhora veio. Queria lhe pedir um favor…
— Hum? O quê? — perguntou Wu Yurong, com uma ponta de surpresa no sorriso doce.
— É o seguinte. Eu e o senhor Wu temos… umas divergências sobre música. — An Menglan olhou para Wu Chen e depois para Wu Yurong. — Tem uma música em que agora a gente tem duas versões. A senhora estudou música, então… se tiver um tempinho, poderia ouvir? Dar o seu parecer e dizer… qual das duas acha melhor?
An Menglan não tinha engolido mesmo, e queria Wu Yurong de juíza!
