Novels chinesas em português
    Índice do Capítulo

    Capítulo 197 — Para que fazer isso?

    Wu Chen interrompeu o movimento de girar a chave, virou-se e olhou escada abaixo, com uma expressão tranquila.

    Não tinha certeza de quem estava subindo. Se fosse Lao Dao… ele não era páreo para Wu Chen e, a uma distância tão curta, também não conseguiria fugir!

    Wu Chen ficou observando.

    Logo, os passos pesados e desordenados se aproximaram. Um homem de meia-idade, grande e corpulento, chegou cambaleando ao patamar entre o quarto e o quinto andar. Vestia roupas comuns, um pouco ensebadas, tinha o cabelo bagunçado e era ligeiramente gordo.

    Estava claramente bêbado. Apoiado no corrimão, subia aos tropeços.

    Wu Chen deixou de olhar, virou-se e abriu a porta com a chave.

    Claro que aquele homem não era Lao Dao. Era apenas um bêbado que alugava um apartamento naquele prédio.

    Wu Chen abriu a porta e entrou no apartamento 501.

    O imóvel não era grande: um apartamento padrão de dois quartos e sala, com sessenta ou setenta metros quadrados, equipado com todo tipo de “mobília doméstica”. Além disso, estava muito limpo e até transmitia uma sensação aconchegante… Alguém fazia a limpeza regularmente, e o próprio “proprietário” chegava a voltar de vez em quando para passar dois dias ali.

    Embora aquele apartamento nunca tivesse sido usado por pessoas enviadas por Ding Ruilong para executar algum serviço, era justamente por não ser usado que precisava parecer habitado. Caso contrário, um imóvel vazio por vários anos, no qual alguém aparecesse de repente certo dia, seria ainda mais suspeito.

    Wu Chen fechou a porta e caminhou para dentro, examinando a sala com o olhar.

    Nos minutos seguintes, andou pelo apartamento, verificou todos os cômodos, observou cada um deles e chegou a abrir o guarda-roupa do quarto.

    Estava procurando alguma coisa!

    Como aquele lugar nunca havia sido “usado” antes e não existia precedente, Wu Chen naturalmente não sabia onde exatamente algo seria escondido ali.

    Porém, depois de mil anos de ciclos temporais, Wu Chen havia aprendido praticamente de tudo.

    Se houvesse alguma coisa ali, ele encontraria. E precisaria de muito pouco tempo!

    Depois de dar uma volta, Wu Chen retornou à sala.

    Sentou-se no sofá, pensou por um instante, tornou a se levantar e deu a volta até a parte de trás. Era um sofá de tecido, cuja capa podia ser retirada para lavar, e havia um zíper na parte traseira.

    Wu Chen parou por um instante diante do zíper e então o abriu.

    Primeiro puxou na horizontal, depois na vertical, formando uma abertura triangular.

    Ao olhar para dentro, Wu Chen sorriu, pois viu alguma coisa… Parte do interior do encosto havia sido escavada, e ali estava uma maleta metálica cinza-prateada. Havia alguma coisa! Lao Dao com certeza viria!

    Wu Chen retirou a maleta, carregou-a até a frente do sofá, sentou-se e a colocou sobre a mesa de centro.

    A maleta era pesada e tinha uma combinação numérica.

    Wu Chen pensou de novo. Tudo havia sido providenciado pessoalmente por Jiang Chuan; era até possível que ele próprio tivesse colocado aquela maleta ali com antecedência. Nesse caso… as pessoas tinham o hábito de repetir senhas, sobretudo em coisas pouco importantes.

    A maleta em si era muito importante, mas a senha não.

    Porque… se um estranho realmente colocasse as mãos nela, faria diferença haver uma senha ou não? Até um tijolo poderia arrebentar a fechadura!

    Wu Chen girou os discos. A combinação era “336”.

    Então pressionou a trava.

    Clique! Abriu!

    Wu Chen abriu a maleta por completo e examinou o conteúdo. Havia vários medicamentos para tratar ferimentos de emergência, além de gaze, agulha e linha para sutura, desinfetante e outras coisas. Nada disso era importante. O importante eram os documentos.

    Carteira de identidade falsa, carteira de motorista falsa, passaporte falso… As fotos em todos aqueles documentos eram de Lao Dao! Na maleta também havia cinquenta mil em dinheiro, três cartões bancários, um cartão SIM, um celular e outros itens necessários para fuga e comunicação.

    Além disso, havia duas pistolas e uma caixa de munição.

    Lao Dao com certeza viria até ali!

    Depois de verificar tudo, Wu Chen não mexeu em nada e fechou a maleta.

    Levantou-se, saiu do apartamento e recolocou a chave no lugar original, atrás da caixa do medidor de energia. Depois entrou novamente e fechou a porta… Puxou uma cadeira até a varanda, sentou-se, cruzou as pernas e tirou o celular. Enquanto mexia no aparelho, observava a rua pelo canto do olho.

    O apartamento não tinha ventilação cruzada de norte a sul.

    As janelas davam para o oeste, permitindo ver de lado a entrada oeste do beco.

    Wu Chen estava sem o paletó e usava um boné porque havia considerado a possibilidade de chegar ao mesmo tempo que Lao Dao e encontrá-lo ainda no beco. Se Lao Dao o visse de longe, ainda poderia fugir… Com o boné, parte do rosto ficava encoberta, impossibilitando que fosse reconhecido à distância.

    Mais de dez minutos depois.

    Wu Chen, que mexia no celular, virou a cabeça de repente e olhou para a entrada do beco, que mal conseguia enxergar da janela. Viu um táxi parar na avenida do lado de fora. Um homem desceu e ainda tirou uma nota de cem de uma carteira cor-de-rosa para pagar a corrida.

    O homem usava boné e máscara, vestia um sobretudo preto e parecia um pouco volumoso, mas não exatamente gordo.

    Lao Dao!

    Embora não tivesse visto seu rosto, Wu Chen tinha certeza de que era Lao Dao!

    Altura e jeito habitual de andar não enganavam.

    Além disso, suas “características” eram muito evidentes. Esconder o rosto e parecer volumoso significava que estava usando muitas camadas de roupa. Seus ferimentos provavelmente já haviam se aberto, e ele temia que o sangue atravessasse o tecido e ficasse visível, por isso vestira mais de um casaco. E ainda havia aquela chamativa carteira cor-de-rosa…

    Quando fugira do hospital, Lao Dao provavelmente vestia apenas a roupa de paciente e não tinha mais nada consigo.

    A carteira, naturalmente, fora roubada!

    O taxista talvez também tivesse achado estranho um homem adulto usando uma carteira feminina, mas ninguém se meteria na vida alheia!

    Depois de andar alguns passos para dentro do beco, Lao Dao tropeçou de repente. Levou a mão ao peito e o apertou por um instante. Forçou-se a dar mais alguns passos, então se endireitou e voltou a andar normalmente.

    Depois disso, Wu Chen deixou de vê-lo, pois seu campo de visão estava bloqueado.

    Wu Chen se levantou e discou rapidamente um número.

    — Alô, cunhado! Você encontrou o homem?! — Era Li Ruotai, que atendeu imediatamente! Pouco depois de falar com a irmã, Li Ruobing tornara a ligar para ele e dissera que o cunhado Wu Chen sabia onde o homem estava e havia ido procurá-lo. Na hora, Li Ruotai ficara ao mesmo tempo apreensivo e animado. Chegara a dizer à irmã que ligaria imediatamente para o cunhado para perguntar como estavam as coisas, mas Li Ruobing lhe dera uma bronca!

    Mandara que esperasse a ligação e parasse de atrapalhar!

    Por isso, Li Ruotai estivera o tempo todo esperando Wu Chen telefonar.

    — Mande o hospital enviar uma ambulância para Xicheng… — Wu Chen deu diretamente o endereço detalhado a Li Ruotai e desligou assim que terminou.

    A ambulância, naturalmente, era para Lao Dao. Levaria cerca de trinta minutos para chegar, e esse tempo seria mais que suficiente para Wu Chen resolver tudo! A princípio, ele havia prometido deixar Li Ruotai ouvir a conversa, mas o próprio Li Ruotai aprontara, então perdera a oportunidade.

    Alguns minutos depois.

    Clac, clique!

    Alguém usou uma chave para abrir a porta do 501.

    A porta se abriu imediatamente.

    O homem de máscara e boné entrou cambaleando e bateu a porta com força. Arrancou a máscara e, ofegante, praguejou:

    — Porra!

    Era de dor. Durante todo o caminho, não ousara soltar um som sequer.

    Depois de avançar alguns passos pela sala, Lao Dao de repente percebeu que havia algo errado.

    Jiang Chuan já lhe dissera que a maleta ficava dentro do sofá.

    Mas, naquele momento, ela estava sobre a mesa de centro.

    Além disso, havia uma cadeira na varanda, destoando da sala limpa e arrumada. Parecia que alguém estivera ali recentemente, sentara-se na varanda e, ao sair, nem sequer colocara a cadeira de volta no lugar.

    — Para que fazer isso? — A voz de um homem soou de trás e de lado.

    Lao Dao se virou bruscamente. No mesmo movimento, puxou de dentro da roupa uma faca afiada, que parecia ser uma faca de cozinha, do tipo que podia ser comprada em qualquer lugar.

    Seu movimento foi rápido e feroz. Mesmo gravemente ferido, quase não houve qualquer hesitação. Ao se virar, deu um passo à frente e golpeou o pescoço de Wu Chen com a faca!

    Nota