Novels chinesas em português
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    Capítulo 375 — Aposta é aposta, senhorita An

    Com o sorriso surpreso ainda no rosto, Wu Yurong olhou para Wu Chen e depois para An Menglan.

    Não esperava que An Menglan fizesse um pedido daqueles.

    Afinal, An Menglan sabia muito bem que tipo de relação ela tinha com Wu Chen longe dos olhos dos outros. Não tinha medo de que ela puxasse a sardinha para o amante?

    — Entendi… — murmurou Wu Yurong, com a voz doce e suave. Os olhos brilharam, como se achasse aquilo divertido. — Sem problema. Mas… gosto musical é uma coisa muito subjetiva. Eu só posso escolher o que eu achar melhor, e é só a minha opinião…

    — Sem problema, isso não importa — disse An Menglan, sorrindo para ela. — A senhora só precisa dizer qual escolheu.

    — Precisa disso tudo? — disse Wu Chen, com a embalagem na mão. Sorriu e levou mais duas garfadas à boca.

    Estava totalmente à vontade.

    Não era a primeira vez que via Wu Yurong, nem precisava fingir na frente de Song Xuan.

    — Como não precisa? — An Menglan se virou para ele, muito séria. — Senhor Wu, se a gente diverge e nenhum dos dois convence o outro, tem que sair alguma conclusão. A senhora Wu entende de música, tem formação acadêmica. Acho que ela é uma juíza perfeita!

    Falava visivelmente irritada.

    Em geral, tudo se negociava. Ela mesma não era uma pessoa teimosa. Mas Wu Chen não cedia um milímetro; com ele, simplesmente não havia negociação.

    Só restava aquilo!

    Ela também queria fazer Wu Chen entender: em composição, ela não chegava aos pés dele; mas, em cantar, quem não chegava aos pés era ele!

    — E então… — Wu Chen olhou para ela e devolveu, sorrindo: — Depois que a senhora Wu escolher? A que ela disser que é melhor fica valendo?

    — Isso. Exatamente! — An Menglan assentiu.

    — Então pode ser. — Wu Chen sorriu. — Mas vamos simplificar ainda mais! Uma música, duas versões, e a senhora Wu escolhe. Se ela achar que você tá certa, daqui pra frente fica tudo do seu jeito. Agora, se ela achar que eu tô certo, fica tudo do meu! Em todas as músicas. Que tal?

    E ainda ergueu uma sobrancelha para ela.

    Já tinha um quê de provocação.

    — Pode! Pode perfeitamente! — An Menglan também ergueu uma sobrancelha para ele.

    — Então fechado — disse Wu Chen, sorrindo.

    — Ah! E você não pode dar dica pra senhora Wu nem pedir pra ela te ajudar a trapacear! Ganhar ou perder, tem que ser às claras — acrescentou An Menglan.

    Ninguém conseguiria deduzir daquela frase que Wu Chen e Wu Yurong tinham uma relação especial. An Menglan sabia escolher as palavras; não deixava escapar nada.

    — Sem problema. Então eu nem desço pro estúdio. Você vai com a senhora Wu e toca a música pra ela. Se você não falar, nem a senhora Wu vai saber qual versão é a sua e qual é a minha… Avaliação às cegas e pronto! — disse Wu Chen, sem perder o sorriso.

    — Ótimo! — respondeu An Menglan, decidida, e virou-se para Wu Yurong com um sorriso. — Senhora Wu, desculpe o incômodo.

    E se levantou.

    — Incômodo nenhum — respondeu Wu Yurong, com um sorriso doce, levantando-se também.

    Não tinha nada de complicado. Era só descer ao estúdio e ouvir.

    Wu Yurong e An Menglan desceram juntas.

    Os outros ficaram na sala, continuando a comer. Ainda não tinham terminado.

    Wu Chen não parecia nem um pouco aflito; nem parecia dar importância àquilo. A comida farta parecia interessá-lo bem mais.

    — Veterano… — Song Xuan chegou de repente mais perto dele, com a embalagem na mão.

    — Hum? — Wu Chen respondeu pelo nariz, comendo.

    — Tá confiante? — perguntou Song Xuan, baixinho.

    — Claro — disse Wu Chen, sorrindo.

    — Tão confiante assim? — insistiu ela.

    — E por que não? — Wu Chen sorriu e devolveu: — Não confia em mim?

    — Não é isso… — negou Song Xuan depressa, com a voz doce e suave, e hesitou. — É que a minha mãe tem os estilos de música que ela gosta, então talvez…

    Na frente de Wu Chen, Song Xuan puxava um pouco a conversa para o lado dele.

    Se estivesse na frente de An Menglan, com certeza puxaria para o lado dela.

    Não tinha jeito: de um lado, o veterano de talento transbordante, que a deixava maravilhada; do outro, o seu ídolo…

    — Para de encucar. Daqui a pouco sai o resultado — disse Wu Chen, sorrindo.

    Dez minutos depois.

    O toc-toc de saltos veio da escada.

    An Menglan e Wu Yurong estavam subindo.

    Quando voltaram à sala, todos se viraram para elas. Wu Yurong trazia o sorriso doce de sempre. An Menglan estava com uma cara meio estranha, ainda com um ar de quem não tinha engolido muito bem.

    Wu Chen as observou voltar e se sentar.

    Já tinha terminado de comer. Limpou a boca com um guardanapo, tomou um gole de refrigerante, passou os olhos pelas duas e perguntou a An Menglan:

    — Senhorita An, e aí? Qual versão a senhora Wu escolheu?

    — A segunda — respondeu An Menglan, olhando para ele.

    — A segunda. De quem? — perguntou Wu Chen, lançando também um olhar a Wu Yurong.

    — Eu não sei. Só achei a versão que ouvi na segunda vez um pouco melhor — disse Wu Yurong, com a voz doce e suave. — A senhorita An também não me disse de quem era.

    — De quem? — perguntou Wu Chen de novo a An Menglan.

    — Sua — respondeu ela, sem fugir do olhar dele. Com toda a franqueza!

    An Menglan tinha perdido!

    E tinha certeza absoluta de que Wu Chen não tivera como trapacear! A avaliação de Wu Yurong fora às cegas. Ela nem sabia de quem tinha ouvido primeiro e de quem tinha ouvido depois; mesmo que quisesse ajudar Wu Chen, não teria como!

    Wu Yurong fizera um julgamento subjetivo, mas justo!

    Aquilo não surpreendeu Wu Chen. As músicas que ele dera a An Menglan eram todas canções que tinham feito enorme sucesso em algum momento dos mil anos de ciclos, e o estilo que ele definira ao longo dos ciclos era justamente o melhor!

    Já tinha passado pelo teste de inúmeros internautas e ouvintes…

    An Menglan não tinha perdido à toa.

    Só que ela jamais saberia pelo que Wu Chen tinha passado. Por dentro, ainda não estava convencida. Afinal, fora um teste às cegas com uma única pessoa, coisa muito subjetiva. Chance de cinquenta por cento.

    — Aposta é aposta, senhorita An — disse Wu Chen, sorrindo para ela.

    — Vou cumprir o combinado — respondeu An Menglan.

    Não se conformar era uma coisa; voltar atrás, outra. Numa coisa daquelas, An Menglan jamais voltaria atrás! Aceitar a derrota e não se conformar por dentro não eram incompatíveis.

    Conversaram mais um pouco.

    Descansaram.

    Meia hora depois, voltaram todos ao estúdio no subsolo para continuar gravando as demos!

    Dessa vez, tudo andou bem melhor. An Menglan não brigou mais com Wu Chen. O que ele pedisse, ela fazia, e pronto!

    Wu Yurong não foi embora. Sem nada para fazer, ficou acompanhando a gravação, mais para assistir de camarote.

    Para ver… que truque Wu Chen estava aplicando em An Menglan!

    Wu Yurong também conheceu de perto o lado “tirano do estúdio” de Wu Chen. Todo mundo tinha de obedecer; se ele dizia como fazer, era assim que se fazia!

    E não só isso: todos perceberam que Wu Chen parecia entender de tudo! Era como um produtor musical com décadas de estrada! Dentro do estúdio, não havia nada que ele não soubesse fazer!

    Sem que percebessem.

    Passava das seis da tarde.

    As demos das sete músicas finalmente ficaram prontas!

    Cada música tinha sido cantada muitas e muitas vezes. Bastava An Menglan cantar algum trecho de um jeito que não agradasse a Wu Chen e ele mandava refazer. Por isso tinham ido até aquela hora.

    Enfim, terminaram.

    Subiram todos para a sala, meio cansados, para descansar. Wu Yurong sugeriu jantarem juntos, mas Wu Chen disse que já tinha compromisso… tinha combinado de jantar com Li Ruobing.

    Sem necessidade, Wu Yurong também não tinha a menor vontade de participar de um jantar com Li Ruobing, então não insistiu.

    Muito mais do que jantar com Li Ruobing, interessava-lhe jantar com An Menglan e conversar um pouco mais.

    Por volta das seis e meia.

    Wu Chen foi o primeiro a sair, deixando o Residencial Tianheng.

    A Lamborghini entrou na avenida principal.

    Dirigindo com uma mão, Wu Chen ligou para Li Ruobing.

    Ela atendeu na hora.

    — Terminei aqui. Onde a gente vai comer? — perguntou ele, direto.

    — No Laopinxuan. Já reservei. Você já saiu? Então a gente vai pra lá agora… — disse Li Ruobing.

    — Já saí.

    — Beleza. A gente conversa lá.

    Desligaram.

    Poucos minutos depois.

    Num cruzamento com o sinal fechado, Wu Chen pisou de leve no freio e parou a Lamborghini devagar diante da faixa de pedestres.

    Com as duas mãos no volante, inclinou de repente um pouco a cabeça, olhou de relance pelo retrovisor, e o canto da boca foi se erguendo aos poucos.

    Estava sendo seguido!

    Tinha percebido dois minutos antes!

    O carro que o seguia estava naquele momento logo atrás da Lamborghini: um Volkswagen Touareg preto, placa de Modu.

    Era Peng Wei!

    Nota