Novels chinesas em português
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    Capítulo 343 — Até An Menglan ficou chocada!

    Song Xuan costumava sair sozinha, sem guarda-costas, sempre muito discreta.

    Daquela vez, porém, tudo tinha sido combinado com An Menglan de antemão. Na noite anterior, An Menglan voltara a ligar e dissera que estava tudo certo: viria de avião para Donghai pela manhã. Song Xuan se ofereceu para ir buscá-la no aeroporto!

    Pouco depois, a bagagem foi toda acomodada nos dois SUVs, um na frente e outro atrás, e An Menglan e Song Xuan entraram na Alphard, no meio.

    O comboio partiu.

    No banco de trás da Alphard.

    As duas tiraram a máscara. An Menglan a usava por ser celebridade; Song Xuan, por ser bonita demais.

    — Nossa, senhorita Song, você é linda — elogiou An Menglan, sem conseguir se conter.

    — Linda é a senhora — respondeu Song Xuan, com os olhos brilhando de empolgação.

    Finalmente estava diante da sua ídola, tão perto, e a empolgação não baixava de jeito nenhum.

    E não era bajulação! Naquela época em que a aparência pesava tanto, alguém de beleza comum até conseguia alguma fama, mas, para estourar, para virar superestrela, não ser bonito simplesmente não dava!

    Ainda mais sendo cantora!

    Por isso An Menglan, a “Grande Rainha Demônio” da música, não tinha só um alcance vocal e uma técnica que cantoras comuns dificilmente alcançariam.

    Era também, de verdade, lindíssima!

    — Desculpa o incômodo. Tão cedo e você já teve que vir me esperar — disse An Menglan, sorrindo.

    — Incômodo nenhum! Imagina! Era o mínimo — respondeu Song Xuan depressa.

    O comboio seguiu direto para o centro da cidade.

    No carro, as duas começaram com assuntos à toa. Sentada tão perto de An Menglan, Song Xuan continuava toda agitada, empolgadíssima, e o olhar não parava de passear pelo rosto da cantora.

    — Senhorita Song… tem alguma coisa… no meu rosto? — perguntou An Menglan de repente, no meio da conversa, e por reflexo pegou a bolsa para procurar um espelhinho.

    Song Xuan não tirava os olhos do rosto dela, o que já começava a ser meio indelicado.

    — Não, não! Senhorita An, a senhora é linda demais, muito mais bonita do que na TV. Eu só… — Song Xuan abanou as mãos depressa, explicando-se, meio sem graça.

    — Senhorita Song, você está nervosa demais. Relaxa — disse An Menglan, sorrindo, e deu uns tapinhas de leve no dorso da mão dela.

    Embora já tivessem se falado algumas vezes por telefone e conversado bastante, ainda havia certa distância entre as duas.

    Mas, com o tempo, Song Xuan foi relaxando.

    Chegou a tirar da bolsa alguns álbuns de colecionador de An Menglan e pedir autógrafos, ainda no modo fã diante da ídola.

    Pouco mais de meia hora depois, o comboio entrou no centro.

    Mais uns vinte minutos e chegaram ao lugar que Song Xuan preparara para An Menglan se hospedar: o Grande Hotel Internacional Jiazhong de Donghai!

    Era um dos hotéis cinco estrelas mais sofisticados de Donghai. Os quartos comuns começavam em mil por noite; a suíte presidencial passava de dez mil.

    Assim que o comboio chegou, guarda-costas providenciados por Song Xuan vieram recebê-los e levar a bagagem para cima. Song Xuan ainda mandou entregar ao guarda-costas de An Menglan a chave de um Rolls-Royce.

    Todos os carros que Song Xuan reservara para An Menglan usar em Donghai eram Rolls-Royce!

    Uma recepção de gala!

    Song Xuan tinha preparado muita coisa para receber An Menglan, mas, para ela mesma, não dera trabalho nenhum. Para alguém na posição dela, bastava um telefonema para arranjar tudo aquilo!

    Por volta das dez da manhã.

    Suíte presidencial do décimo quinto andar do Grande Hotel Internacional Jiazhong.

    Na sala enorme, de mais de setenta metros quadrados, cheia de objetos requintados e impecavelmente limpa, Song Xuan e An Menglan estavam sentadas no sofá, só as duas, ainda conversando.

    Tinham conversado o caminho inteiro e continuavam.

    Como se o assunto nunca fosse acabar!

    E, de fato, era isso. Song Xuan conhecia a ídola pessoalmente pela primeira vez. Tinha coisa demais para contar, pergunta demais para fazer, e ainda queria mostrar a An Menglan sua compreensão de música e sua voz!

    As duas eram, por assim dizer, “do mesmo tipo”: tinham verdadeira fé na música, por isso se entendiam tão bem!

    A essa altura, An Menglan já tinha entendido que contratar Song Xuan não teria dificuldade nenhuma. O único possível obstáculo era a mãe dela. Mas, na verdade, An Menglan nem via aquilo como problema. Confiava que conseguiria convencê-la!

    Pelo que Song Xuan contara até ali, a mãe, Wu Yurong, não era exatamente contra ela cantar. Só não queria que a filha estreasse de vez e seguisse totalmente a carreira de cantora.

    Era uma questão de prioridade profissional.

    E isso dava para conciliar!

    — …Ah, senhorita An, dá uma olhada. São músicas que eu escrevi… — Song Xuan tirou da bolsa uma pilha de folhas impressas e entregou a An Menglan.

    An Menglan se interessou. Pegou as folhas e as examinou com atenção, chegando a cantarolar baixinho seguindo as partituras.

    — São muito boas. Você tem bastante talento — avaliou An Menglan, ao terminar.

    — Sério?… Então por que não fizeram sucesso? Eu já publiquei todas essas, e nenhuma deu em nada. A primeira aí foi um pouquinho melhor, mas… também, nada demais — disse Song Xuan, meio desanimada.

    Não sabia se An Menglan estava só sendo gentil, para não desanimá-la, ao dizer que ela tinha talento.

    — Senhorita Song, na verdade, não é porque uma música é bonita que ela vai fazer sucesso. Música bonita tem de monte; as que estouram são poucas.

    — A música é uma arte abstrata. Expressa os pensamentos e sentimentos de quem cria, ou a vida real, e assim por diante… Mas isso é de quem cria. O público não necessariamente vai aceitar!

    An Menglan olhou para Song Xuan e explicou, sorrindo:

    — Isso envolve o gosto do público e o público-alvo. Pra uma música estourar, ou ela tem que ser mais simples, ou tem que criar identificação!

    — Tipo… aquelas músicas-chiclete sem conteúdo nenhum. Elas fazem sucesso, explodem. Talvez não sejam boa música, mas o público gosta… porque são populares, porque a melodia é simples e fácil de pegar…

    — Já nessas suas, você tenta dizer muita coisa. Você escreve bem. É boa música, não é simples, mas falta identificação…

    — Só do ponto de vista artístico, fazer uma música ter valor artístico, ter conteúdo e, ao mesmo tempo, agradar o grande público é dificílimo…

    — Estou simplificando bastante — concluiu An Menglan. — Na verdade, fazer uma música estourar é coisa muito complexa. Precisa da hora certa, do lugar certo e das pessoas certas. O peso de uma celebridade, uma melodia diferente que desperte curiosidade, até um estilo de canto muito marcante… tudo isso pode fazer uma música estourar.

    Song Xuan assentiu, entendendo só em parte. Pensou um pouco e suspirou:

    — O veterano é que é bom mesmo!

    — Ele é um gênio! — disse An Menglan, sorrindo. Fez uma pausa e continuou: — Vamos falar dele. Do Wu Chen. Já conversei com ele por telefone e tive a impressão de que… ele não quer estrear de jeito nenhum. Não sei por quê. Senhorita Song, você conhece a família dele? Pode me contar?

    — Posso, sim. A família dele é… bem comum, eu acho. Eles têm um restaurante de lamian numa cidadezinha do interior aqui da região.

    — Então por que ele parece… não ligar muito pra música? Por que não quer estrear? A senhorita Song sabe o motivo? — perguntou An Menglan de novo.

    Queria contratar Song Xuan.

    Mas queria ainda mais contratar Wu Chen!

    Só que, do jeito que estavam as coisas, contratar Song Xuan parecia fácil. Contratar Wu Chen… parecia um problemão!

    — Isso… — Song Xuan começou e parou, como quem quer falar e hesita.

    An Menglan percebeu na hora que Song Xuan sabia de alguma coisa e só não achava adequado contar.

    — Senhorita Song, aqui só tem nós duas. — An Menglan sorriu para ela. — Você também não quer ver o talento do seu veterano desperdiçado desse jeito, quer? Ele tem algum… problema difícil de contar? Ou… alguma coisa…

    Song Xuan continuava com cara de quem não sabia se devia falar, meio dividida. Não era do tipo que fala dos outros pelas costas, mas também queria ajudar Wu Chen a “sair daquele sofrimento”!

    — Se não puder mesmo, tudo bem… — acrescentou An Menglan.

    — Não, não é isso. Na verdade… é que… — Song Xuan a interrompeu depressa, ainda gaguejando, e se aproximou com um ar meio de conspiração.

    An Menglan colaborou e inclinou a cabeça na direção dela.

    — Senhorita An, eu vou contar, mas a senhora não pode espalhar. E também não toca nesse assunto na frente do veterano — cochichou Song Xuan no ouvido dela.

    An Menglan assentiu, mas ficou surpresa por dentro.

    Precisava de tanto segredo?

    — É que… parece que o veterano é… bancado por uma mulher rica! — Song Xuan enfim soltou. Vencida a barreira, as palavras saíram de uma vez. — Aquela velha controla ele. Ele não pode estrear. Deve ser por causa daquela velha!

    An Menglan arregalou os olhos na hora, completamente chocada.

    Então era isso?!

    Nota