Capítulo 101 — Duzentos milhões, não! Trezentos milhões!
por NexoNovelCapítulo 101 — Duzentos milhões, não! Trezentos milhões!
Pessoas de personalidades e temperamentos diferentes exigiam métodos e preparativos diferentes.
No entanto, Wu Chen não mantinha aquela ligação por ter preparado algo especial para o homem de meia-idade. Quem estava do outro lado da linha era Su Qingying. Wu Chen precisava deixá-la ouvir o conteúdo da conversa e, de quebra, Li Ruobing, que estava ao lado dela, também ficaria sabendo.
A expressão do homem de meia-idade mudou várias vezes.
Ele acabara de ameaçar matar alguém sem sequer saber com quem o jovem estava falando, muito menos se a pessoa do outro lado estava gravando. Se uma ameaça daquelas virasse prova, enquanto nada acontecesse com Wu Chen, ainda seria uma coisa. Mas, se algo realmente lhe acontecesse, mesmo que não tivesse sido obra daquele homem, a polícia teria de investigá-lo assim que obtivesse essa prova!
E ser investigado era justamente o que ele mais temia!
— É… irmão… talvez tenha havido algum mal-entendido entre nós… — O homem de meia-idade olhou para o celular, que continuava em ligação, e depois para Wu Chen. Até pouco antes estava feroz; agora, além de suavizar o tom, já o chamava diretamente de “irmão”.
— Peça desculpas — disse Wu Chen, olhando para ele.
O rosto do homem tornou a escurecer, mas logo forçou um sorriso.
— D-desculpa, irmão. Eu agora há pouco também…
— Até seu pedido de desculpas é tão pouco sincero — comentou Wu Chen com indiferença.
A expressão do homem mudou outra vez.
Pá!
Ele ergueu a mão e deu um tapa forte no próprio rosto!
Tinha medo de morrer, medo de que o ocorrido anos atrás viesse à tona. Só podia tentar apaziguar Wu Chen.
— Chega. Vamos falar de negócios. — Wu Chen sorriu e tomou um gole de chá.
— O que Bai Kaifeng quer? O que você quer? Quanto? — perguntou o homem de meia-idade, agora num tom muito mais calmo.
Quando telefonara antes, Wu Chen dissera algo como “ouvi dizer que você ganhou bastante dinheiro nesses últimos anos”, dando a entender que queria dinheiro. Por isso, o homem foi direto ao ponto. Sabia que estava sendo ameaçado e extorquido, mas… não tinha escolha!
Procurava Bai Kaifeng havia muitos anos e nunca conseguira encontrá-lo.
— Sobre dinheiro, falamos depois… — respondeu Wu Chen sem pressa, olhando para ele. — Nesses últimos anos, somando tudo, você deu bastante dinheiro às famílias das vítimas, não foi? Algumas centenas de milhares, no total. O quê? A consciência pesou? Está tentando se redimir?
O rosto do homem tornou a mudar.
Ele achara que Wu Chen tinha sido enviado por Bai Kaifeng e conhecia apenas o que acontecera naquele ano. Mas, pelo que ouvia agora, Wu Chen não sabia apenas daquilo. Também sabia o que ele vinha fazendo ao longo de todos aqueles anos.
— Na verdade, você não devia ter feito isso. Não acha que foi um erro? — Wu Chen continuou sorrindo. — Se o seu caso vier à tona, o fato de você ter dado dinheiro às escondidas acabará servindo como mais um indício…
O homem de meia-idade encarou Wu Chen, tomado pela dúvida e pela apreensão.
— Para alguém como você, não foi fácil chegar até onde chegou. Teve coragem de se envolver pessoalmente até em assassinato e incêndio criminoso. Tenho de admitir: você realmente tem coragem de pensar e agir. Mas… deveria valorizar a riqueza e a posição social que possui hoje. Não acha?
— Diga logo um número — falou o homem.
Pagar para resolver o problema! Se dinheiro bastasse, então não era um problema!
Embora soubesse que Wu Chen provavelmente pediria uma fortuna absurda!
Wu Chen mencionara várias coisas, mas o homem não respondera diretamente a nenhuma delas.
Sabia que Wu Chen estava numa ligação. Se respondesse, estaria admitindo tudo, e aquilo viraria prova. Portanto, entendia que não podia falar. Essa inteligência ele ainda tinha!
— Quanto você acha que eu quero? — perguntou Wu Chen com um leve sorriso.
— Cem milhões. É o máximo que posso aceitar — respondeu o homem sem rodeios.
Na verdade, não era o máximo que podia aceitar. Estava pagando para salvar a própria vida! Se não tivesse como lidar com Wu Chen, teria de aceitar mesmo duzentos ou trezentos milhões.
É claro que jamais revelaria seu verdadeiro limite.
— Cem milhões… — repetiu Wu Chen, sorrindo.
— Ainda acha pouco? — O homem cerrou os dentes. — Eu tenho dinheiro hoje, mas meu patrimônio líquido não é tão grande quanto vocês imaginam. Cem milhões já bastam para vocês viverem no luxo pelo resto da vida. Quanto mais você quer?
Wu Chen o observou em silêncio por alguns segundos, ainda sorrindo. Então disse:
— Fico me perguntando se Qian Rufa, enterrado naquela montanha erma, já conseguiu descansar em paz.
A expressão do homem mudou drasticamente outra vez!
Wu Chen sabia que Qian Rufa também tinha sido morto por ele! Sabia até que o corpo fora enterrado numa montanha erma!
— Aconselho você a não tentar desenterrar o corpo. Já se passaram mais de dez anos. Os vestígios daquela época desapareceram há muito tempo. Se você for até lá agora… acabará deixando vestígios novos.
Wu Chen falou sem pressa e tomou outro gole de chá. Depois de pousar a xícara, continuou:
— Os tempos mudaram, a tecnologia avançou, e a capacidade da polícia de solucionar crimes também melhorou. Casos que antes não podiam ser resolvidos hoje… já não são tão difíceis de esclarecer. Não acha?
O homem escutava com o rosto sombrio, mas pequenas gotas de suor frio começaram a surgir em suas têmporas.
— Cento e cinquenta milhões! — ofereceu outra vez.
— Ouvi dizer que os negócios do chefe Yao não andam muito bem ultimamente. Você só consegue tapar os rombos maquiando as contas. Sabe quais são as consequências de fazer isso sendo presidente de uma empresa de capital aberto? E aquela sua amante que ajuda você a falsificar a contabilidade… será mesmo confiável? — perguntou Wu Chen, tornando a sorrir.
O homem ficou encarando Wu Chen em silêncio por mais de dez segundos.
Sua respiração ficou mais pesada e mais rápida.
O medo já o envolvia por completo.
A cada coisa que Wu Chen dizia, o pânico dentro dele aumentava um pouco, até se transformar em terror de verdade! Wu Chen parecia saber de tudo. Não apenas daquela “grande coisa” de anos atrás; parecia conhecer também todas as outras sujeiras dele.
— Ah, e também ouvi dizer que… — Wu Chen começou outra vez.
— Chega! — O homem o interrompeu, encarando-o fixamente. — Duzentos milhões! Não! Trezentos milhões! Talvez eu não consiga levantar tanto dinheiro de uma vez, mas vou pagar! Em parcelas! Trezentos milhões! Se quiser mais do que isso, eu não tenho! É tudo o que posso dar!
— Você realmente vai me dar dinheiro? — Wu Chen continuou sorrindo para ele. — Neste momento, provavelmente já está pensando em como dar um fim em mim sem deixar vestígios, não é?
— Não ousaria! Você está pensando demais. Eu só quero pagar para me livrar desse problema — respondeu o homem imediatamente.
— É mesmo… — Pelo tom de Wu Chen, era impossível saber se acreditava ou não.
Enquanto falava, tocou a tela do celular.
E encerrou a ligação.
— Irmão, diga seu preço. Desde que me conte onde Bai Kaifeng está, eu lhe dou todo o dinheiro. Só a você! — Assim que viu Wu Chen desligar, o homem se inclinou para a frente e baixou a voz, tentando convencê-lo com dinheiro outra vez.
— Sem pressa. Primeiro, vamos tomar chá. — Wu Chen sorriu e tornou a erguer a xícara num gesto.
Durante o minuto seguinte, os dois realmente ficaram tomando chá.
A cabeça do homem estava um caos. Pensava em coisas demais e nem sentia o gosto do chá. Mas Wu Chen dissera que não havia pressa, e ele não podia fazer nada.
Creeec!
A porta da sala privativa se abriu de repente.
Encerrar a ligação era o sinal. Wu Chen já havia combinado com Su Qingying que, quando desligasse, as duas poderiam entrar diretamente.
Su Qingying e Li Ruobing acabaram de passar pela porta e pararam ao ver o homem de meia-idade sentado diante de Wu Chen.
— Presidente Yao?
— Senhorita Su?
O homem também se levantou de repente e ficou olhando para Su Qingying.
Os dois ficaram paralisados.
