Novels chinesas em português
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    Capítulo 067 — Não tem nojo de mim?

    Li Ruobing era mesmo teimosa!

    Mas, dessa vez, tinha pensado muito antes de decidir. Considerara todo tipo de possibilidade e hipótese e, não importava como analisasse, aquilo continuava impossível. Chegara até a imaginar se Wu Chen teria uma amizade profunda com Su Ruiwen… e, mesmo nessa hipótese, ainda achava impossível!

    Havia três motivos principais.

    Primeiro: a família Su jamais cederia. O genro teria que cumprir os padrões deles.

    Segundo: embora Su Qingying fosse uma mulher forte, também era uma filha extremamente obediente. Sempre escutara a família desde pequena. Fora controlada por tanto tempo que já se acostumara a aceitar tudo sem resistir. Não seria capaz de se rebelar contra a família como Li Ruobing havia feito.

    Terceiro!

    E esse era o mais importante!

    Wu Chen!

    Jamais!

    Aceitaria entrar para a família Su como genro!

    Li Ruobing não confiava apenas na família Su.

    Confiava também em Wu Chen!

    Um homem tão competente, tão capaz e que jamais baixava a cabeça como Wu Chen — como poderia aceitar entrar para a família da esposa?

    Ela sabia que Wu Chen gostava de ter tudo sob controle. Sabia que ele permanecia calmo diante de qualquer situação e nunca se curvava nem se humilhava diante de pessoa alguma.

    Entrar para a família da esposa?

    Impossível!

    — Vai mesmo apostar comigo de novo? — Wu Chen abriu um sorriso largo, mostrando os dentes brancos.

    Ele imaginara que, depois de refletir por tanto tempo, Li Ruobing teria aprendido com a derrota anterior.

    Não esperava que ela aceitasse!

    — Vou! Por que eu não teria coragem? — respondeu Li Ruobing.

    — Tenho medo de você perder de novo, ter um colapso e começar a questionar a própria vida — disse Wu Chen, sorrindo.

    — Você é que vai ter um colapso! Para de enrolar! — Li Ruobing puxou mais uma vez a gravata dele, soltou-a e a alisou duas vezes com a mão. Depois ergueu os olhos. — Fala! Quais são as regras exatas e qual é a aposta?

    — Tenho medo de você não aceitar o que eu vou pedir — disse Wu Chen.

    — Tão confiante assim? Você tem alguma relação com a família Su atualmente?

    — Nenhuma. Nem conheço eles ainda.

    — Então para de falar bobagem. Está com medo? Achou que eu não teria coragem de apostar e por isso falou aquilo? Pois eu vou apostar! Vai, fala!

    — Você realmente não aprende, Chefe Li.

    — Fala logo!

    — Está bem! Três dias. Em três dias, vou fazer Su Qingying se tornar minha mulher. E não por pouco tempo: para o resto da vida.

    — Eu te dou trinta dias!

    — Não! Três bastam!

    — Tá, tá, você é incrível. Quero ver o que vai dizer daqui a três dias. E a aposta?

    — Você fala primeiro.

    — Se você perder, quero que se ajoelhe diante de mim e peça desculpas! — Li Ruobing apontou para o chão. Queria recuperar a vitória! Já se ajoelhara uma vez diante de Wu Chen; agora queria que ele se ajoelhasse uma vez diante dela.

    — Sem problema. — Wu Chen sorriu.

    — E a sua condição? — Li Ruobing perguntou na hora.

    — A minha condição… — Wu Chen prolongou as palavras, girou os ombros e mexeu o pescoço, como se aquecesse o corpo. Então passou um braço pelo ombro dela, inclinou-se e falou junto ao seu ouvido: — Ultimamente eu… então… preciso que você… talvez… a qualquer hora… cem vezes. Que tal?

    — Cem vezes? — Li Ruobing perguntou de lado.

    — Se acha trabalhoso demais, deixa para lá. Não precisa apostar — disse Wu Chen, como se realmente não quisesse mais aquilo.

    — Não! Não é trabalhoso! Eu aposto! Se eu perder, vou cumprir o combinado! — respondeu Li Ruobing imediatamente.

    A aposta estava fechada.

    Os dois saíram juntos.

    Quando atravessaram a porta do escritório, Li Ruobing já estava sorridente, de braço dado com Wu Chen, com um ar radiante e de ótimo humor. Ninguém conseguiria perceber qualquer falha. Quem os visse pensaria que eram um casal apaixonado.

    Foram almoçar.

    Vinte minutos depois.

    Os dois chegaram à Praça Novo Século de Donghai, uma das movimentadas áreas comerciais da cidade.

    O restaurante italiano novo que Li Ruobing mencionara ficava ali.

    Wu Chen já tinha comido naquele restaurante antes. Embora ele houvesse aberto havia apenas meio mês, Wu Chen passara mil anos preso no ciclo do 7 de julho. Aquele restaurante ocidental que ainda parecia novidade para Li Ruobing era, para ele, familiar até demais.

    E a comida realmente era boa.

    Os dois chegaram ao restaurante.

    A fachada não era grande, mas o espaço interno era enorme. Havia também mesas do lado de fora, sob guarda-sóis — apenas algumas. Somado ao estilo da decoração, o conjunto dava a sensação de estar de férias em outro país.

    O tempo estava agradável.

    Eles escolheram uma mesa do lado de fora, sob um guarda-sol. Com a brisa leve, estava bem confortável.

    Pediram sem pensar muito carne com molho de atum, massa, sopa de frutos do mar e salada. Enquanto esperavam, conversaram sobre assuntos variados.

    Na verdade, Wu Chen e Li Ruobing não precisavam almoçar juntos todos os dias. Afinal, apenas fingiam ser um casal.

    Mas, se Wu Chen tivesse tempo e Li Ruobing também, então deveriam comer juntos. E precisavam fazer isso em lugares públicos.

    Só assim pareceria “real”.

    Naquele dia, porém, não estavam tentando cruzar por acaso com algum empresário rico para ampliar a repercussão. Era só um almoço entre os dois, então escolheram aquele lugar meio ao acaso.

    Ali seria difícil encontrar os magnatas do topo.

    Não porque o restaurante não tivesse nível suficiente, mas porque os super-ricos locais já tinham quarenta, cinquenta anos ou mais e não tinham o hábito de comer comida ocidental. Além disso, um restaurante ocidental não era lugar adequado para receber clientes. Você podia gostar, mas o cliente talvez não. Não era uma escolha segura.

    Sem ninguém para incomodá-los, e com pouca chance de alguém reconhecer Li Ruobing ali, ela estava bem relaxada.

    — …Eu realmente preciso te agradecer. O contrato foi assinado sem problemas e o cachê do endosso ficou muito baixo. Ah, é verdade…

    Enquanto falava, Li Ruobing pegou o celular e fez algumas operações rapidamente.

    Trim!

    O celular de Wu Chen recebeu uma mensagem.

    Uma notificação bancária de crédito.

    Vinte milhões!

    — Obrigado, Chefe Li. — Wu Chen olhou o celular e sorriu.

    Mesmo depois de tudo, ele ainda a chamava de Chefe Li…

    Li Ruobing começava até a estranhar.

    — Dá para parar de me chamar de Chefe Li? A gente já é tão próximo… E tem tanta gente aqui. Se algum conhecido ouvir, a encenação vai por água abaixo.

    — Está bem… Ruobing — disse Wu Chen, sorrindo outra vez.

    — Com licença… — Um garçom se aproximou para servir primeiro as bebidas.

    Eles não tinham pedido vinho, e sim sucos.

    Suco de melancia e suco de laranja.

    O garçom colocou os dois copos grandes na mesa e se afastou.

    Li Ruobing pegou o copo de suco de laranja, levou o canudo à boca e tomou um gole.

    Na mesma hora, franziu muito a testa.

    Wu Chen, que já havia tomado um gole do suco de melancia, percebeu sua expressão e perguntou:

    — O que foi?

    — Está azedo demais. Prova… — disse Li Ruobing, entregando o suco de laranja a ele.

    Wu Chen pegou o copo, tomou um gole pelo canudo e provou.

    Estava mesmo muito azedo.

    Ele sabia que o suco de laranja dali era azedíssimo e sabia também que Li Ruobing não gostava de sabores muito ácidos. Os sucos tinham sido pedidos justamente por ele.

    — É azedo mesmo. Bebe este. — Wu Chen pousou o suco de laranja, pegou o copo grande de suco de melancia e o entregou a Li Ruobing.

    Ela pegou, levou o canudo à boca e tomou um gole do suco de melancia.

    Pela expressão, ficou muito satisfeita.

    — Está usando o canudo que eu usei. Não tem nojo de mim? — perguntou Wu Chen, sorrindo.

    Nota