Novels chinesas em português
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    Capítulo 272 — Por causa do meu irmão

    Ao chegar ao segundo andar, Hu Xilin, que conhecia bem a casa, foi direto ao escritório e abriu a porta.

    — Velho Lei, você… — começou a falar assim que abriu, mas parou no meio, porque viu que Lei Cheng tinha visita.

    Hu Xilin também não conhecia Wu Chen.

    Já tinha ouvido o nome dele, mas nunca o vira pessoalmente, então, naturalmente, não o reconheceu.

    — Ah, tem visita. — Hu Xilin parou à porta e fez um gesto para fora. — Quer que eu espere lá embaixo?

    Falava com Lei Cheng num tom bem íntimo, à vontade.

    — Não precisa, não precisa. Velho Hu, vem, vem, vem. Aqui ninguém é de fora. — Lei Cheng se levantou e fez sinal para que ele entrasse.

    Hu Xilin entrou no escritório.

    Lei Cheng e Wu Chen ficaram de pé.

    — Vem, irmão Wu, deixa eu te apresentar. Este é o chefe Hu… — Lei Cheng apoiou uma das mãos no ombro de Wu Chen e, com a outra, fez as apresentações.

    — Este é o meu irmão, o irmão Wu — disse depois, apresentando Wu Chen a Hu Xilin.

    Não disse o nome de Wu Chen. Só o chamou de irmão e mencionou o sobrenome.

    Hu Xilin não sabia desde quando Lei Cheng tinha arranjado mais um irmão mais novo de sobrenome Wu, mas alguém a quem Lei Cheng chamava de irmão com certeza não era qualquer um. Hu Xilin não ia tratá-lo com pouco caso.

    — Chefe Hu, muito prazer.

    — O prazer é meu, o prazer é meu.

    Os dois apertaram as mãos, e Hu Xilin se mostrou muito sincero e caloroso. Para ter levado os negócios àquele tamanho, naturalmente entendia muito bem como funcionam as relações. Conhecesse ou não a pessoa, sendo amigo de Lei Cheng, tinha que tratá-la com a devida cortesia.

    — Senta, senta, senta. Ninguém fica de pé — chamou Lei Cheng.

    Todos voltaram a se sentar.

    Hu Xilin se sentou na outra ponta do sofá comprido. Mal se acomodou, jogou de qualquer jeito na mesa de centro a pasta que carregava, todo à vontade.

    — Irmão Hu, que é isso? Duas ligações não bastaram, você ainda veio atrás de mim em casa? — disse Lei Cheng, depois de se sentar, olhando-o de lado.

    — Você está prestes a fazer besteira. Vou ficar só olhando? — Hu Xilin já abriu a boca meio na agressividade, como se estivesse coberto de razão.

    — Olha o jeito que você fala. Que besteira? Você não sabe como o seu irmão aqui tem vivido todos esses anos? — rebateu Lei Cheng.

    — É justamente isso, eu sei! Esses anos todos você não estava bem? Por que foi se meter de novo? Essa história entre você e o seu irmão mais velho já tem quantos anos? Eu sei que você sempre desconfiou dele, mas nem prova você tem… Depois de tanto tempo, por que resolveu bater de frente com ele de novo… — disse Hu Xilin.

    Vale mencionar uma coisa.

    Aquele acidente de carro de Lei Cheng, anos antes, não passava de suspeita. Lei Cheng, pessoalmente, tinha concluído que fora obra de Lei You.

    Mas quem estava de fora não podia ter tanta certeza.

    Principalmente quem conhecia bem Lei You; alguns até achavam impossível ter sido ele, achavam que Lei You não era esse tipo de pessoa.

    Hu Xilin disse mais algumas coisas a Lei Cheng, de um jeito meio velado.

    Com Wu Chen ali, havia assuntos que ele não podia dizer abertamente. Também não sabia que relação exatamente aquele “irmão Wu” tinha com Lei Cheng, nem se ele sabia do que acontecera com Lei Cheng no passado.

    — Velho Hu, não se mete nisso. Não tem nada a ver com você — disse Lei Cheng.

    — Como assim não tem nada a ver comigo? Isso é coisa em que você pode se meter? Qual das duas, a família Ding ou a família Li, dá para provocar sem consequência? Se você se envolver, não vai arranjar problema para a sua família? Eu, que sou seu irmão… vou ficar olhando você se jogar na fogueira? — Do jeito que falou, Hu Xilin estava sendo leal de verdade.

    — Que fogueira? O que o Lei You te falou? — Lei Cheng franziu de leve a testa.

    Na verdade, estava arrancando informação.

    Nas duas ligações anteriores, Lei Cheng não tinha perguntado em detalhe o que Hu Xilin ouvira. Não havia necessidade; bastava rebater e mandar não se meter.

    Agora era diferente.

    Precisava saber o que Lei You tinha dito.

    — Ele só falou… — Hu Xilin era um homem franco. Ia contar, mas hesitou por um instante e lançou um olhar para Wu Chen.

    Podia falar na frente daquele “irmão Wu”?

    Podia!

    Porque Lei Cheng tinha perguntado na frente dele, sem se importar que o irmão Wu ouvisse. Para Hu Xilin, isso queria dizer que não havia nada a esconder.

    Afinal, o próprio Lei Cheng não se importava nem tomava cuidado com aquele irmão mais novo.

    Se o maior interessado não tinha objeção, Hu Xilin, como “alguém de fora”, não tinha por que se preocupar!

    — Falou o quê? Para de enrolar. Aqui ninguém é de fora, fala logo — Lei Cheng ainda o apressou, de testa franzida.

    — Ele me disse que você fez a senhorita Tao aceitar ser garota-propaganda da empresa da Li Ruobing, e que, do lado da família Ding… o Ding Ruilong não quer deixar os negócios da Li Ruobing crescerem. O Ding Ruilong não te ligou? Você deu uma patada nele, e aí ele foi procurar o seu irmão mais velho…

    Hu Xilin falava escolhendo as palavras, mas então acelerou:

    — Me diz, para quê isso? E se a família Ding resolver mexer com a Hongfa por causa disso? Por acaso a Li Ruobing e o Li Ruotai estão te obrigando? Para que se meter nesse rolo?

    — A gente que faz negócio tem mais é que ficar longe dessas brigas de família grande, e pronto. Viver em paz não é melhor? Isso não é procurar sarna para se coçar?

    Hu Xilin estava sendo meio alarmista.

    A família Ding jamais iria atrás do Grupo Hongfa por uma coisa tão pequena.

    Hu Xilin exagerava de propósito, para ver se Lei Cheng mudava de ideia.

    Ele realmente não entendia o que se passava na cabeça de Lei Cheng. Por que se meter? Dava para evitar completamente!

    Nos negócios, o que importa é a harmonia. Briga desnecessária, é melhor ficar fora; se dá para evitar, evita!

    — Como assim procurar sarna para se coçar? — rebateu Lei Cheng. — A Manying assinou contrato com a Huancai, está cumprindo o contrato. Não foi fácil para ela chegar aonde chegou. E a reputação dela? Quebrar contrato pega bem? Precisa quebrar contrato?

    — Vai se fazer de desentendido comigo, é? — Hu Xilin se exaltou um pouco e bateu com os dedos no tampo da mesa de centro. — Acha que o seu irmão aqui ia te prejudicar? Quebrar contrato é fácil! Manda a senhorita Tao se internar, arranja um laudo médico falso, força maior… e pronto, o contrato não está desfeito?

    — Isso não é enganar os outros? Se descobrirem, aí é que vai dar mais problema, não? — devolveu Lei Cheng.

    — Enganar… enga… Tá bom! Então a gente não engana! — Hu Xilin pensou e mudou de rumo. — Então conta a história para a Li Ruobing, deixa ela saber, que tal? Ela vai criar caso com você? Vocês dois não são amigos?

    — Se ela souber que a sua família está te pressionando… ou então fala direto que o Ding Ruilong te ameaçou. Fala assim, que ela com certeza vai entender!

    Hu Xilin observou a reação de Lei Cheng, fez uma pausa e foi direto ao ponto:

    — Se você ficar sem graça, eu mesmo procuro a Li Ruobing. Falo com ela por você, compenso em particular, explico tudo direitinho. A gente tem as nossas dificuldades, os nossos motivos! É só ela saber. Ela não é uma pessoa sem noção, com certeza vai aceitar rescindir.

    Que Hu Xilin adorava se meter na vida dos outros era verdade. Que era leal também era.

    Sabia falar, sabia dar ideias e tinha coragem de se expor por um amigo.

    Além disso, sabia que Li Ruobing, embora fosse meio dominadora, era muito razoável e não criava dificuldade para os amigos! Se descobrisse que tinha causado problema a um amigo, com o gênio que tinha, com certeza ela mesma daria um jeito de resolver!

    — E quem te disse que eu e a Li Ruobing somos amigos? — Lei Cheng devolveu a pergunta, num tom meio estranho.

    — Você… então você… não é? — Hu Xilin travou na hora, totalmente desnorteado com a pergunta.

    — Eu e a senhorita Li nem nos conhecemos. A gente nunca se viu — disse Lei Cheng.

    Hu Xilin continuou desnorteado.

    Não fazia sentido! Se Lei Cheng nem conhecia Li Ruobing, como Tao Manying tinha ido parar como garota-propaganda da Huancai? Não podia ser porque Tao Manying e Li Ruobing eram amigas e, por isso… impossível!

    Tao Manying jamais decidiria por conta própria representar os produtos da empresa de Li Ruobing; aquilo podia arranjar problema para Lei Cheng.

    E mais: uma grande estrela do nível de Tao Manying, em condições normais, jamais faria propaganda para uma empresa pequena como a Huancai Fashion! O simples fato de ela ser garota-propaganda da Huancai Fashion já era fora do normal. Com certeza a decisão tinha sido de Lei Cheng!

    Então… por causa de Li Ruotai? Lei Cheng era amigo de Li Ruotai?

    Não! Mais impossível ainda!

    Todo mundo no meio empresarial de Donghai sabia que Li Ruobing não usava as relações da família para fazer negócios. Era orgulhosa e independente ao extremo! Nunca recorria aos contatos do irmão mais novo! Ninguém sabia por quê; aquela obstinação em ser independente chegava a ser estranha!

    Portanto, também não podia ser por causa de Li Ruotai!

    Hu Xilin não conseguia entender de jeito nenhum.

    — Nunca se viram? Então… então foi por causa de… — perguntou, ainda perdido.

    — Por causa do meu irmão, ué — disse Lei Cheng.

    E, enquanto falava, ergueu a mão e deu um tapinha no ombro de Wu Chen, sentado na poltrona ao lado.

    Hu Xilin olhou para Wu Chen, atônito.

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