Capítulo 506 — De coração partido
por NexoNovelCapítulo 506 — De coração partido
— Um encontro pessoal… Perfeito, Mestre Wu. Quando seria mais conveniente para o senhor?… — retribuiu Lei Cheng, soltando um riso afável. O timbre rouco e áspero transbordava reverência.
Quanto maior a reverência, contudo, maior a distância diplomática.
— Que tal marcarmos para a tarde de hoje, Chefe Lei?… — sugeriu Wu Weidong, após maturar a ideia por alguns instantes.
Trocaram mais algumas frases de ajuste, definiram o local e o horário da conversa, despediram-se com as mesuras habituais e encerraram a chamada.
Desconectada a linha, Wu Weidong permaneceu apertando o aparelho na palma da mão, com um semblante instável e sombrio. Marcar um encontro cara a cara com o cauteloso e discreto Lei Cheng revelara-se mais simples do que calculara.
Contudo, pela blindagem que o homem demonstrara na conversa, arrancar qualquer dado de suas entranhas seria uma missão quase insuperável.
Ainda assim, Wu Weidong já tinha como validar um fato incontestável: a associação entre Wu Yurong e Lei Cheng descortinada por Wu Chen era, sem sombra de dúvida, real.
Se os meandros da operação coincidiam com exatidão àquilo que ouvira, porém, continuava sendo uma incógnita.
Com a mente fervilhando, discou para o administrador-geral Xu Shisong. A resposta veio quase instantânea:
— Xiao Xu, traga alguns homens até o pavilhão. E mande o Wang Zhiheng vir junto… Hum… Isso… Cuide disso agora.
Xu Shisong servia Wu Weidong havia três décadas; conhecia o temperamento do patrão melhor do que qualquer outra alma viva.
O magnata sequer precisara aprofundar as ordens: Xu Shisong compreendera na hora que Wang Zhiheng entrara na mira!
Poucos minutos se esvaíram.
Passos apressados e descompassados ressoaram pela laje do jardim dos fundos. Xu Shisong aproximava-se escoltado por quatro guarda-costas da equipe. Wu Weidong segurava uma peça de xadrez entre as pontas dos dedos, contemplando a partida interrompida sobre a madeira.
Os cinco cruzaram o limiar do pavilhão.
— Patrão — cumprimentou Xu Shisong.
Os outros quatro permaneceram perfilados em rigidez militar, com semblantes tensos; ignoravam a razão pela qual o senhor os convocara de supetão e limitavam-se a aguardar as diretrizes.
Wu Weidong pousou a peça de xadrez sobre o tabuleiro, girou o tronco e correu os olhos pela fila, fixando a mira no guarda-costas esguio de rosto comprido e terno sóbrio.
O sujeito acabara de completar trinta anos de idade; veterano das forças armadas, usava o cabelo raspado na máquina e ostentava um porte ágil e resoluto.
A estampa clássica de um operador de segurança de alto escalão.
Tratava-se de Wang Zhiheng!
— Xiao Wang — chamou Wu Weidong, com a voz carregada de frieza.
— Patrão — atendeu Wang Zhiheng, dando um passo à frente enquanto inclinava levemente o queixo.
— Entregue-me o seu celular — ordenou Wu Weidong.
Wang Zhiheng estacou por uma fração de segundo. Houve uma vacilação quase imperceptível, mas ele nada contestou; levou a mão ao bolso interno do terno e sacou o aparelho pessoal.
— Desbloqueie — sentenciou o veterano.
Wang Zhiheng acionou o leitor biométrico com a digital e estendeu o aparelho ao patrão.
Wu Weidong deslizou os dedos pela tela, abrindo o registro de chamadas do sistema: constatou que o último registro datava daquela mesma manhã. Era uma chamada recebida, vinda do próprio Xu Shisong.
Wu Chen asseverara que o segurança provavelmente entraria em contato com o segundo filho, Wu Yuning, para avisá-lo. No aparelho, contudo, não constava registro algum.
Restavam três hipóteses.
Primeira: a leitura de Wu Chen fora equivocada, e o relatório que ele possuía estava corrompido na raiz.
Segunda: Wang Zhiheng expurgara o registro logo após encerrar a conversa.
Terceira: Wang Zhiheng portava um segundo aparelho clandestino.
Wu Weidong não podia se dar ao luxo de presumir que Wu Chen estivesse errado; caso a suspeita fosse verídica, a brecha na sua segurança seria intolerável. Ele precisava cavar até o fundo.
Quanto à hipótese de exclusão… Apagar o histórico da memória local era simples, mas as faturas detalhadas das operadoras de telefonia permaneciam imutáveis: uma vez que a suspeita recaía sobre o indivíduo, limpar o aplicativo mostrava-se inútil. Portanto, caso o homem fosse dotado de um mínimo de cautela…
— Há mais algum? Este é o seu único aparelho? — cobrou Wu Weidong, voltando o pescoço na direção do segurança.
— É apenas este, patrão. Os dois chips de linha estão instalados nele — garantiu Wang Zhiheng; se antes demonstrara hesitação, agora sua postura era de absoluta compostura, sem traço algum de aflição.
Wu Weidong sustentou o olhar do subordinado.
O rosto do rapaz não traía o menor tremor; exibia a serenidade de quem desfruta de uma consciência imaculada.
— Ha! — Wu Weidong soltou uma risada curta e fria: — Xiao Wang, você faz ideia de quantas traições eu já enfrentei ao longo de toda esta vida? Um homem injustiçado jamais agiria com essa fleuma desmedida; no mínimo, demonstraria alguma perplexidade diante da ordem. Você, pelo contrário, parece antecipar exatamente a natureza da minha desconfiança. Por que tanta serenidade?
Por mais fragilidades que Wu Weidong acumulasse, ainda era o respeitadíssimo Mestre Wu de Donghai, o terceiro homem mais rico de toda a região!
No quesito dissimulação e tirocínio de bastidores, podia não ombrear com Su Ruiwen ou Lei Cheng; contudo, para um simples guarda-costas tentar medir astúcia contra ele, faltava muita estrada!
— Patrão, eu… — começou Wang Zhiheng, forçando uma expressão de espanto tardia.
Xu Shisong, contudo, sabia decifrar as microexpressões do patrão como ninguém; ergueu a mão num gesto fulminante e, antes que o segurança completasse a frase, dois agentes postados na retaguarda avançaram e imobilizaram Wang Zhiheng pelos braços.
O golpe foi cirúrgico.
Wang Zhiheng esboçou uma reação por puro reflexo, mas congelou no segundo seguinte, petrificado pelo pânico… Xu Shisong iniciou a revista tática em suas roupas.
Sem qualquer dificuldade, extraiu um segundo celular escondido no forro do terno do homem.
— Desbloqueie — ordenou Xu Shisong, sem mover um músculo da face, empurrando a tela contra a linha de visão do traidor.
O pavor inundou as pupilas de Wang Zhiheng. Olhou para Xu Shisong, fitou o visor e titubeou por um milésimo de segundo… Xu Shisong não desperdiçou tempo: agarrou a mão direita direito do rapaz à força e pressionou-o contra o sensor de leitura.
Dispositivo desbloqueado.
Xu Shisong deu um passo atrás e entregou o aparelho a Wu Weidong.
O patriarca deslizou o polegar pelo histórico de chamadas… A lista estava completamente vazia! Fez uma pausa, digitou uma sequência numérica e acionou a discagem.
Trim, trim!
O telefone pessoal de Wu Weidong, pousado sobre a mesa de madeira, começou a tocar no mesmo instante.
O veterano apanhou seu próprio aparelho, conferiu o número chamador na tela e encerrou a linha; precisava unicamente registrar a sequência do chip clandestino. No segundo seguinte, acionou uma discagem direta para outro contato em sua lista particular.
A resposta veio em poucos toques.
— Preciso da radiografia completa de uma linha; extraia o espelho de chamadas agora mesmo… — Ditou a sequência do segundo chip de Wang Zhiheng e encerrou a chamada sem delongas.
Mal pousou o aparelho de volta sobre a mesa…
Tum!
O guarda-costas Wang Zhiheng desabou de joelhos contra o piso do pavilhão, em absoluto desespero. Assim que o extrato detalhado da operadora aterrissasse na tela de Wu Weidong, sua sentença estaria lavrada!
Não havia mais como sustentar a farsa!
— Patrão! Patrão, eu… eu… — balbuciava o homem prostrado, a voz entrecortada por tremores incontroláveis.
— Você costuma repassar informações para o Xiao Ning? — inquiriu Wu Weidong, o semblante cerrado em ferro frio.
Somente naquele instante os demais agentes de segurança compreenderam a extensão da podridão que cercava Wang Zhiheng.
Xu Shisong, impassível ao lado da mesa, sacou uma arma de fogo de dentro da roupa; o estalo seco do ferrolho manobrando a munição para a câmara fez a espinha de Wang Zhiheng estremecer da cabeça aos pés.
Na condição de braço direito de Wu Weidong e único homem autorizado a portar armas de fogo dentro dos limites da Mansão Senlan, Xu Shisong decifrava as intenções do magnata antes mesmo de serem verbalizadas.
— No fim das contas, o Xiao Ning é meu filho de sangue; eu não vou arrancar a cabeça dele, e ele sabe muito bem disso… Mas e você? Acha mesmo que ele moverá uma palha para salvar a sua pele? — indagou Wu Weidong, fitando-o com o canto dos olhos.
— Patrão! Patrão, eu fui coagido, patrão!… O Segundo Jovem Mestre, ele… — O guarda-costas empalideceu a ponto de perder o fôlego e passou a despejar confissões ininterruptas, desmanchando-se em delações compulsivas.
…
Simultaneamente, no corpo principal da Mansão Senlan, na extremidade sul do corredor do terceiro andar.
Wu Chen mantinha uma das mãos afundada no bolso da calça, contemplando a arquitetura paisagística através da vidraça enquanto conversava ao celular com Lei Cheng… Fora o próprio magnata quem acabara de ligar.
— …Pode abrir o jogo na medida que achar conveniente. Hum… Não se preocupe… Eu já trancei os pontos com ele, não teremos sobressaltos…
Assim que finalizara a conversa com Wu Weidong, Lei Cheng contatara imediatamente Wu Chen; precisava alinhar com rigor cirúrgico os tópicos abordados com o patriarca, distinguindo o que tinha autorização para confirmar daquilo que deveria permanecer sob sigilo absoluto.
Muito embora Wu Weidong fosse o pai biológico de Wu Yurong, o poder de decisão residia unicamente nas mãos de Wu Chen.
Para além da questão de Wu Weidong, os dois aproveitaram o canal para afinar os passos em relação a Lei You.
Havia pouco mais de meio mês, no primeiro encontro reservado entre Wu Chen e Lei Cheng, o jovem lhe fornecera o número de celular crucial atrelado à acidente de carro sofrido por Lei Cheng anos atrás.
A esta altura, Lei Cheng já havia encontrado a pessoa ligada àquele número.
E o trouxera para Donghai.
O terreno estava pronto para estruturar a armadilha que forçaria Lei You a apunhalar Ding Ruilong pelas costas; faltava apenas recrutar uma peça-chave: um pessoa próxima de Lei You.
Wu Chen não se estendeu sobre o tema ao telefone; não havia necessidade alguma, tampouco demandava um encontro presencial.
Manobras de coação e aliciamento, para quem dominava os segredos de todo o tabuleiro, eram operações banais!
Um simples número de telefone, uma amante ou uma conta bancária… Bastava puxar uma ponta solta e operar uma engenharia reversa para escavar o trunfo letal capaz de liquidar qualquer alvo!
Tac, tac.
O estalo característico de saltos altos quebrou o silêncio. A porta de uma das suítes do terceiro piso entreabriu-se, e Wu Yurong surgiu no limiar; cansara-se de aguardar Wu Chen no quarto e, ao pescar o murmúrio abafado de sua voz na galeria, viera verificar o corredor.
Ao divisar o rapaz ao telefone na extremidade da passagem, conteve os passos para não importuná-lo.
— …Assim que atrairmos o Lei You para Donghai, nós o o capturamos… — Wu Chen arrematou as últimas diretrizes com Lei Cheng e encerrou a linha.
Guardou o aparelho no bolso e virou o corpo.
— Querido… — chamou Wu Yurong, aproximando-se com passos macios.
Wu Chen também caminhou em sua direção.
— Como foram as coisas, querido? — sussurrou ela, com a voz aveludada, assim que encurtaram a distância. Deserta a galeria, enlaçou a cintura de Wu Chen com os dois braços e ergueu o rosto, cravando os olhos nos dele.
— Não devemos ter maiores entraves — soprou ele, com um meio sorriso brando: — A única aresta que pode render alguma fricção diz respeito à sua mãe; contudo… se o senhor consentir na cessão das ações, imagino que do lado dela… não haverá crise insuperável, certo?
A participação acionária repousava sob a titularidade de Wu Weidong.
Contudo, sob o prisma da estrita legalidade civil, aquele patrimônio societário integrava a comunhão de bens do casal; caso marido e mulher entrassem em rota de colisão frontal, seria extremamente penoso consumar a transferência integral para o nome de Wu Yurong.
Era de conhecimento público que Han Yuzhi sempre fora cega pelo segundo filho.
Todavia… a família Wu era, em última análise, um feudo submetido às deliberações conjuntas de Wu Weidong e Wu Yurong!
E, exatamente por devotar semelhante apego ao segundo herdeiro, Han Yuzhi jamais suportaria ver o filho apodrecer no cárcere; por essa razão, Wu Chen não precisava despender energia com a matriarca. Bastava dobrar Wu Weidong.
Do restante da equação, a própria Wu Yurong se encarregaria!
— Quanto à minha mãe… — Wu Yurong fez uma pausa calculada antes de abrir um sorriso adocicado: — Ela não será problema.
— Quer dar um passeio pelas dependências? — convidou ela em seguida.
— Vamos — anuiu Wu Chen.
Wu Yurong conduziu-o num passeio tranquilo pelas instalações da propriedade. Conforme caminhavam, proseavam sem pressa; naturalmente, ela o sondou sobre o teor da conversa mantida com o patriarca, e Wu Chen descortinou as linhas gerais da conversa.
Para Wu Yurong, mesmo após absorver o resumo da ópera, continuava soando inverossímil que o pai aceitasse ceder a totalidade das ações em prazo tão exíguo.
Não era apenas porque o laço de sangue turvava sua isenção analítica — no fim das contas, quem está no centro do furacão raramente enxerga o horizonte com nitidez —, mas sim porque havia variáveis que ela desconhecia por completo.
Wu Chen não esgotara os detalhes para Wu Weidong, mas armara as iscas para que o velho investigasse por iniciativa própria. E o patriarca desenterraria segredos que nem mesmo Wu Yurong dominava naquele momento.
Quanto mais podres trouxesse à tona, mais nítida ficaria a gravidade das fraturas internas do família Wu, e maior seria o terror de ver os conspiradores sabotarem os rumos da corporação.
Mais de meia hora se esvaiu.
Após paradas sucessivas para apreciar a arquitetura da Mansão Senlan, Wu Chen e Wu Yurong retornaram ao corpo principal da residência.
O relógio já ultrapassara as onze da manhã.
Aproximava-se o horário do almoço.
No salão de banquetes do térreo, adornado em clássico estilo tradicional chinês, os criados haviam organizado uma recepção farta. A mesa exibia uma variedade generosa de travessas que, embora não ostentassem iguarias raras, primavam pelo refino de receitas caseiras impecavelmente executadas.
Como o desembarque de Wu Yurong com o convidado fora inesperado e a propriedade situava-se em zona rural afastada, as compras de insumos mostravam-se complexas; não houvera tempo hábil para estruturar um refeição mais elaborada.
— Senhor Wu, a mesa é modesta, mas acomode-se, por favor, acomode-se… — Wu Weidong já aguardava no salão quando o casal adentrou o recinto, recepcionando o jovem com um sorriso polido.
Wu Chen e Wu Yurong acomodaram-se lado a lado, posicionados de frente para Wu Weidong.
Pouco depois, Han Yuzhi desceu a escadaria e juntou-se ao grupo na sala de jantar.
Apenas os quatro compartilhavam a mesa.
O clima transcorria sob uma atmosfera curiosamente densa. Han Yuzhi já confrontara a filha e assimilara a natureza do vínculo clandestino entre ela e Wu Chen; independentemente do que fermentasse em suas entranhas, não tinha peito para destilar qualquer hostilidade contra o rapaz diante de Wu Yurong.
Limitava-se a desempenhar o papel de senhora elegante e distinta, mantendo um sorriso inalterável nos lábios.
Wu Weidong, por sua vez, exibia oscilações emocionais evidentes; até a condescendência com que se dirigia à esposa, Han Yuzhi, adquirira contornos de frieza atípica! Saltava aos olhos que sua mente era devorada por dilemas graves.
O detalhe mais intrigante, contudo, residia no brilho fugaz que lampejava em suas pupilas sempre que cruzava o olhar com Wu Chen.
O segurança traidor capitulara e confessara tudo; e aquilo que ouvira partira o coração do veterano em pedaços! Não julgava ter falhado na partilha de recursos com os herdeiros homens: a divisão igualitária da herança era impossível; a parcela hegemônica precisava, forçosamente, ser confiada ao mais capaz, única garantia de que a obra de toda a sua existência não fosse pulverizada pelo vento.
Isso não significava que tivesse deserdado os filhos: o patrimônio já concedido a ambos garantia-lhes luxo e opulência até o fim de seus dias.
Não fosse pela intervenção de Wu Chen naquele dia, Wu Weidong jamais sonharia que o segundo filho, movido por uma cupidez desmedida pela herança, fizera tantas coisas dolorosas pelas costas da família.
Chegava a ter a impressão asfixiante de que o próprio filho desejava sua morte!
Caso ele perecesse, a matriarca, que idolatrava o herdeiro homem, moveria o céu e a terra para colocar as ações para as mãos do caçula.
Wang Zhiheng fora aliciado por Wu Yuning três anos antes; o rapaz o considerava um homem de confiança. O segurança não apenas espionava o patriarca, mas dominava inúmeros podres das operações do Segundo Jovem Mestre; tomado pelo medo, descarregara tudo nos ouvidos de Wu Weidong.
O velho já auditara as revelações pertinentes ao guarda-costas; dali por diante, estenderia a devassa aos desvios perpetrados pelo cunhado, pelo sobrinho e pelos demais cúmplices da facção.
Sem que notassem a marcha dos minutos, o meio-dia aterrissou no relógio.
Wu Weidong, que até então mantivera uma conversa amena recheada de cordialidades vazias, ergueu os olhos na direção de Wu Chen e indagou, abrindo um sorriso comedido:
— Senhor Wu, reservei uma conversa com o Chefe Lei para o período da tarde; gostaria de nos acompanhar?
Wu Chen, que acabara de trocar um sussurro íntimo com Wu Yurong, voltou o rosto para o anfitrião e respondeu, sustentando um meio sorriso sereno:
— Não há necessidade; o irmão Lei já me contatou por telefone. Os senhores podem conversar à vontade.
Cartas na mesa!
Wu Weidong comunicava de forma tácita: dei a largada nas averiguações.
E Wu Chen retrucava com placidez absoluta: vá em frente, audite o quanto quiser.
Trim, trim…
O celular tocou novamente. Desta vez, era o aparelho de Wu Chen.
— Peço licença aos senhores — desculpou-se ele, sorrindo. Sacou o telefone do bolso, conferiu o visor e atendeu: — Chefe Mao.
Era Mao Rusong do outro lado da linha.
— Senhor Wu, Ding Ruilong acabou de me ligar — soltou Mao Rusong, traindo uma ponta inconfundível de tensão na voz.
As sobrancelhas de Wu Chen arquearam-se no ato.
