Novels chinesas em português
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    Capítulo 026 — Eu, Wu Chen, venho de uma família comum!

    Wu Chen estava muito intrigado.

    Como alguém já tinha começado a segui-lo e vigiá-lo naquele momento?

    Sua nova vida só havia começado naquele dia. É verdade que muita coisa já acontecera, mas, considerando apenas a velocidade com que as informações podiam se espalhar, ninguém deveria ter voltado a atenção para ele tão cedo.

    Ding Ruilong?

    Ding Ruilong não era nenhum deus. Não tinha como saber da existência de Wu Chen naquele momento. No mínimo, levaria mais alguns dias.

    Então por que já o estavam seguindo?

    Seria Li Ruotai?

    Tinha mandado alguém vigiá-lo até quando ele ia ao banheiro?

    Pensando melhor, também não fazia sentido. Li Ruotai não faria uma coisa tão idiota. E seus subordinados de confiança não seriam tão incompetentes a ponto de serem descobertos com tanta facilidade.

    Wu Chen continuou pensando, mas não diminuiu o passo. Comer ainda era mais importante.

    Sua vida finalmente estava livre. Precisava aproveitá-la bem e não se privar de nada.

    Talvez ser vigiado significasse que alguma coisa estava acontecendo. Talvez até houvesse algum perigo.

    Mas…

    Tanto fazia!

    Wu Chen não acreditava que surgiria uma situação inesperada que nem ele fosse capaz de enfrentar. Se acontecesse, teria desperdiçado por completo os mil anos de ciclos temporais.

    Pouco depois de Wu Chen entrar na sala privativa e fechar a porta, um homem de boné apareceu na esquina do corredor. Colocou a cabeça para fora, observou a porta por um instante e então pegou o celular e fez uma ligação.

    — Alô, chefe.

    — Onde ele está?

    — Almoçando com o Jovem Mestre Li e a senhorita Li.

    — Continua seguindo. Toma cuidado, não deixa descobrirem.

    — Sim, chefe, pode deixar. Ah, chefe, será que eu devia tentar ouvir o que eles estão conversando…

    — Você ficou maluco, porra? Se o Jovem Mestre Li descobrir, amanhã você vira comida de peixe! Só segue com cuidado e vê onde ele vai no fim.

    Dentro da sala privativa.

    — Sobre o que estavam conversando? — perguntou Wu Chen com um sorriso casual, puxando a cadeira para se sentar.

    — Sobre você, cunhado — respondeu Li Ruotai na mesma hora.

    Parecia até mais educado do que antes.

    — Cunhado, ainda nem perguntei: você é de Donghai?

    — Sou. De um condado da região, Ning’an — respondeu Wu Chen, no tom de quem apenas puxava conversa.

    Assim que Li Ruotai abrira a boca, Wu Chen já sabia o que ele pretendia. Estava apenas tentando arrancar informações.

    Li Ruobing também sabia. Mas não o interrompeu. Na verdade, também queria ouvir o que Wu Chen diria.

    — Do condado, é? E agora você mora na cidade?

    — Moro. Numa rua antiga do distrito de Dongcheng, no Residencial Yuehe.

    — Ora, ali… já é a parte velha da cidade. Só tem casa antiga. Cunhado, com tanta capacidade assim, nunca pensou em comprar uma casa melhor?

    — Não. É uma casa antiga da família. Dá pra morar muito bem.

    — Uma casa antiga da família?

    Li Ruotai repetiu as palavras de Wu Chen. Tinha achado uma brecha.

    Fez uma pequena pausa antes de dizer:

    — Cunhado, você não acabou de dizer que sua família é do condado de Ning’an? Como é que vocês também têm uma casa antiga na cidade?

    A lógica parecia não bater.

    — É uma casa antiga da família — repetiu Wu Chen, erguendo a cabeça e sorrindo. — Quando meus pais eram jovens e tinham acabado de se casar, vieram juntos tentar a vida na cidade. Meu pai é cozinheiro. Sabe fazer lamian, pratos salteados, esse tipo de coisa. Minha mãe estudou um pouco mais e trabalhava como contadora. Isso foi há mais de vinte anos. As casas também eram baratas naquela época. Os dois economizaram durante vários anos até conseguirem dar a entrada e financiar aquele imóvel.

    — Depois… antes de meu avô morrer, ele passou muitos anos com a saúde ruim. Quando minha avó faleceu, meus pais começaram a pensar em como cuidar dele. Naquela época queriam arrumar um ponto comercial na cidade e abrir um negócio, mas não tinham dinheiro suficiente. Então acabaram simplesmente voltando para o condado, abriram um restaurante por lá e assim também podiam cuidar do velho.

    — Depois disso, a casa da cidade ficou alugada durante vários anos. Os preços não paravam de subir e eles não tiveram coragem de vender. Quando entrei no ensino médio, no Colégio nº 1 de Donghai, voltei para a cidade e fui morar nela.

    Wu Chen não se incomodava de falar um pouco sobre a própria família. Sabia que, com o poder de Li Ruotai, bastariam alguns minutos para investigar tudo a seu respeito.

    Havia um ponto digno de nota.

    Wu Chen tinha atravessado para um universo paralelo. Mas, embora tivesse ido parar num universo paralelo, sua identidade não havia mudado. Por isso, na verdade, os pais, parentes e amigos que ele tinha naquele mundo eram os mesmos de antes da transmigração.

    Naturalmente, os sentimentos também eram os mesmos.

    As experiências de vida tinham algumas diferenças, mas, no geral, eram muito parecidas.

    Depois de ouvir o relato simples de Wu Chen, apenas duas palavras restaram na cabeça de Li Ruotai:

    Comum demais!

    Comum!

    Mais de vinte anos antes, os pais de Wu Chen também tinham sido jovens cheios de sangue nos olhos. Foram juntos tentar a vida numa grande cidade, como tantas pessoas daquela época, querendo trabalhar duro para conquistar um futuro melhor.

    Mas o destino sempre gostou de brincar com as pessoas.

    Depois de enorme esforço, conseguiram comprar uma casa na cidade. Ainda assim, por diversos motivos e sem outra escolha, acabaram voltando para a terra natal. Aceitaram o próprio destino — e também passaram a ter uma vida estável.

    Wu Chen era o homem comum saído de uma família comum como aquela…

    Só que não!

    Li Ruotai não acreditava numa única palavra do que Wu Chen acabara de dizer.

    Vai enganar fantasma!

    Uma pessoa comum conseguiria saber tanta informação como se previsse o futuro?

    Uma pessoa comum teria técnicas de jogo superiores às de um dos maiores especialistas de Macau?

    Uma pessoa comum cortaria a mão de alguém sem nem piscar?

    Na verdade, Wu Chen não havia mentido em uma única palavra. Antes de “ontem”, ou seja, antes de 7 de julho de 2020, ele realmente era uma pessoa comum. Se não tivesse passado trezentas e sessenta e cinco mil vezes pelo dia 7 de julho, o Wu Chen daquele dia ainda seria uma pessoa comum.

    — Cunhado, quando você fazia o ensino médio, já morava sozinho? Seus pais nunca pensaram em vir morar com você para acompanhar os estudos? — perguntou Li Ruotai, ainda sem desistir.

    — Não — respondeu Wu Chen. — Tenho uma irmã mais nova, cinco anos mais nova do que eu. Alguém precisava cuidar dela. E o restaurante de lamian da família também não podia fechar. A gente precisava viver. Eu já tinha quinze ou dezesseis anos. Não tinha problema nenhum ficar sozinho. Se me dessem dinheiro pra comida, eu não morreria de fome. Um garoto vai ter medo de quê?

    Não acreditava!

    Li Ruotai continuava sem acreditar!

    Quem acreditasse era um imbecil!

    Não era possível alguém tão comum, tão normal!

    Quanto mais comum Wu Chen descrevia a própria situação familiar, mais problemático ele parecia aos olhos de Li Ruotai.

    Ele certamente investigaria Wu Chen. E Wu Chen também sabia que Li Ruotai faria isso.

    Mas!

    Podia investigar à vontade!

    A última coisa que Wu Chen temia era ser investigado!

    Se Li Ruotai realmente conseguisse descobrir alguma mentira, ou algum passado extraordinário que Wu Chen estivesse escondendo, aí sim seria um milagre.

    Porque tudo aquilo era verdade.

    — Cunhado, suas técnicas de jogo são impressionantes — disse Li Ruotai, começando com uma bajulação. — Com quem você aprendeu? Se não for inconveniente contar.

    — Fui aprendendo sozinho, quando não tinha nada pra fazer — respondeu Wu Chen casualmente.

    Aquilo, sim, era mentira.

    Mas…

    Só Deus poderia descobrir de onde vinham as técnicas de jogo de Wu Chen. Afinal, o período em que as aprendera já havia sido apagado pelas reinicializações.

    — E como é que você sabe… aquelas coisas? — perguntou Li Ruotai outra vez.

    Falava das informações.

    — Isso é segredo profissional. Negócios.

    Wu Chen sorriu com um ar de mistério, de propósito.

    — Já chega, né? Vai querer conferir até o registro de família dele agora? — disse Li Ruobing, impedindo o irmão de continuar.

    Ele tinha chegado a perguntas que não devia fazer.

    Li Ruobing sabia que Wu Chen era um corretor de informações. Então, naturalmente, havia coisas que ele não poderia revelar.

    Toc, toc!

    Alguém bateu à porta.

    Antes mesmo de receber resposta, a porta se abriu. Era um garçom trazendo os pratos.

    Comida francesa. Bife, foie gras, sopa de abóbora com milho e algumas sobremesas.

    O almoço foi muito agradável. Enquanto comiam, conversaram sobre assuntos variados. Acabaram se conhecendo um pouco melhor.

    Depois do almoço, os três deixaram o restaurante juntos, mas entraram em carros diferentes.

    Wu Chen seguiu com Li Ruobing direto para a Huancai Fashion. Li Ruotai voltaria para o Clube Huangguan.

    Despediram-se e partiram.

    Sentado no banco de trás do Maybach, Wu Chen primeiro inclinou a cabeça para olhar o retrovisor. Depois se virou e olhou pela janela traseira.

    Li Ruobing não sabia o que ele estava observando e também olhou para trás.

    Havia muitos carros na rua. O carro dos guarda-costas vinha logo atrás. Não parecia haver nada de especial.

    — O quê? Já está com saudade do meu irmão? Ele já foi longe, não dá mais pra ver — brincou Li Ruobing.

    Era muito raro ela provocar alguém daquele jeito. Só fazia isso quando já havia bastante familiaridade.

    Em apenas meio dia, a relação entre os dois podia ser descrita como tendo avançado a passos largos.

    — Não é nada — respondeu Wu Chen com um sorriso.

    Na verdade, ele havia descoberto que um carro os seguia.

    E já sabia quem tinha mandado aquele carro.

    No corredor do restaurante, o homem usava um boné. Wu Chen não conseguira ver o rosto e não sabia quem ele era.

    Mas uma pessoa pode se disfarçar. Um carro, não.

    Wu Chen conhecia Donghai bem demais. Reconhecera o discreto Volkswagen preto que vinha atrás.

    O guarda-costas sentado no banco do passageiro da frente levou a mão ao fone do comunicador. Escutou alguma coisa com atenção e respondeu em voz baixa:

    — Entendido.

    Depois se virou para Li Ruobing.

    — Chefe, o carro de trás informou que tem um veículo seguindo a gente.

    Nota