Novels chinesas em português
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    Capítulo 226 — Você é mesmo uma figura

    Wu Chen apenas havia se virado para olhá-la. Não fizera nenhum movimento e ainda mantinha no rosto seu sorriso natural de sempre.

    — Eu errei, professor, não me bate… ai… dói… não me belisca… — He Xinxin continuou, com a voz assustada e até trêmula, como se realmente estivesse apavorada.

    — Professor, para… não bate no meu rosto… meu cabelo… dói…

    — Seu… seu pervertido! Você bate numa menina… está me batendo… vou contar pra minha mãe…

    He Xinxin entrou direto no personagem. Era como se realmente estivesse apanhando. No começo, demonstrava dor e medo, com a voz trêmula; depois, o tom ganhou até um choro carregado de terror.

    Ela chegou a produzir os próprios efeitos sonoros. Bateu uma palma contra a outra — pá! — como se Wu Chen tivesse lhe dado um tapa no rosto.

    Quando terminou de falar, lágrimas já caíam uma após a outra daqueles olhos grandes e assustados.

    A atuação podia ser considerada extremamente profissional!

    Na verdade, vista por outros aspectos, a atuação de He Xinxin era bem rudimentar. Ela nunca recebera treinamento profissional, então isso era normal. Mas… conseguir fazer as lágrimas caírem na hora era uma espécie de talento.

    Não talento para atuar, mas um talento fisiológico.

    Algumas pessoas simplesmente conseguem chorar sob comando, sem treinamento algum. Outras não conseguem nem depois de praticar.

    Sem preparação alguma e sem conversa desnecessária.

    He Xinxin entrou no ateliê, fechou a porta e começou a atuar imediatamente. Isso, por si só, bastaria para assustar alguém. Se fosse outra pessoa — por exemplo, um pintor famoso de quarenta ou cinquenta anos, ou um professor de meia-idade convidado da Academia de Belas-Artes de Modu —, provavelmente sentiria medo na mesma hora.

    Porque acharia que a menina estava atuando bem demais!

    E entraria em pânico!

    Desde que uma menina não deixasse falhas evidentes, suas palavras normalmente seriam consideradas confiáveis. Como testemunho, teriam um poder destrutivo enorme!

    E a acusação de bater numa garota era extremamente ameaçadora para um professor particular, sobretudo para alguém um pouco mais velho, com identidade e posição social respeitáveis.

    Mesmo que a menina não tivesse sofrido nenhum ferimento real, a reputação do professor acusado de bater nela ainda seria prejudicada.

    Era um problema enorme!

    Especialmente diante da opinião pública. Se a situação crescesse, poderia até produzir consequências muito graves! Na era da internet, quando a opinião pública começava a ferver, podia ser assustadora!

    Da última vez, He Xinxin usara exatamente esse método para expulsar o professor particular.

    Ele realmente ficara com medo!

    Ninguém queria se envolver numa confusão dessas.

    Wu Chen, porém, permanecia muito tranquilo. He Xinxin bloqueava a porta e atuava, enquanto ele apenas a observava com um sorriso, completamente impassível diante de tudo o que ela dizia.

    Vale mencionar que a voz de He Xinxin não atraiu He Shiqin. A mãe não conseguia ouvir o que acontecia dentro do ateliê — não porque o isolamento acústico fosse tão bom, mas porque He Xinxin não estava falando alto o bastante.

    Afinal, por que Wu Chen começaria a bater nela do nada?

    He Xinxin não era burra. Naturalmente entendia isso. Se algo não fizesse sentido, sua mãe perceberia.

    Mesmo assim, começou a atuar.

    A atuação era apenas para Wu Chen.

    Na verdade, ela estava tentando assustá-lo. Já fizera aquilo antes e conseguira afugentar o professor que lhe ensinava desenho. E não apenas o assustara: também o fizera ir embora de tanta raiva, porque aquela menina realmente sabia tirar alguém do sério!

    Expulsava as pessoas ameaçando incriminá-las!

    — Professor, eu errei, não me bate mais, não me bate… eu errei… buá… eu errei… não vou contar pra minha mãe… não vou falar nada… para de me bater…

    Era de dar pena!

    He Xinxin atuava de maneira extremamente convincente! Principalmente aquelas lágrimas, que não paravam de cair, uma a uma. Qualquer um que visse sentiria pena dela e ficaria furioso com o professor que a estivesse espancando! Bater numa menina assim? Era desumano!

    Wu Chen continuou olhando para ela com calma, mantendo o sorriso.

    O monólogo de He Xinxin começou a ficar difícil de sustentar. Wu Chen não reagia, então ela parecia uma idiota atuando sozinha. Aquilo não o assustava?

    O ateliê ficou subitamente em silêncio.

    He Xinxin havia parado de falar. Seu rosto estava coberto de lágrimas, mas não havia medo nem pânico em seus olhos. Pelo contrário, ela o encarava irritada, até um pouco feroz.

    — Você não está com medo? — perguntou He Xinxin.

    — Por que eu deveria estar? — Wu Chen riu. — Você é muito estranha.

    — Quer apostar que eu chamo minha mãe agora? Quero ver o que você vai fazer quando…

    He Xinxin o ameaçou diretamente.

    — Eu nem encostei em você. Foi tudo atuação sua. Se sua mãe vier, você acha mesmo que ela vai acreditar que eu bati em você? Por que eu começaria a bater em você sem motivo nenhum? — perguntou Wu Chen, num tom divertido, como se a achasse engraçada.

    — Porque… porque eu não respeitei você e você ficou furioso de vergonha… — He Xinxin já tinha até pensado numa justificativa.

    — Usou bem a expressão… mas você não tem nem um machucado. Isso está falso demais, não acha? — Wu Chen riu de novo. — Onde foi que eu bati em você? Acha que basta chorar?

    Aquilo realmente era uma falha.

    O professor anterior que He Xinxin afugentara naturalmente também sabia disso, mas ainda assim não quis se envolver naquele problema e ficou extremamente irritado!

    Afinal, se uma menina era capaz de ameaçar e incriminar alguém daquele jeito, como continuar ensinando? Quem sabia que tipo de confusão ela ainda poderia criar no futuro?

    Por isso, antes, bastava He Xinxin terminar sua atuação para deixar o professor furioso e fazê-lo ir embora.

    Nunca chegava ao ponto atual.

    — Você…! — He Xinxin ficou ainda mais irritada. De repente, ergueu a mão e bateu no próprio lado do queixo. O som foi até bem nítido.

    Ela não se atreveu a bater com força. Foi apenas uma reação infantil, então o golpe foi leve, mas ainda deixou uma pequena marca avermelhada.

    Provavelmente levaria meia hora para desaparecer naturalmente.

    — Uau! Que cruel. Está batendo em si mesma? — Wu Chen exagerou de propósito no tom, rindo dela.

    — Eu faço o que eu quiser! Espere só, você está acabado! — respondeu He Xinxin, feroz.

    — Você está tentando me incriminar desse jeito e acha que sua mãe vai acreditar? — Wu Chen a provocou deliberadamente.

    — Claro que vai acreditar em mim! Como ela poderia acreditar em você, um estranho? — Enquanto falava, He Xinxin pareceu achar que ainda não era suficiente. Arregaçou a manga e beliscou o próprio braço.

    — Beliscando a si mesma também? Você é mesmo uma figura. — Wu Chen voltou a rir.

    He Xinxin deixou uma mancha vermelha no próprio braço. Ignorou o que ele dizia, sacudiu a manga larga, segurou-a com uma mão e puxou com a outra…

    Rasgo!

    Conseguiu abrir um pouco a costura da manga, estragando-a.

    — Rasgando a própria roupa também? Até que você tem força. — Wu Chen continuou rindo dela.

    — Você realmente não está com medo? Então eu vou gritar! — He Xinxin virou a cabeça, prestes a chamar a mãe.

    — Espere! — Wu Chen a interrompeu de repente.

    He Xinxin, que já abrira a boca, virou-se imediatamente. Sua expressão ficou orgulhosa na mesma hora. Era uma menina, e todas as emoções estavam estampadas em seu rosto.

    — Finalmente ficou com medo?

    — Pode me dizer por que está batendo em si mesma, rasgando a própria manga e tentando me incriminar? O que você quer afinal? — perguntou Wu Chen, num tom como se realmente não entendesse.

    — Quero que você vá embora! — respondeu He Xinxin diretamente. — Se você for embora e não virar meu professor, eu não incrimino você. Eu não quero aprender a desenhar! Estou de férias e ainda querem me obrigar a estudar. Vá embora… se você for, podemos fingir que nada disso aconteceu. Que tal?

    Depois de falar, He Xinxin olhou triunfante para Wu Chen. Achava que já havia resolvido tudo!

    Até pensou que, se aquele professor Wu cooperasse direitinho, não precisaria mais lhe dar uma lição. Poderia deixá-lo ir e poupar o trabalho.

    — Não me interessa — respondeu Wu Chen, ainda sorrindo. — Eu não aceito ameaças!

    — Você…! Espere só! — He Xinxin se desesperou e gritou diretamente: — Mãe!

    — O que foi, Xinxin? — A voz de He Shiqin respondeu da cozinha.

    He Xinxin ficou em silêncio. Se não respondesse, He Shiqin naturalmente viria verificar.

    E, como esperado, passos surgiram na sala, aproximando-se do ateliê.

    — Xinxin? Por que você gritou? — perguntou He Shiqin enquanto se aproximava.

    He Xinxin continuou sem responder e lançou a Wu Chen um olhar de “você está acabado”. Wu Chen, por sua vez, tirou calmamente o celular do bolso. Logo depois, a expressão de He Xinxin mudou drasticamente. Seus olhos se arregalaram e ela entrou em pânico.

    Porque Wu Chen virou a tela do celular para ela e a balançou diante de seus olhos, ainda sorrindo.

    Na tela aparecia: Gravando… 6 minutos e 39 segundos… 40 segundos… 41 segundos… os números continuavam mudando. A gravação ainda estava em andamento!

    Com aquela duração, toda a conversa entre os dois certamente havia sido gravada!

    Nota