Capítulo 501 — Só uma conversa
por NexoNovelCapítulo 501 — Só uma conversa
Na verdade, Wu Yurong apenas mencionara o assunto de passagem enquanto tomava café com Wu Chen. Como falavam da parceria com Gu Ruibo e Lei Cheng, era natural que acabasse comentando o pequeno entrave que enfrentara.
Mesmo que não tratasse daquilo com Wu Chen e não soubesse o que ele pensava, não seria nada grave: bastaria não contar a verdade ao pai, Wu Weidong.
Ela jamais imaginara que Wu Chen sugeriria, sem demonstrar qualquer preocupação, ir conversar diretamente com o velho. E ainda pretendia fazer com que ele transferisse as ações para ela?!
— I-isso… será que dá certo?… — Wu Yurong arregalou os belos olhos e fitou Wu Chen, com a voz carregada de incerteza.
— Acho que não haverá problema — respondeu Wu Chen, sorrindo para ela. — Ele já pretendia deixar as ações para você. Só vamos antecipar isso.
— É verdade, mas… — Wu Yurong interrompeu a frase no meio. Pelo tom, era difícil discernir se não acreditava ou se estava insegura por outro motivo.
— Se você acha desnecessário, podemos deixar para lá — disse Wu Chen, sustentando o sorriso. — Afinal, continuar escondendo dele também não é problema.
— Eu… não quis dizer isso, querido — justificou-se Wu Yurong, num tom dengoso e extremamente doce. — Só acho que não deve ser tão fácil assim, não é?
Na realidade, Wu Yurong nunca tivera pressa em relação às ações.
Atualmente, detinha 5% das ações do Grupo Senlan. Seu pai, Wu Weidong, ainda possuía 29% e figurava como o maior acionista individual do grupo.
Somadas, as participações de pai e filha alcançavam 34%. Em sentido estrito, isso não representava o controle acionário do Grupo Senlan, mas situava-se confortavelmente acima da margem de segurança: com mais de um terço das ações, tinham poder de veto em deliberações de grande porte.
Além disso, a família Wu exercia o controle efetivo do Grupo Senlan havia décadas.
Antes, esse controle estava nas mãos de Wu Weidong.
Agora, seria mais correto afirmar que pertencia a Wu Yurong!
Tanto o conselho de administração quanto a assembleia de acionistas operavam sob o comando dela. A esmagadora maioria dos acionistas cerrava fileiras com ela, e sua contribuição para o Grupo Senlan superava até mesmo a do pai!
Por essa razão, jamais tivera pressa em receber as ações do pai. Wu Weidong já lhe delegara todos os direitos de voto correspondentes à sua fatia havia muitos anos; não existia motivo algum que a impelisse a antecipar a transferência dos papéis.
Mas!
Se pudesse receber essas ações com antecedência e assumir formalmente a presidência do conselho do Grupo Senlan… seria maravilhoso!
Wu Yurong ficou tentada.
— Não é tão fácil, mas também também não é tão difícil — disse Wu Chen, sorrindo.
— Mas… — Wu Yurong fez menção de retrucar, mas conteve-se. Apertou os lábios e abriu um sorriso doce para ele: — Vou seguir o que você disser.
— Então vamos para lá logo depois de terminar o café — combinou Wu Chen.
— Está bem — anuiu ela, com um aceno de cabeça.
Os dois continuaram a refeição, proseando sem pressa. De repente, contudo, Wu Yurong tornou-se mais comedida nas palavras, visivelmente absorta em pensamentos.
Trim, trim, trim…
O celular de Wu Chen começou a tocar.
Ele puxou o aparelho do bolso, correu os olhos pela tela e atendeu:
— O que houve?
— Senhor Wu, o Grupo de Mídia Zhonghe está querendo investigar o senhor — avisou a voz de Peng Wei do outro lado da linha. Na condição de paparazzo número um, suas fontes eram de fato impressionantes, com informantes espalhados por toda parte.
— Vão investigar a mim ou a Chenwu? — indagou Wu Chen, em tom casual.
A pergunta soava estranha, já que se tratava do mesmo indivíduo, mas Peng Wei entendeu o que Wu Chen queria dizer.
— Chenwu — esclareceu de imediato. — Pelas informações que temos até agora, o objetivo deles é revelar sua identidade e encontrar material comprometedor sobre o senhor…
— Hum… Não me surpreende — comentou Wu Chen.
Não era mesmo nenhuma surpresa!
Depois que a reputação de Zhou Shenglong fora jogada na lama, o Grupo de Mídia Zhonghe certamente contra-atacaria. O conglomerado não tinha meios de saber que fora Wu Chen quem fornecera as provas a Peng Wei, mas era óbvio que deduziriam que a deserção repentina de Peng Wei — coroada por aquela facada pelas costas — guardava relação direta com An Menglan!
Afinal, quando Peng Wei insinuara no Weibo que soltaria uma bomba no dia 2 de agosto, todas as pistas apontavam para An Menglan!
No entanto, em 2 de agosto, em vez de An Menglan ser exposta, quem acabou exposto foi Zhou Shenglong, o astro número um do Grupo de Mídia Zhonghe!
Sem um novo apoio poderoso, Peng Wei jamais teria coragem de romper com o grupo daquela forma.
Além disso, primeiro vazaram o novo álbum de An Menglan; em seguida, plantaram boatos na internet acusando-a de ser amante de um homem casado. Todas as pontas daqueles ataques nos bastidores conduziam ao Grupo de Mídia Zhonghe.
A destruição de Zhou Shenglong podia perfeitamente ser lida como a retaliação de An Menglan.
Agora, o Grupo de Mídia Zhonghe tentaria golpear An Menglan por todos os flancos, mirando inclusive o círculo ligado à Huaxing Entertainment… Investigar “Chenwu” era um passo natural.
Para eles, sangrar Chenwu equivalia a sangrar An Menglan!
— Senhor Wu, calculei que eles podem mandar paparazzi para Donghai — prosseguiu Peng Wei. — Provavelmente vão começar pela senhorita Song…
Peng Wei sabia quem era Song Xuan.
Assim como An Menglan conseguira ligar para o telefone pessoal de Song Xuan tempos atrás, qualquer um com um mínimo de empenho conseguiria achar o número. Quando lançara suas músicas na rede, Song Xuan deixara no site o contato telefônico registrado em seu próprio nome. Se An Menglan desenterrara essa informação, o Grupo de Mídia Zhonghe também desenterraria. E Peng Wei, por óbvio, também.
Na verdade, desde que o novo álbum de Chenwu fora lançado, choviam curiosos tentando descobrir quem era o sujeito por trás daquele codinome. Era uma tarefa ingrata: Wu Chen não deixara na internet uma única pegada digital que permitisse um rastreamento direto.
Contudo, a única canção de Song Xuan que explodira num sucesso estrondoso trazia letra, composição e arranjo assinados por Chenwu. Isso escancarava para todo mundo que os dois mantinham uma relação de extrema proximidade.
Portanto, a única brecha disponível naquele momento — ou, no mínimo, o atalho mais acessível para uma apuração — era Song Xuan!
— Nada disso é problema — respondeu Wu Chen, lançando um olhar de soslaio para Wu Yurong, sentada à sua frente.
Investigar Song Xuan? Chegar a Chenwu por meio dela?
Wu Chen sequer precisava esquentar a cabeça com aquilo. Em Donghai, Wu Yurong ensinaria àqueles sujeitos como se comportar na terra dos outros!
— …Ah, senhor Wu, tem mais uma coisa… Ouvi uns comentários, mas não tenho certeza absoluta, é só boato por enquanto… Dizem que o Grupo de Mídia Zhonghe vai soltar uma grande bomba na internet hoje ao meio-dia para esvaziar o escândalo do Zhou Shenglong. Ainda não temos confirmação de quem pretendem expor, mas é quase certo que seja alguém do ecossistema da Huaxing… — acrescentou Peng Wei.
Wu Chen permaneceu ao telefone com Peng Wei por alguns minutos. Na maior parte do tempo, limitou-se a escutar os relatos, que incluíam o andamento da devassa sobre os podres de outros artistas em alta do Grupo de Mídia Zhonghe.
— …Senhor Wu, sei que a família Wu tem um peso colossal em Donghai e que eles não terão peito para importunar a senhorita Song de verdade, mas se isso se arrastar… mais cedo ou mais tarde o Grupo de Mídia Zhonghe vai acabar batendo na sua porta… — comentou Peng Wei por fim, com o tom carregado de inquietação.
Era um fato. Descobrir a identidade real de Chenwu era difícil, mas não impossível. Com tempo de sobra, estranho seria se não chegassem a ele.
Paparazzi eram notórios por sua paciência inesgotável: para caçar determinado astro, eram plenamente capazes de passar um ano inteiro vigiando, seguindo e montando guarda sem piscar.
Tudo pelo lucro.
Quanto maior a fama do alvo, mais compensava o investimento e mais valiosas eram as revelações.
E Wu Chen, na internet, já despontava com a aura de um grande estrela.
A preocupação de Peng Wei fazia sentido. Wu Chen, todavia, conhecendo a índole do sujeito, sabia que o homem não tremia apenas pela possibilidade de Chenwu ser desmascarado e ter podres expostos.
Tremia pela própria pele!
Quem o Grupo de Mídia Zhonghe mais queria destruir naquele exato segundo era o próprio Peng Wei! Por isso, Peng Wei desejava que Wu Chen golpeasse o grupo com mais fúria e celeridade!
Assim, a identidade de Wu Chen ficaria a salvo, e Peng Wei também estaria seguro.
— Pode tirar esse peso das costas. Se fui eu quem mandou você soltar as informações, é claro que não vou deixar nada de ruim acontecer com você. — Wu Chen deu um sorriso brando, desnudando os pensamentos do interlocutor sem rodeios. E, sem esperar que Peng Wei dissesse nada, arrematou: — Faça o que precisa fazer. Amanhã vou a Modu; conversaremos pessoalmente quando eu chegar.
— Perfeito, perfeito, senhor Wu! Ficarei aguardando — despediu-se Peng Wei.
Chamada encerrada.
Ao ver Wu Chen guardar o celular casualmente sobre a mesa, Wu Yurong indagou com sua costumeira voz aveludada:
— Algum contratempo?
— Coisa à toa. — Wu Chen abriu um sorriso para ela. — O Grupo de Mídia Zhonghe está investigando a identidade de Chenwu. O plano deles é tentar puxar o fio pela sua filha…
Ao ouvir aquilo, Wu Yurong arqueou de leve as sobrancelhas, sem demonstrar maior sobressalto.
Era, com efeito, um problema pequeno.
Ela não sabia como Wu Chen orquestraria os passos seguintes, mas tampouco precisava se desgastar com isso: confiava plenamente na capacidade dele de liquidar o assunto com facilidade. Do seu lado, bastava proteger a filha.
E isso era trivial para Wu Yurong.
Ela já mantinha muitas pessoas encarregadas de proteger Song Xuan, incluindo seguranças femininas que a escoltavam à distância e todo tipo de informantes; até mesmo algumas das melhores amigas da garota atuavam como ouvidos atentos a serviço da mãe.
Wu Yurong sempre dedicara muito cuidado à proteção da filha.
Com essa base já estruturada, reforçar a guarda dependia de um único telefonema.
…
Por volta das nove e meia da manhã.
Após concluírem o desjejum, Wu Chen e Wu Yurong partiram juntos rumo aos arredores da zona sul de Donghai.
Wu Yurong acomodou-se no banco do carona da Lamborghini de Wu Chen. Seu comboio pessoal, formado por três carros — entre eles um Bentley —, posicionou-se logo atrás. Os quatro veículos ganharam a estrada em comboio.
Por volta das dez da manhã.
Rodovia nacional, ao sul de Donghai.
A comboio preparava-se para deixar a rodovia nacional. O destino final estava a poucos minutos de distância.
Dentro da cabine da Lamborghini.
— Querido, você poderia me adiantar como pretende… conversar com meu pai? — Wu Yurong, sentada no carona, finalmente não conseguiu mais conter a curiosidade.
Até então, vinha engolindo a seco. Não queria passar a impressão de desconfiar de Wu Chen, muito menos dar margem a mal-entendidos; mas tratava-se do seu pai, e ela conhecia as idiossincrasias do velho: morria de medo de que Wu Chen recorresse a métodos drásticos demais.
Houve uma época em que a relação entre Wu Yurong e o pai, Wu Weidong, fora marcada por um ressentimento profundo; contudo, após o divórcio e o retorno dela a Donghai, Wu Weidong, sentindo-se em eterna dívida com a filha, cobrira-a de respaldo e incentivo.
Podia-se afirmar que a ascensão meteórica de Wu Yurong no mundo dos negócios, sua coroação como mandachuva do Grupo Senlan e a expansão agressiva da marca deviam-se, em grande parte, à bênção inicial de Wu Weidong.
Pai e filha haviam selado a paz havia mais de dez anos. Hoje, eram extraordinariamente apegados.
Wu Yurong sabia perfeitamente o quanto o pai conseguia ser teimoso e apegado às tradições antigas. Apresentar em casa um amante de vinte e poucos anos já seria um choque por si só. E agora ainda pretendiam informá-lo sobre o plano de tomar os ativos periféricos da família Ding? E pedir que transferisse suas ações?
Como seria viável arrancar isso do velho sem recorrer a métodos extraordinários?
Mas, se apelassem para tais expedientes…
— Só uma conversa — respondeu Wu Chen, lançando-lhe um olhar risonho enquanto manobrava o volante. Havia um matiz sutil em sua voz. No mesmo instante, puxou a direção, e o esportivo embicou na alça de acesso.
A Lamborghini rugiu em alta velocidade.
Após avançar mais duzentos ou trezentos metros pela via vicinal, o bólido reduziu o ritmo bruscamente.
A região era retirada, cercada por uma vegetação luxuriante dos dois lados da pista. Por trás das copas alinhadas das árvores, já se divisava um extenso muro perimetral; mais adiante, descortinou-se o portão monumental de uma propriedade, largo o bastante para acolher quatro carros emparelhados.
Era uma propriedade imensa, batizada em alusão ao império corporativo da família: a Mansão Senlan!
A morada de Wu Weidong, o terceiro homem mais rico de Donghai!
A Lamborghini freou diante do portão principal. No interior do veículo, Wu Yurong sacou um pequeno controle remoto da bolsa e acionou o comando; o portão fechado começou a se abrir lentamente, abrindo-se de forma automática.
Entraram!
